thumb|250px|Estudantes marchando em Santiago, no Chile A mobilização estudantil de 2011-2012 no Chile correspondeu a uma série de manifestações realizadas a nível nacional por estudantes universitários e do ensino secundário chilenos, a partir do primeiro semestre de 2011. Chegou a ser considerada como das mais importantes dos últimos anos, mesmo comparando com a de 2006.

Esta mobilização, ao contrário das anteriores - que apenas reuniram estudantes de escolas municipais e subvencionadas das 25 universidades pertencentes ao Conselho de Reitores das Universidades Chilenas - conseguiu pela primeira vez convocar estudantes de escolas particulares pagas, Centros de Formação Técnica (CFT), Institutos Profissionais (IP) e universidades privadas, ou seja, todo o sistema educacional chileno.

As primeiras mobilizações nacionais foram convocadas pela Confederação de Estudantes do Chile (CONFECH), uma organização que reúne as associações de estudantes das universidades que integram o Conselho de Reitores das Universidades Chilenas - conhecidas como "tradicionais" - em meados de maio de 2011. Os principais porta-vozes do movimento universitário foram Camila Vallejo, presidente da Federação de Estudantes da Universidade do Chile (FEUCH) e Giorgio Jackson, presidente da Federação de Estudantes da Universidade Católica do Chile (FEUC).

Gradualmente, mas com maior força a partir da primeira quinzena de junho de 2011, os estudantes do ensino secundário começaram a tomar as suas escolas, exigindo medidas que, na sua grande maioria, provêm da manifestação de 2006, conhecida como "Revolução Pinguina". Representando os estudantes do Ensino Secundário está a Assembleia Coordenadora de Estudantes do Ensino Secundário (ACES) e a Federação Metropolitana de Estudantes do Ensino Secundário (FEMES).

Contexto

Sistema educativo chileno A ditadura de Augusto Pinochet favoreceu a educação privada em detrimento do setor público. Em 1981, o regime reformou o sistema universitário e eliminou o ensino superior gratuito. Em Março de 1990, pouco antes da sua partida, Augusto Pinochet promulgou a Lei Orgânica Constitucional sobre Educação (LOCE), que reduziu ainda mais o papel do Estado na educação e delegou novas prerrogativas ao setor privado. As reformas adotadas sob a ditadura não foram contestadas pelos governos que lhe sucederam.https://www.monde-diplomatique.fr/carnet/2011-08-24-Chili

Em 1973, as escolas públicas eram raras, mas desde a queda da ditadura, receberam 60% dos alunos nas escolas primárias e secundárias. Menos de 25% do sistema educativo chileno é financiado pelo Estado, com os estudantes a pagarem os restantes 75% através das propinas universitárias. Não existem universidades públicas gratuitas no Chile.

Os estudos universitários exigem geralmente um elevado nível de endividamento. Num país onde o salário mínimo é o equivalente a menos de 300 euros e o salário médio a menos de 800 euros, os estudantes pagam entre 250 e 600 euros por mês para frequentar a universidade. Como resultado, 65% dos estudantes pobres interrompem os seus estudos por razões financeiras. O sistema educativo chileno contribui assim para a reprodução das desigualdades.

Presidência de Sebastián Piñera Economista e empresário Sebastián Piñera ganhou as Eleições Presidenciais de 2010 com o apoio de uma coligação dos partidos conservadores. O seu governo enfrentou um primeiro movimento de protesto em Maio de 2011, na sequência do seu apoio a um projeto da multinacional italiana Endesa-Enel e do grupo chileno Colbún de construir cinco enormes barragens em Patagónia, sem qualquer consulta aos cidadãos. Mais de trinta mil pessoas manifestaram-se e a popularidade do Presidente Piñera caiu para 26%. No campo da educação, o seu governo enfrentou acusações de conflito de interesses, uma vez que o Ministro da Educação, Joaquín Lavín, foi fundador e acionista da Universidade de Desenvolvimento, uma instituição privada.

Protestos em Abril de 2012

O movimento ressurgiu em abril de 2012, em resposta a proposta do governo de Piñera que atenderia a uma das principais exigências dos estudantes: acabar com o Crédito com Aval do Estado (CAE), instaurado em 2007 e concedido pelos bancos privados para facilitar o pagamento das mensalidades em universidades particulares, com uma taxa de juros três vezes maior do que a praticada pelas universidades públicas.

Ver também

Mobilização estudantil no Chile em 2006

Ligações externas

Anúncio do Grande Acordo Nacional pela Educação pelo presidente chileno, Sebastián Piñera. Lista de instituições que aderiram ao movimento Cronologia do movimento

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