Lúcio Munácio Planco (90–15 a.C.; ) foi um político da gente Munácia da República Romana eleito cônsul em 42 a.C. com Marco Emílio Lépido. Foi também censor em 22 a.C. juntamente com Lúcio Emílio Lépido Paulo. É retratado como uma pessoa que, para sobreviver numa época turbulenta, trocando habilmente de lado quando lhe era benéfico. Lúcio Munácio Plano, cônsul em 13, era seu filho.

Carreira Primeiros anos Apesar de os primeiros anos de sua carreira pública terem sido muito confusos, alguns fatos são conhecidos. Amigo de Júlio César, Plano serviu sob suas ordens como legado durante as Guerras Gálicas no inverno de 54 a.C. e no ano seguinte, durante a guerra civil contra Pompeu, na qual comandou as forças cesarianas em conjunto com Caio Fábio na Hispânia (Ilerda, 49 a.C.) e, finalmente, acompanhou César em sua campanha africana em 46 a.C., quando tentou, sem sucesso, obter a rendição do comandante pompeiano Caio Consídio em Adrumeto.

No final de 46 a.C., foi um dos prefeitos que governaram a cidade de Roma durante a ausência de César (que estava novamente na Hispânia). Foi nomeado governador da Gália Cisalpina por ele em 44 a.C. e era o candidato de César ao consulado de 42 a.C. com Décimo Júnio Bruto Albino.

Quando César foi assassinado, em 15 de março de 44 a.C., Planco se declarou a favor da anistia aos liberatores e rapidamente tomou para si a posição de governador da Gália Comata. Durante seu mandato, fundou várias cidades, como Lugduno (moderna Lyon), e Augusta Ráurica (Augst). Inscrição funerária de Lúcio Munácio Plano Orelli, Inscrip. Nº 590; Dião Cássio, História Romana XLVI 50; Sêneca, Epistulae morales ad Lucilium 91; Estrabão, Geografía IV págs. 186, 192

Partidário de Marco Antônio Enquanto estava na Gália Comanta, Cícero lhe pediu que apoiasse o partido senatorial e seguisse para ajudar Décimo Júnio Bruto, que estava cercado por Marco Antônio em Mutina. Plano, depois de alguma vacilação inicial, finalmente decidiu, em abril de 43 a.C., começar sua marcha para o sul, mas não havia ainda cruzado os Alpes quando soube da derrota de Antônio e da liberação de Mutina pelos exércitos de Otaviano e dos cônsules Aulo Hírcio e Caio Víbio Pansa. Ele então acampou no território dos alóbroges e uniu seu exército ao de Décimo Bruto com o objetivo de lutar novamente contra Marco Antônio. Porém, a situação mudou novamente quando Marco Emílio Lépido declarou seu apoio a Antônio e as forças de ambos, agora reforçadas pelas de Públio Ventídio Basso, superavam em muito as de Planco, que, aconselhado por Caio Asínio Polião, que já havia desertado para o lado de Antônio, se manifestou também a favor de Antônio e Lépido, abandonando Décimo Bruto à própria sorte (ele morreria assassinado pouco depois, quando tentava cruzar os Alpes).

No outono de 43 a.C. foi formado o Segundo Triunvirato entre Antônio, Otaviano e Lépido e Planco teve que aceitar a proscrição de seu irmão, Lúcio Pláucio Planco. No final do ano, voltou para Roma e, em 29 de dezembro, celebrou um triunfo por alguma vitória obtida ainda na Gália ou, mais provável, na Récia sobre alguma tribo alpina, onde havia assumido o título de imperator ainda antes da Batalha de Mutina segundo Cícero.Cícero, Epistulae ad Familiares X 8,24

Cônsul (42 a.C.) Como estava previsto, foi nomeado cônsul em 42 a.C., mas com Lépido como colega. A Guerra de Perúsia, no ano seguinte, colocou Planco em uma situação bastante difícil, pois ele comandava as tropas de Antônio na Itália e, quando Lúcio Antônio e Fúlvia (esposa do triúnviro) declararam guerra a Otaviano, esperavam naturalmente a sua ajuda, mas como Planco não sabia a opinião de Antônio, tentou manter-se fora do conflito. Quando Perúsia caiu, em 40 a.C., Planco fugiu da Itália com Fúlvia e seguiu para Atenas, abandonando seu exército à própria sorte.

Regressou para a Itália com Marco Antônio e, depois, o acompanhou até o oriente. Em 40 a.C., Antônio o nomeou governador da província da Ásia, que ele mais uma vez abandonou quando os partas, liderados pelo general romano desertor Quinto Labieno, invadiram-na, refugiando-se nas ilhas gregas. Posteriormente, foi nomeado cônsul uma segunda vez,Plínio, História Natural XIII 3 s 5 mas Plínio, o Velho, não menciona o ano;; é provável que tenha sido cônsul sufecto em 36 a.C..

