Testagem psicológica é um campo caracterizado pelo uso de amostras de comportamento de forma a aceder a construtos psicológicos, tal como o funcionamento cognitivo e emocional, de um dado indivíduo. O termo técnico para a ciência por detrás da testagem psicológica é a psicometria. Por amostras de comportamento, pode-se significar observações de um indivíduo no desempenho de tarefas que foram normalmente prescritas de antemão, o que muitas vezes se traduz em pontuação num teste. As respostas são frequentemente compiladas em tabelas estatísticas que permitem, ao avaliador, comparar o comportamento do indivíduo a ser testado às respostas do grupo de referência.
Testes Psicológicos Um teste psicológico é um instrumento desenhado para medir construtos não observáveis, conhecidos também como variáveis latentes. Os testes psicológicos são tipicamente (embora não necessariamente) uma série de tarefas ou problemas que o indivíduo que responde tem que resolver. Os testes psicológicos podem-se assemelhar fortemente a questionários, que também são desenhados para medir construtos não observáveis, mas que diferem na medida em que um teste psicológico pede ao indivíduo o seu desempenho máximo enquanto um questionário pede ao indivíduo um desempenho típico.Mellenbergh, G.J. (2008). Chapter 10: Surveys. In H.J. Adèr & G.J. Mellenbergh (Eds.) (with contributions by D.J. Hand), Advising on Research Methods: A consultant's companion (pp. 183-209). Huizen, The Netherlands: Johannes van Kessel Publishing. Um teste psicológico útil tem que ser ao mesmo tempo válido (ex. existem evidências para apoiar a interpretação especificada dos resultados do testeAmerican Educational Research Association, American Psychological Association, & National Council on Measurement in Education. (1999). Standards for educational and psychological testing. Washington, DC: American Educational Research Association.) e fidedigno (ex. consistente internamente ou que apresenta resultados consistentes ao longo do tempo, em diferentes avaliadores etc.).
É importante que as pessoas que são iguais no construto medido apresentem também probabilidades iguais de responder aos itens do teste correctamente.Mellenbergh, G.J. (1989). Item bias and item response theory. International Journal of Educational Research, 13(2), 127--143. Por exemplo, um item de um teste de matemática poderia ser "Numa partida de futebol dois jogadores levam cartão vermelho; quantos jogadores restam no final?"; contudo, este item também requer também conhecimento de futebol para ser respondido correctamente, e não apenas capacidades matemáticas. A pertença a um grupo também pode influenciar a probabilidade de responder correctamente aos itens (funcionamento diferencial dos itens). Muitas vezes os testes são construídos para uma população específica e isso deve ser tido em conta quando se administram os testes. Se um teste é invariante para alguma diferença grupal (ex. género) numa dada população (ex. Inglaterra), isso não significa automaticamente que seja invariante noutra população (ex. Japão).
Avaliação psicológica A avaliação psicológica é semelhante à testagem psicológica, mas implica geralmente uma avaliação mais abrangente do indivíduo. A avaliação psicológica é um processo que implica a integração de informações de várias fontes, tais como testes de personalidade normal e anormal, testes de aptidão ou inteligência, testes de interesses e atitudes, bem como informações a partir de entrevistas pessoais. Também são recolhidas informações colaterais sobre a história pessoal, profissional ou médica, como de registros ou a partir de entrevistas com os pais, cônjuges, professores ou terapeutas anteriores ou médicos. Um teste psicológico é uma das fontes de dados utilizada no processo de avaliação; geralmente mais do que um ensaio é utilizado. Muitos psicólogos fazer algum nível de avaliação na prestação de serviços a clientes ou pacientes, e podem usar, por exemplo, listas de verificação simples para avaliar algumas características ou sintomas, mas a avaliação psicológica é um processo mais complexo, detalhado e em profundidade. Os tipos habituais de enfoque para a avaliação psicológica são fornecer um diagnóstico para as condições de tratamento, avaliar uma determinada área de funcionamento ou deficiência muitas vezes para ambientes escolares, para ajudar a seleccionar um tipo de tratamento ou para avaliar os resultados do tratamento, para ajudar os tribunais a decidir questões como a custódia de crianças ou a competência para comparecer a julgamento, ou para ajudar a avaliar os candidatos a um emprego ou empregados e fornecer aconselhamento de desenvolvimento de carreira ou treino.Standards for Education and Training in Psychological Assessment: Position of the Society for Personality Assessment – An Official Statement of the Board of Trustees of the Society for Personality Assessment. Journal of Personality Assessment, 87, 355–357.
Interpretação das pontuações Os testes psicológicos, assim como muitas medidas de características humanas, podem ser interpretados numa maneira "referente à norma" ou "referente ao critério". As normas são representações estatísticas de uma população. Uma interpretação referente à norma de uma pontuação compara os resultados do indivíduo no teste com a representação estatística da população. Na prática, em vez de testar uma população inteira, é testada uma amostra representativa. Isto fornece uma norma grupal ou um conjunto de normas. A Curva de Gauss (também chamada "distribuição normal") é uma representação das normas. As normas estão disponíveis para testes psicológicos padronizados, ajudando a uma compreensão de como se pode comparar a pontuação do indivíduo com as normas do grupo. As pontuações referênciadas na norma são transmitidas tipicamente na distribuição normal reduzida (pontuação z) ou uma versão redimensionada dela.
Uma interpretação de uma pontuação de um teste referente ao critério compara o desempenho de um indivíduo com algum critério que não o desempenho de outros indivíduos. Por exemplo, o teste da escola comum fornece tipicamente uma pontuação em referência a um dado domínio; um indivíduo pode ter 80% num teste de geografia. As interpretações de resultados referentes ao critério são mais aplicáveis geralmente aos testes de realização do que aos testes psicológicos.
