Emotions é o segundo álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Mariah Carey, lançado a 17 de Setembro de 1991 pela editora discográfica Columbia. Este projecto viu um notável distanciamento do som presente no trabalho anterior da artista, Mariah Carey (1990), cuja sonoridade é maioritariamente pop contemporânea e repleto de baladas. Além disso, contrariamente ao trabalho de estreia de Carey, em Emotions ela teve a oportunidade e assumir maior controle criativo, optando por colaborar com novos compositores e produtores, à excepção de Walter Afanasieff, e ainda explorar novos géneros musicais, como o dance, gospel e outros subgéneros soul.

Inicialmente, a resposta da crítica especialista em música contemporânea foi mista, com elogios sendo direccionados ao desempenho vocal da cantora. Porém, o formato "formuláico" do álbum, assim como uma suposta falta de melhoria nas letras da artista, não agradaram os analistas musicais. Não obstante, Emotions venceu um prémio de música da Billboard na categoria feminina. A nível comercial, estreou no quarto posto da tabela musical de álbuns do seu país natal, onde eventualmente recebeu o certificado de disco de platina por quatro vezes na Recording Industry Association of America (RIAA). Em outros países, alcançou as dez melhores posições em mais sete tabelas musicais, incluindo o Japão, a Nova Zelândia e a Noruega. Até 2011, oito milhões de unidades do álbum já haviam sido comercializadas em todo o mundo.

De Emotions foram divulgados três singles. A faixa-título fez de Carey a única artista na história da Billboard a posicionar os primeiros singles da sua carreira no topo da tabela de singles dos Estados Unidos. Além disso, alcançou sucesso comercial em vários mercados musicais europeus, inclusive o Reino Unido, e ainda na Oceania. "Emotions" rendeu a Carey uma nomeação a um prémio Grammy na sua 34.ª cerimónia anual, na qual ela cantou uma versão ao vivo da faixa "If It's Over". "Can't Let Go", o segundo single, foi impedido de liderar a tabela de canções dos Estados Unidos pois a Columbia começou a retrair a canção para impulsionar as vendas do álbum. O terceiro single, "Make It Happen", juntamente com os dois primeiros, foi premiado com o título de "Melhor Canção" na cerimónia de 1993 dos prémios de música pop da Broadcast Music Incorporated.

Antecedentes O álbum de estreia auto-intitulado de Carey foi divulgado em Junho de 1990, alcançando um sucesso massivo em vários mercados musicais ao redor do mundo, inclusive a América do Norte, onde viria a receber o disco de platina por nove vezes nos EUA e por sete vezes no Canadá. Devido a este desempenho comercial, vários analistas de música questionaram se a artista iria ou não embarcar em uma digressão para promover as vendas do álbum em territórios internacionais, com Carey expressando que devido à sua natureza árdua e ainda as dificuldades enormes da cantar as suas canções ao vivo, factores estes associados ao longo de tempo de viagem e viagens constantes, ela temia uma digressão exaustiva. Então, com o tempo extra, a cantora dedicou-se à composição e produção do material do que viria a se tornar Emotions por volta do tempo em que "Someday", o seu terceiro single, foi lançado em Dezembro de 1990. Naquele período, era comum para um artista lançar um álbum de estúdio a cada dois anos de modo a permitir que os singles conseguissem promover o projecto através de reprodução frequente nas principais estações de rádio, além de aparições em programas de televisão. Além disso, após uma digressão que normalmente se seguiria, como um novo álbum seria lançado e traria novos fãs, estes iriam procurar o catálogo do artista e comprar o álbum anterior, na esperança de aprendizagem dos trabalhos mais antigos. Porém, a Sony, distribuidora fonográfica de Carey, optou por seguir uma via tradicional ao longo da década de 1960, na qual artistas lançavam um projecto por ano, à medida que sentiam que a reputação de "verme de estúdio" adquirida pela vocalista, assim como de ser uma compositora jovem, seriam cativantes o suficiente para lançar um novo álbum com mais frequência do que a maioria.

