Wilson da Silva Piazza (Ribeirão das Neves, 25 de fevereiro de 1943) é um ex-futebolista brasileiro que atuava como volante ou zagueiro.

Carreira Quando garoto, em Ribeirão das Neves, tinha simpatia pelo Villa Nova, de Nova Lima, mas foi no Cruzeiro que Piazza viveu os mais áureos anos de sua carreira.

Começou a dar os primeiros chutes no início da década de 1960 no Renascença, clube de futebol amador de Belo Horizonte (que também revelou Procópio Cardoso e Hilton Oliveira), onde conquistou um campeonato local, em 1962. Em função da contusão do atleta Ilton Chaves, o jovem teve a sua oportunidade no Cruzeiro, sendo contratado junto ao Renascença em 1963, aos 20 anos de idade. E não a desperdiçou. Líder nato que era, Piazza recebeu, três anos depois, as bênçãos e a braçadeira de capitão de Carmine Furletti, o então vice-presidente do clube celeste. Foi o maior capitão da história do Cruzeiro: liderou o grupo estrelado por dez anos consecutivos, de 1966 a 1976.

Piazza era conhecido por sair de campo com a camisa ensopada, pois sempre estava em todas as jogadas ofensivas do adversário, pronto a roubar a bola e a servir Tostão e Dirceu Lopes. Ele conta que ficava incomodado quando saia de campo após atuar improvisado na defesa, pois por ali não molhava a camisa toda, só a parte frontal - a posição de zagueiro não lhe permitia correr atrás da bola, mas apenas tomar conta de um pedaço restrito do campo. Ao lado de Natal, Tostão, Dirceu Lopes, Raul Plassmann e todo o famoso esquadrão celeste das décadas de 1960 e 1970, Piazza fez parte do imbatível Cruzeiro campeão da Taça Brasil de 1966, pentacampeão mineiro entre 1965 e 1969 e campeão da Copa Libertadores da América de 1976 contra o River Plate.

Piazza era soberano na sua posição de volante: desarmava com facilidade e era um implacável e leal marcador - que o diria Pelé. Nos confrontos entre Cruzeiro e Santos, o camisa 5 era tranquilo e infalível - e letal.

Uma das maiores partidas de Piazza com a camisa azul, se não a maior, foi o jogo contra o Santos em 1966. O time celeste, formado por garotos, enfrentava o poderoso Santos de Pelé e já vencia por 1–0. De repente, um lance mágico na partida: Pelé recuou até o meio-campo pedindo a bola, recebeu e, ao sentir o marcador se aproximar, girou o corpo em um drible que o marcou na carreira, por geralmente deixar seus marcadores humilhados. Pelé, todavia, mal conseguiu ver o eficiente capitão Piazza, que passou sem praticamente tocá-lo, levando consigo a bola e puxando o contra-ataque. O maior jogador de todos os tempos ficou parado, observando o volante azul se distanciar, sem ao menos esboçar alguma reação, tal era a surpresa de encontrar um marcador tão limpo, que jogava com tamanha categoria e eficiência e que ainda desarmava magnificamente. Piazza avançou com a redonda e saiu jogando para Dirceu Lopes, que comandou, junto com Tostão, o show do Cruzeiro.

Como começou a carreira no ataque, Piazza tinha facilidade nas finalizações: marcou 40 gols com a camisa celeste. Isto sem contar seu espírito de liderança e organização, que lhe valeram três convocações para a Seleção Brasileira, entre elas, a inesquecível seleção de 1970, na conquista do tricampeonato mundial. Polivalente que era, Piazza jogou como um quarto zagueiro e, ao lado de Brito, não fez feio com a camisa canarinha. Levantou a taça do tricampeonato.

Vida pessoal Atualmente, Piazza é presidente da Federação das Associações de Atletas Profissionais (FAAP).

Títulos Cruzeiro Títulos oficiais: Campeonato Mineiro: 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977 Campeonato Brasileiro: 1966 Torneio Início de Minas Gerais: 1966 Taça Minas Gerais: 1973 Copa Libertadores da América: 1976

Títulos não-oficiais: Torneio de Barbacena (Minas Gerais): 1964 Taça Guilherme de Oliveira (Distrito Federal): 1964 Torneio Natalino Triginelli (Minas Gerais): 1965 Torneio do Bispo (Minas Gerais): 1965 Torneio Mário Coutinho (Minas Gerais): 1965 Torneio de Barbacena (Minas Gerais): 1965 Taça Rio Branco (Uruguai): 1966 Torneio Quadrangular (Brasil): 1966 Torneio do México: 1967 Torneio José Guilherme: 1970 Troféu Triangular de Caracas (Venezuela): 1970 Torneio 11 de Outubro (Panamá): 1971 Torneio do Governador (Bahia): 1971 Torneio Tailândia: 1972 Taça Miller (Estados Unidos): 1972 Torneio Hong Kong (China): 1972 Torneio de Djacarta (Indonésia): 1972

Seleção Brasileira Copa do Mundo FIFA: 1970

Prêmios individuais Bola de Prata da revista Placar: 1972 Craque do time das estrelas da Copa do Mundo: 1970

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