Abu Abedalá Maomé Almadi Alcaim Biamir Alá (; Tamegroute, ? – ), mais conhecido somente como Abu Abedalá Alcaim, foi um monarca marroquino, fundador da dinastia sádida e do Sultanato Sádida que controlou boa parte do território do atual Marrocos.
Origem De origem árabe, era pretendente ao título de xarife como descendente do profeta Maomé e de seu neto Haçane ibne Ali, filho mais velho de Ali e de Fátima. Este parentesco prestigioso que era admitido por todos na época, foi posto em dúvida no ; ele poderia não descender de Maomé mas da sua ama de leite Halima binte Abi Duaibe da tribo dos saditas de onde viria o nome de sádidas dado à dinastia.Charles-André Julien, Histoire de l'Afrique du Nord, des origines a 1830, éd. Payot, Paris, 1994, p. 573
Santa Cruz do Cabo de Gué Em 1506, segundo Leão, o Africano, quando a Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué (Agadir), capitaneada por João Lopes de Sequeira, ainda não estava acabada, vieram assaltá-la as tribos dos Haha e do Suz, para "reaver" a fortaleza de "Guarguessem". Receberam a ajuda de gente de terra longínqua e elegeram por chefe da armada o xarife Maomé Alcaim. Como o cerco durava, com morte de muitos, a gente do Suz fez um pacto com o xarife, pondo uma tropa de 500 cavalos à disposição dele, para combater os cristãos. O xarife serviu-se dessas forças para ocupar a região e tomar o poder.Chronique de Santa-Cruz du Cap de Gué (Agadir). Texte portugais du XVIeme siècle, traduit et annoté par Pierre de Cenival. Paris, Paul Geuthner. 13, rue Jacob, 13. 1934. p. 23
Segundo cerco da Santa Cruz No mês de Agosto de 1511, é por iniciativa da irmandade Xadhiliyya, que Abu Abedalá Alcaim, instalado em Tarudante, sul de Marrocos, perto de Agadir, começa uma guerra santa contra os portugueses, com uma tentativa novamente falhada contra a Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué, que será tomada em 1541 por seus filhos.
Mas provavelmente em fins de 1512, foi possivelmente o mesmo xarife que conquistou o Castelo de Bem Mirão, que o capitão da fortaleza de Santa Cruz João Lopes de Sequeira também tinha edificado perto de Tamgahrt : "o qual lhe tomarão os Mouros por traição"Chronique de Santa-Cruz du Cap de Gué. p. 24.
Foi pai dos sultões Amade Alaraje e Maomé Axeique, este último acabando por reinar sobre o Marrocos inteiro.
Bibliografia
Charles-André Julien, Histoire de l'Afrique du Nord, des origines à 1830, éd. originale 1931, rééd. Payot, Paris, 1994, os sádidas Janine et Dominique Sourdel, Dictionnaire historique de l'islam, Ed. P.U.F., , p. 715, artigo Saadiens Clio, De la décadence mérinide au royaume saadien Chronique de Santa-Cruz du Cap de Gué (Agadir). Texte portugais du XVIeme siècle, traduit et annoté par Pierre de Cenival. Paris, Paul Geuthner. 13, rue Jacob, 13. 1934 (Crónica de Santa Cruz do cabo de Gué, por autor anónimo portuguez).
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