thumb|upright=2.2|Impérios coloniais do ocidente, de 1492 até 2008.
Impérios coloniais foram formações políticas caracterizadas pela dominação de territórios ultramarinos, frequentemente descontínuos em relação à metrópole, estabelecidos sobretudo a partir da expansão marítima europeia iniciada no século XV, no contexto da Era dos Descobrimentos. Diferenciaram-se de formas anteriores de império por se apoiarem em redes oceânicas, estruturas administrativas coloniais e sistemas econômicos voltados à exploração e integração das colônias em circuitos globais de comércio.
A formação desses impérios esteve associada ao desenvolvimento da navegação oceânica, da cartografia moderna e do capitalismo mercantil europeu. Portugal e Espanha foram os primeiros Estados a estabelecer domínios coloniais de alcance transcontinental, seguidos, a partir dos séculos XVII e XVIII, por outras potências marítimas, como os Países Baixos, a França e o Reino Unido. A competição entre esses Estados deu origem aos primeiros acordos internacionais de partilha colonial, entre eles o Tratado das Alcáçovas (1479) e o Tratado de Tordesilhas (1494).
Entre os séculos XVII e XIX, os impérios coloniais integraram-se em um sistema global de rivalidades políticas, econômicas e militares, atingindo seu auge durante o período do imperialismo do século XIX, quando a expansão colonial se intensificou, particularmente na África e na Ásia. O Império Britânico destacou-se nesse contexto como o maior império colonial da história em extensão territorial e população submetida.
O declínio dos impérios coloniais ocorreu principalmente ao longo do século XX, em especial após a Segunda Guerra Mundial, com o avanço dos processos de descolonização e a formação de novos Estados independentes na Ásia, na África e no Caribe. Paralelamente aos impérios coloniais ultramarinos, existiram formas alternativas de expansão imperial, baseadas na incorporação territorial contínua, como no caso do Império Russo, do Império Otomano e do Império do Japão.
História
Antecedentes históricos Embora a existência de grandes entidades políticas expansionistas seja um fenômeno recorrente na história humana, os impérios coloniais constituem uma forma específica de dominação imperial, distinta dos impérios da Antiguidade e da Idade Média. Impérios como o Egito Antigo, o Império Romano, o Império Chinês, o Império Inca ou o Império Asteca baseavam-se predominantemente na expansão territorial contígua e na incorporação direta de regiões vizinhas, limitadas pelas condições tecnológicas e logísticas de seu tempo.
Os impérios coloniais, por sua vez, caracterizam-se pela dominação de territórios ultramarinos, frequentemente descontínuos em relação à metrópole, sustentados por redes marítimas, estruturas administrativas diferenciadas e sistemas econômicos orientados para a exploração e a integração em circuitos globais de comércio. Essa forma de império tornou-se historicamente viável apenas a partir do desenvolvimento da navegação oceânica, da cartografia moderna e das transformações econômicas associadas ao final da Idade Média europeia.
Formação dos impérios coloniais europeus (séculos XV–XVI) A formação dos impérios coloniais europeus está diretamente associada à Era dos Descobrimentos, iniciada no século XV. Nesse contexto, a expansão marítima europeia combinou interesses comerciais, estratégicos, políticos e religiosos, permitindo a projeção do poder europeu sobre vastas áreas da África, da Ásia, das Américas e da Oceania.
O Império Português é geralmente considerado o primeiro império colonial de alcance global, estruturando-se inicialmente como um império marítimo-comercial. A partir da conquista de Ceuta em 1415, Portugal estabeleceu uma rede de entrepostos e possessões ao longo da costa africana, no Atlântico Sul e no Oceano Índico, alcançando posteriormente o Brasil, a África Ocidental, a África Oriental, o Sul da Ásia e o Sudeste Asiático, além de domínios na China e em Timor-Leste.
O Império Espanhol consolidou-se sobretudo a partir do século XVI, após a conquista de extensos territórios na América e a incorporação das Filipinas. Diferentemente do modelo português, a expansão espanhola baseou-se amplamente na conquista territorial, na exploração mineral e na implantação de estruturas administrativas complexas, como vice-reinos e audiências.
