right|thumb|275px|Portugal visto do espaço reconhecendo-se o fumo de alguns grandes fogos no Verão de 2003. Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, as causas mais frequentes dos fogos florestais são o incendiarismo (28 %) e as queimadas agrícolas ou florestais (19 %), representando juntas 42 % das causas apuradas. Os incêndios florestais em Portugal são numerosos e são uma emergência que se atende hoje em dia mediante os planos de emergências para incêndios florestais. Informação geral sobre os incêndios florestais pode ser consultada na página oficial do Ministério do Ambiente.incêndios em Portugal Esta combustão descontrolada afeta, de modo expressivo, as diferentes componentes dos ecossistemas naturais onde incide, designadamente a vegetação e o solo, provocando na sua passagem efeitos de carácter imediato, ausência temporária de vegetação e domínio da cinza, bem como outros, de efeito mais tardio, nomeadamente a degradação da qualidade dos solos e o desenvolvimento de processos de erosão, além de que pode pôr, ainda, em causa tanto a vida, como os haveres do ser humano. A limpeza do solo agrícola implica a queima controlada de combustíveis agrícolas, tanto de forma extensiva (queimada) como de modo intensivo (queima de sobrantes), pelo que a sua passagem a incêndio não decorre de uma origem natural, mas antes de atos negligente ou intencionais, de natureza antrópica. A falta de consolidação da extinção dos grandes incêndios, a falta de vigilância e o surgimento de novas ignições contribuem para reativação de fogos florestais do país, agravando a área ardida. Más decisões estratégicas e gestão de meios criticada, no combate aos incêndios por sucessivos anos.

Os incêndios florestais correspondem a uma combustão descontrolada que tem como comburente o oxigénio e, como combustível, um conjunto de substâncias vegetais naturais, constituídas tanto pela manta morta, como por espécies vivas, sejam elas herbáceas, arbustivas ou arbóreas. Distinguem-se de outras combustões (por exemplo, combustões com substâncias químicas) por possuírem apenas o oxigénio como comburente e usarem um grupo de combustíveis relativamente homogéneo.Carvalho, António (2006) - Investigação de incêndios. Metodologias de Investigação Criminal Instituto Superior da Polícia Judiciária e Ciências Criminais, Loures. Com a industrialização e a modernização da sociedade, ocorreram mudanças drásticas na paisagem e nos regimes de incêndios.Agee, J. (1993). Fire Ecology of Pacific Northwest Forests. Island Press, Washington, DC, 493 p.Pyne, S. J. (1997). Fire in America: A cultural history of wildland and rural fire. 2nd Ed. Seattle, WA: University of Washington Press. 680p.Brown, J. K. (2000). Introduction and fire regimes. In (J. K. BROWN e J. K. Smith, Eds.) Wildland fire in ecosystems: effects of fire on flora. Gen. Tech. Rep. RMRS-42-vol. 2. Ogden, UT: U.S. Department of Agriculture, Forest Service, Rocky Mountain Research Station, 1-8. Devido à grande pressão urbana, agrícola e pecuária, com o aumento das florestas plantadas com o claro objetivo de, por um lado, contrariar os acentuados processos erosivos e a degradação dos recursos florestais, e de, por outro lado, responder às necessidades cada vez maiores do desenvolvimento industrial no que respeita aos produtos florestais; e as políticas de prevenção e extinção dos incêndios houve um aumento do combustível. Essas mudanças drásticas, juntamente com o aumento de ignições, inerente ao aumento da população e à desestruturação do mundo ruralBento-Gonçalves, A., Vieira, A., Martins, C. P., Ferreira-Leite, F. e Costa, F. S. (2010). A desestruturação do mundo rural e o uso do fogo – o caso da serra da Cabreira (Vieira do Minho). In (LEMOS MARTINS, M. (Org.) Caminhos nas Ciências Sociais. Memoria, Mudança Social e Razão – Estudos em Homenagem a Manuel da Silva Costa. Universidade do Minho, 87-104., têm gerado nas últimas décadas um aumento na dimensão, frequência e intensidade dos incêndios florestaisPausas, J. G. e Keeley, J. E (2009). A burning story: the role of fire in the history of life. Bioscience 59(7), 593-601. miniaturadaimagem|Bars graphic forest fires in Portugal the victims the years and the respective government in charge

Caraterização São das catástrofes naturais mais graves em Portugal, não só pela elevada frequência com que acontecem e dimensão que alcançam, como pelos efeitos destruidores que causam. Para além dos prejuízos económicos e ambientais, podem criar uma fonte de perigo para as populações e bens.

