Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Tijuca (ou simplesmente Unidos da Tijuca) é uma escola de samba brasileira da cidade do Rio de Janeiro, sediada no Morro do Borel, no bairro da Tijuca. A escola foi fundada em 31 de dezembro de 1931, sendo uma das mais antigas que ainda estão em atividade no Brasil. A agremiação foi criada a partir da fusão de quatro blocos carnavalescos existentes nos morros da Casa Branca, Formiga, Borel e Ilha dos Velhacos. Entre seus fundadores estão Bento Vasconcelos, Leandro Chagas, Alcides de Moraes (Tatão), Jorge Vasconcelos, Pacífico Vasconcelos, João de Almeida, Ismael de Moraes, Alfredo Gomes, Tertuliano Chagas, Armando dos Santos, Turíbio dos Santos, Jacinto Ribeiro, Tarquínio Ramos, Orlando Godinho, Waldemar Gargalhada, João Cascorão, José Mamede D´Ávila, Álvaro, Dedé, Regina Vasconcelos, Marina Silva, Zeneide Oliveira, Margarida Santos, Hilda Chagas, Ely Chagas, Elza Gomes, Doralice Caldeira, Hermínia Vasconcelos, Dora de Almeida e Helena de Souza.

A escola tem como cores oficiais o azul e o amarelo, geralmente referidos pela própria agremiação como "amarelo-ouro" e "azul-pavão". Desde 1984, adota como símbolo o pavão, comumente representado em seus desfiles. Os torcedores da agremiação são chamados de "tijucanos". Durante muitos anos a escola teve sua sede no Morro do Borel. No final dos anos 1980, estabeleceu uma quadra comercial de ensaios no antigo Clube dos Portuários, na Avenida Francisco Bicalho, no bairro do Santo Cristo, onde permaneceu até 2025, quando ganhou da Prefeitura do Rio uma quadra definitiva em seu nome, na Rua Rivadávia Correa, número 227, em frente ao barracão da escola na Cidade do Samba, no bairro da Gamboa. Na sede do Morro do Borel, funciona o Instituto de Cidadania da Unidos da Tijuca, criado em 2006, que oferece projetos sociais de vários segmentos. A Tijuca também tem uma escola de samba mirim, a Tijuquinha do Borel, fundada em 2002.

A Tijuca possui quatro títulos de campeã do carnaval carioca, conquistados nos anos de 1936, 2010, 2012 e 2014, ocupando a posição de sexta maior vencedora no ranking de campeãs do carnaval carioca. Também foi campeã da segunda divisão em 1980, 1987 e 1999. Ao longo dos anos, coleciona prêmios e homenagens. Em 2024, a escola foi declarada como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade do Rio de Janeiro. Sua bateria, apelidada de "Pura Cadência", também foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Rio em 2024.

A agremiação participou do primeiro desfile das escola de samba do Rio de Janeiro, no carnaval de 1932. Após a conquista do título de 1936, ficou por quase duas décadas no segundo grupo, conseguindo se firmar na primeira divisão após a chegada do empresário português Fernando Horta à presidência da escola, na década de 1980, período em que a agremiação ficou marcada por apresentar enredos de cunho social, como "Delmiro Gouveia" (1980), "Macobeba" (1981) e "Lima Barreto" (1982). A década de 2000 marcou uma guinada na história da Tijuca com a chegada do carnavalesco Paulo Barros, que moldou uma nova identidade para a escola com desfiles interativos e de fácil leitura, com destaque para o histórico vice-campeonato do carnaval de 2004, quando foi apresentado o icônico "carro do DNA"; além do aclamado desfile de 2010, comumente adjetivado por especialistas como "histórico" e "arrebatador". Entre os clássicos sambas da escola estão "O Dono da Terra" (1999), que também rendeu um aclamado desfile na segunda divisão; "Agudás" (2003); e "De Gama a Vasco, a Epopéia da Tijuca" (1998), que virou canto da torcida vascaína.

