Brasil, também conhecida como Hy-Brasil (do gaélico irlandês: Uí Bhreasail) entre várias outras variantes, é uma ilha fantasma que se dizia existir no Oceano Atlântico.
Os mitos irlandeses a descreviam como encoberta por névoa, exceto por um dia a cada sete anos, quando se torna visível, mas ainda assim inalcançável.
Nomenclatura O historiador Walter Scaife (1890) observou que a ilha do Brasil foi mapeada em várias localizações (cf. Aparições em mapas) com uma variação quase igualmente diversa na toponímia (Scaife listou treze grafias para Brasil).
Etimologia A etimologia dos nomes Brasil e Hy-Brasil é incerta, mas o geógrafo italiano Paolo Revelli Beaumont (1937) tinha certeza de que estava relacionada ao corante do pau-brasil. O latim medieval brasile era o termo para um corante que gozou de grande popularidade como mercadoria comercial no século XII em toda a Europa Ocidental. Especula-se que a ampla aparição do nome serviu como um marcador de localização para fontes do corante, principalmente para marinheiros da República de Gênova, de onde se originam a maioria dos mapas. O nome do país Brasil também está ligado ao corante do pau-brasil. Argumentou-se que a ilha irlandesa não pode estar conectada com o pau-brasil tropical, que não cresce tão ao norte, mas esse argumento pode ser combatido pelo fato de que o próprio corante "brasil" pode ser obtido de outras árvores que crescem na Europa.
Na tradição irlandesa, diz-se que vem do irlandês Uí Breasail — que significa 'descendentes do clã de Bresal' —, um clã gaélico menor do nordeste da Irlanda, ou menos frequentemente do irlandês antigo í 'ilha' + bres 'beleza, valor; grande, poderoso'.
Aparições em mapas Brasil foi mapeada em diferentes mapas e em várias localizações, como:
Cartas náuticas identificaram uma ilha chamada Bracile a oeste da Irlanda no Oceano Atlântico em um portulano de Angelino Dulcert por volta de 1325, no portulano Rex Tholomeus por volta de 1360 e no Atlas Catalão por volta de 1375.
Mais tarde apareceu como Insula de Brasil no mapa veneziano de Andrea Bianco (1436), ligada a uma das maiores ilhas de um grupo de ilhas no Atlântico. Isso foi identificado por um tempo com a moderna Ilha Terceira, nos Açores, onde um monte vulcânico na baía de sua cidade principal, Angra do Heroísmo, ainda se chama Monte Brasil. Uma carta catalã de cerca de 1480 rotula duas ilhas como Illa de brasil, uma a sudoeste da Irlanda e outra ao sul de Illa verde ou Groenlândia.
Em 1526, Roger Barlow traduziu a Suma de Geographia de Martín Fernández de Enciso para o inglês e incluiu a seguinte descrição:
Nos mapas, a ilha era mostrada como circular, frequentemente com um estreito central ou rio correndo de leste a oeste em seu diâmetro. Apesar do fracasso das tentativas de encontrá-la, ela apareceu regularmente em mapas a sudoeste da Baía de Galway até 1865, quando passou a ser chamada de "Brasil Rock" (Rocha Brasil).
Várias características geográficas de águas rasas foram sugeridas como o local da lendária Brasil, como o Banco Porcupine, Yellow Ridge (Imaire Buidhe) ou Rockall.
Buscas pela ilha Expedições partiram de Bristol em 1480 e 1481 para procurar a ilha; e uma carta escrita por Pedro de Ayala, logo após o retorno de John Cabot (de sua expedição em 1497), relata que a terra encontrada por Cabot havia sido "descoberta no passado pelos homens de Bristol que encontraram o Brasil".
Em 1674, o capitão John Nisbet afirmou ter visto a ilha numa viagem da França para a Irlanda, relatando que a ilha era habitada por grandes coelhos pretos e um mago que vivia sozinho num castelo de pedra; no entanto, o personagem e a história eram uma invenção literária do autor irlandês Richard Head. Roderick O'Flaherty em A Chorographical Description of West or H-Iar Connaught (1684) conta que: "Vive agora, Morogh O'Ley (Murrough Ó Laoí), que imagina ter estado pessoalmente em O'Brasil por dois dias, e viu de lá as Ilhas de Aran, Golamhead [perto de Lettermullen], Irrosbeghill, e outros lugares do continente ocidental com os quais ele estava familiarizado."
Hy-Brasil também foi identificada com o Banco Porcupine, um banco de areia no Oceano Atlântico a cerca de a oeste da Irlanda e descoberto em 1862. Já em 1870, um artigo foi lido na Sociedade Geológica da Irlanda sugerindo esta identificação. A sugestão desde então apareceu mais de uma vez, numa edição de 1883 de Notes and Queries.
Na cultura popular O poeta e dramaturgo irlandês Gerald Griffin escreveu sobre Hy-Brasil no início do século XIX.
Em The Hollow Hills, parte da "Trilogia de Merlin" de Mary Stewart, vários personagens acreditam (incorretamente) que o mago Merlim escondeu o jovem Príncipe Arthur em Hy-Brasil.
Na comédia cinematográfica Erik the Viking de 1989, Hy-Brasil é a localização do Chifre Ressoante, que dizem permitir que os mortais entrem em Asgard e voltem para casa em segurança. No filme, diz-se que se o sangue for derramado nas suas costas, a terra afundará sob as ondas.
O conto Hy-Brasil de Mary Burke publicado em 2005, usa o mito como uma alegoria para a ruptura causada pelos conflitos da Irlanda do Norte (The Troubles).
No livro de 2009 Underworld: The Mysterious Origins of Civilization, Graham Hancock atribuiu o surgimento de Hy-Brasil em tantos mapas como evidência de um corpus perdido de mapas pré-ptolomaicos que mostravam evidências de mudanças substanciais na Terra, incluindo ilhas submersas.
No romance de 2023 de H. G. Parry, The Magician's Daughter, Hy-Brasil aparece como uma ilha encantada escondida do resto do mundo.
Ver também Avalon Inisheer
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