Os efeitos da poluição sonora na saúde têm sido amplamente discutidos, uma vez que podem acarretar danos à saúde em geral, especialmente a saúde auditiva. A poluição sonora é um dos vários tipos de poluições ambientais que existem em todo o mundo, e pode ser descrita como a propagação de ruído com um efeito nocivo, causando impacto na vida fisiológica e psicológica dos humanos ou animais. Algumas das fontes identificadas de poluição sonora são música alta de concertos, edifícios religiosos como igrejas e mesquitas, comícios políticos, tráfego, eventos esportivos, construção e atividades industriais. Em todas as fontes mencionadas, áreas com alto risco de poluição sonora são locais residenciais perto de estradas principais, aeroportos e indústrias manufatureiras.

Robert Koch, ganhador do Prêmio Nobel, previu em 1910 que ‘’Um dia o homem terá que lutar contra o ruído tão ferozmente quanto a peste e a cólera”. Na Europa, o ruído do tráfego é responsável por 18.000 mortes prematuras, 1,7 milhões de casos de hipertensão e 80.000 hospitalizações a cada ano. Em 2011, a Organização Mundial de Saúde e a União Europeia afirmaram conjuntamente que o ruído tornou-se o segundo maior perigo para a saúde pública após a poluição do ar. Na China, em 2020 foram relatados mais de 2 milhões de reclamações sobre ruído ambiental, envolvendo ruído doméstico, ruído de construção, ruído industrial e ruído de tráfego.

A exposição a ruído de forte intensidade afeta não só o bem-estar das pessoas, mas também causa danos à sua saúde física e mental, mesmo que elas não percebam ou não acreditem que possam ser afetadas, chegando ao ponto das pessoas parecerem se habituar ao ruído ou não mais se incomodarem.Lacerda, Adriana Bender Moreira de, et al. "Ambiente urbano e percepção da poluição sonora." Ambiente & Sociedade 8.2 (2005): 85-98. Por outro lado, um importante desafio tem sido enfrentado pelos grandes centros urbanos, o controle da poluição sonora, agravado principalmente pelo aumento do número de veículos e crescimento das cidades e indústrias próximas as áreas urbanas.

As evidências dos efeitos adversos da poluição sonora na saúde pública em geral são claramente descritas pelas literatura. O agravamento da situação da poluição sonora é que ela não foi elevada ao nível das outras formas de poluição. Além disso, as recomendações sugeridas por vários autores sobre as diferentes estratégias de combate à poluição sonora não foram consideradas e implementadas.

Inúmeros são os prejuízos que a poluição sonora pode provocar, dependendo de fatores como: a intensidade, a duração e apresentação do som; a suscetibilidade de cada pessoa; a combinação entre o ruído e agentes ototóxicos (medicamentos, produtos químicos ou outras substâncias), ruído e vibração, entre outros. Os efeitos do excesso de ruído podem ter aspecto fisiológico, como perda da audição, ou até mesmo psicológico, como alterações do sono e estresse. Por isso, para fins didáticos, esses efeitos são divididos em: efeitos auditivos e não-auditivos.

Definição de ruído O ruído é um tipo de som listado como um dos poluentes ambientais mais comuns com impactos adversos à saúde. Tecnicamente, caracteriza-se por qualquer som indesejado, desagradável, inesperado e mais alto do que os limites.

O ruído é um fenômeno físico, composto por diferentes frequências que não formam um padrão acústico. Assim, é considerado um sinal complexo, não periódico, sem uma frequência fundamental fixa, de comportamento imprevisível e, portanto, difícil de caracterizar com exatidão.

Seus níveis elevados estão causando efeitos na saúde que variam de pequenos a grandes, bem como na qualidade de vida. Por isso, foi reconhecido como uma das principais ameaças ambientais resultantes do robusto desenvolvimento industrial e dos sistemas de transporte ao longo dos anos. Os níveis de poluição sonora são apresentados medindo seu volume usando uma escala logarítmica de decibéls (dB).

