256px|right|thumb|Albrecht Dürer - Quatro Cavaleiros do Apocalipse Escatologia (do grego antigo εσχατος, "último", mais o sufixo -λόγια, "estudo") é uma parte da teologia e filosofia que trata dos últimos eventos na história do mundo ou do destino final da espécie humana, comumente denominado como fim do mundo. Em muitas religiões, o fim do mundo é um evento futuro profetizado no texto sagrado ou no folclore. De forma ampla, escatologia costuma relacionar-se com conceitos tais como Messias ou Era Messiânica, a pós-vida, e a alma.

Conceito de várias religiões A maioria das religiões monoteístas ocidentais tem uma doutrina que prega que seus membros 'escolhidos' ou 'valorosos' de uma fé verdadeira irão ser poupados ou livrados do julgamento prometido e da fúria de Deus. Eles serão conduzidos para o paraíso antes, durante ou após isto dependendo do cenário do fim do mundo para que eles estejam esperando. Outras religiões politeístas também possuem conceitos de um destino individual após a morte ou um ciclo de renascimentos, sendo que algumas também apresentam a ideia de uma abrupta transformação da situação colectiva da humanidade.

Cristianismo

Jesus Cristo, conforme registrado nos Evangelhos segundo Mateus, capítulos 24 e 25, Marcos, capítulo 13 e Lucas, capítulo 21, teceu considerações extensas sobre aquilo que ensinou ser a sua próxima vinda ou "parúsia" bem como o "fim do mundo". No entanto, afirmou que mais ninguém além de Deus sabia quando isso viria a acontecer. As palavras gregas syntéleia e aión que dão origem à expressão fim do mundo em algumas traduções da Bíblia, são no entanto vertidas por outras expressões por diferentes tradutores. Tomando como exemplo o versículo de , Versão Corrigida e Fiel, reza:

"E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?"

Assim, para muitos comentadores bíblicos, esta expressão permite conceber um fim definitivo para o planeta Terra, junto com todo o seu conteúdo. Em contraste, para vários outros, o que realmente chegará ao fim é uma "era" e não a terra literal e seus habitantes, visto que aión é diferente de kósmos, palavra que em geral designa o mundo da humanidade. Também, as palavras "conclusão", "consumação" ou "terminação" são traduções mais precisas da palavra grega syntéleia, que é diferente de telos, usualmente traduzida por fim ou fim completo.

Alguns cristãos no Século I d.C. acreditavam que o fim do mundo ou das eras, como consequência da segunda vinda de Cristo, ocorreria durante as suas vidas. À base dos conselhos que o apóstolo Paulo deu aos cristãos em Tessalônica, percebe-se que alguns argumentavam que a volta de Jesus era iminente e que tais especuladores pregavam ativamente essa sua teoria. Parece que alguns até mesmo usavam isso como desculpa para não trabalhar para o seu próprio sustento. O apóstolo Paulo alertou então:

"Agora, irmãos, quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e ao nosso encontro com ele, pedimos a vocês o seguinte: não se deixem perturbar tão facilmente! Nem se assustem, como se o Dia do Senhor estivesse para chegar logo, mesmo que isso esteja sendo veiculado por alguma suposta inspiração, palavra, ou carta atribuída a nós." () - Bíblia Pastoral da Editora São Paulo, 1993

No entanto, alguns anos mais tarde, a carta atribuída ao Apóstolo Pedro, continha o seguinte alerta:

"Amados, esta é, agora, a segunda epístola que vos escrevo; em ambas, procuro despertar com lembranças a vossa mente esclarecida, para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos, tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação." (), Versão Revista e Atualizada

As palavras concludentes do último livro da Bíblia, Revelação ou Apocalipse, expressam a esperança cristã da vinda de Cristo e da consequente consumação dos tempos, com as seguintes palavras:

"Aquele que atesta essas coisas, diz: 'Sim! Venho muito em breve.' Amém! Vem, Senhor Jesus!" () - Bíblia de Jerusalém, nova edição revista e ampliada, 2002

Com base nesta esperança do segundo advento de Jesus Cristo, várias denominações cristãs vieram a desenvolver os seus conceitos, sendo que alguns deles são divergentes, conforme se poderá observar na análise comparativa das suas doutrinas.

Escolas de interpretação Existem pelo menos três grandes correntes de interpretação das profecias bíblicas escatológicas dentro do cristianismo: Preterismo: as profecias se cumpriram no passado, tendo pouca ou nenhuma relevância na vida dos seres humanos; Futurismo: o cumprimento se dará num futuro distante, sem que as pessoas saibam quando, como e o que realmente acontecerá. Historicismo: os eventos proféticos, descritos literal ou simbolicamente, ocorrem com o passar do tempo e são históricos, podendo ser interpretados de expressões-chave contidas na profecia.Erickson, Millard J. Opções Contemporâneas na Escatologia. Edições Vida Nova Os principais tópicos abordados dentro da escatologia são:

A Vinda de Cristo Este é o tópico central do estudo das profecias Bíblicas. Neste tópico é abordado de forma sistemática o assunto da volta de Cristo. O objetivo deste tópico é mostrar aos servos do Senhor, que eles devem sempre estar alerta, vigilantes, e em comunhão, pois a volta de Jesus pode acontecer a qualquer momento.

Os Sinais da Vinda de Cristo Neste tópico da escatologia, é mostrado quais são os sinais que antecedem, e evidenciam a vinda de Cristo. Estes sinais evidenciam a vinda de Cristo, pois são sinais que foram preditos pela Bíblia.

