O transporte ferroviário em Portugal é composto, essencialmente, pelas infraestruturas de via e apoio ao tráfego, cuja gestão está entregue à empresa Infraestruturas de Portugal, e pela exploração de passageiros e carga, efectuada, principalmente, pela operadora Comboios de Portugal, e por outras empresas, como a Medway, Fertagus e Takargo. A rede ferroviária nacional é composta por linhas e ramais (em exploração e não exploradas) com uma extensão total de 3.621,6 km. 70% da rede encontra-se em exploração, o que corresponde a uma extensão de 2.526 km, dos quais 1.916 km em via única e 610 km em via múltipla. A extensão de rede eletrificada 1.791,2 km, corresponde a 70,8% do total da rede em exploração. Existem 3 ligações internacionais, com a rede ferroviária espanhola, em Vilar Formoso, Valença e Elvas. Também existem vários sistemas ferroviários ligeiros, como o Metro do Porto, o Metro Sul do Tejo, os Eléctricos de Lisboa,SARAIVA e GUERRA, 1998:109 do PortoANTÓNIO et al, 1983:54-55 e de Sintra,VIEIRA, 1997:182-183 o Transpraia na Costa de CaparicaVIEIRA, 1997:213 e o Comboio da Praia do Barril no Algarve.HURTADO, 2003:154 Em território nacional existem igualmente vários elevadores e caminhos de ferro funiculares, como o Elevador do Bom Jesus em BragaCAPELA e NUNES, 2010:58 ou o Elevador de Santa Justa em Lisboa.

Linhas e Ramais Esta é uma lista de linhas operacionais e/ou transformadas. NomeEstadoPercursoRegiãoExtensãoEletrificadoAberturaRamal de BragaEm serviçoNine – BragaNorte15 km100%1875Linha de GuimarãesEm serviçoLousado – GuimarãesNorte30,1 Km100%1884Linha da Póvoa a FamalicãoEncerradaPóvoa de Varzim–FamalicãoNorte29,2 km–1875Linha de LeixõesEm serviçoPorto de Leixões – ContumilNorte18,7 km100%1938Linha do MinhoEm serviçoPorto – Valença (Fronteira)Norte134 km100%1882Linha do DouroEm serviçoErmesinde – PocinhoNorte160 km44%1875Linha do CorgoEncerradaChaves e Régua (Fronteira)Norte96,1 km–1906Ramal de MonçãoEncerradaValença – MonçãoNorte16 km–1915Linha do SaborEncerradaPocinho – Miranda do DouroNorte105 km–1911Linha do TâmegaEncerradaArco de Baúlhe – AmaranteNorte51,4 km–1909Linha do TuaEncerradaTua – BragançaNorte134 km–1887Linha do VougaEm serviçoAveiro – EspinhoCentro, Norte61 km0%1911Linha da Beira BaixaEm serviçoEntroncamento – GuardaCentro240 km100%1891Ramal de AlfarelosEm serviçoAlfarelos – Bifurcação de LaresCentro16,5 km100%1889Linha da Beira AltaEm serviçoPampilhosa – Vilar Formoso (Fronteira)Centro202 km100%1882Ramal de TomarEm serviçoLamarosa – TomarCentro, Oeste e Vale do Tejo14,8 km100%1928Ramal do LouriçalEm serviçoLouriçal – Marinha das OndasCentro8 km100%1993Ramal da Figueira da FozEncerradaFigueira da Foz – PampilhosaCentro50,4 km–1882Linha do DãoEncerradaSanta Comba Dão – ViseuCentro49,3 km–1890Linha do NorteEm serviçoLisboa – PortoAM de Lisboa, Alentejo, Centro, Norte, Oeste e Vale do Tejo336 km100%1853Linha do OesteEm serviçoAgualva-Cacém – Figueira da FozAM de Lisboa, Oeste e Vale do Tejo, Centro215,1 km60%1887Linha de SintraEm serviçoLisboa – SintraAM de Lisboa27,2 km100%1887Linha de CinturaEm serviçoAlcântara-Terra – Braço de PrataAM de Lisboa10,5 km100%1888Linha da MatinhaEm serviçoLisboa-Santa Apolónia – SacavémAM de Lisboa2,8 km100%–Ramal do MontijoEncerradaPinhal Novo – MontijoAM de Lisboa10,6 km–1908Linha do SadoEm serviçoBarreiro – Praias do Sado AAM de Lisboa32,4 Km100%1914Linha do AlentejoEm serviçoBarreiro – FuncheiraAM de Lisboa, Alentejo217,6 km42%1857Linha do LesteEm serviçoAbrantes – ElvasCentro, Alentejo146,2 km0%1863Linha de ÉvoraEm serviçoCasa Branca – Évora – EstremozAlentejo26,2 Km de 85,1 km30%1863Nova Linha de ÉvoraEm construçãoÉvora – ElvasAlentejo80 km100%Em construçãoRamal de MontemorEncerradaTorre da Gadanha – Montemor-o-NovoAlentejo12,8 km–1909Ramal de MoraEncerradaÉvora – MoraAlentejo60 km–1907Ramal de MouraEncerradaMoura – BejaAlentejo60 km–1902Ramal de Neves CorvoEm serviçoOurique – Mina de Neves-CorvoAlentejo30,8 km0%1980Ramal de ReguengosEncerradaÉvora – Reguengos de MonsarazAlentejo40,6 km–1927Linha de SinesEm serviçoPorto de Sines – Ermidas-SadoAlentejo50,7 km100%1927Linha de Vendas NovasEm serviçoSetil – Vendas NovasAlentejo69,6 km100%1904Ramal de PortalegreEncerradaPortalegre – EstremozAlentejo63,1 Km–1925Ramal de Vila ViçosaEncerradaVila Viçosa – EstremozAlentejo16 km–1905Ramal de AljustrelEncerradaCastro Verde-Almodôvar – AljustrelAlentejo11,6 km–1929Ramal de CáceresEncerradaTorre das Vargens – Marvão (Fronteira)Alentejo72,4 km–1879Linha do SulEm serviçoLisboa – TunesAM de Lisboa, Alentejo, Algarve273,6 Km100%1861Linha do AlgarveEm serviçoLagoa – Vila Real de Santo AntónioAlgarve139,5 km100%1889