Muitas vezes, os resultados dos testes podem ser interpretados de ambas as maneiras; uma pontuação de 80% num teste de geografia pode colocar um estudante no percentil 84, ou uma pontuação z de 1.0 ou 2.0.
Tipos de testes psicológicos Existem várias categorias gerais de testes psicológicos:
Testes de QI/aptidão
Os Testes de QI pretendem ser medidas de inteligência, enquanto os testes de aptidão são medidas do uso e nível de desenvolvimento da utilização da capacidade. Os testes de QI (ou testes cognitivos) e os testes de aptidão são testes comuns de interpretação referente à norma. Neste tipo de testes, é apresentada à pessoa uma série de tarefas a serem avaliadas, e as respostas da pessoa são classificadas de acordo com orientações prescritas cuidadosamente. Após o teste estar concluído, os resultados são compilados e comparados com as respostas de um grupo de norma, geralmente composto de pessoas da mesma idade ou nível de ensino que a pessoa a ser avaliada. Os testes de QI que contêm uma série de tarefas dividem as tarefas tipicamente em verbais (que se apoiam no uso da linguagem) e de desempenho, ou não verbais (que se apoiam em tarefas do tipo olho-mão, ou no uso de símbolos e objectos). Alguns exemplos de tarefas verbais de testes de QI são o vocabulário e a informação (responder a perguntas do conhecimento geral). Nas tarefas não verbais, temos a conclusão cronometrada de quebra-cabeças (montagem de objectos) e identificar imagens que se encaixem num padrão (raciocínio de matriz).
Os testes de QI (ex. WAIS-IV, WISC-IV, Cattell Culture Fair III, Woodcock-Johnson Tests of Cognitive Abilities-III, Stanford-Binet Intelligence Scales V) e os testes de desempenho académico (ex. WIAT, WRAT, Woodcock-Johnson Tests of Achievement-III) são desenhados para serem administrados ou a um indivíduo (por um avaliador treinado) ou a um grupo de pessoas (testes de lápis e papel). Os testes administrados individualmente tendem a ser mais abrangentes, mais fiáveis, mais válidos e geralmente têm melhores características psicométricas que os testes administrados a grupos. Contudo, os testes administrados individualmente são mais caros de administrar por causa da necessidade de um administrador treinado (psicólogo, psicólogo escolar, ou especialista em psicometria).
Testes de empregos de segurança pública
As vocações dentro do campo da segurança pública (ex. bombeiros, polícia, serviços de correcção, serviços de emergência médica) exigem muitas vezes testes de Psicologia do trabalho para o emprego inicial ou para avançar na hierarquia. Alguns exemplos proeminentes deste tipo de testes são o National Firefighter Selection Inventory - NFSI, o National Criminal Justice Officer Selection Inventory - NCJOSI, e o Integrity Inventory (testes usados nos Estados Unidos).
Testes de atitude
Os testes de atitude avaliam os sentimentos do indivíduo acerca de um acontecimento, pessoa ou objecto. As escalas de atitude são usadas geralmente em marketing para determinar a preferência do indivíduo (ou do grupo) por marcas ou itens. Os testes de atitudes usam geralmente ou uma Escala de Thurston ou uma Escala de Likert para medir os itens específicos.
Testes neuropsicológicos
Estes testes consistem em tarefas desenhadas especificamente para medir a função psicológica que se sabe estar ligada a um determinado circuito ou estrutura cerebral. Os testes neuropsicológicos podem ser usados em contexto clínico para avaliar o dano causado por uma lesão cerebral ou uma doença que se sabe afectar o funcionamento neurocognitivo. Quando usado em pesquisa, estes testes podem ser usados para contrastar capacidades neuropsicológicos entre diferentes grupos experimentais.
Avaliação infantil e pré-escolar
Devido ao facto de os bebés e as crianças em idade pré-escolar apresentarem capacidades limitadas de comunicação, os psicólogos não podem usar os testes tradicionais para os avaliar. Assim, foram desenhados alguns testes apenas para crianças com idades compreendidas desde o nascimento até aos seis anos de idade. Estes testes variam geralmente com a idade, respectivamente, de avaliações de reflexões e metas desenvolvimentais, a capacidades motores e sensoriais, capacidades linguísticas e simples capacidades cognitivas.
Os testes comuns para este grupo de idades são divididos em categorias: Capacidades da criança, Inteligência Pré-escolar, e Facilidade Escolar. Alguns testes comuns de capacidades da criança incluem: as Gesell Developmental Schedules (GDS) que mede o progresso no desenvolvimento das crianças, a Neonatal Behavioral Assessment Scale (NBAS) que testa o comportamento neo-natal, os reflexos e as respostas, as Ordinal Scales of Psychological Development (OSPD) que avaliam as capacidades intelectuais das crianças, e a Bayley-III que testa as capacidades mentais e as habilidades motoras.
Alguns testes comuns de inteligência pré-escolar incluem: as McCarthy Scales of Children’s Abilities (MCAS) que são semelhantes a um teste de QI para crianças, as Differential Ability Scales (DAS) que podem ser usadas para testar problemas na leitura, a Wechsler Preschool and Primary Scale of Intelligence-III (WPPSI-III) e a Stanford-Binet Intelligence Scales for Early Childhood que podem ser vistas como versões para crianças de testes de QI, e a Fagan Test of Infant Intelligence (FTII) que testa a memória de reconhecimento.