Um brasilianista é um acadêmico, professor, autor ou pesquisador especializado em temas referentes ao Brasil. O termo é em geral usado em relação a pesquisadores estrangeiros (não brasileiros), ou residentes fora do Brasil.

Histórico

Surgido no século XX, os brasilianistas eram pesquisadores estrangeiros, em sua maioria americanos, instalados no Brasil devidamente financiados e academicamente mais bem preparados. Estes levantaram questões diversas e precisas a respeito do Brasil, o que os tornavam gradualmente passíveis de críticas. Naquele período, pesquisadores americanos detinham um amplo acesso a documentos e dados arquivados, ao contrário dos intelectuais brasileiros, o que os colocava em uma situação de superioridade em relação aos pesquisadores natos.

Se o interesse pelo Brasil como objeto de estudo pôde ser visto como motivo de orgulho nacional, progressivamente a noção de “Brasilianista”, que até 1960 era utilizada para indicar uma especialidade, transformava-se em um rótulo pejorativo. Isso porque em certos campos os americanos que aqui se espalhavam obtinham informações minuciosas sobre aspectos específicos do país – que nem o governo brasileiro tivera conhecimento – e a apresentação desta realidade apresentava características negativas e gerava medo.BRASILIANISMO, ‘BRAZILIANISTS’ E DISCURSOS BRASILEIROS. Revista de História e Ciências Sociais, 1991

É inegável a importância das pesquisas estrangeiras realizadas por estrangeiros aos brasileiros, pois estas disponibilizaram novos levantamentos históricos, acesso a arquivos políticos privados e uma “vivificação da memória” do país. Os brasilianistas demonstravam uma importante conexão entre estudos arquivados e estudos da sociedade atual. Dessa forma, os centros de pesquisa e documentação que foram criados ao longo dos anos 70 tinham primordialmente a função de resguardar documentações contemporâneas e privadas e levantar novas documentações do país, visto que até então, os arquivos históricos além de serem pouco acessíveis, eram remetidos praticamente apenas ao período Republicano. A maior contribuição considerada deste processo de “desarteriosclerização” da memória nacional é o início da participação do governo na preservação da memória documental do país, bem como o apoio às ciências sociais, o que se deu primeiramente pela pressão da comunidade acadêmica e, posteriormente, a sociedade em geral.

Surgimento do Brasilianismo Não há datação correta sobre o surgimento do movimento brasilianista, porém correntes teóricas demarcam seu surgimento a partir de seus interesses específicos. Os argumentos mais corriqueiros são:

O fenômeno “brasilianismo” tem seu surgimento datado nos anos 60 e seu contexto histórico embebido na Revolução Cubana, que influenciou no aumento significativo de recursos norte-americanos às pesquisas destinadas ao estudo da América Latina. Assim, o interesse pela preservação de documentos e patrimônios brasileiros teria aflorado e culminaria no estudo do perfil da nação brasileira.MASSI, Fernanda P. 1989. "Franceses e norte-americanos nas ciências sociais brasileiras(1930-1960)". em MICELI, S. (org.), op. cit p.410-59.BRASILIANISTAS,HISTORIOGRAFIA E CENTROS DE DOCUMENTAÇÃO O brasilianismo surgiu a partir dos anos 30, visto que este período foi o marco inicial no cenário brasileiro da produção das ciências sociais. Ainda, neste mesmo período, datam-se as leituras recorrentes de descobertas e redescobertas do Brasil, chamado de “eterno retorno". Encontra-se, também, o aparecimento de inúmeros retratos do Brasil que irão, por fim, ser empregados em grande parte das obras estrangeiras e de autoria brasileira que descreviam o Brasil.PONTES, Heloisa. 1990. "Brasil com z", Estudos Históricos, Rio de Janeiro, Associação de Pesquisa e Documentação Histórica. Vol. 3, n. 5.

Lista de brasilianistas famosos ​​ Esta é uma lista parcial das pessoas que estudaram o Brasil de forma multi-disciplinar.Massi, Fernanda e Heloisa Pontes. 1992. Guia Bibliográfico dos Brasilianistas. Editora Sumaré.

