Vigilantismo na Internet é o fenômeno dos justiceiros da Internet que se utilizam de diversos meios informatizados para exporem criminosos virtuais, tomando a lei nas próprias mãos. O termo engloba o vigilantismo contra fraudes, crimes e comportamentos não relacionados à Internet. Alguns sugerem que a falta de um controle central da Internet estimula reações vigilantistas contra determinados comportamentos, da mesma forma que estimula em primeiro lugar o surgimento desses comportamentos.
Métodos Alguns métodos de vigilância na Internet que têm sido utilizados ou propostos para o uso:
Scam baiting
Scam baiting é a prática de fingir interesse em uma fraude online para manipular o golpista por trás dela. O objetivo em fisgar golpistas pode ser fazer com que percam tempo, embaraçá-los, levá-los a revelar informações que possam ser úteis às autoridades legais para que os investiguem e os capturem, levá-los a gastar dinheiro ou simplesmente se divertir. O scam baiting emergiu em resposta aos golpes por email como a fraude nigeriana. Muitos sites publicam as transcrições de conversas entre iscas e golpistas e seus "troféus", que incluem vídeos e imagens que as iscas tenham obtido de golpistas.
Difamação pública As redes sociais têm sido utilizadas como ferramentas para a divulgação fácil e ampla de percebíveis comportamentos antissociais. David Furlow, presidente do Comitê de Mídia, Privacidade e Difamação da American Bar Association, identificou as potenciais preocupações relacionadas à privacidade, levantadas por sites que facilitam a distribuição de informação que não faz parte do registro público (documentos arquivados em agências do governo), e disse que esses sites "apenas dão voz a pessoas cujas declarações podem não refletir a verdade".
Exemplos notáveis O YouTube e o incidente da tortura de um gato Um vídeo de um jovem abusando fisicamente de um gato foi postado no YouTube. Depois de trinta mil exibições, o YouTube removeu o vídeo e bloqueou a conta em questão. Membros anônimos investigados levaram à identificação do indivíduo como Glenn Kenny de Lawton, Oklahoma e relatou-se a aplicação da lei local. Dois menores foram detidos sob acusações de crueldade contra animais.
Garota da bosta de cachorro (dog shit girl) Em 2005, na Coreia do Sul, blogueiros atacaram uma mulher que se recusou a limpar o "cocô" que seu cachorro defecou no chão de um vagão do metrô de Seul, rotulando-a como "a menina da merda de cão". Um internauta tinha uma fotografia da mulher e seu cão e a postou em um popular site coreano. Poucos dias depois, ela foi identificada por vigilantes e teve muitas de suas informações pessoais expostas na Web com o intuito de puni-la pelo seu ato. A história recebeu bastante atenção quando foi amplamente divulgada pela mídia na Coreia do Sul e também foi assunto em comunidades coreanas nos Estados Unidos. A humilhação pública levou a mulher a abandonar a universidade de acordo com relatórios.
A reação ao incidente por parte dos coreanos levou vários jornais a publicarem editoriais expressando preocupação com o vigilantismo na Internet. Um jornal citou Daniel Solove, dizendo que a mulher foi vítima de uma caçada virtual, rastreando violadores da lei e marcando-os com Scarlet Letters virtuais. Um outro identificou o incidente como "uma caça às bruxas virtual" e disse que "a Internet está transformando toda a sociedade em um tribunal canguru".
Evan Guttman e o smartphone roubado Outros exemplos notáveis incluem também o caso de Evan Guttman e o smartphone Sidekick II roubado de seu amigo, e o caso de Jesse McPherson e seu Xbox 360 Powerbook e TV roubados.
Zhang Ya e o terremoto de Sichuan Em 2008, uma menina chamada Zhang Ya (张雅), da província de Liaoning, nordeste da China, publicou um vídeo de quatro minutos se queixando da quantidade de atenção dada pela televisão às vítimas do terremoto de Sichuan. Uma intensa resposta por vigilantes resultou em detalhes pessoais da menina (incluindo até mesmo o seu tipo de sangue) sendo disponibilizados online, bem como dezenas de respostas em sites e blogs chineses.我帮你找到了张雅的资料,看看满意吗? A menina foi levada em custódia pela polícia por três dias, como proteção contra as ameaças de morte por parte de vigilantes.
Stephen Fowler e Wife Swap Stephen Fowler, um Inglês expatriado e empresário de capital de risco, ganhou notoriedade depois de sua performance no Wife Swap da rede de TV americana ABC, quando sua esposa trocou de posição com uma mulher de uma família em Missouri por um período de duas semanas. Em resposta às suas mudanças de regras (procedimento-padrão para a segunda semana do show), ele insultou sua convidada e vários grupos, incluindo as classes mais baixas, os soldados e os acima do peso.
Vários sites foram feitos em protesto contra o seu comportamento, como StephenFowlerSucks.com. Depois do show, e após assistir ao vídeo do programa, sua esposa, uma life coach profissional, relatou que ela tinha o encorajado a participar de um aconselhamento de comportamento profissional. Empresas que possuíam apenas uma conexão tangencial com Fowler negaram publicamente qualquer ligação com ele devido à publicidade negativa. Ele renunciou às suas posições nos conselhos administrativos de duas organizações de preservação ambiental para evitar atrair atenção negativa da imprensa.
Incidente de abuso de ciclista Em 2008, circulou na Internet o vídeo de Patrick Pogan, um policial novato, espancando Christopher Long, um ciclista de espírito livre. A briga aconteceu quando membros da Massa Crítica conduziam uma passeata ciclística pela Times Square. O oficial afirmou que o ciclista virou bruscamente em sua direção e foi acusado de agressão, conduta desordeira e resistência à prisão. O vídeo foi viral na Internet por mais de dois milhões de visualizações. As acusações contra o ciclista foram posteriormente abandonadas e Pogan foi declarado culpado e condenado por mentir sobre o confronto com o ciclista.
