Designa-se Oregon Trail (em português poder-se-ia designar Itinerário do Oregon, Rota do Oregon ou Trilho do Oregon) o itinerário histórico com cerca de 3200 km de comprimento que segue a direção leste-oeste que liga o rio Missouri aos vales do Oregon e locais intermédios. O Oregon Trail é um dos três Emigrant Trails em conjunto com o California Trail e o Mormon Trail, usados em meados do século XIX pelos que buscavam terras a oeste das Planícies Interiores e das Montanhas Rochosas. A parte oriental do itinerário percorria parte do futuro estado do Kansas e quase todo o território do que são hoje os estados do Nebraska e Wyoming. A parte ocidental cobria grande parte dos futuros estados do Idaho e Oregon.

O Oregon Trail tem origem nas rotas descobertas por caçadores e comerciantes de peles no período de 1811 a 1840, e era apenas atravessável a pé ou a cavalo. Por volta de 1836, um primeiro grupo de carroças de imigrantes foi organizado em Independence e chegou a Fort Hall. Os trilhos seguidos pelas carroças foram progressivamente estabelecidos para oeste, chegando até ao Vale do Willamette no Oregon. Assim, o que ficou designado como Oregon Trail ficou completo. Ao longo dos tempos as estradas foram tendo melhoramentos, foram estabelecidos meios de navegação ou pontes para a travessia de rios, o que tornava a viagem mais rápida e mais segura a cada ano que passava. A partir de vários pontos de partida nos estados de Missouri, Iowa ou no Território do Nebraska, as rotas convergiam ao longo do troço inferior do rio Platte perto de Fort Kearny, no Território do Nebraska, conduzindo às ricas terras a oeste das Montanhas Rochosas.

A partir de meados da década de 1830 e em particular no período 1846–1869, o Oregon Trail e várias ramificações foram usadas por cerca de pessoas, incluindo colonizadores, rancheiros, agricultores, mineiros, homens de negócios e suas famílias. A parte oriental era também usada por viajantes que seguiam o California Trail (a partir de 1843), o Bozeman Trail (a partir de 1863), e o Mormon Trail (a partir de 1847), que usavam muitos dos trilhos orientais antes de seguirem percursos separados. O uso do Oregon Trail decaiu quando a Primeira Ferrovia Transcontinental ficou terminada em 1869, tornando a viagem para oeste muito mais rápida, barata e segura. Hoje, autoestradas modernas como a Interstate 80 seguem o mesmo percurso e passam pelas localidades fundadas para servir o Oregon Trail.

História Expedição de Lewis e Clark

Em 20 de junho de 1803 o Presidente dos Estados Unidos Thomas Jefferson deu ordens a Meriwether Lewis para fazer uma missão com o "intuito de explorar o rio Missouri, e o seu principal curso de água, para que, pelo seu curso e comunicação com as águas do oceano Pacífico, quer pelo Colúmbia, Oregon, Colorado e/ou outro rio possa oferecer a comunicação mais direta e praticável para atravessar o continente, para fins de comércio."Federal Writers Project, The Oregon trail: the Missouri river to the Pacific ocean (1939) p.215 Embora Lewis e William Clark tenham encontrado um caminho para o oceano Pacífico, só em 1859 é que uma rota direta e praticável, a Mullan Road, passou a ligar o rio Missouri ao rio Colúmbia.