Alan Krebs Manchester Alexander Marchant Alfred Métraux Alfred Stepan Andrew Draffen Angelo Trento Anthony John R. Russell-Wood Anthony Leeds Anthony Seeger Anton Lukesch Barbara H. Stein Bertha Becker Bertram Hutchinson Betty Jane Meggers Billy James Chandler Boris Koval Carl N. Degler Charles Boxer Charles Wagley Clark S. Knolwton Claude Lévi-Strauss Curt Nimuendaju Unkel Daniel Nepsted Daniel Pécaut Darrell E. Levi David Cleary David Maybury-Lewis David Samuels Donald Pierson Emilio Willems Eul-Soo Pang Ezequiel S. Ramirez Frank McCann Daniel Jr Frederick C. Luebke Georg Thomas George C. Boehrer Gerd Kohlhepp Hans Fuchtner Helen Caldwell Helene Clastres Herbert Baldus Herbert S. Klein Hermann Watjen Jacques Lambert James M. Malloy James N. Green Janice E. Perlman Jean Baptiste Nardi Jean Blondel Jean Roche Jean Ziegler Jeffrey Lesser Joe W. Foweraker John Hemming John W.F. Dulles John Wirth Jordan Marten Young Joseph L. Love Junho Edith Hahner Kenneth Maxwell Kenneth Paul Erickson Laurence Hallewell Leslie Bethell Ludwig Lauerhass Jr Mario G. Losano Marshall Eakins Michael Hall Nancy Stepan Neill Macaulay Paul Rivet Peter B. Evans Peter Henry Fry Peter J. McDonough Peter Louis Eisenberg Philip Fernside Philippe Schmitter C. Phyllis Parker Pierre Deffontaines Pierre Fatumbi Verger Pierre Monbeig Ralph Della Cava Richard Graham Richard M. Morse Riordan Roett Robert Carneiro Robert Levine Robert Linhart Robert Weaver Shirley Roger Bastide Roger Edgar Conrad Roger Fontaine Ronald H. Chilcote Ronald Schneider Roy Nash Ruth Landes Samuel H. Lowrie Scott Mainwaring Sheldon L. Maram Shelton H. Davis Shepard Forman L. Spencer Leitman Stanley E. Hilton Stanley J. Stein Stefan Zweig Stuart Schwartz T. Lynn Smith Thomas Bruneau Thomas Gregor Thomas Helsey Holloway Thomas Lovejoy Thomas Skidmore Verena Stolcke Verge Fleischer David Warren Dean Wayne Selcher Werner Baer Wilhelm Schmidt William McDonald Ledingham

Bibliografia complementar Livros e artigos acadêmicos BEIGUELMAN, Paula. 1987. "Cultura acadêmica nacional e brazilianismo, em BOSI, Alfredo, Cultura brasileira, temas e situações. São Paulo, Ática. p.199-207. DA MATTA, Roberto. 1982. "As raízes da violência no Brasil: reflexões de um antropólogosocial", em - et alii, A violência brasileira. São Paulo, Brasiliense. p. 11-44. FAUSTO, Boris. 1988. "Organizando a história geral da civilização brasileira", Estudos Históricos, Rio de Janeiro, Vértice/n.1, p. 71. MASSI, Femanda Peixoto. 1989. "Franceses e norte-americanos nas ciências sociais brasileiras(1930-1960)". em MICELI, Sérgio. História das ciências sociais no Brasil. São Paulo,Vértice/FINEP/IDESP. vol.1. MICELI, Sérgio. 1989. A desilusão americana - relações acadêmicas e intelectuais entre o Brasil e os Estados Unidos, São Paulo, IDESP. NOVAIS, Fernando & CARDOSO, Fernando Henrique. 1982. "Anotações para um preâmbulo a quatro mãos", em LOVE, J. A locomotiva - São Paulo na federação brasileira, Rio de Janeiro,Paz e Terra. PONTES, Heloisa. 1990. "Brasil com z", Estudos Históricos, Rio de Janeiro, Associação de Pesquisa e Documentação Histórica. Vol. 3, n. 5. RODRIGUES, José Honório. 1976. "Os estudos brasileiros e os brazilianists”, Revista de História, São Paulo, USP, vol.54. n. 107, p. 189-219. SEBE, José Carlos. 1984. Introdução ao nacionalismo acadêmico – os brasilianistas, São Paulo, Brasiliense. SEBE, José Carlos.1988. Os brasilianismos, s.ed.mimeo. SOARES, Gláucio A. D. 1988. Entrevista concedida à equipe do projeto "História das Ciências Sociais no Brasil", São Paulo, IDESP

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Ligações externas A engenhosa razão imperialista, por Pierre Bourdieu O Brasil e os brasilianistas no contexto norte americano tau.ac.il: A Reinvenção do Brasilianismo The Brazilianist Online Brasilianismo, Brazilianists e Discursos Brasileiros (Brazilianism, Brazilianists and Brazilian Discourses)(PDF) by Fernanda Peixoto Massi.

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