Fundação

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Tijuca foi fundado em 31 de dezembro de 1931, sendo a quinta escola de samba a ser fundada (depois de Deixa Falar, Portela, Mangueira e União de Vaz Lobo). A agremiação foi criada a partir da fusão de quatro blocos carnavalescos existentes nos morros da Casa Branca, Formiga, Borel e Ilha dos Velhacos: o Bloco do Velho Ismael Francisco e Dona Blandira (da família Moraes); o Bloco do Velho Pacífico (da família Vasconcelos); o Bloco do Caroço (da Ilha dos Velhacos) e o Bloco de Dona Amélia (do Morro da Formiga). Apesar de abrigar terreiros de samba e blocos carnavalescos, o bairro da Tijuca não possuía uma escola de samba. Com isso, sambistas e foliões da região se reuniram no terreiro da Família Vasconcelos, na subida da Rua São Miguel, número 130, casa vinte, e decidiram criar a primeira escola de samba da localidade.miniaturadaimagem|Dona Regina, uma das fundadoras da Tijuca, no desfile de 1993.A escola foi fundada por Bento Vasconcelos, Leandro Chagas, Alcides de Moraes (Tatão), Jorge Vasconcelos, Pacífico Vasconcelos, João de Almeida, Ismael de Moraes, Alfredo Gomes, Tertuliano Chagas, Armando dos Santos, Turíbio dos Santos, Jacinto Ribeiro, Tarquínio Ramos, Orlando Godinho, Waldemar Gargalhada, João Cascorão, José Mamede D´Ávila, Álvaro, Dedé, Regina Vasconcelos, Marina Silva, Zeneide Oliveira, Margarida Santos, Hilda Chagas, Ely Chagas, Elza Gomes, Doralice Caldeira, Hermínia Vasconcelos, Dora de Almeida e Helena de Souza. Em sua origem, a maioria de seus componentes eram operários da Fábrica de Cigarros Souza Cruz, da Fábrica de Tecidos Maracanã, do Lanifício Alto da Boa Vista, da Fábrica de Tecidos Covilhã e de outras fábricas de menor porte localizadas no bairro da Tijuca. Nome, cores e símbolo miniaturadaimagem|250x250px|O pavão, símbolo da Tijuca, no carro abre-alas do carnaval de 2019.|esquerda O nome "Unidos da Tijuca" faz referência à união de blocos da Tijuca para fundar a primeira escola de samba da localidade. Inicialmente, o símbolo da agremiação consistia em duas mãos entrelaçadas e circundadas por dois ramos, um de café (em referência à época em que a Tijuca era conhecida como "área do café", no Século XIX) e outro de fumo (referência à fábrica de cigarros da região); e a inscrição "UT" (abreviação de Unidos da Tijuca). A partir de 1984, a escola adotou o pavão como símbolo. Desde sua fundação, a escola tem como cores oficiais o azul e o amarelo, constantemente referidos pela própria agremiação como "amarelo-ouro" e "azul-pavão". Ambas escolhas são atribuídas à Bento Vasconcelos, um dos fundadores da escola.

Há duas versões para a escolha das cores. Uma versão sustenta que foram adotadas as cores utilizadas pela Grande Fábrica de Cigarros, Fumos e Rapé de Borel & Cia, localizada no Morro do Borel, para embalar seus produtos. A outra versão aponta para uma inspiração na Casa de Bragança. As cores usadas pela Corte Imperial significavam prova de bom gosto em suas vestimentas. Também há duas versões para a escolha do símbolo. A primeira também sustenta uma inspiração na Fábrica dos Irmãos Borel, que teria as embalagens de seus produtos nas cores azul e amarelo-ouro, além da impressão de um pavão real. A segunda versão indica que, durante os preparativos para o carnaval de 1984, o pavão era utilizado como símbolo do enredo nas camisetas dos componentes, quando o compositor Carlinhos Melodia sugeriu ao então presidente da escola, Luis Carlos Cruz, que fosse colocado o pavão no carro abre-alas do desfile. A sugestão foi aceita e, a partir de então, o animal se tornou o símbolo maior da agremiação tijucana.

