thumb|263px|A rainha-mãe Maria de Molina apresenta o seu filho menor às Cortes de Valladolid de 1295; quadro de 1863 de Antonio Gisbert
Diego López V de Haro, alcunhado "O Intruso" ( – 1310) foi um nobre castelhano, que além de ser 10.º senhor da Biscaia, desempenhou os cargos de mordomo-mor e alferes do rei . É considerado fundador da cidade de Bilbau, então pouco mais que uma aldeia de pescadores, pois promoveu-a a villa e porto mercantil isento de tributo real (de passagem), dependente somente da autoridade do Senhorio da Biscaia.
Família Era filho de Constança de Béarn e de , a quem sucedeu no Senhorio da Biscaia. Pela parte materna, era neto de , visconde de Béarn e da sua esposa Garsenda da Provença. Pela parte paterna, era neto de , Senhor da Biscaia, e da sua esposa Urraca Afonso de Leão, filha de ilegítima de .
Foram seus irmãos, entre outros, , senhor da Biscaia, de Sancha Díaz de Haro e de Teresa de Haro, esposa de , senhor da Casa de Lara.
Biografia Enquanto Fernando IV de Castela era menor de idade (1295-1301) Desconhece-se a data exata de nascimento, a qual ocorreu provavelmente cerca de 1250. Em 1282 casou com a infanta , filha de Afonso X, o Sábio.
Diego López de Haro apoderou-se do Senhorio da Biscaia, que pertencia a , aproveitando-se dos distúrbios na corte que se seguiram à morte de , devidos em grande parte ao facto de ser menor de idade. Às lutas incessantes com a nobreza castelhana, liderada pelos infantes , que reclamava o trono do seu irmão Sancho IV, "o Bravo", e pelo infante Henrique de Castela, "o Senador", filho de , "o Santo" e tio de Fernando IV, que reclamava a tutoria do rei, somava-se o pleito com os , apoiados por França e Aragão e pela sua avó Violante de Aragão (1236-1300), viúva de Afonso X. As estes juntaram-se problemas com Aragão, Portugal e França, que tentaram aproveitar-se da situação de instabilidadedo reino de Castela e Leão em se próprio benefício. Ao mesmo tempo, Diego López V de Haro, , e muitos outros semeavam a confusão e a anarquia no reino.
No verão de 1295, nas a posse do Senhorio da Biscaia por Diego López foi confirmada a Diego López foram restituídas as propriedades ao infante João, que momentaneamente aceitou em privado Fernando IV como soberano.
Em 15 de junho de 1300, Diego López V de Haro converteu a aldeia marítima de Bilbau em vila.
Durante as Cortes de Valladolid de 1300, o infante João de Castela, "o de Tarifa", não obstante ter sido proclamado rei de Leão em 1296, renunciou às suas pretensões ao trono e prestou juramento público de fidelidade a Fernando IV e aos seus sucessores a 26 de junho de 1300. Em troca da sua renúncia ao Senhorio da Biscaia, cuja posse foi confirmada a Diego López, María II Díaz de Haro e o seu esposo, o infante João, receberam Mansilla, Paredes de Nava, Medina de Rioseco, Castronuño e Cabreros. Pouco depois, Maria de Molina e os infantes Henrique e João, acompanhados por Diego López, sitiaram Almazán, mas levantaram o cerco por oposição do infante Henrique.
Durante o reinado de Fernando IV (1301-1310) Em novembro de 1301, quando se encontrava na corte em Burgos, foi publicada a bula pela qual o papa legitimava o casamento da rainha Maria de Molina com o defunto Sancho IV, e que implicava que os seus filhos passassem a ser legítimos. Ao mesmo tempo, foi declarada a maioridade de Fernando IV, o que retirou a João de Castela e aos infantes de Lacerda um dos seus principais argumentos para reclamarem o trono: a ilegitimidade de Fernando.
