A Estação Ecológica dos Tupiniquins é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral localizada no litoral sul de São Paulo. O território da unidade é descontínuo, estando dividido em Setor Nordeste e Setor Sudoeste. No Setor Nordeste encontram-se as ilhas de Queimada Pequena, Parcel Noite Escura, Peruíbe e a Ilhota das Gaivotas, todas de fronte ao município de Peruíbe. Já no setor Sudoeste, pŕoximo à divisa com o Paraná, estão compreendidas as Ilhas do Cambriú e do Castilho, no município de Cananéia.

Histórico A Estação Ecológica (ESEC) dos Tupiniquins foi criada em 21 de julho de 1986, através do Decreto Nº 92.964, com o objetivo de conservar os ecossistemas insulares locais. Atualmente a unidade está sob a administração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Caracterização da área A área total da reserva é de , dos quais são insulares e são marinhos.

Clima O Estado de São Paulo encontra-se em uma faixa de transição onde ocorre um confronto entre os climas controlados pelos sistemas tropicais e extratropicais (polares), além dos fenômenos frontológicos (Sant Anna Neto, 1994). Na costa do Estado de São Paulo, a Massa Tropical Atlântica, que é originária do Anticiclone Tropical Atlântico (ATA) e está associada a ventos alísios de direção E e NE, atua durante o ano todo. O ATA é representado pela Massa Polar Atlântica (MPA), pela Massa Polar Velha (MPV) e pela Frente Polar Atlântica (FPA). Durante a ação da PA atuam ventos de SW S SE, que mudam para E e NE na ação da PV. A FPA, conhecida como frente fria, é provocada pelo choque entre sistemas tropicais e polares, sendo mais rigorosa no inverno, mas podendo ocorrer durante todo o ano (Wieczoreck, 2006). Segundo Sant Anna Neto (1994), o clima do litoral sul do Estado de São Paulo (Cananéia e Peruíbe) é controlado por massas tropicais e polares, caracterizado por grande variação de pluviosidade, forte participação de massas polares e passagens frontais, e distribuição quantitativa das chuvas variando de acordo com a topografia. A base de apoio à pesquisa do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) em Cananéia possui uma estação meteorológica que registra informações desde 1956. Uma série temporal de 30 anos aponta uma média pluvial anual de 2.248mm, onde o mês de março (verão) é o mais chuvoso (328mm) e o de agosto (inverno) o mais seco (80mm). O período das chuvas estende de dezembro a abril e o de estiagem de maio a novembro. Em relação às temperaturas, a média do mês mais quente (fevereiro) foi de 25,1°C e o do mês mais frio (julho) de 17,8°C. Segundo Sant Anna Neto (1994), a temperatura média anual para a planície de Cananéia é de 21,3°C. Os ventos predominantes na região sopram do quadrante SW (SW e WSW), com uma frequência de 46,9% no período de janeiro a setembro, com intensidade de 3 a 3,5m/s. Ventos fortes são excepcionais, atingindo 20m/s. O posto meteorológico do Ministério da Agricultura em Iguape, para uma série temporal de 1885 a 1965, indicou que as médias de temperatura e pluviosidade anuais foram de 21,5°C e 1.555mm, respectivamente. O mês mais quente foi fevereiro (24,7°C) e o mais frio foi em julho (18°C). Janeiro foi o mês mais chuvoso (214mm), enquanto que agosto foi o mais seco (74mm).

Geologia Geomorfologicamente, o litoral paulista está contido na unidade Província Costeira definida por Almeida (1964) e Ross & Moroz (1997). A Província Costeira é subdividida nas subzonas Serrania Costeira e Baixada Litorânea, sendo que cada subzona possui características geomorfológicas próprias, refletindo as condições orogênicas ligadas ao arcabouço tectônico. A geologia do Estado de São Paulo é representada por rochas magmáticas, metamórficas, sedimentares e sedimentos recentes, cujas idades variam desde o período Pré-Cambriano e que inclui rochas antiquíssimas, até os períodos Terciários e Quaternários, nos quais se formaram as rochas e sedimentos mais novos. As Rochas Pré-Cambrianas (magmáticas e metamórficas) alinham-se ao longo da faixa costeira. Nas Serras de Paranapiacaba e do Mar, encontramos intrusões de granito, aplitos, em gnaisses, xistos, mármores, quartzitos, filitos, metaconglomerados. Os Sedimentos Carboníferos representam a base dos sedimentos depositados na Bacia Sedimentar do Paraná. As rochas presentes são principalmente arenitos, siltitos, varvitos, tilitos e conglomerados. Segundo Karmman et alii. (1999) apud. Bernardi et alii. (2005), os litorais rochosos da porção oceânica da Ilha do Cardoso, e das Ilhas do Castilho, Cambriú e Bom Abrigo estão associados a uma unidade geológica composta por rochas em que predominam os sienitos e quartzosienitos, com afloramentos de corpos compactos e acumulações de matacões. Uma exceção ocorre no litoral da Ilha do Cardoso que separa as praias de Ipanema e Itacuruçá (ponta do Itacuruçá), onde afloram rochas metassedimentares do tipo metapelitos.

