História
O Nome Cunhambebe Cunhambebe é um nome atrelado a um pai e a um filho ambos lideranças indígenas Tupi. Tal remete a resistência da cultura e território indígena no período onde Portugal colonizava o Brasil. Isso, pois, no centro da confederação dos Tamoios, ambos os Cunhambebes lutaram contra os portugueses e a dominação estrangeira.
Contexto A partir de uma mística colonial criada dentro de um contexto de guerra entre Portugal e a França Antártica, a qual categorizava os povos Tupi de canibais e violentos, baseados em relatos de colonizadores como em Duas Viagens ao Brasil de Hans Staden e de caricaturas produzidas através desses relatos, como em Cenas de Antropofagia no Brasil de Théodore de Bry( 1596), Cunhambebe e a população descendente do ramo Tupi do tronco linguístico Tupi-Guarani foram por muito tempo alvos de injúrias e perseguição.
Além da figura de resistência, hoje, atrelada ao nome Cunhambebe, entende-se que há uma diferença entre o cacique Cunhambebe( filho), responsável pelo Armistício de Yperoig, e Arariboia, líder Temiminó. Pois, como população descendente da colonização portuguesa, valorizava-se mais o líder responsável pelo lado português na guerra. Apenas com os novos estudos históricos decoloniais( estudos sobre a herança do colonialismo nas mais diversas áreas e seus impactos na realidade presente) que a ciência e o homem branco passam a reconhecer e dar voz a povos como os tupinambás.
Resistência e demarcação O Parque Estadual Cunhambebe é uma unidade de conservação ambiental brasileira criada através do Decreto Estadual nº 41.358, de 13 de junho de 2008. Possui 38 mil hectares e abrange partes dos municípios fluminenses de Angra dos Reis, Rio Claro, Mangaratiba e Itaguaí.
http://www.inea.rj.gov.br/unidades/pqcunhambebe.asp. O parque é um corredor ecológico entre a Parque Nacional da Serra da Bocaina e Reserva Biológica Federal do Tinguá. A fauna é rica com presença da onça-parda, jaguatirica, quati, Tamanduá-mirim e muitos outros. Existem mais de 250 espécies de aves, como suiriri, jacu, Gavião-pombo-pequeno e outros. E nele são realizadas diversas atividades educacionais que se apoiam nas atividades indígenas e quilombolas organizadas pelo parqueCOSTA, Hedinene Silva da; ANDRADE, Daniel Fonseca de. Parque Estadual Cunhambebe, Rio de Janeiro-Brasil: educação ambiental em unidades de conservação. REMEA - Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 42, n. 2, p. 43-64, mai./ago. 2025. .
Porém, mesmo protegida a área como uma reserva ambiental, sabe-se que o espaço sofre com avanços da especulação imobiliária e da grilagem. Em 12 de maio de 2022, cerca de 400 indígenas de 32 etnias iniciaram a "Retomada Cunhambebe Pindorama" em Mangaratiba, resgatando a memória do cacique que liderou a Confederação dos Tamoios no século XVI. Eles apresentaram um plano de cogestão para combater desmatamento, caça ilegal, grilagem e especulação imobiliária, propondo agroecologia, ecoturismo de base comunitária e saneamento ecológico como alternativas aos megaprojetos turísticos como a "Cancun Brasileira"..
Turismo A sede administrativa fica no município de Mangaratiba. Destacam-se como atrações a cachoeira do Itimirim, a cachoeira Santa Bárbara, do Espelho e Véu da Noiva. Turistas procuram o parque para fazer a travessia do Saí-Rubião e de Angra dos Reis-Lídice, de onde é possível ver a Baía da Ilha Grande.
Turistas também podem encontrar importantes sítios arqueológicos, pois dentro do ecossistema de funcionamento do parque, inseriu-se a pesquisa científica
COSTA, Hedinene Silva da; ANDRADE, Daniel Fonseca de. Parque Estadual Cunhambebe, Rio de Janeiro-Brasil: educação ambiental em unidades de conservação. REMEA - Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 42, n. 2, p. 43-64, mai./ago. 2025.
MAPA DOS CONFLITOS (8 de julho de 2022). «Parque Estadual Cunhambebe: Povos indígenas de Mangaratiba lutam por cogestão e pela demarcação de seu território». Mapa de Conflitos: injustiça ambiental e saúde no Brasil. Consultado em 1 de junho de 2026.
Fontes Primárias:
STADEN, Hans. Duas viagens ao Brasil: primeiros registros sobre o Brasil. Tradução de Angel Bojadsen. Introdução de Eduardo Bueno. Porto Alegre: L&PM, 2011. (Coleção L&PM POCKET, v. 674).
BRY, Theodore de. Cenas de antropofagia no Brasil. 1596. Gravura. Disponível em: Iconográfica.https://www.brasilianaiconografica.art.br/obras/18720/cenas-de-antropofagia-no-brasil Acesso em 07 de maio de 2026
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