A rivalidade entre as coroas ibéricas levou à formulação dos primeiros acordos internacionais de partilha colonial, como o Tratado das Alcáçovas (1479) e o Tratado de Tordesilhas (1494), que buscaram regular juridicamente a expansão ultramarina por meio de linhas de demarcação globais.
Consolidação e competição imperial (séculos XVII–XVIII) A partir do século XVII, a primazia ibérica foi progressivamente contestada por novas potências marítimas europeias. O Império Colonial Holandês destacou-se pelo controle de rotas comerciais estratégicas e pela atuação de companhias privadas, como a Companhia Holandesa das Índias Orientais, sobretudo no Oceano Índico e no Sudeste Asiático.
Em paralelo, desenvolveram-se os impérios coloniais francês e britânico, fortemente vinculados à expansão do comércio atlântico, à colonização de povoamento e à exploração de sistemas econômicos baseados na escravidão e na produção de gêneros tropicais.
Nesse período, os impérios coloniais passaram a integrar-se em um sistema global de rivalidades, no qual conflitos europeus frequentemente se estendiam aos territórios ultramarinos, consolidando a dimensão mundial das disputas imperiais.
Imperialismo e expansão colonial do século XIX O século XIX marcou uma nova fase da expansão colonial, frequentemente designada como imperialismo, caracterizada pela intensificação da dominação territorial e econômica sobre regiões da África, da Ásia e da Oceania. Esse processo esteve estreitamente ligado à Revolução Industrial, ao avanço tecnológico e à busca por matérias-primas, mercados consumidores e áreas de investimento.
Durante esse período, o Império Britânico atingiu sua máxima extensão territorial, tornando-se o maior império colonial da história em termos de área e população submetida. Paralelamente, potências de unificação tardia, como a Alemanha e a Itália, bem como o Império Belga, ingressaram na competição colonial, especialmente na África, processo formalizado diplomaticamente na Conferência de Berlim (1884–1885).
Declínio dos impérios coloniais e descolonização O declínio dos impérios coloniais intensificou-se ao longo do século XX, particularmente após a Primeira Guerra Mundial e, de forma decisiva, após a Segunda Guerra Mundial. O enfraquecimento das metrópoles europeias, o fortalecimento de movimentos nacionalistas nas colônias e a pressão internacional por autodeterminação contribuíram para o avanço dos processos de descolonização.
Entre as décadas de 1940 e 1970, grande parte da Ásia, da África e do Caribe conquistou a independência formal, alterando profundamente a ordem internacional e conduzindo à formação de novos Estados soberanos. Esse processo marcou o colapso do sistema colonial europeu, ainda que persistam vínculos políticos, econômicos e culturais entre antigas metrópoles e ex-colônias.
Impérios não europeus e formas alternativas de expansão imperial Paralelamente aos impérios coloniais ultramarinos, existiram formas de expansão imperial baseadas na incorporação territorial contígua. O Império Russo, em expansão desde o século XVII, estendeu-se pela Eurásia, integrando vastas regiões da Sibéria, do Cáucaso e da Ásia Central. Esse império, sucedido pela União Soviética e posteriormente pela Federação Russa, diferiu dos impérios coloniais marítimos, embora também tenha exercido formas de dominação imperial sobre povos periféricos.
Outros casos relevantes incluem o Império Otomano e o Império do Japão, cuja expansão combinou dominação territorial, controle político e integração econômica, evidenciando a diversidade histórica das formas de imperialismo além do modelo colonial europeu clássico.
Lista de impérios coloniais thumb|600px|Regiões que já pertenceram a um império colonial.