Relevo / Geomorfologia As ilhas da ESEC dos Tupiniquins são rochosas, com feições variadas. Além da área emersa das ilhas, a ESEC compreende o raio de 1km em volta delas, não havendo cálculo da proporção de fundos rochosos e arenosos compreendidos. Embora não haja estimativas das áreas imersas com fundos consolidados, a área emersa fornece uma boa indicação (relativa) da área de fundos rochosos de cada uma destas ilhas. Moura (2002) e Magalhães e equipe (2002) realizaram estudos sobre peixes e invertebrados associados a fundos rochosos, respectivamente, em algumas das ilhas da ESEC, fornecendo as informações sobre os costões das Ilhas Queimada Pequena e Castilho que são descritas na caracterização a seguir: A Ilha Queimada Pequena representa a porção mais externa do setor setentrional da ESEC. É formada basicamente por escarpas rochosas com inclinação variada. No lado sul o costão se estende com grande inclinação até o fundo arenoso, que está a aproximadamente 20m de profundidade. É o lado mais exposto ao embate de ondas, apresentando grandes extensões contínuas de rocha lisa e matacões de grande tamanho (~1-20m no maior eixo), os quais geralmente apresentam fraturas angulosas que proporcionam a formação de locas de tamanho relativamente grande (Moura, 2002). A nordeste há uma Ilhota composta por matacões que se estendem até o canal que o separa da ilha. No lado oeste e mais abrigado tanto da Ilhota quanto da ilha há predomínio de escarpas rochosas que se prolongam até o fundo arenoso, junto ao qual há uma quantidade variada de pequenos (0,3m) e médios (1,0m) fragmentos de rocha, além de manchas esparsas de cascalho e areia sobre as rochas. A porção norte da ilhota é uma região de transição entre escarpas rochosas e matacões onde foram observados fragmentos de origem biológica como carapaças de cracas do gênero Megabalanus e tubos pergamináceos do poliqueta Chaetopterus (Magalhães et alii, 2002). A Ilha do Castilho representa a porção mais externa do setor meridional da ESEC. Possui uma face externa (sudeste) exposta às ondas e correntes e uma porção interna mais abrigada (norte e noroeste). A primeira apresenta um grande bloco rochoso contínuo e íngreme margeado por matacões de grande tamanho (~1-10m no maior eixo) nas extremidades leste e oeste, os quais geralmente apresentam fraturas angulosas que proporcionam a formação de locas de tamanho relativamente grande. O lado interno, menos exposto às ondas é formado apenas por matacões semiesféricos justapostos menores, além de inúmeras manchas de areia e cascalho em meio às rochas. A Ilha de Peruíbe representa a porção mais costeira do setor setentrional e a Ilha do Cambriú representa a porção mais costeira do setor meridional da ESEC, estando a última localizada a cerca de 800m da Ilha do Cardoso.

Hidrografia / Hidrologia / Limnologia A única fonte de água doce nas Ilhas da ESEC dos Tupiniquins provem da chuva. Toda a água doce que se acumula nestas ilhas é contaminada por coliformes provenientes das fezes de aves marinhas, não sendo próprias para consumo.

Oceanografia De uma forma geral, as ilhas da ESEC mais próximas à costa estão submetidas a uma maior carga de sedimentação e influência de água doce proveniente de rios costeiros, apresentando águas com menor visibilidade. Moura (2002) encontrou variação de visibilidade máxima (vertical) entre um e cinco metros para as Ilhas de Peruíbe e Cambriú; até 15m para as Ilhas Queimada Pequena e Castilho.