miniaturadaimagem|O primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o presidente americano Franklin Roosevelt na Conferência do Atlântico, em agosto de 1941 As relações entre Estados Unidos e Reino Unido são as relações diplomáticas estabelecidas entre os Estados Unidos da América e o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
O Reino Unido é um dos "aliados mais próximos" dos Estados Unidos, e a política externa britânica enfatiza uma estreita coordenação com os norte-americanos. A cooperação bilateral reflete o idioma em comum, os ideais e as práticas democráticas das duas nações.
Estas relações se fortaleceram pela aliança do Reino Unido com os Estados Unidos durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, Guerra da Coreia, Guerra do Golfo, na Guerra do Iraque e na Guerra do Afeganistão, bem como através do seu papel como membros fundadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Os dois países constantemente se consultam sobre questões de política externa e os problemas globais, e compartilham os objetivos de suas políticas externas de segurança.Departamento de Estado dos Estados Unidos - Background Note: Reino Unido
As relações entre os dois países é tão intensa, que o Reino Unido chega inclusive a compartilhar ou até mesmo a conceder aos Estados Unidos algumas das bases militares que se encontram localizadas nos territórios britânicos ultramarinos. Dentre elas, destacam-se as Bases Britânicas Soberanas, localizadas na ilha de Chipre, a Base Aérea da Ilha de Ascensão e a Base Aeronaval de Diego Garcia.
A Relação Especial caracteriza as relações políticas, diplomáticas, culturais, econômicas, militares e históricas excepcionalmente estreitas entre os dois países. É especialmente utilizado para relações desde 1940.Derek E. Mix - The United Kingdom: Background and Relations with the United States - fas.org. Congressional Research Service. 29 de abril de 2015. Página acessada em 13 de abril de 2017. Antes de uma visita à Casa Branca, Rishi Sunak enfatizou a necessidade de estabelecer relações "próximas e sinceras" com Joe Biden após anos de relações turbulentas entre os Estados Unidos e o Reino Unido.
História Origens
esquerda|250px|thumb|Massachusetts Hall, construído em 1720, exemplar mais antigo da arquitetura georgiana em solo estadunidense. Após várias tentativas fracassadas, a primeira colônia inglesa permanente na América do Norte continental foi estabelecida em 1607 em Jamestown, na Colônia e Domínio da Virgínia. Em 1624, a Colônia e Domínio da Virgínia deixou de ser uma colônia corporativa administrada pela Virginia Company of London e tornou-se uma colônia da coroa. Em 1630, os puritanos fundaram a Colônia da Baía de Massachusetts, enfatizando não apenas uma religiosidade pura, mas também um alto nível de educação e o empreendedorismo.
Colônias menores seguiram na Província de Maine (1622), Província de Maryland (1632), Colônia de Rhode Island e Plantações de Providence (1636) e Colônia de Connecticut (1636). Mais tarde, ocorreu a fundação da Província da Carolina (1663) (dividida entre Província da Carolina do Norte e Província da Carolina do Sul a partir de 1729). A Província de Nova Hampshire foi fundada em 1691. Em 1732, foi fundada a Província da Geórgia e passou a ser administrada pelo inglês James Oglethorpe.
Os britânicos estabeleceram a Província de Nova Iorque a partir da antiga colônia holandesa da "Nova Holanda". Em 1674, a Província de Nova Jérsei foi desmembrada de Nova Iorque. Em 1681, William Penn foi premiado com uma carta régia de Carlos II da Inglaterra que lhe permitiu fundar a Província da Pensilvânia. Penn atraiu seus companheiros quacres, bem como muitos fazendeiros alemães e camponeses escoceses-irlandeses.
As colônias se reportavam individualmente a Londres. Houve um esforço fracassado de agrupar as colônias no Domínio da Nova Inglaterra entre 1686 e 1689.
