O Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) MHSE, ou ISEG - Lisbon School of Economics and Management, é a faculdade de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa. Fundado oficialmente a 23 de maio de 1911, é a instituição de ensino superior mais antiga de Portugal nestas áreas.

Atualmente, o ISEG é uma das principais escolas de Economia e Gestão em Portugal, destacando-se pela qualidade da sua investigação e pelo sucesso dos seus alumni. O ISEG possui o conjunto de acreditações "triple crown" (AACSB, EQUIS e AMBA), uma distinção atribuída a menos de 1% das escolas de Gestão a nível mundial, e está classificado como a 67.ª melhor escola de negócios da Europa e a 47.ª melhor escola de formação executiva do mundo segundo o Financial Times.

Em 2024, o ISEG contava com cerca de 278 docentes e 5.281 estudantes distribuídos da seguinte forma:

2.441 alunos nas licenciaturas; 1.981 alunos nos mestrados; 23 alunos no EMBA; 591 alunos em cursos de pós-graduação; 245 alunos nos doutoramentos.

História

Origens A origem do Instituto Superior de Economia e Gestão remonta à Aula do Comércio, criada em 1759 por ordem do Marquês de Pombal. Esta oferecia um curso de nível secundário destinado à formação de pessoal para tarefas técnicas em atividades comerciais. Foi a quinta escola de comércio no mundo e a primeira instituição pública de ensino técnico comercial.

Em 1844, a Aula do Comércio foi transformada na Escola de Comércio (ou Secção Comercial do Liceu de Lisboa) e, em 1869, foi integrada no Instituto Industrial de Lisboa, passando então a denominar-se Instituto Industrial e Comercial de Lisboa.

De 1911 aos dias de hoje A 23 de maio de 1911, o Instituto Industrial e Comercial de Lisboa foi dividido em duas escolas superiores: o Instituto Superior Técnico e o Instituto Superior de Comércio. O Instituto Superior de Comércio iniciou o seu funcionamento em 1913, lecionando três cursos de nível superior: o curso Aduaneiro, o curso Consular e o curso de Comércio. Em 1915, foi introduzido o curso de Finanças.

Em 1930, o Instituto Superior de Comércio foi integrado na Universidade Técnica de Lisboa, passando a denominar-se Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.

Em 1949, ocorreu uma profunda alteração dos planos de estudos, substituindo-se os cursos Aduaneiro, Consular, de Comércio e de Finanças pelos cursos de licenciatura em Economia e em Finanças. No seguimento da mesma reforma, foi estabelecida uma especialização entre o grau de doutor em Economia e o grau de doutor em Finanças, conferidos após provas públicas de defesa de uma dissertação e de exame sobre matérias sorteadas entre temas anunciados pelo instituto.

Em 1972, o Instituto mudou a sua designação para Instituto Superior de Economia como parte de uma nova reforma dos planos de estudos. O curso de licenciatura em Finanças foi substituído pelo curso de licenciatura em Organização e Gestão de Empresas, que, a partir de 1986, passou a ser designado por curso de licenciatura em Gestão.

Em 1979, iniciou-se o ensino de pós-graduação, com o curso de Métodos Matemáticos para Economia e Gestão de Empresas, e, em 1981, iniciou-se o ensino de mestrado, com o curso de mestrado em Economia, sendo que durante as décadas seguintes, a oferta formativa foi sendo consistentemente alargada.

Em 1989, na sequência da aprovação da Lei de Autonomia Universitária, os estatutos da Universidade Técnica de Lisboa alteraram a denominação do Instituto Superior de Economia para Instituto Superior de Economia e Gestão.

Em 2013, o ISEG foi integrado na atual Universidade de Lisboa, resultante da fusão da anterior Universidade de Lisboa com a Universidade Técnica de Lisboa.

