Patellogastropoda Lindberg, 1986,D.R. Lindberg, 1986. "Radular evolution in the Patellogastropoda". American Malacological Bulletin historicamente denominada de Docoglossa Troschel, 1866, é uma subclasse da classe Gastropoda (a mesma classe dos caracóis, caramujos e lesmas). Também são conhecidos pelo termo lapa, embora esse termo também se aplique a moluscos de outros clados.
Descrição Estes moluscos caracterizam-se por suas conchas calcárias, vagamente cônicas e não espiraladas. Suas conchas são geralmente ovais com uma protuberância próxima ao centro, embora existam exceções.
Possuem duas brânquias na maioria das vezes. Em algumas espécies, há apenas uma, que se projeta no lado direito.
A maior parte das espécies não chega a ter mais de oito centímetros, sendo que muitas são bem menores. Entretanto, algumas espécies, como a Patella mexicana, oriunda do oeste do México, podem chegar a ter vinte centímetros de diâmetro.
Tempo de vida thumb|180px|Lapa (Patella vulgata) virada, com o pé à mostra O tempo de vida desses moluscos é variável, mas geralmente longo. Foram registrados espécimes que viveram mais de uma década.
O tempo de vida tende a diminuir em função do aumento da quantidade de alimento. Espécimes que vivem em rochas estéreis tendem a crescer mais lentamente e viver mais que aqueles que vivem em ambientes com mais disponibilidade de alimento. Por exemplo, os indivíduos da espécie Patella vulgata podem viver até cerca de quinze anos, com um crescimento muito lento, em rochas. Se alimentos são abundantes, porém, crescem muito mais rapidamente, mas só vivem dois ou três anos.
Distribuição Espécies dessa ordem podem ser encontradas em costas rochosas de todos os oceanos. Na costa brasileira, a espécie Acmaea subrugosa (ou Collisella subrugosa), vulgarmente denominada chapeuzinho chinês, é bastante comum. A espécie Patella vulgata apresenta também ampla distribuição, sendo encontrada nas costas do Mar Adriático, do Mar Mediterrâneo e Oceano Atlântico.
Habitat São muito comuns nas zonas entre marés, onde fixam-se às rochas. A maior parte das espécies aderem às rochas e outros substratos agarrando as protuberâncias e depressões do substrato com seu poderoso pé. Também conseguem se pressionar contra as rochas com força considerável, protegendo-se das ondas. Quando se pressionam, conseguem selar a borda de suas conchas contra o substrato, evitando a desidratação durante a maré baixa.
Quando aderem ao substrato, é muito difícil removê-los através de força bruta. Caso se tente removê-los dessa maneira, é mais provável que o espécime seja destruído que removido. Apesar de tamanha resistência à remoção, podem se locomover facilmente através de movimentos ondulados de seu pé.
Comportamento territorial thumb|180px|Lapas sobre rocha, em Pembrokeshire, País de Gales Várias espécies da ordem voltam à mesma área depois de se alimentarem e durante a maré baixa. O ponto para onde retornam acaba ficando com uma depressão. A concha acaba assumindo exatamente a forma da depressão, de modo a se encaixar perfeitamente, protegendo o espécime da desidratação e de predadores. Ainda não se sabe ao certo como conseguem encontrar o ponto ao qual retornam; suspeita-se que deixam feromônios no muco deixando anteriormente na área, e posteriormente "sentem" com quimioreceptores para onde devem retornar.
Além do comportamento de retornar à mesma área, essas espécies também são bastante territoriais, o que é raro entre invertebrados. Indivíduos dessas espécies chegam ao ponto de empurrar outros organismos para fora de seu território com suas conchas, abrindo espaço para o crescimento de algas. Algumas dessas espécies, notavelmente Lottia gigantea, também parecem "cultivar" algas à volta da região onde assentam.
Alimentação thumb|180px|Fotografia da rádula de um espécime do gênero Patella, tirada ao microscópio Esses moluscos alimentam-se geralmente de algas que crescem nos substratos. Removem as algas com suas rádulas. Podem eventualmente comer larvas que assentem sobre o substrato, se forem suficientemente pequenas.
Algumas espécies menores especializaram-se em viver em ervas marinhas, coletando as algas que vivem em tais plantas. Outras espécies pequenas vivem em e consomem algas marrons.
O consumo de algas por esses animais impede a proliferação desmedida das algas. Por isso, são considerados fundamentais para a manutenção da estabilidade da teia alimentar
Predadores Entre seus predadores, estão estrelas-do-mar, aves marinhas, peixes e mamíferos aquáticos, como focas. As lapas possuem diversas defesas contra esses animais: podem fugir, aderir à rocha etc. A defesa adotada depende do predador, que pode muitas vezes ser identificado quimicamente.
Consumo humano thumb|180px|Lapas grelhadas, em Porto Santo As espécies do gênero Cellana são muito apreciadas no Havaí, onde são conhecidas como ‘opihi e podem chegar a custar US$ 40 por 100 gramas.
Outras espécies são apreciadas nos arquipélagos dos Açores e da Madeira e em Portugal, onde são abundantes. As lapas grelhadas constituem uma das formas mais populares de preparação.
Além do uso alimentar, as conchas desses animais são procuradas por colecionadores de conchas.