Os incêndios florestais são considerados catástrofes naturais, mais pelo facto de se desenvolverem na natureza e por a sua possibilidade de acontecimento e características de divulgação dependerem de fatores naturais, do que por serem causados por fenómenos naturais. A intervenção humana pode desempenhar um papel decisivo na sua origem e na limitação do seu desenvolvimento. A importância da ação humana nestes fenómenos diferencia os incêndios florestais das restantes catástrofes naturais.

Os anos de 2003 e 2005 foram os anos mais trágicos em Portugal, arderam 425 839 e 339 089 ha respetivamente. Em 2014, por contraste, arderam somente 19 930 ha. Em 2016, os incêndios voltaram a Portugal com grande intensidade, após um ano chuvoso, devido às condições climatéricas extremas (temperaturas acima dos 40 °C em todo o país). Até, 12 de agosto de 2016 já tinham ardido mais de 100 000 ha, uma área superior a metade de toda a área ardida na Europa nesse ano. esquerda|miniaturadaimagem|Floresta queimada no Algarve, Portugal Vários estudos apontam para que as causas humanas sejam prevalecentes. No estudo efetuado em 2012, que analisa as causas de incêndios florestais em Portugal continental, entre 1996 e 2010, verifica-se que 90% dos casos "tem origem em atos humanos, negligentes e intencionais". Observa-se que o "incendiarismo" (885) e o acidente/negligência" (866) são apontados como responsáveis pelo mesmo número de ocorrências, nos fogos cuja causa foi determinada. Contudo, a amostragem não é aleatória dado que todos os incêndios com suspeita de origem criminosa têm prioridade na investigação. Assim, os autores do estudo concluem que a "origem criminosa" enquanto causa de incêndios florestais está empolada.

Um estudo publicado em 2018 por Joana Parente, investigadora no Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, chegou à conclusão que cerca de 99 % das ignições com causa conhecida são resultantes de atividade humana, sejam negligentes ou intencionais, com menos de 1 % atribuível a causas naturais como trovoadas.

Opinião pública : José Gomes Ferreira acredita que há uma “indústria dos incêndios”, que colapsaria se não existissem as ocorrências todos os anos, e “as evidências estão aos olhos de toda a gente”.

José Gomes Ferreira, revela em conversa com um "alto responsável da Proteção Civil, que já não está em funções", que este admitiu a relação entre os incêndios e o comércio de madeira para aglomerados.

Também numa base opinativa, o presidente da Liga dos Bombeiros, em 2015, afirmava que cerca de 75% dos incêndios florestais em Portugal são de origem criminosa e os restantes 25% são devidos a casos de negligência.

Evolução da área florestal ardida anualmente em Portugal 2008 foi o ano em que a área ardida foi menor desde 1980. O pior ano foi 2017. O gráfico apresenta a evolução da área de floresta ardida em virtude de incêndios florestais em território nacional desde 1980.

1966

Em 6 de Setembro de 1966 um fogo na serra de Sintra causou a morte de 25 militares do Regimento de Artilharia AntiAérea Fixa de Queluz, quando tentavam combater as chamas.

1985 Em 8 de setembro de 1985, em Armamar um incêndio matou 14 bombeiros.

1986 Na noite de 14 de junho de 1986, num incêndio em Águeda perderam a vida 16 pessoas: 13 Bombeiros das Corporações de Bombeiros Voluntários de Águeda e de Anadia e três Civis da região de Águeda.

2004 Data Duração Zonas afectadas Unidades de combate Áreaardida Fonte Homens Veículos Meios aéreos Outros 25 de Julho de 2004 Serra de Montaria, Viana do Castelo 44 13 1 1 18 de Julho Vila Seca, Tábua 68 17 4 27 de Junho algumas horas Covão, em Colares 36 11 0 até 25 de Julho Évora 52 16