Desenvolvimento e produção À medida na qual a produção para Emotions andava, Carey teve uma briga com Ben Margulies, o colaborador com quem co-escreveu sete das onze canções inclusas no seu álbum de estreia. Juntos, eles haviam escrito e produzido sete canções para a fita de demonstração de Carey entregue ao executivo Tommy Mottola. No entanto, devido a um contrato que a cantora tinha assinado antes do seu contrato com a editora Columbia, a relação deles azedou. Carey concordara em dividir não só os direitos de autor das suas composições, mas também metade do seu rendimento, algo sobre o qual nunca repensou enquanto escrevia músicas no porão da casa de seu pai. No entanto, chegada a hora de compor o material para Emotions, os funcionários da Sony deixaram claro que Margulies apenas seria pago o valor justo dado a qualquer co-compositor do álbum. Então, Margulies entrou em um processo judicial contra a distribuidora, afirmando que, sob contrato, ele teria o direito de trabalhar com Carey, bem como colher benefícios extra. Passado quase um ano, o juiz estabeleceu que o compositor iria ganhar dez por cento do lucro obtido das vendas do álbum de Carey, excluindo quaisquer outros valores oriundos de outros empreendimentos da vocalista. Embora a situação tenha sido resolvida, a relação dos dois não voltou ao dantes. Sentindo-se traída, em uma entrevista para o autor Fred Bronson, Carey disse: "Eu o [contracto] assinei cegamente. Depois, tentei fazer tudo certo para que pudéssemos continuar ... mas ele não o quis aceitar." Após tudo solucionado, Margulies expressou os seus sentimentos acerca do assunto, alegando ter esperanças de um dia trabalhar novamente com a colaborada, colocando a maior parte da culpa na editora: "Espero que um dia a arte prevaleça sobre o negócio."

Mariah Carey tinha sido originalmente gravado no porão da casa do pai de Margulies usando equipamento antigo e de baixa qualidade. Depois de ter assinado com a Columbia, as músicas que seriam usadas para o álbum foram re-masterizadas e re-gravadas em estúdios profissionais. No entanto, devido ao envolvimento da Sony no projecto, Carey não foi permitida produzir a maioria do material do álbum pois os executivos da distribuidora achavam que o auxílio de produtores de renome iriam assegurar o sucesso do álbum. Então, para o seu segundo álbum de estúdio, Carey teve mais liberdade na produção. Além disso, ao contrário do álbum de estreia de Carey, com sonoridade pop e R&B contemporânea, Emotions vê a artista a explorar vários géneros musicais, incluindo o gospel, R&B, soul e pop, assim como sonoridade de trabalhos lançados nas décadas de 1960 e 70.

Como já não tinha mais uma relação profissional nem pessoal com Margulies, a cantora optou por trabalhar com produtores com quem não colaborou no seu álbum de estreia, à excepção de Walter Afanasieff, com quem, apesar de apenas ter co-escrito "Love Takes Time" e produzido uma pequena porção do disco, Carey sentiu uma química forte e rapidamente desenvolveu uma forma única de compor. Após gravar "If It's Over", a cantora expressou a conexão musical que partilhava com Afanasieff, bem como o formato criativo usado na composição e produção da sua música com ele, ou ainda com C+C Music Factory. Ao trabalhar com o primeiro, a dupla sentava no piano e criavam sons até atingirem a notal e o arranjo desejado. Durante uma entrevista em 1992, Afanasieff descreveu como a artista começava a cantar notas e sons diferentes sobre as quais idealizava enquanto ele ia acompanhando com o piano. Assim, ele ajudava ela a atingir a nota certa e vice-versa. Carey descreveu a sua relação de trabalho como "muito original" e muito parecida com a forma pela qual colaborava com Margulies. Além de Afanasieff, a cantora trabalhou com Robert Clivillés e David Cole, ambos membros do grupo de música dance C+C Music Factory. Trabalhar com a dupla foi originalmente uma sugestão de Mottola e, após reunir-se com eles, Carey concordou em colaborar em quatro faixas. Embora similar ao com Afanasieff, o processo criativo de Carey com Cole e Clivillés revelou ser diferente. Eles traziam várias gravações e melodias diferentes, às qual ela iria escolher a favorita. Depois, trabalhavam juntos na construção da melodia já criada, à qual Carey podia adicionar o que quisesse, bem como escrever a letra e definir a tonalidade.