thumb|left|Recriação histórica do Oregon Trail no condado de Scotts Bluff, no Nebraska. A primeira rota terrestre através do que forma hoje o território dos Estados Unidos foi parcialmente mapeada pela expedição de Lewis e Clark entre 1804 e 1806. Lewis e Clark supunham a princípio que tinham encontrado uma rota prática para a costa oeste. Porém, os dois passos de montanha que encontraram nas Montanhas Rochosas, o Passo Lemhi e o Passo Lolo, afiguraram-se muito difíceis para a passagem de carroças e exigiam um grande esforço dos viajantes. A viagem de regresso em 1806 foi feita pelo rio Colúmbia até ao rio Snake e depois pelo rio Clearwater e sobre o passo Lolo uma segunda vez. Depois seguiram por terra até ao rio Blackfoot e cruzaram a Divisória Continental da América do Norte no Passo Lewis e Clark, no Montana e daí até às cabeceiras do rio Missouri. Esta rota era mais curta e rápida do que a que seguiram para oeste mas tinha a desvantagem de ser muito dura para carroças e era controlada pelos índios Blackfoot. Embora Lewis e Clark só tenham viajado numa pequena porção das bacias do rio Missouri e do rio Colúmbia, estes dois rios foram considerados como os principais efluentes das Montanhas Rochosas, e a expedição confirmou que não havia nenhuma rota "fácil" pela parte setentrional das Montanhas Rochosas como esperava o presidente Jefferson. Mesmo assim, esta expedição célebre conseguiu mapear as secções ocidental e oriental dos vales do rio Platte e do rio Snake que acabaram por conduzir ao Oregon Trail e a outras rotas de imigração. Apenas não conseguiram localizar o South Pass, ponto fulcral do percurso, nem os vales interligados que foram usados depois, vários dos quais descobertos pela Expedição Astor.

Expedição Astor

Em 1810, o empresário e negociante de peles John Jacob Astor, da American Fur Company, à época um dos homens mais ricos dos Estados Unidos, delineou e financiou uma expedição (que ficou conhecida como Expedição Astor), comandada por Wilson Price Hunt, para tentar encontrar uma rota de ligação e abastecimento por terra entre os territórios de caça e os postos de comércio de peles. Temendo o ataque dos índios Blackfoot, a expedição seguiu a sul da rota tomada pela expedição de Lewis e Clark no que é hoje o estado de Wyoming, tendo no trajeto passado pelo Union Pass e por Jackson Hole. Daí passou pela cordilheira Teton através do Teton Pass e desceu o rio Snake no Idaho. Abandonando os cavalos no rio Snake, fizeram canoas e tentaram usar o rio como meio de transporte. Após alguns dias de viagem descobriram desfiladeiros íngremes, cataratas e rápidos inultrapassáveis que tornaram a viagem por rio impossível. Demasiado longe dos seus cavalos para os recuperar, tiveram de esconder a maior parte dos seus bens e andar a pé o resto do caminho até ao rio Colúmbia, onde fizeram outras canoas e viajaram até ao recém-fundado Fort Astoria. A expedição demonstrou que a maior parte da rota ao longo do vale do rio Snake até ao rio Colúmbia se poderia fazer em caravana e, com alguns melhoramentos ocasionais, até em carroças.

No início de 1811 o navio de abastecimento Tonquin deixou carga e homens para fundar Fort Astoria (Oregon) na foz do rio Colúmbia e Fort Okanogan (Washington) na confluência dos rios Okanogan e Colúmbia. O navio Tonquin subiu a costa até ao Puget Sound para uma expedição comercial. Aí foi atacado pelos índios antes de alguém o ter feito explodir, matando toda a tripulação e alguns índios. O parceiro da American Fur Company, Robert Stuart, liderou um pequeno grupo de homens de volta para o leste para informar Astor do sucedido. O grupo planeou retomar o caminho seguido pela expedição no sentido inverso, seguindo os rios Colúmbia e Snake.

O receio de ataques de índios perto do Union Pass no Wyoming forçou o grupo a seguir uma rota mais para sul, onde afortunadamente descobriu o South Pass, um passo de montanha largo e de fácil passagem da Divisória Continental. O grupo continuou para leste seguindo o rio Sweetwater, o rio North Platte (onde passou o inverno de 1812–1813) e o rio Platte até ao rio Missouri, chegando por fim a St. Louis na primavera de 1813. A rota que usaram parecia apta para viagens com carroças, apenas precisando de melhorias ocasionais, e os diários de Stuart fornecem um registo pormenorizado da maior parte do caminho. Porém, a Guerra de 1812 e a falta de postos comerciais dos Estados Unidos no Oregon Country levaram a que a rota não fosse usada durante mais de 10 anos. Porém, Astor não ficou afetado pela não exploração da rota, pois com os seus contactos em Washington, DC, continuou a fazer comércio com pelas do Canadá, comerciando em Nova Iorque e trazendo-lhe grandes rendimentos.