Poluição sonora Poluição sonora é a emissão de ruídos desagradáveis que, ultrapassados os limites toleráveis para o conforto humano e níveis legais, principalmente de maneira contínua, pode causar prejuízo à saúde humana, interferindo no equilíbrio do organismo humano, ou ao bem estar da comunidade. Essa poluição também pode ser vista como o conjunto de todos os ruídos, em determinado ambiente, manifestados ao mesmo tempo, independente de suas fontes sonoras serem as mesmas ou não.

As características determinantes da exposição ao ruído são sua natureza (natural, artificial, endógeno ou exógeno), intensidade (em deciBel - dB) e o tempo de exposição, sendo estes dois últimos os mais importantes para a mensurar a exposição ao ruído. Além disso, o ruído é considerado a terceira maior causa de poluição do mundo, estando atrás somente da poluição do ar e da água.

Efeitos da exposição à poluição sonora O efeito adverso do ruído é definido como uma mudança na morfologia e fisiologia de um organismo que resulta em comprometimento da capacidade funcional. Esta definição inclui qualquer rebaixamento temporário ou de longo prazo do funcionamento físico, psicológico ou social de seres humanos ou órgãos.

Auditivos Mudança temporária do limiar auditivo: é caracterizada como a piora dos limiares auditivos após algumas horas de exposição a elevados níveis de pressão sonora. Essa piora momentânea é revertida após algumas horas de repouso auditivo; Perda Auditiva Induzida por Ruído: conhecida como PAIR ou PAINPSE (perda auditiva induzida por nível de pressão sonora elevado) é um dano predominantemente coclear e irreversível, que pode comprometer a inteligibilidade da fala e na comunicação, de modo geral. Além disso, o indivíduo portador desta perda apresenta muito desconforto para sons de forte intensidade, fenômeno esse conhecido como recrutamento; Trauma acústico: ocorre a partir de uma exposição única e rápida a elevados níveis de pressão sonora, que causam danos auditivos permanentes (orelha interna), e/ou zumbido. Zumbido: é uma sensação espontânea de toque ou som na ausência de fonte sonora que, pode ser uni ou bilateral e se localizar tanto nas orelhas quanto na cabeça.

Extra-auditivos Estresse e distúrbios do sono: A exposição constante ao ruído pode causar estresse crônico, pois o ruído constante pode interferir no descanso, no relaxamento e no sono adequado. O estresse relacionado ao ruído pode levar a distúrbios do sono, como insônia, dificuldade em adormecer, despertares frequentes e sono não reparador. Problemas de saúde cardiovascular: A exposição crônica ao ruído pode aumentar o risco de problemas cardiovasculares, como hipertensão arterial, doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais. O ruído constante pode levar ao aumento do estresse, aumento da pressão arterial, distúrbios do ritmo cardíaco e alterações metabólicas prejudiciais. Dificuldades de comunicação: O ruído excessivo pode dificultar a comunicação verbal, exigindo que as pessoas aumentem o volume da voz ou repitam constantemente as informações. Isso pode afetar negativamente a interação social, o desempenho no trabalho e a qualidade das relações interpessoais. Problemas de concentração e desempenho cognitivo: A exposição constante ao ruído pode afetar a capacidade de concentração, memória e desempenho cognitivo. Pessoas expostas a ruídos excessivos podem ter dificuldade em se concentrar em tarefas complexas, resolver problemas e processar informações de maneira eficiente.

O barulho é interpretado pelo organismo como prenúncio de perigo, o que causa liberação das reservas de energia para uma possível defesa contra esse perigo. O esgotamento desse estoque de energia traz diversos problemas, como o cansaço, irritabilidade, ansiedade, insônia, falha de memória, falta de concentração e até doenças respiratórias, digestivas e mentais.

