Sibylle Aimée Marie-Antoinette Gabrielle Riquetti de Mirabeau, após o casamento Condessa de Martel, que usou em literatura o pseudônimo Gyp, foi uma romancista francesa nascida em Coétsal, perto de Plumergat (Bretanha) em 16 de agosto de 1849 e falecida em 28 de junho de 1932, em Neuilly-sur-Seine.
Biografia Filha de Joseph-Arundel de Riquetti, Conde de Mirabeau (1820-1860), que foi o bisneto de Victor Riqueti de Mirabeau, Marquês de Mirabeau, economista do século XVIII e sobrinho-neto de Honoré Gabriel Riqueti de Mirabeau, Conde de Mirabeau, o célebre orador revolucionário. Sibylle era descendente de Octave Mirabeau, reacionário irmão mais novo de André-Bonifácio-Louis de Riquetti, Visconde de Mirabeau, (1754-1792) conhecido como Mirabeau Tonneau por causa da atitude notória em que quebrou sua espada na frente da Assembleia Revolucionária Francesa (onde representou a nobreza de Limosino), amargamente clamando: “Agora que o rei desistiu de seu Reino, um nobre já não precisa de uma espada para lutar por ele!”.
Embora em suas memórias Gyp ter afirmado que nasceu em 15 de agosto, acontece ter sido aniversário de Napoleão Bonaparte. W.Z. SilvermannSilverman, Willa Z. (1995), The Notorious Life of Gyp - Right-Wing Anarchist in Fin-de-Siècle France. Oxford University Press, ISBN 9780195087543 defende que, pela certidão de nascimento de Sibylle, ela nasceu na manhã de 16 de agosto de 1849. Na referida certidão de nascimento, alterada a pedido escrito de seu pai, seu nome foi especificado como Sibylle Aimée Marie-Antoinette Gabrielle, nessa ordem.
Sibylle foi a última dos Mirabeau, e cresceu em crítica permanente por não ter sido um menino para continuar a ilustre linhagem. Quando ainda criança, seus pais se separaram e ela seguiu a sua mãe, nascida Marie Le Harivel de Gonneville, que se instalou em Nancy na residência da família, Carrière. Sua mãe também foi escritora, e contribuiu com Le Figaro. Seu avô, antigo oficial da Grande Armée, foi o responsável por sua educação. Ela aprendeu esgrima, equitação e dança clássica. Seu pai a levou a Frohsdorf, residência do Conde de Chambord.
Com a morte do pai, em 1860, ela se distanciou mais de sua mãe, que se engajara socialmente na literatura, publicando em vários periódicos, sob vários pseudônimos. Em 2 de dezembro de 1867, Sibylle casou com o Conde Roger de Martel de Janville, com quem teve 3 filhos. O jovem casal se instalou em Paris, onde Sibylle posou para Jean-Baptiste Carpeaux, e depois em Nancy. Durante a guerra de 1870, Roger de Martel esteve em Le Havre e aliou-se a Félix Faure, o futuro Presidente da República. Em 1879, Martel se instalaram permanentemente em Neuilly-sur-Seine, entre a rua de Chézy e o boulevard Bineau. thumb|left|150px|Marie de Mirabeau, mãe de Sibylle. A Condessa de Martel começou a publicar alguns textos em La Vie parisienne, em fevereiro de 1877, e depois em La Revue des Deux Mondes. A partir de 1880, ela começou a publicar em volumes, sob o pseudônimo “Gyp”, escrevendo todas as noites, num total de 120 obras, as quais alcançaram grande sucesso: Petit Bob (1882), Les Chasseurs, Un trio turbulent, Autour du mariage (1883), Ce que femme veut (1883), Sans voiles (1885), Autour du divorce (1886), Dans le train (1886), Mademoiselle Loulou (1888), Bob au salon (1889), L'Éducation d'un prince (1890), Passionette (1891), Oh! la grande vie (1891), Une Élection à Tigre-sur-mer (1890), Mariage civil (1892), Ces bons docteurs (1892) De haut en bas (1893), Le Mariage de Chiffon, popularizado pelo cinema (1894), Leurs âmes (1895), Le Cœur d'Ariane (1895), Le Bonheur de Ginette (1896), Totote (1897), Lune de miel (1898), Israël (1898), L'Entrevue (1899), Le Pays des champs (1900), Trop de chic (1900), Le Friquet (1901), La Fée (1902), Un Mariage chic (1903), Un Ménage dernier cri (1903), Maman (1904), Le Cœur de Pierrette (1905), Les Flanchards (1917), Souvenirs d'une petite fille (1927-1928), entre outros.
Toda essa grande produção atualmente está completamente esquecidaO único romance seu que foi reimpresso regularmente até a década de 1970 foi Le Mariage de chiffon, apesar de mostrar senso de diálogo, sagacidade, humor, e grande capacidade de observação. Gyp zomba da felicidade da sociedade a que ela pertence, e cria personagens arquetípicas interessantes, porém, muitos dos seus romances estão imbuídos de um certo antissemitismo e demasiado patriotismo, o que pode ter causado o seu ostracismo atual.