Estrutura musical e conteúdo "Emotions", a faixa de abertura, é fortemente influenciado pela música disco dos anos 1970. O tema coloca a forte extensão vocal "de tirar o fôlego" de Carey em dispor e ainda contém uso do whistle register, sendo até hoje considerado "entre os melhores" da artista. A sua letra "alegre" apresenta uma protagonista a expressar emoção forte e profunda pelo seu amado. "And Don't You Remember", um dos temas mais influenciados pelo gospel no projecto, contém mudanças na progressão de acordes do órgão e produção mínima de modo a colocar mais ênfase e dar um sentimento mais "puro e dos anos 60" à obra. Juntamente com "Emotions", fazem parte de um trio de faixas do álbum concebidas com o objectivo de homenagear as baladas da Motown, com a inclusão de um coro de igreja, assim como arranjo musical exclusivo de Carey. A sua letra reflete o refrão "puro" da canção, contando a história de uma raparida a quem prometido de tudo pelo seu namorado, porém este rapidamente esquece-se dela e parte para uma próxima. Após a decepção, a protagonista questiona-lhe se ele não se lembra de todas aquelas promessas e sonhos partilhados. Influenciada por baladas dos anos 1950, "Can't Let Go", a faixa seguinte, é uma balada lenta, com tristeza e saudade no conteúdo lírico cujo segmento introdutório apresenta mínima mudança de acordes. Durante a sua primeira metade, a vocalista usa uma voz mais baixa e rouca que eventualmente dirige o ouvinte ao crescendo do belting e whistle no fim. Das dez faixas do projecto, Carey sentiu que a mais liricamente autobiográfica foi "Make It Happen", que retrata a história de Carey adolescente e pobre antes de ter assinado com a Columbia, antes de estabelecer a importância da fé e oração. Nickson descreveu a sua instrumentação como "restrita" e "muito Motown-esca," observando também a sua infusão evangélica leve.

miniatura|150px|Carole King aproximou-se de Carey na esperança de trabalhar consigo, eventualmente concebendo "If It's Over". Criticamente, a música mais esperada do álbum foi a colaboração de Carey com Carole King, uma cantora e compositora que alcançou popularidade ao longo da década de 1970. King aproximou-se de Carey na esperança de trabalhar consigo após ouvi-la cantar ao vivo no programa de televisão The Arsenio Hall Show. Durante uma conversa com Carey, King sugeriu que ela interpretasse uma versão de "(You Make Me Feel Like) A Natural Woman", um tema co-escrito por si com Gerry Goffin para a cantora Aretha Franklin. Depois de muita reflexão, Carey recusou por sentir-se desconfortável em fazer uma versão de uma canção que uma das suas influências musicais executou perfeitamente. Ainda determinada a trabalhar com Carey, King voou para Nova Iorque por um dia, na esperança de compor e produzir um tipo de balada. Durante todo o dia, as duas compositoras trocaram ideias musicais e melodias no piano que vieram a culminar em "If It's Over". "Eu amo a voz dela. Ela é muito expressiva. Ela dá muito sentido ao que ela canta," expressou King acerca da experiência de trabalho com Carey. Influenciada por temas divulgados nos anos 1960 e 70, bem como música gospel e outros subgéneros de música soul, a base e a instrumentação do tema foram cruciais para o desempenho de Carey, segundo Nickson.