Grupo vigilante atormenta uma mãe Em 2009, foi criado um grupo no Facebook acusando uma mãe solteira pela morte de uma criança de treze meses em seu orfanato. Foi o então marido da mãe quem que se declarou culpado pelo homicídio e a mãe não foi acusada por qualquer delito.
Negação de serviço distribuída
Um ataque de DDoS pode ser usado para derrubar sites mal-intencionados, como aqueles utilizados para phishing. Milhares de pessoas geram simultaneamente tráfego com um site, sobrecarregando-o de uma forma que estoure sua cota de rede ou simplesmente o impeça de atender a requisições em tempo hábil.
Combate ao terrorismo Shannen Rossmiller é um juiz americano de Montana com um papel controverso de vigilante online caçador de terroristas, posando como militante muçulmano radical antiamericano online, na esperança de atrair a atenção de pessoas com mentalidade semelhante.
Antipedofilia e vigilantismo na Internet Perverted Justice é um exemplo de uma bem conhecida organização antipedofilia que visa expor e condenar adultos que, através de e-mails ou web sites, se aproximam de menores para abusá-los sexualmente. Eles colaboram frequentemente com equipes de televisão. Alguns blogs hospedados gratuitamente alegam expor pedófilos criminosos reais ou em potencial.
Outra iniciativa, o Predator Hunter, liderado por Wendell Kreuth, tem como objetivo rastrear e expor atividades relacionadas a pornografia de alegados "predadores sexuais". Em 2002, Kreuth divulgou detalhes de suas atividades em uma entrevista à rádio pública de Minnesota.Chasing online predators, 15 de abril de 2002, recuperado maio 21, 2007
Os membros da subcultura Anonymous também já foram igualmente creditados por caçar abusadores infantis e contribuir com a execução da lei. Eles descrevem-se como um conjunto de indivíduos unidos por ideias. Deixaram uma marca como mensagem quando o pedófilo canadense Chris Forcand foi preso.
No Reino Unido, a Internet Watch Foundation coopera com provedores de acesso à Internet para filtrar o acesso a determinados sites. Como um órgão não-oficial, sem responsabilidade pública, transparência ou mecanismo de apelo, eles possuem muitas das características de vigilantismo. Em particular, a punição que a IWF utiliza (restringindo o acesso aos domínios através de um proxy) é tecnicamente pobre e resulta em prejuízos para organizações e pessoas não relacionados ao objeto de sua desaprovação.
Ativismo antirracismo Alguns vigilantes utilizam-se de táticas semelhantes às dos ativistas antipedofilia para combater o racismo, perseguindo e destruindo grupos racistas no MySpace e em outras redes sociais.
Ação contra o roubo de identidade
Organizações afins ao vigilantismo contra pedófilos também apostam no roubo de identidade. Posando como ladrões de identidade, eles obtêm informação pessoal roubada, tais como dumps (informação em forma crua obtida de um cartão magnético de débito ou identificação, microchip ou transponder), números de contas bancárias e informações de login, números de identidade etc. E, em seguida, passam essas informações para os bancos relacionados, empresas monitoras de crédito e/ou para as autoridades legais.
Outros grupos são especializados na remoção de sites de phishing, bancos falsos e lojas online fraudulentas, prática conhecida como site-killing. O Artists Against 419 é um site especializado na remoção de falsos sites de bancos. Tais grupos frequentemente usam táticas como ataques DDoS ao site infrator, com o objetivo de chamar a atenção do serviço de hospedagem para o site ou o rápido consumo da cota mensal de largura de banda. O Artists Against 419 sempre defendeu que seus métodos não eram ataques de negações de serviço. De qualquer forma eles abandonaram tais táticas há algum tempo.
Lucro Algumas empresas praticam o vigilantismo visando lucro. Um exemplo é a MediaDefender, uma empresa que utiliza métodos como armadilhas, envenenamento P2P e ataques DDoS.
Ativismo político
Grupos podem empreender atitudes vigilantistas na Internet para espalhar uma mensagem política ou exercer nacionalismo. Um exemplo é o fenômeno do Coração da China, que ocorreu na República Popular da China e de diversas comunidades de imigrantes chineses no exterior. Internautas chineses ficaram indignados por causa de eventos como os protestos durante o revezamento da tocha olímpica em 2008 e as alegações de parcialidade pela mídia ocidental, então blogs, fóruns e websites do mundo de falantes da língua chinesa foram apinhados de sentimento nacionalista.
Um site, Anti-CNN, afirmou que imprensas como a CNN e a BBC reportaram os fatos seletivamente em realação aos distúrbios de 2008 no Tibete e apresentaram apenas um lado da história. O site Anti-CNN proveu screenshots de notícias com alegadas evidências de parcialidade da imprensa. Além disso, estatísticas mostram que mais de um milhão de usuários do MSN Messenger acrescentaram "(L)China" no início de seus nomes de exibição antes do incidente no revezamento da tocha em Paris, em protesto contra o movimento pela independência do Tibete e em apoio às vítimas do terromoto de Sichuan em 2008. Hackers chineses também alegaram terem hackeado os sites da CNN e do Carrefour (rede de supermercados francesa que supostamente estava apoiando a independência tibetana),SBS Dateline, 06 de agosto de 2008 video link enquanto sites e fóruns davam tutoriais de como realizar um ataque de DDoS especificamente ao site da CNN.
Vigilantes do crime