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] }O campus do ISEG, também conhecido como Campus do Quelhas da Universidade de Lisboa, situa-se na freguesia da Estrela, entre o bairro da Madragoa e a Assembleia da República, numa área que é considerada um dos centros históricos e culturais da cidade de Lisboa. O campus é constituído por oito edifícios: Quelhas 6, Quelhas 4, Quelhas 2, Novo Quelhas, Francesinhas 1, Francesinhas 2, a Biblioteca Francisco Pereira de Moura e o edifício Bento de Jesus Caraça.

Quelhas 6

1599 - 1603 Devido às perseguições religiosas aos católicos promovidas por Henrique VIII durante a Reforma Protestante, os membros da Ordem de Santa Brígida foram forçados a abandonar Inglaterra em 1539. Inicialmente, partiram para Flandres, mas, após serem continuamente perseguidos em territórios flamengos e franceses, acabaram por se refugiar em Portugal em 1594.

Em 1599/1600, Isabel de Azevedo, uma nobre portuguesa, ofereceu-lhes alojamento numa parte da sua própria habitação, que mais tarde lhes foi deixada em testamento. Em 1603, o papa Clemente VIII autorizou oficialmente os membros da Ordem de Santa Brígida a estabelecerem o seu cenóbio na parte da casa que lhes havia sido oferecida.

1651 - 1655 A 17 de agosto de 1651, o edifício foi totalmente destruído por um grande incêndio. Em outubro desse ano começou a reconstrução, que é concluída a 6 de outubro de 1655. As descrições indicam que o edifício foi construído de novo na totalidade, embora não seja claro se foram aproveitados elementos construtivos do edifício anterior.

1755 - 1760 O Terramoto de 1 de novembro de 1755 causou graves danos ao edifício, embora menos severos do que os provocados pelo incêndio de 1651. O sismo provocou a destruição total ou parcial dos principais aposentos. A reconstrução foi iniciada e por volta de 1760 as obras estavam praticamente concluídas.

1809 - 1861 miniaturadaimagem|Atlas da Carta Topográfica de Lisboa sob direção de Filipe Folque,1856-1858 (n.º 41). As irmãs de Santa Brígida não foram afetadas pelas duas primeiras Invasões Francesas de 1807 e 1808. No entanto, temendo a Terceira Invasão, em 1809 a abadessa decidiu partir para Inglaterra levando com ela a maioria das freiras. Algumas irmãs optaram por permanecer em Lisboa e, devido à requisição do edifício pelo exército inglês, viram-se obrigadas a ficar no Convento de Nossa Senhora do Bom Sucesso até 1812.

Incentivadas pelo crescente contexto anticlerical em Portugal e pelo ambiente favorável às ordens religiosas que se vivia nessa altura em Inglaterra, as últimas freiras da Ordem de Santa Brígida em Portugal regressaram à sua pátria a 27 de agosto de 1861.

1864 - 1907 miniaturadaimagem|Colégio de Jesus Maria José, 1907. Os jesuítas instalaram-se no Convento de Santa Brígida por volta de 1864/1865, após o padre Francisco Xavier Fulconis, responsável pela Missão Portuguesa da Companhia de Jesus, ter escolhido o local para ser a sede da Companhia. A formalização da posse do edifício ocorreu mais tarde, a 3 de março de 1869.

Antes dessa instalação, o padre Fulconis solicitou à madre geral da Congregação das Irmãs de Santa Doroteia que enviasse religiosas a Lisboa para fundar um colégio feminino. Após assumirem a posse do convento, os jesuítas realizaram obras para dividir o espaço em duas partes autónomas. Eles ocuparam uma das partes e cederam a outra às freiras de Santa Doroteia. As irmãs, vindas de Génova, chegaram a Lisboa a 16 de junho de 1866 e fixaram-se no convento a 7 de julho do mesmo ano, onde fundaram o Colégio de Jesus Maria José.

De 1864 até 1907, o convento sofreu várias obras de reparação e expansão.