A Companhia do Noroeste e a Companhia da Baía de Hudson

Em agosto de 1811, três meses após a fundação de Fort Astor, David Thompson e a sua equipa de exploradores da British North West Company fizeram o percurso de descida do Colúmbia até Fort Astoria. Tinham acabado de completar uma heroica viagem por grande parte do Canadá ocidental e da bacia do rio Colúmbia. O seu intuito era cartografar a região para estudar possíveis locais para postos de comércio. Ao longo do caminho acamparam na confluência dos rios Colúmbia e Snake e afixaram um sinal a reclamar as terras para a Grã-Bretanha afirmando a intenção da Companhia do Noroeste de construir um forte no local (Fort Nez Perces estabelecer-se-ia depois no local). Astor, pressionado pelo potencial arresto por parte da Marinha Britânica dos seus fortes e mantimentos durante a Guerra de 1812, vendeu nesse ano à Companhia do Noroeste os seus fortes, mantimentos e peles dos rios Colúmbia e Snake. A Companhia do Noroeste começou a fundar mais forte e postos de comércio por sua conta.

Em 1821, quando rebentou um conflito armado entre as rivais Companhia da Baía de Hudson e a Companhia do Noroeste, esta última viu-se forçada pelo governo britânico a fundir-se com a primeira. A Companhia da Baía de Hudson tinha praticamente o monopólio do comércio e de alguns assuntos de governação do Distrito de Colúmbia, ou Oregon Country como era conhecido pelos norte-americanos, e também na Terra de Rupert (o Canadá ocidental). Nesse ano o Parlamento Britânico aprovou um estatuto que fazia vigorar as leis do Canadá Superior na região e dando à Companhia da Baía de Hudson poder para fazer cumprir essas leis.

O "Grande Deserto Americano" thumb|Oregon Trail Ruts - sulcos perto de Guernsey.

Relatos das expedições de 1806 feitos pelo tenente Zebulon Pike e de 1819 pelo major Stephen Long descrevem as Grandes Planícies como "inadequadas para habitação humana" e como "Grande Deserto Americano". Estas descrições eram sobretudo baseadas na falta de madeira e de água à superfície. As imagens de terras arenosas em conjunto com o termo "deserto" eram adicionadas os muitos relatos de manadas de milhões de bisontes-da-planície, que de algum modo conseguiam viver nesse "deserto"Só mais tarde seria descoberto o aquífero Ogallala e usado para irrigação, se desenvolveriam técnicas para agricultura de sequeiro e se colocaria o caminho-de-ferro. Na década de 1840 as Grandes Planícies nada tinham de atrativo para a colonização e era até proibida a fixação de colonos até 1846, sendo reservada a assentamentos dos ameríndios. A terra mais próxima para colonização e fixação era o Oregon, livre e fértil, com bom e saudável clima - a febre amarela e a malária grassavam então nas bacias do Missouri e Mississippi -, vastas florestas, grandes rios, portos em potencial e apenas alguns colonizadores britânicos.

Comerciantes de peles, caçadores e exploradores

Os caçadores, muitas vezes contratados pelos comerciantes de peles, seguiram todos os cursos de água possíveis à procura de castores entre os anos de 1812 e 1840.[history.idaho.gov/sites/default/files/uploads/reference-series/0121.pdf] Entre eles estavam Manuel Lisa, Robert Stuart, William Henry Ashley, Jedediah Smith, William Sublette, Andrew Henry, Thomas Fitzpatrick , Kit Carson, Jim Bridger, Peter Skene Ogden, David Thompson, James Douglas, Donald Mackenzie, Alexander Ross, James Sinclair e outros "mountain men". Além de descobrirem e nomearem muitos rios e montanhas no chamado "Intermountain West" e costa do Pacífico (Pacific Northwest) mantinham diários das suas viagens e faziam de guias e consultores quando a rota do Oregon começou a ficar aberta ao trânsito geral. O negócio do comércio de peles acabaria por baixar a um nível residual quando o trânsito pela Oregon Trail se iniciou por volta de 1840. thumb|Our Camp, por Alfred Jacob Miller