Partidário de Otaviano thumb|direita|upright=1|Mausoléu de Planco em Gaeta, Itália. Em 35 a.C., Planco foi governador da Síria, cargo que exerceu por quatro anos; em 34 a.C., emitiu uma moeda na qual se reporta uma vitória sobre os armênios. Foi considerado por muitos ter sido o responsável pelo assassinato de Sexto Pompeu, irmão de Pompeu e o último dos grandes generais da guerra civil ainda vivo. Ao regressar a Alexandria, em 32 a.C., foi recebido friamente por Antônio pela forma descarada com que havia saqueado sua província. Prevendo a queda de Antônio, Plano resolveu fugir em segredo para Roma ainda no mesmo ano, levando consigo seu sobrinho, Marco Tício. Planco deu informações importantes para Otaviano e passou a servi-loVeleio Patérculo, História Romana II 83..

Viveu tranquilamente com a fortuna que amealhou na Síria e, segundo Suetônio, foi um dos que sugeriram a Otaviano que adotasse o título de "Augusto"Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Augusto 7, 2. em 27 a.C., o último ano da República Romana.

Censura (22 a.C.) Em 22 a.C., Augusto nomeou Planco e Lúcio Emílio Lépido Paulo censoresSuetônio, As Vidas dos Doze Césares, Augusto 37.Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Cláudio 16.Dião Cássio, História Romana 54, 2. e Planco construiu um templo dedicado a Saturno para agradar o imperador, que queria que os romanos ricos decorassem a cidade com edifícios públicos. Sua censura é famosa, não por um feito notável, mas por que foi a última vez que foram nomeados censores na História de Roma.

Durante seu mandato, o avô do futuro imperador Nero, Lúcio Domício Enobarbo, um homem arrogante, extravagante e cruel, que era um edil na época, obrigou Planco a abrir-lhe caminho quando andava por uma rua romana, o que revela a situação miserável que se encontrava Planco depois de sua censura.Suetônio, As Vidas dos Doze Césares, Nero 4. Não se sabe ao certo quando morreu.

Mausoléu Planco é uma das poucas figuras de relevo romanas da qual o túmulo sobreviveu até os nossos dias e está identificado, apesar de seu corpo ter desaparecido ainda na antiguidade.Segundo o epitáfio em seu túmulo, referenciado em Corpus inscriptionum latinarum 10.6087 [online] Seu mausoléu — uma tumba de forma cilíndrica dedicada à Virgem Maria no final do século XIX — fica em Gaeta, na Itália, no alto de uma colina a beira-mar chamada "Monte Orlando".

Família Planco tinha três irmãos e uma irmã e deixou um filho e uma filha. Sua irmã, Munácia Plancina, casou-se com seu sobrinho, Marco Tício, cônsul em 31 a.C.. Sua filha, Munácia Plancina, casou-se com Lúcio Calpúrnio Pisão Cesonino, cônsul em 58 a.C..Júlio César, De Bello Gallico V 24, & c, De Bello Civili I 40Aulo Hírcio, De bello Alexandrino 4Cícero, Epistulae ad Familiares X 1-24, XI 9, 11, 13-15, XII 8; Philippicae III 15, XIII 19Plutarco; Brutus 19; Antonio 56, 58 añosApiano, De bellis civilibus III 46, 74, 81, 97, IV 12, 37, 45, V 33, 35, 50, 55, 61, 144.Dião Cássio, História Romana XLVI 29, 50, 53, XLVII 16, 24, XLVIII 24, 1-3.Veleio Patérculo, História RomanaII 63, 74, 83; Macróbio, Saturnalias II 2Suetônio, De grammaticis et rhetoribus 6Plínio, História Natural VII. 10 s. 12.Solino, Collectanea rerum memorabilium I 75

Ver também

Bibliografia

Categoria:Cônsules da República Romana Categoria:Romanos antigos do século I a.C. Categoria:Pretores da República Romana Categoria:Procônsules da Ásia Categoria:Governadores romanos da Síria Categoria:Guerra Civil dos Libertadores Categoria:Guerra Civil de Antônio Categoria:Magistrados monetários da Roma Antiga Categoria:Correspondentes de Cícero Categoria:Munatii Categoria:Lyon Categoria:Censores do Império Romano Categoria:Campanha de Perúsia Categoria:Romanos envolvidos nas Guerras Gálicas Categoria:Cesarianos Categoria:Prefeitos urbanos de Roma Categoria:Governadores romanos da Gália Transalpina