História

thumb|A construção da Ponte D. Maria, a maior obra de engenharia do caminho-de-ferro português no século XIX, permitiu a ligação ferroviária entre as cidades de Lisboa e Porto O primeiro troço, entre Lisboa e o Carregado, foi inaugurado em 28 de outubro de 1856, REIS et al, 2006:16 tendo a rede crescido constantemente até à década de 1890, quando o ritmo começou a diminuir.LAINS et al, 2005:165 Ambas as Guerras Mundiais e a Grande Depressão, junto com a expansão do transporte rodoviário, tiveram efeitos nefastos nos caminhos de ferro em Portugal, tendo apenas sido construídos alguns troços, e as empresas acumulado grandes prejuízos.TAVARES e ESTEVES, 2000:107REIS et al, 2006:63MARTINS et al, 1996:57 A extensão máxima da rede foi atingida com a inauguração do troço até Estação Ferroviária de Arco de Baúlhe, na Linha do Tâmega, em dezembro de 1949.REIS et al, 2006:99 Após a Segunda Guerra Mundial, os transportes aéreo e rodoviário continuaram a ganhar terreno perante os caminhos de ferro, pelo que se iniciou um processo de modernização das principais ligações, como a Linha do Norte. No entanto, os investimentos na rede complementar foram muito mais reduzidos,REIS et al, 2006:66 o que culminou com o encerramento de grandes porções da rede a partir dos finais da década de 1980.REIS et al, 2006:150

Na década de 1990, verificou-se um esforço de modernização, aonde foram inauguradas importantes infra-estruturas, destacando-se a Ponte de São João, em 1991, e a Gare do Oriente, em 1998,TAVARES e ESTEVES, 2000:114 e introduzidas novas séries de material circulante, como as locomotivas da Série 5600, em 1993, e as automotoras do Alfa Pendular, em 1999. Também nesta década, efectuou-se uma profunda reorganização nos caminhos de ferro, com a criação da Rede Ferroviária Nacional, que passou a assegurar a gestão das infraestruturas ferroviárias, limitando as actividades da operadora Caminhos de Ferro Portugueses à exploração dos serviços.REIS et al, 2006:151

Caracterização alt=|miniaturadaimagem|Serviço Alfa Pendular, na Gare do Oriente.

Via, sinalização e segurança A rede ferroviária portuguesa apresentava, em 2017, cerca de 2 562 Km em exploração, dos quais 1 633,7 estavam electrificados. O número de estações era superior a 500. Grande parte da rede estava electrificada, utilizando tensão de 25 Kv/50 Hz, excepto pela Linha de Cascais, que usava tensão continua de 1500 V. A maior parte da rede em funcionamento era de via larga, na bitola ibérica, sendo a Linha do Vouga e a Linha do Tua de bitola métrica.