A Condessa de Martel foi boulangista, antidreyfus, embora tenha sida amiga de Anatole France, a ponto de ele lhe confiar sua filha Suzanne após o divórcio, esta passando todos os domingos em Neuilly, na casa da Condessa de MartelJeanne Maurice Pouquet, Le Salon de Madame Arman de Caillavet, Paris, Librairie Hachette, 1926, p. 125, e apaixonadamente nacionalista, como a maioria dos concidadãos com a perda da Alsácia-Lorena. Ela publicou em La Vie parisienne, de março de 1897 a maio de 1898, um jornal fictício de um famoso defensor da Dreyfus, Ludovic Trarieux, que foi condenado por difamação.
Falha a sua tentativa de trazer para o palco Autour du mariage. Mademoiselle Ève (1895) obteve maior mais sucesso, mas Gyp não foi feita para ser autora dramática.
A última Mirabeau recebia em sua casa todos os domingos, a partir de meio-dia e jantar, em Neuilly, e sua casa foi um lugar popular da vida parisiense; muitas personalidades da vida social e artística da época ali passaram: Robert de Montesquiou, Marcel Proust, Edgar Degas, Maurice Barrès, Anatole France, Paul Valery, Alphonse Daudet, Jean-Louis Forain, Auguste Vimar, Lucien Corpechot e Edgar Demange.
Em sérias dificuldades financeiras, aliviadas pela sua produção literária, mesmo assim em 1895 ela comprou o Castelo de Mirabeau, o que completou a sua ruína. Ela vendeu-o em 1907 para Maurice Barrès.
Gyp foi a mãe do neurocirurgião Thierry de Martel, que cometeu suicídio com a entrada dos alemães em Paris, em 14 de junho de 1940.
Obras La Vertu de la baronne, Calmann-Lévy, 1882 Petit Bob, Calmann-Lévy, 1882 Autour du mariage, Calmann-Lévy, 1883, comédia em 5 atos Ce que femme veut, Calmann-Lévy, 1883 Un homme délicat, Calmann-Lévy, 1884 Le Monde à côté, Calmann-Lévy, 1884 Plume et Poil, Calmann-Lévy, 1884 Elle et Lui, Calmann-Lévy, 1885 Sans voiles !, Calmann-Lévy, 1885 Le Druide, roman parisien, Victor-Havard, 1885 Le Plus heureux de tous, 1885 Autour du divorce, Calmann-Lévy, 1886 Dans l'train, Victor-Havard, 1886 Joies conjugales, Calmann-Lévy, 1887 Pour ne pas l'être ?, Calmann-Lévy, 1887 Les Chasseurs, Calmann-Lévy, 1887 Mademoiselle Loulou, Calmann-Lévy, 1888 Petit Bleu, Calmann-Lévy, 1888 Bob au salon, Calmann-Lévy, 1888 Pauvres petites femmes, Calmann-Lévy, 1888 Les Séducteurs, Calmann-Lévy, 1888 Bob à l'exposition, Calmann-Lévy, 1889 Ohé, les psychologues!, Calmann-Lévy, 1889 Mademoiselle Ève, Calmann-Lévy, 1889 Tout-à-l'égout !, Calmann-Lévy, 1889, pequena revisão em 3 atos e um prólogo, representado em Paris, no Helder, em 10 de janeiro de 1889 Une élection à Tigre-sur-Mer, racontée par Bob, 1890 L'Éducation d'un prince, Calmann-Lévy, 1890 Ô province !, Calmann-Lévy, 1890 Ohé, la grande vie !, Calmann-Lévy, 1891 Un raté, Calmann-Lévy, 1891 Une passionnette, Calmann-Lévy, 1891 Monsieur Fred, Calmann-Lévy, 1891 Mariage civil, Calmann-Lévy, 1892 Tante Joujou, Calmann-Lévy, 1892 Monsieur le duc, Calmann-Lévy, 1892 Madame la duchesse, Calmann-Lévy, 1893 Pas jalouse, Calmann-Lévy, 1893 Le Treizième, Calmann-Lévy, 1894 Du haut en bas, Georges Charpentier e Éditions Fasquelle, 1894 Le Journal d'un philosophe, Charpentier et Fasquelle, 1894 Le Mariage de Chiffon, Calmann-Lévy, 1894 Professional Lover, Calmann-Lévy, 1894 Le Cœur d'Ariane, Calmann-Lévy, 1895 Ces bons normands, Calmann-Lévy, 1895 Leurs âmes, Calmann-Lévy, 1895 Les Gens chics, Charpentier et Fasquelle, 1895 Bijou, Calmann-Lévy, 1896 Ohé, les dirigeants!, Léon Chailley, 1896 Le Bonheur de Ginette, Calmann-Lévy, 1896 Eux et elle, Calmann-Lévy, 1896 Le Baron Sinaï, Charpentier et Fasquelle, 