Espécies ameaçadas Algumas espécies estão ameaçadas. A espécie Patella mexicana está sob risco de extinção, devido à coleta descontrolada (tanto para alimentação quanto por colecionadores) combinada com seu lento crescimento. Os ‘opihi havaianos também estão se tornando escassos, uma vez que são iguarias muito apreciadas. Algumas leis foram propostas para restringir a coleta, mas foram vetadas.
Reprodução A desova ocorre uma vez por ano, geralmente durante o inverno. As larvas vivem na zona pelágica durante algumas semanas, antes de assentarem sobre rochas e outros substratos.
Ao menos algumas espécies são hermafroditas e sofrem mudança de sexo durante o período de vida.
Taxonomia thumb|200px|Espécimes de Patella lusitanica (junto com mexilhões, caracóis Monodonta lineata e cracas Semibalanus balanoides thumb|200px|Concha de uma lapa thumb|200px|Concha vazia de uma Patella vulgata thumb|200px|Fotografia de uma Cellana nigrolineata thumb|200px|Fotografia de uma Cellana toreuma thumb|200px|Patella vulgata virada A taxonomia do clado Patellogastropoda segue abaixo:
Superfamília Neolepetopsoidea McLean, 1990 Família Neolepetopsidae McLean, 1990 Família † Damilinidae Horny, 1961 Família † Lepetopsidae Mclean, 1990
Superfamília Lottiodea Gray, 1840 Família Acmaeidae Forbes, 1850 Subfamília Acmaeinae Forbes, 1850 Gênero Acmaea Gênero Notoacmea Subfamília Pectinodontinae Pilbry, 1891 Gênero Pectinodonta Gênero Problacmaea Subfamília Rhodopetalinae Lindberg, 1981 Gênero Rhodopetala Família Lepetidae Gray, 1850 Subfamília Lepetinae Gray, 1850 Gênero Bathylepeta Moskalay, 1977 Gênero Cryptobranchia Middendorff, 1851 Gênero Iothia Forbes, 1849 Gênero Lepeta J. E. Gray, 1842 Gênero Limalepta Moskalev, 1978 Gênero Maoricrater Dell, 1956 Gênero Notocrater (Suter, 1908) Subfamília Propilidiinae Thiele, 1891 Gênero Propilidium Forbes and Hanley, 1849 Gênero Sagamilepeta Okutani, 1987 Família Lottiidae Gray, 1840 Gênero Collosella Gênero Discurria Gênero Erginus Subfamília Lottinae Gray, 1840 Tribo Lottiini Gray, 1840 (synonym : Tecturidae Gray, 1840 ) Gênero Lottia Gray, 1833 Lottia gigantea Sowerby, 1834 Lottia subrugosa (d'Orbigny, 1846) †Lottia alveus, Eelgrass limpet Gênero Niveotectura Gênero Tectura Tribo Scurriini Lindberg, 1988 Gênero Scurria Subfamília Patelloidinae Chapman & Gabriel, 1923 Gênero Patelloida Gênero Potamacmaea Gênero Radiacmea
Superfamília Nacelloidea Família Nacellidae Gênero Macklintockia Gênero Naccula Gênero Nacella Nacella kerguelenensis (E. A. Smith, 1877 Nacella macquariensis Finlay, 1927 Nacella terroris (Filhol, 1880)
Superfamília Patelloidea Família Patellidae Gênero Cellana Cellana ampla Cellana ardosioea Hombron & Jacquinot, 1841 Cellana capensis Gmelin, 1791 Cellana craticulata Suter, 1905 Cellana conciliata Rainbow limpet Cellana denticulata Martyn, 1784 Cellana eucosmia Pilsbry, 1891 Cellana exarata Hawaiian blackfoot ‘opihi Cellana flava Hutton, 1873 Cellana grata Gould, 1859 Cellana melanostoma Pilsbry, 1891 Cellana nigrolineata Reeve, 1854 Cellana ornata Dillwyn, 1817 Cellana radians (Gmelin, 1791) Cellana rota Cellana sandwicensis Cellana stellifera Gmelin, 1791 Cellana strigilis Powell , 1955 Cellana strigilis strigilis Hombron & Jacquinot, 1841 Cellana strigilis bollonsi Powell, 1955 Cellana strigilis chathanensis (Pilsbry, 1891) Cellana strigilis flemingi Powell, 1955 Cellana strigilis oliveri Powell, 1955 Cellana strigilis redimiculum (Reeve, 1854) Cellana talcosa Gould, 1846 Cellana testudinaria Linnaeus, 1758 Cellana toreuma Reeve, 1855 Cellana tramoserica Holten, 1802 Gênero Helcion Subgênero Ansates Helcion pellucidum Helcion tella Subgênero Helcion Helcion pectunculus Subgênero Patinastra Helcion dunkeri Helcion pruinosus Gênero Helioniscus Helcion tella Gênero Patella Subgênero Olana Patella cochlear Subgênero Patella Patella baudonii Patella caerulea Patella candei Patella (candei) gomesii Patella compressa Patella depressa Patella ferruginea Patella lowei Patella miniata Patella moreleti Patella piperata Patella rustica Patella ulyssiponensis Patella variabilis Patella vulgata Patella granularis Patella adansonii Patella canescens Patella granatina Patella lugubris Patella oculus Patella plumbea Patella argenvillei Patella barbara Patella chapmani Patella exusta Patella flexuosa Patella kermadecensis Patella laticostata Patella longicosta Patella peronii Patella tabularis Patella tucopiana Gênero Rhodopetala Rhodopetala rosea
Categoria:Frutos do mar