As 70 Semanas De Daniel Dentro da escatologia, este é outro assunto muito importante. Neste tópico a escatologia busca interpretar de forma clara, a profecia das setenta semanas em Daniel 9:20-27.

O arrebatamento da Igreja Neste tópico, é tratado sobre a Reunião da Igreja com Cristo nos ares, onde aqueles que estiverem dormindo serão ressuscitados primeiro, e os que estiverem vivos serão arrebatados (1 Tes 4:16-17)

O Tribunal de Cristo Neste tópico da escatologia é falado sobre como todos os crentes, já transformados e com um corpo incorruptível, vão comparecer perante o Tribunal de Cristo (cf. 2 Co 5:10; 1 Co 1:8). Não se trata de julgamento para condenação, mas sim, para recompensas. Será neste momento que cada cristão receberá galardão por suas obras.

As Bodas do Cordeiro Aqui será falado sobre o casamento de Cristo com sua Noiva, a Igreja.

A Grande tribulação Neste tópico é falado sobre o cumprimento da última semana da profecia de Daniel, onde o mundo passará por uma grande e terrível tribulação. Neste período será levantado o Anticristo como governante mundial.

Milénio Neste tópico da escatologia, é tratado sobre o período de mil anos registrado em Apocalipse 20:1-6. Alguns reconhecem a literalidade do período. No entanto, outros procuram interpretar este período como sendo metafórico.

O Juízo Final Neste tópico, a escatologia trata sobre o grande julgamento do trono branco (Ap 20:11-15), onde grandes e pequenos terão de comparecer diante do Grande Juiz, Deus.

Novos Céus e Nova Terra Neste tópico é tratado a eternidade dos Santos com Deus no Novo Céu e na Nova Terra.

Catolicismo right|thumb|O Juízo Final – Afresco na Capela Sistina por Michelangelo.

Em 130 d.C. Justino, o Mártir acreditava que Deus estaria a atrasar o fim do mundo porque desejava que o Cristianismo se tornasse uma religião mundial. Por volta do Século III a maioria dos professos cristãos acreditava que o fim dos tempos ocorreria depois de suas mortes. Em 250 d.C. Cipriano, Bispo de Cartago, escreveu que os pecados dos cristãos eram um prelúdio e prova de que o fim dos tempos estava próximo. Alguns, recorrendo às Tradições Judaicas, fixaram o fim das eras na Sexta Idade do Mundo. Usando este sistema, o fim foi anunciado para 202 d.C. mas, quando esta data passou, foi fixada uma nova data. Na época de Clóvis I, considerado o fundador da França e que se converteu ao catolicismo após ser entronizado como rei em 481 d.C., alguns escritores católicos haviam apresentado a ideia de que o ano 500 d.C. marcaria o fim do mundo. Depois de 500 d.C., a importância e a expectativa da vinda do fim do mundo ou das eras como parte dos fundamentos do Cristianismo foi marginalizada e gradualmente abandonada. Apesar disso, surgiu um temporário reavivamento dos temores relacionados com o fim dos tempos com a aproximação do milésimo ano do nascimento de Cristo. Muitos acreditavam na iminência do fim do mundo ao se aproximar o ano 1000. Segundo consta, as atividades artísticas e culturais nos mosteiros da Europa praticamente cessaram. Eric Russell observou no seu livro "Astrology and Prediction": "'Em vista da proximidade do fim do mundo’ era uma expressão muito comum nos testamentos validados durante a segunda metade do Século X."

Para muitos católicos hoje em dia, expressões tais como "Juízo Final", "Dia do Juízo" ou "fim do mundo" suscitam visões dum ajuste de contas final e da destruição da Terra. Sob o cabeçalho "Fim do Mundo", o conceituado "Dictionnaire de Théologie Catholique" (Dicionário de Teologia Católica), declara: "A Igreja Católica crê e ensina que o mundo atual, assim como Deus o fez e assim como é, não durará para sempre. Todas as criaturas visíveis feitas por Deus no decorrer das eras[...] deixarão de existir e serão transformadas numa nova criação." Também, o católico "Dictionary of Biblical Theology" (Dicionário de Teologia Bíblica) exalta a criação como "a bondade de Deus", e, como "uma verdadeira obra de arte", mas prossegue descrevendo como os elementos literais, físicos, experimentarão uma "total inversão, mediante uma súbita volta ao caos".

No entanto, muitos outros católicos rejeitam a ideia do "fim do mundo", sendo que para eles, a expressão apenas indica um estado de mudança das atuais condições do mundo para condições novas, tal como o mundo já teria sofrido outras metamorfoses no passado. Interpretam a passagem do Evangelho segundo João, no capítulo 14, versículo 12: "Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai." como um sinal de constante desenvolvimento e aperfeiçoamento infinito do homem.

O que diz o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica

A escatologia preocupa-se mais com o fim do mundo e com o destino colectivo da humanidade do que com o destino individual das almas após a sua morte. Acerca disso, o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (CCIC) ensina que ocorrerá um Juízo final nos últimos momentos que precedem ao fim do mundo, "do qual só Deus conhece o dia e a hora".Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (CCIC), n. 215 Mesmo antes disso, Jesus Cristo, que também "verdadeiramente ressuscitou dos mortos e vive para sempre", ressuscitará toda a humanidade, dando, mais concretamente, uma nova vida, mas desta vez imortal, para todos os corpos que pereceram. Neste momento, todas as almas, quer estejam no Céu, no Purgatório ou no Inferno, regressarão definitivamente aos seus novos corpos.CCIC, n. 202 - 206