1897 La Fée surprise, Calmann-Lévy, 1897 En balade: images coloriées du petit Bob, Mongredien, 1897 Joie d'amour, Calmann-Lévy, 1897 Totote : roman inédit, Librairie Nilsson, 1897 Ces bons docteurs ! , Calmann-Lévy, 1898 Israël, Flammarion, 1898 Miquette, Calmann-Lévy, 1898 Journal d'un grinchu, Flammarion, 1898 Sportmanomanie, Calmann-Lévy, 1898 Lune de miel, Calmann-Lévy, 1898 Les Femmes du colonel, Flammarion, 1899 Les Izolâtres, Juven, 1899 Les Cayenne de Rio, Flammarion, 1899 L'Entrevue, Librairie Nilsson, 1899 Monsieur de Folleuil, Calmann-Lévy, 1899 Balancez vos dames, Librairie Nilsson, 1900 Trop de chic !, Calmann-Lévy, 1900 Journal d'une qui s'en fiche, Juven, 1900 Martinette, Librairie Nilsson, 1900 Jacquette et Zouzou, Flammarion, 1901 Friquet, Flammarion, 1901 Un mariage chic, Flammarion, 1902 La Fée, Librairie Nilsson, 1902 L'Âge du mufle, Juven, 1902 Les Amoureux, Juven, 1902 Les Chapons, Juven, 1902 Sœurette, Juven, 1902 Les Chéris, Juven, 1903 Les Petits amis, Juven, 1903 Un ménage dernier cri, Flammarion, 1903 Cloclo, Flammarion, 1904 Pervenche, Juven, 1904 Les Poires, Juven, 1904 Les Froussards, Flammarion, 1904 Maman, Librairie Nilsson, 1904 Geneviève, Juven, 1905 Le Cœur de Pierrette, Fayard, 1905 Journal d'un casserolé, Juven, 1905 Le Cricri, Juven, 1907 L'Âge du toc, Flammarion, 1907 La Bonne galette, Fayard, 1907 Doudou, Librairie Nilsson, 1907 La Paix des champs, Juven, 1908 La Bassinoire, Flammarion, 1908 La Chasse de Blanche, nouvelles, Flammarion, 1909 Entre la poire et le fromage, Juven, 1909 L'Amoureux de Line, Flammarion, 1910 Les Petits joyeux, Calmann-Lévy, 1910 Totote, Fayard, 1911 Le Bonheur de Ginette L'Affaire Débrouillard-Delatamize, Calmann-Lévy, 1911 La Bonne fortune de Toto, Calmann-Lévy, 1911 La Ginguette, Flammarion, 1911 La Meilleure amie, Fayard, 1912 Fraîcheur, Calmann-Lévy, 1912 Napoléonette, Calmann-Lévy, 1913 La Dame de Saint-Leu, Calmann-Lévy, 1914 Pauvres petites femmes La Petite pintade bleue, Calmann-Lévy, 1914 Les Séducteurs Les Flanchards, 1917 Les Profitards, Fayard, 1918 Souricette, Calmann-Lévy, 1922 Le coup du lapin,1929 Du Temps des Cheveux et des Chevaux, Calmann-Lévy, 1929 Celui qu'on aime, Flammarion, 1931 Le Chambard, Le Livre moderne illustré, Ferenczi & fils, 1931 Doudou, 2.ª edição 1931 La Joyeuse Enfance de la III République, Calmann-Lévy, 1931
Teatro Sauvetage, peça em 1 ato, 19 de abril de 1890, Théâtre d'Application Napoléonette, peça em 5 atos e um prólogo, do romance homônimo, representado no Teatro Sarah-Bernhardt, em 29 de maio de 1919, publicado no L'Illustration em 1921.
Cinema Le Mariage de Chiffon, filme de Claude Autant-Lara (1942) com Odette Joyeux no papel título Le Mariage de Chiffon adaptação da televisão francesa (2010)
Gyp em língua portuguesa Casamento de Chiffon, Coleção Biblioteca das Moças, da Companhia Editora Nacional, apenas uma edição, em 1930, tradução de Mário SetteCatálogo da Companhia Editora Nacional.
Notas e referências
Referências bibliográficas Olivier de Brabois, Gyp Comtesse de Mirabeau-Martel 1849-1932, Publibook, 2003. Jeanne Maurice Pouquet, Le Salon de Madame Arman de Caillavet, Paris, Librairie Hachette, 1926. Willa Z. Silverman, Gyp, la dernière des Mirabeau, Paris, Perrin, 1998. Silverman, Willa Z. (1995) The Notorious Life of Gyp - Right-Wing Anarchist in Fin-de-Siècle France. Oxford University Press, ISBN 9780195087543.
Ligações externas Pierre Michel, « Mirbeau et l'affaire Gyp ». Le château de son enfance à Cossesseville dans le Calvados
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