2005 Data Duração Zonas afectadas Unidades de combate Áreaardida Fonte Homens Veículos Meios aéreos Outros Julho Vários dias Albergaria-a-Velha ? ? ? ? 1201 ha ~17.07 Casais Velhos (Montemor-o-Velho) 14 4 4 - ~17.07 Ferrugenta (Figueira da Foz) 52 17 - - ~17.07 Alvega (Ourém) 43 11 2 - ~17.07 Muge (Salvaterra de Magos) 86 26 - - ~17.07 Lavegada (Tomar) 24 6 - - ~17.07 Sabugal 51 11 - - ~17.07 Paços (Sabrosa) 20 4 - - ~05.08 Valongo 22 6 - ~05.08 Paredes 40 11 - - ~05.08 Arouca 60 20 - - ~05.08 Vale de Cambra 118 31 - - ~05.08 Oliveira de Azeméis 20 5 - - ~05.08 Vagos 46 14 - - ~05.08 Sever do Vouga 30 7 - - ~05.08 Cantanhede 126 31 - - ~05.08 Almagreira (Pombal) 28 8 - - ~05.08 Chão de Gaia (Pombal) 21 5 - - ~05.08 Leiria 1 1 3 - ~05.08 Baião 11 3 - - ~05.08 Ponte de Lima 47 14 - - ~05.08 Amial (Castro Daire) 20 6 - - ~05.08 Farejinhas (Castro Daire) 65 20 - - ~05.08 Antas (Penalva do Castelo) 65 20 - - ~05.08 Campina (Penalva do Castelo) 67 16 - - ~05.08 Castelo Novo, Fundão 47 11 1* - ~05.08 Cavernães (Viseu) 39 12 - - ~05.08 Tomar 15 5 - - ~05.08 Marvão 137 39 1 - ~05.08 Olival (Ourém) 84 25 - - ~05.08 Resouro (Ourém) 136 38 - - ~05.08 Alcanena 144 43 - -

Distrito do Porto A 18 de Julho de 2005 a zona mais atingida por incêndios é o distrito do Porto, com 527 incêndios, 2902 fogachos e 3890 ha de zona ardida.

Período Nº de fogos Área ardida (ha) Detalhes 1987 7705 76 268 Povoamentos: 49 848 ha, Mato: 26 420 ha 1988 6131 22 434 Povoamentos: 8 627 ha, Mato: 13 807 ha 1989 21896 126 237 Povoamentos: 62166 ha, Mato: 64 071 ha 1990 10745 137 252 Povoamentos: 79 549 ha, Mato: 57 703 ha 1991 14327 182 486 Povoamentos: 125 488 ha, Mato: 56 998 ha 1992 14954 57 012 Povoamentos: 39 701 ha, Mato: 17 311 ha 1993 16101 49 963 Povoamentos: 23 839 ha, Mato: 26124 ha 1994 19983 77 323 Povoamentos: 13 487 ha, Mato: 63 836 ha 1995 34179 166 330 Povoamentos: 85 246 ha, Mato: 81 084 ha 1996 28626 83 045 Povoamentos: 10 574 ha, Mato: 72 471 ha 01.01.2004—10.07.2004 20 039 01.01.2005—10.07.2005 29 580

Campanha de prevenção (2007) Portugal sem fogos depende de todos é uma campanha lançada em 2007 para lutar contra os fogos em Portugal.

Até 30 de Setembro,Decreto-Lei 124/2006 em zonas florestais é absolutamente proibido: Fumar ou fazer lume de qualquer tipo Lançar foguetes ou balões de mecha acesa Realizar queimadas para renovação de pastagens Queimar sobrantes agrícolas ou florestais

Porque Portugal sem fogos depende mesmo de todos, foi aprovado um Despacho Conjunto, da responsabilidade dos Ministérios da Administração Interna e do Trabalho e Solidariedade Social, que permite o recrutamento de cidadãos em situação de desemprego para trabalhos de prevenção e detecção de incêndios florestais. 2013 A 8 de Julho de 2013, na aldeia de Cilhade, no concelho de Torre de Moncorvo, às 14:45 inicia-se um foco de incêndio que foi dominado, às 21:34.

A 9 de Julho de 2013, na aldeia de Picões, no concelho de Alfândega da Fé, às 13:47 o incêndio reacende, e de forma explosiva, passa o Rio Sabor, até ao concelho de Mogadouro, cercando várias aldeias, como na aldeia de Quintas das Quebradas onde se juntão duas frentes, e obrigando á evacuação de algumas casas na aldeia de Estevais (Mogadouro) e á evacuação total da aldeia de Minas de Fonte Santa (Freixo de Espada á Cinta). Esta frente continua entre os concelhos de Freixo de Espada á Cinta e Mogadouro, chega até ás arribas da Barragem de Aldeadávilla. O incêndio continua em Carviçais (Torre de Moncorvo) e às 7:00, já no dia 12 de Julho de 2013, o incêndio é dado como extinto em Mós (Torre de Moncorvo).