Além disso, o ruído também está relacionado à elevação da pressão arterial, aumento do estresse, diminuição da produtividade dos trabalhadores e redução do desempenho dos estudantes. O aumento do estresse causado pela exposição ao ruído por tempo prolongado pode resultar em problemas cardiovasculares como o infarto do miocárdio e o agravamento de doenças crônicas, como a angina.

Exposição ocupacional a ruído A exposição ocupacional ao ruído se refere à situação em que os trabalhadores estão expostos a níveis elevados de ruído durante suas atividades profissionais. Essa exposição prolongada ao ruído pode ter efeitos prejudiciais para a saúde auditiva dos trabalhadores.

A exposição contínua a níveis elevados de ruído no local de trabalho pode levar a danos na audição, como perda auditiva induzida por ruído (PAIR) e zumbido nos ouvidos. Esses efeitos podem ser temporários ou permanentes, dependendo da intensidade e duração da exposição.

Muitos países estabelecem limites de exposição ocupacional ao ruído, que determinam o nível máximo de ruído ao qual os trabalhadores podem ser expostos sem risco significativo para a saúde auditiva. Esses limites são geralmente expressos em decibéis ponderados em relação ao tempo (dBA) e são baseados em recomendações internacionais.

É necessário avaliar os níveis de ruído no local de trabalho e determinar se os trabalhadores estão expostos a níveis acima dos limites estabelecidos. Isso pode envolver medições de ruído em diferentes áreas de trabalho, utilizando aparelhos como o Audiodosímetro, e a identificação de medidas de controle apropriadas.

O Programa de Conservação Auditiva (PCA) é um conjunto de ações que preservam a integridade auditiva do trabalhador exposto a níveis nocivos de ruído. Essa iniciativa tem caráter contínuo, incluindo medidas de proteção coletiva, individual e exames de monitoramento. Para reduzir a exposição ocupacional ao ruído, os empregadores devem implementar medidas de controle adequadas. Isso pode incluir o uso de equipamentos de proteção auricular, como protetores auriculares, a modificação de processos de trabalho para reduzir a geração de ruído, a implementação de barreiras acústicas e a manutenção adequada de máquinas e equipamentos. Os empregadores devem fornecer treinamento adequado aos funcionários sobre os riscos associados à exposição ocupacional ao ruído e as medidas de proteção que devem ser adotadas. Isso inclui informações sobre o uso correto de equipamentos de proteção auricular e a importância da conscientização sobre a saúde auditiva.

Em muitos casos, é recomendado que os trabalhadores expostos a níveis elevados de ruído realizem exames auditivos regulares. Esses exames ajudam a monitorar a saúde auditiva dos trabalhadores e detectar precocemente quaisquer alterações auditivas.

Prevenção a poluição Sonora

Protetor Auricular Uma das alternativas para prevenir a perda auditiva induzida por ruído enquanto o indivíduo está sendo exposto ao ruído é o protetor auricular. Eles reduzem (mas não eliminam) o nível de ruído que entra no ouvido e protegem contra efeitos da exposição ao ruído, como zumbido e hiperacusia. Os protetores auriculares devem ser certificados e possuírem um bom ajuste para bloquear efetivamente o ruído. Quanto à higiene, cuidados adequados podem reduzir as chances de infecções na orelha externa, já que esses dispositivos foram projetados para ser usado sobre o pavilhão auricular ou introduzidos no meato acústico externo.

Existe uma variedade de tipos de protetores auriculares, alguns possuem uma tecnologia diferenciada, reduzindo o som que atinge o tímpano por meio de uma combinação de componentes eletrônicos e estruturais, sendo geralmente personalizados. Os microfones, circuitos e receptores eletrônicos realizam uma redução de ruído ativa, também conhecida como cancelamento de ruído, na qual é apresentado um sinal que está fora de fase a 180 graus do ruído, o que em teoria cancela o mesmo.

Ruído Branco