Bandeira A bandeira da escola tem forma retangular. A versão, utilizada desde 1988, possui 16 raios de cores intercaladas (oito azuis e oito amarelos) partindo do centro do pavilhão em direção às extremidades, em formação similar à siemens star. O centro da bandeira possui uma circunferência amarela, onde, dentro, encontram-se as inscrições "G.R.E.S." (na parte superior) e "UNIDOS DA TIJUCA" (na parte inferior). No centro da circunferência, localiza-se o desenho de um pavão. Abaixo da circunferência, próximo à borda inferior do pavilhão, está inscrito o ano de confecção do mesmo. A versão anterior da bandeira, utilizada até o desfile de 1987, não apresentava o desenho do pavão, e sim o logo anterior da escola, um aperto mãos e ramos de louro e café. História miniaturadaimagem|Desfile da Unidos da Tijuca de 1960. Arquivo Nacional Primeiros anos Em 1936, a escola foi a grande campeã do carnaval carioca, com o enredo Sonhos delirantes. Naquele desfile, realizado na Praça Onze, a Tijuca trouxe uma inovação, apresentando alegorias aludindo o enredo. De 1960 a 1980, enfrentou um período muito difícil, desfilando no segundo grupo e sem conseguir subir. Neste período, somente uma vez chegou perto de voltar ao grupo das grandes.

Década de 1980 Na década de 1980, a Tijuca oscilou entre o primeiro e o segundo grupo até a chegada do empresário português Fernando Horta à presidência da escola, em 1987, quando a agremiação conseguiu se firmar no primeiro grupo. A década também foi marcada por enredos de cunho social dos carnavalescos Renato Lage e Sílvio Cunha.

1980: "Delmiro Gouveia"

miniaturadaimagem|Início do desfile campeão da Tijuca no carnaval de 1980.|esquerda Para o carnaval de 1980, a AESCRJ tomou a polêmica decisão de abolir os quesitos Mestre-Sala e Porta-Bandeira e Comissão de Frente com a justificativa de que eles estavam se tornando onerosos, visto que as escolas estavam negociando financeiramente os melhores profissionais. Apesar de não estarem sendo julgados, a apresentação dos segmentos foi mantida como obrigatória. A Tijuca foi a última das doze agremiações que se apresentaram pelo Grupo 1B. A escola desfilou com o dia claro, iniciando sua apresentação por volta das oito horas e trinta minutos da manhã da terça-feira de carnaval. A escola homenageou o industrial Delmiro Augusto da Cruz Gouveia. O cearense criou a Usina Hidrelétrica de Angiquinho, a primeira do Nordeste e segunda do Brasil. Também é o criador do que é tido como o primeiro centro comercial brasileiro, o Mercado Modelo Coelho Cintra, e liderou o mercado de linhas de costura no Brasil, gerando incômodo na multinacional britânica Machine Cotton, que detinha o monopólio da fabricação de linhas de costura no país. Por motivos políticos e disputas de terras, Delmiro entrou em conflito com vários coronéis alagoanos, até ser misteriosamente assassinado em 1917. O enredo foi assinado por Paulo César Cardoso; enquanto as alegorias e fantasias do desfile foram confeccionadas pelo carnavalesco Renato Lage. A Tijuca tinha ainda Neguinho da Beija-Flor como intérprete oficial e Laíla na direção de harmonia.

Especialistas elogiaram o desfile, apontando a escola como favorita ao título. Segundo o jornal O Globo, "suas fantasias, carros alegóricos, alas e samba-enredo, equiparou-se à maior parte das escolas que desfilou no primeiro grupo. Ao longo da Rua Marquês de Sapucaí, a escola foi saudada com entusiasmo e seu samba cantado por todos". O samba-enredo do desfile é considerado por especialistas com um dos melhores da discografia da escola. Confirmando a expectativa, a Tijuca foi campeã do Grupo 1B, conquistando seu retorno à elite do carnaval, 21 anos após seu rebaixamento em 1959. A Tijuca conseguiu a nota máxima na maioria dos quesitos, com exceção de Bateria, que perdeu um ponto.

1981: "Macobeba - O que Dá pra Rir, Dá pra Chorar"

esquerda|miniaturadaimagem|Desfile da Tijuca no carnaval de 1981.