Império Português (1415–1999) Colonização portuguesa das Américas Brasil Colônia (1500-1815) Colonização portuguesa de África África Ocidental Portuguesa (1575-1975) África Oriental Portuguesa (1498-1975) Guiné Portuguesa (1474-1974) Fortaleza de São João Baptista de Ajudá (1721-1961) Costa do Ouro Portuguesa (1482-1642) Cabo Verde Português (1462-1975) São Tomé e Príncipe Portuguesa (1470-1975) Índia Portuguesa (1505-1961) Nagasáqui Portuguesa (1580-1587) Macau Português (1557-1999) Ceilão Português (1597-1658) Timor Português (1702-1975) Malaca Portuguesa (1511-1641) Tamão (1514-1521) Omã Português (1507-1656) Império Espanhol (1492–1975/presente) Colonização espanhola da América Vice-Reino da Nova Espanha (1521-1821) Vice-Reino do Peru (1542-1824) Vice-Reino de Nova Granada (1717-1819) Vice-Reino do Rio da Prata (1776-1816) Índias Orientais Espanholas (1565–1898) Formosa Espanhola (1626-1642) Ilhas Canárias (1496-presente) Guiné Espanhola (1778–1968) Saara Espanhol (1884–1975) (1934) Protetorado Espanhol em Marrocos (1912–1956) Ifni (1934-1969) Império Francês (1534–1980/presente) Colonização francesa da América Nova França (1534-1763) França Antártica (1555-1567) França Equinocial (1612-1615) Saint-Domingue (1625-1804) Acádia (1604-1713) Guiana Francesa (1643-1946/presente) Czarado da Rússia, Império Russo, e Federação Russa (1580–presente) Colonialismo russo, Império Soviético Conquista russa da Sibéria Colonização russa da América Ásia Central soviética Transcaucásia Sagallo (atual Djibouti, 1889) Império Neerlandês (1602–1975/presente) Colonização neerlandesa da América e Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Nova Holanda (1630-1654) Novos Países Baixos (1614-1664, 1673-1674) Suriname (1667-1975) Curaçau e Dependências (1815-1954) Caribe Neerlandês Costa do Ouro Neerlandesa (1598-1872) Companhia Holandesa das Índias Orientais Colônia do Cabo (1652–1806) Índias Orientais Neerlandesas (1800-1949) Nova Guiné Neerlandesa (1949-1962) Formosa Neerlandesa (1624-1662) Ceilão Holandês (1640-1796) Possessões ultramarinas inglesas (1583–1707) Colonização escocesa da América (1621–1707) Império Britânico (1707–1997/presente) Colonização britânica da América Companhia Britânica das Índias Orientais e Índia britânica Territórios e mandatos sob administração australiana (1901–presente) O domínio australiano, uma colônia que gradualmente aumentou sua independência em 1907, 1947 e 1986, foi encarregado do governo de várias outras colônias e territórios britânicos e o mandato de Samoa. Também foi co-administradora nominal do mandato de Nauru. O território remanescente não autônomo da Nova Zelândia é Tokelau. Reino da Nova Zelândia (1907–presente) O domínio neozelandês, uma colônia que gradualmente aumentou sua independência em 1907, 1947 e 1986, foi encarregado do governo de várias outras colônias e territórios britânicos e o mandato de Samoa. Também foi co-administradora nominal do mandato de Nauru. O território remanescente não autônomo da Nova Zelândia é Tokelau. Mandatos sob administração sul-africana (1915–1990) O mandato do Sudoeste Africano. O mandato foi governado pelo domínio domínio britânico da África do Sul, que era uma colônia que gradualmente aumentou sua independência em 1910, 1931 e 1961. Império Dinamarquês (1620–1979/presente) Colonização dinamarquesa da América Índias Ocidentais Dinamarquesas (1672-1917) Groenlândia (1814-1979/presente) Costa do Ouro Dinamarquesa (1658-1850) Índia Dinamarquesa (1620-1869) Colônia dinamarquesa das Ilhas Nicobar Império Sueco (1638–1663 e 1784–1878) Colonização sueca da América Nova Suécia (1638-1655) Costa do Ouro Sueca (1650–1658, 1660–1663) border|frameless|23x23px Cavaleiros Hospitalários (Malta, um vassalo do Reino da Sicília; 1651–1665) Colonização hospitalária da América