Revolução Americana
thumb|direita|250px|A Festa do Chá de Boston, em 1773, foi o primeiro ato organizado de protesto dos cidadãos americanos contra o domínio inglês. As Treze Colônias gradualmente obtiveram maior autoridade política. As políticas mercantilistas britânicas tornaram-se mais rigorosas, beneficiando a metrópole, o que resultou em restrições comerciais, limitando assim o crescimento da economia colonial e restringindo artificialmente o potencial de ganhos dos comerciantes coloniais. As somas eram pequenas, mas o Parlamento da Grã-Bretanha insistiu na política de cobrança impostos. As tensões aumentaram de 1765 a 1775 por questões de tributação sem qualquer representação americana no Parlamento. A partir do Massacre de Boston de 1770, quando sete homens do 29º Regimento de Infantaria abriram fogo contra uma multidão de americanos revoltoso, as ideias revolucionárias se espalharam pelas colônias. O Parlamento britânico impôs uma série de impostos, como a Lei do Selo e, mais tarde, a Lei do Chá de 1773, contra a qual uma multidão enfurecida de colonos protestou na Festa do Chá de Boston despejando carregamentos de chá da Companhia Britânica das Índias Orientais no Porto de Boston. No ano seguinte, o Parlamento britânico reagiu aprovando o que os colonos chamaram de "Atos Intoleráveis", um conjunto de medidas rígidas cuja finalidade era de desestruturar o poder colonial em Massachusetts. As Treze Colônias se uniram politicamente para um eventual conflito separatista que acabou por eclodir em 1775 nas Batalhas de Lexington e Concord.
Os Patriotas, então, lentamente assumiram o controle de todas as Treze Colônias, expulsando todos os oficiais britânicos em meados de 1776. Enquanto a independência era o ideal de uma maioria de Patriotas, uma minoria de Lealistas desejava permanecer como súditos da Coroa britânica. Em maio de 1775, o Segundo Congresso Continental se reuniu na Filadélfia e, com as deliberações conduzidas por figuras notáveis como Benjamin Franklin, Thomas Jefferson e John Adams, decidiu pela independência total. Mais de um ano depois, o grupo emitiu a Declaração da Independência dos Estados Unidos, ratificada por unanimidade em 4 de julho de 1776, oficializando a sua independência com relação ao Reino Unido. Os Estados Unidos da América tornaram-se a primeira colônia do mundo a alcançar com sucesso a independência na era moderna. No entanto, a Guerra Revolucionária Americana continuou até a rendição do general britânico Charles Cornwallis ao general George Washington, em 19 de outubro de 1781.
thumb|esquerda|250px|A rendição de Charles Cornwallis na Batalha de Yorktown, em 1781, consolidou a vitória dos americanos na Guerra de Independência. Em 1775, os Patriotas estabeleceram o Exército Continental como uma força de defesa. O Exército britânico voltou em força em agosto de 1776 e capturou a cidade de Nova Iorque, que foi mantida como base de operações inglesas até o fim da guerra em 1783. Os britânicos, usando sua poderosa Marinha Real, capturaram os principais portos americanos, mas 90% dos cidadãos americanos viviam em áreas rurais onde detinham controle total do território. Após a Campanha de Saratoga de 1777, a França adentrou o conflito como aliada dos Estados Unidos e trazendo ainda o apoio indireto da República Holandesa e da Espanha. A Grã-Bretanha sofreu baixas que não pôde substituir e não tinha grandes aliados na Europa, passando então a reorientar suas campanhas para o Sul em busca de maior apoio de americanos lealistas. Em outubro de 1781, ao tentar reagrupar-se em Nova Iorque, os britânicos foram derrotados por tropas sob o comando de George Washington na Batalha de Yorktown.
O Reino Unido reconheceu oficialmente a independência americana com a assinatura do Tratado de Paris, em 1783. Um membro do Parlamento Britânico, David Hartley, representando o rei George III, assinou o tratado juntamente com a delegação norte-americana de John Adams, Benjamin Franklin e John Jay em 3 de setembro de 1783.