A rede estava dividida em três zonas: o Comando Ferroviário Norte correspondia a todas as linhas a norte da Pampilhosa, enquanto que o Comando Ferroviário Centro abrangia todos os lanços de Pampilhosa até Vendas Novas e Lisboa, excepto a Linha do Sul (com princípio em Campolide). O Comando Ferroviário Sul englobava todas as linhas a Sul de Lisboa, incluindo a Linha do Sul.miniaturadaimagem|Comboio internacional atravessando a Ponte de Várzeas, na Linha da Beira Alta, projectada pela Casa EiffelEm termos de sistemas de exploração, o Regime de Cantonamento Automático Puro (RCAP) era utilizado no Ramal de Braga, entre Ermesinde e Caíde na Linha do Douro, Nine e São Bento da Linha do Minho, toda a Linha do Norte, Ramal da Lousã, toda a Linha de Cintura de Lisboa com as suas duas concordâncias, toda a Linha de Sintra, lanço entre Cacém e Meleças da Linha do Oeste, toda a Linha de Cascais, o lanço de Pampilhosa a Luso na Linha da Beira Alta, a Linha do Sul de Campolide até Vale da Rosa e de Somincor a Grândola, Linha do Alentejo desde o Barreiro até Poceirão mais a Concordância do Poceirão, o lanço entre Quinta Grande e Salgueirinha da Linha de Vendas Novas. Por seu turno, o Regime de Cantonamento Automático com Sinais Avançados (RCASA) foi instalado no lanço entre Lordelo e Guimarães da Linha de Guimarães, em várias partes das Linhas do Sul e da Beira Alta, de Poceirão a Bombel e de Vendas Novas a Casa Branca na Linha do Alentejo, de Casa Branca a Monte das Flores na Linha de Évora. O Regime de Cantonamento Interpostos (RCI) vigorava nos lanços restantes das linhas de Guimarães, Vendas Novas, Sul, Évora e da Beira Alta, entre o Entroncamento e Covilhã na Linha da Beira Baixa, parte do Ramal de Alfarelos, e na totalidade das linhas de Leixões, Sines, Algarve e nos ramais de Tomar e do Pego. Os lanços restantes das linhas do Minho, Douro, Beira Baixa, Alentejo, e Oeste, mais a totalidade da Linha do Leste e uma pequena parte do Ramal da Figueira da Foz utilizavam o Regime de Cantonamento Telefónico (RCT). Na rede ferroviária do Vouga, o tipo de cantonamento era o Regime Informatizado Simplificado de Exploração (SISE). miniaturadaimagem|A Estação Ferroviária de Vilar Formoso é a principal fronteira ferroviária de Portugal Existiam três ligações internacionais por caminho de ferro, uma em Valença, na Linha do Minho, outra em Vilar Formoso, na Linha da Beira Alta, e uma terceira em Estação Ferroviária de Elvas, na Linha do Leste. A principal é a de Vilar Formoso, fazendo da Linha da Beira Alta a artéria ferroviária mais importante para o tráfego internacional.REIS et al, 2006:225 O corredor de maior importância em território nacional é o Eixo Atlântico, de Braga a Faro, que serve como uma grande espinha dorsal do sistema ferroviário, unindo a maior parte das outras linhas e permitindo desta forma a articulação dos comboios de passageiros e mercadorias, e ao mesmo tempo concentrando por si só grande parte do tráfego nacional, devido ao facto de ligar as principais cidades do país. Os principais comboios de passageiros em Portugal, o Alfa Pendular e o Intercidades, utilizam o Eixo AtlânticoREIS et al, 2006:202 No âmbito deste eixo, a Linha do Norte apresenta um papel de relevo, devido em grande parte ao facto de ter a única travessia sobre o Rio Douro, pela Ponte de São João.MARTINS et al, 1996:206-207

Ver também Transportes em Portugal Comboios de Portugal Infraestruturas de Portugal História do transporte ferroviário em Portugal Lista de linhas ferroviárias em Portugal Rede Ferroviária de Alta Velocidade Linhas de alta velocidade em Portugal

Bibliografia

Leitura recomendada

Ligações externas Página oficial da empresa Infraestruturas de Portugal Página oficial da operadora Comboios de Portugal

Categoria:Linhas ferroviárias de Portugal