1910 miniaturadaimagem|Interior do edifício Quelhas 6. A 3 de outubro de 1910 foi assinado um decreto, publicado no Diário do Governo nº 221 do dia seguinte, que dissolvia a comunidade jesuíta instalada no edifício do Quelhas. Durante a Implantação da República, a 5 de outubro de 1910, o Quelhas tornou-se um dos principais focos de conflito, tendo havido milícias armadas que dispararam continuamente contra o edifício jesuíta.

As Irmãs Doroteias foram retiradas do seu edifício na noite de 7 para 8 de outubro e obrigadas a regressar aos seus países de origem, encerrando-se assim o Colégio de Jesus Maria José. O decreto de 8 de outubro de 1910 determinou a expulsão dos padres da Companhia de Jesus de Portugal e a transferência automática dos seus bens para o Estado.

A 29 de dezembro de 1910, foi inaugurado o Museu da Revolução no edifício da antiga enfermaria do Colégio de Jesus Maria José, que viria a ser destruído a 21 de outubro de 1913 durante a tentativa de golpe monárquico liderado por João de Azevedo Coutinho, evento que ficou conhecido como a Primeira Outubrada.

1911 - Presente A 23 de maio de 1911 foi fundado o Instituto Superior de Comércio. Pelo decreto do dia 29 de novembro de 1912, o edifício do Quelhas foi arrendado para a instalação do curso secundário e superior de comércio, e iniciou o seu funcionamento no ano letivo 1913/1914. miniaturadaimagem|Edifícios Quelhas 6 (ao fundo) e Novo Quelhas (à frente). Ao longo dos anos foram feitas várias obras no edifício do Quelhas, com especial destaque para as décadas de 1960 e 1970. Em 2001/2002, começaram obras significativas de reabilitação no antigo espaço jesuíta, e as novas instalações foram inauguradas a 7 de novembro de 2005. Atualmente, o edifício Quelhas 6 contém a Presidência do ISEG, o Salão Nobre, a Secretaria do ISEG Executive Education, o Departamento de Marketing e Relações Externas (serviços), o Departamento de Matemática, gabinetes de docentes, secretariados de departamentos, salas de aula e auditórios. O edifício acolhe ainda o Bloomberg Financial Lab, um laboratório com 28 terminais Bloomberg que é considerado o maior da Península Ibérica.

Quelhas 4 miniaturadaimagem|Esplanada da cantina do edifício Quelhas 4.O edifício Quelhas 4 foi desenhado pelo arquiteto Gonçalo Byrne e inaugurado a 7 de novembro de 2005 e contém a cantina do Quelhas e gabinetes de docentes.

Quelhas 2 Em 1932, iniciaram-se as obras de construção de um novo edifício destinado à instalação do Museu Comercial. Concluído em 1935, acabou por ser ocupado pela Emissora Nacional de Radiodifusão (EN), órgão de comunicação do regime salazarista, oficialmente inaugurado em agosto do mesmo ano. A EN foi a antecessora da Radiodifusão Portuguesa (RDP) e da Rádio e Televisão de Portugal (RTP). miniaturadaimagem|Edifício Quelhas 2. Na madrugada de 25 de abril de 1974, por volta das três horas da manhã, um grupo de militares do Movimento das Forças Armadas, liderado pelos Capitães Luís Pimentel e Frederico Morais, ocupou a Emissora Nacional. Frederico Morais comunicou ao posto de comando: "Daqui Maior de Lima Dezoito. Informo que ocupámos Tóquio sem qualquer incidente".

No dia 25 de novembro de 1975, forças da polícia militar e do COPCON invadiram a Emissora Nacional como parte do Golpe de 25 de novembro. No jornal das 20:00 horas, foram feitos apelos à revolução em nome de Otelo Saraiva de Carvalho e do poder popular. O golpe acabou por fracassar e, no rescaldo deste evento, vários trabalhadores da EN foram suspensos ou dispensados por alegada participação nos acontecimentos.