Guerra de 1812
thumb|direita|250px|A Batalha de Baltimore em 1814 inspirou Francis Scott Key a compor "The Star-Spangled Banner", o hino nacional dos Estados Unidos. Em 1807, os Estados Unidos impuseram um embargo comercial em retaliação ao bloqueio britânico à França, que envolveu a visita e busca de mercadores neutros, e resultou na supressão do comércio franco-americano durante o período Napoleônico. A Marinha Real também revistou navios americanos e deteve marinheiros suspeitos de serem desertores britânicos. A expansão para o Centro-Oeste (mais especificamente para Ohio e Wisconsin) foi dificultada por tribos nativas americanas que receberam munições e apoio de agentes britânicos. De fato, o objetivo da Grã-Bretanha era a criação de um Estado indígena independente para refrear a expansão territorial norte-americana.
Finalmente, em junho de 1812, o Presidente estadunidense James Madison declarou guerra contra os britânicos e superou a oposição dos interesses comerciais no Nordeste. A estratégia dos Estados Unidos exigia um bloqueio do transporte marítimo britânico e, especialmente, o corte de remessas de alimentos para as plantações de açúcar britânicas nas Índias Ocidentais. Por sua vez, os britânicos buscavam derrotar a França através de uma guerra principalmente defensiva. thumb|esquerda|250px|Casa Branca em ruínas após a Batalha de Washington, em 1814. No primeiro estágio da guerra, as forças britânicas e canadenses resistiram repetidamente as invasões das forças estadunidenses, que estavam inadequadamente preparadas e em menor quantidade. Ainda assim, os estadunidenses assumiram o controle do Lago Erie em 1813 e minaram as habilidades ofensivas das tropas de nativos aliados aos britânicos no noroeste e no sul. Em 1814, os britânicos contra-atacaram invadindo a Baía de Chesapeake e liderando a Queima de Washington.
As duas nações iniciaram negociações de paz em 1814 que culminaram no Tratado de Ghent, restaurando o status quo ante bellum. Não houve ganhos territoriais de nenhuma das partes e o Reino Unido suspendeu a iniciativa de estabelecer uma nação indígena independente dentro do território estadunidense. Apesar de uma ruptura nas relações durante a Guerra anglo-americana de 1812, e as tensões sobre a possibilidade do reconhecimento britânico dos Estados Confederados da América durante a Guerra de Secessão, os Estados Unidos e o Reino Unido mantiveram relações estáveis e de modo geral consistentes desde o fim do conflito.História das relações entre Estados Unidos e Reino Unido
Século XIX: disputas regionais
thumb|esquerda|210px|Visconde Palmerston, Primeiro-ministro britânico, foi defensor de uma política de neutralidade durante a Guerra Civil Americana e os conflitos continentais subsequentes. Nas décadas seguintes, os estadunidenses estabeleceram uma série de orientações diplomáticas que ficaram conhecidas como Doutrina Monroe. Entre tais princípios políticos, havia a oposição norte-americana a qualquer intervenção europeia em países da América. Na década de 1840, vários estados estadunidenses cessaram o pagamento de títulos públicos a investidores britânicos. Os banqueiros ingleses, por sua vez, evitaram títulos títulos públicos e investiram pesadamente nas ferrovias americanas. Sob a liderança do General Winfield Scott, veterano da Guerra de 1812, os Estados Unidos alcançaram termos de relativa paz com o Reino Unido na "Questão Caroline" e na Guerra de Aroostook em 1837 e 1839, respectivamente. Em 1848, a disputa pela fronteira do Oregon foi resolvida através de um compromisso no qual a Colúmbia Britânica ficou em posse da Grã-Bretanha e os territórios de Washington, Idaho, e Oregon foram anexados aos Estados Unidos. Ambos os países voltaram a se chocar diplomaticamente durante a Guerra Civil Americana, no Caso Trent (1861).