O infante Henrique, "o Senador", incomodado pela legitimação de Fernando, aliou-se a João Núñez II de Lara, senhor da Casa de Lara, a fim de provocar e causar desentendimentos entre Fernando e a sua mãe Maria de Molina. João de Castela, que continuava a reclamar o Senhorio da Biscaia em nome da sua esposa, aliou-se a Henrique e João Núñez. Nesse mesmo ano, o infante Henrique, aliado com Diego López de Haro, reclamou ao rei Fernando IV que lhe concedesse a posse das localidades de Atienza e San Esteban de Gormaz em compensação por abandonar o cargo de tutor do rei, depois de ter chantageado previamente a rainha ameaçando declarar guerra ao seu filho se os seus desejos não fossem satisfeitos.
left|upright|thumb|Retrato imaginário de Fernando IV, 1892–1894, José María Rodríguez de Losada
Em 1302 acentuou-se a rivalidade entre Henrique, Maria de Molina e Diego López de Haro por um lado, e o infante João de Castela e João Núñez de Lara por outro. O infante Henrique ameaçou a rainha de declarar guerra a Fernando IV e a ela mesma se não acedesse às suas demandas, enquanto que os outros procuravam eliminar a influêcnia que Maria exercia sobre o seu filho, cuja popularidade começou a descer devido à influência que os ricos-homens exerciam sobre ele. Nos últimos meses e 1302, a rainha, que se encontrava então em Valladolid, viu-se obrigada a aplacar os ricos-homens e aos membros da nobreza em geral, que planeavam levantar-se em armas contra Fernando IV, que passsou o Natal de 1302 no Reino de Leão acompanhado pelo infante João e por João Núñez de Lara.
No início de 1303 havia um encontro previsto entre o rei D. Dinis de Portugal e Fernando IV, confiando este último que o seu primo e rei português lhe devolveria alguns territórios. Pela sua parte, o infante Henrique, Diego López e a rainha Maria de Molina recusaram-se a assistir a tal encontro. O propósito da rainha ao negar-se a assistir era vigiar o infante Henrique e o Senhor da Biscaia, cujas relações com Fernando IV eran tensas devido à amizade entre o jovem monarca e o infante João e João Núñez de Lara. Em maio de 1303 ocorreu o encontro entre os dois reis na cidade de Badajoz. O infante João e João Núñez de Lara predispuseram Fernando IV contra o infante Henrique e o Senhor da Biscaia, ao mesmo tempo que as concessões oferecidas pelo soberano português, que se ofereceu para o ajudar contra o infante Henrique de Castela caso necessário, dececionaram o monarca castelhano.
Enquanto o rei se encontrava em Badajoz, reuniram-se em Roa o infante Henrique, Diego López de Haro e D. João Manuel, acordando enviar João Manuel ao encontro do rei de Aragão. Este concordou em encontrar-se com os três em Ariza magnates no dia de São João Batista. O infante Henrique comunicou os planos a Maria Molina, que se encontrava em Valladolid, com a intenção de que ela se unisse a eles. O plano de Henrique consistia em que Afonso de Lacerda se tornasse o lei de Leão e desposasse a infanta , filha de Maria Molina, ao passo que o infante Pedro, irmão de Fernando IV seria proclamado rei de Castela e desposaria uma filha de . Henrique declarou que a sua intenção era alcançar a paz no reino e eliminar a influência do infante João e de João Núñez de Lara.
thumb|upright|João Manuel de Castela
Esse plano, que teria implicado a desagregação dos territórios do Reino de Castela e Leão, bem como a renúncia ao mesmo por parte de Fernando IV, de forma forçada, foi rechaçado pela rainha Maria de Molina, que se negou apoiar o projeto e a encontrar-se com o soberano aragonês em Ariza. Entretanto Fernando IV suplicava à mãe que acabasse com os conflitos entre ele e os magnates que apoiavam o infante Henrique, os quais voltaram a pedir à rainha que apoiasse o plano do infante, o que ela se negou a fazer. Enquanto decorriam os encontros de Ariza, a rainha recordou ao infante Henrique e aos seus acompanhantes a lealdade que deviam ao seu filho, bem como os grandes privilégios que lhes havia concedido, conseguindo com isso que alguns cavaleiros abandonassem Ariza sem apoiarem o plano de Henrique. Porém, este, D. João Manuel e outros cavaleiros comprometeram-se a fazer guerra a Fernando IV, bem como a que o Reino de Múrcia fosse devolvido a Aragão e o Reino de Jaén a Afonso de Lacerda.
Entretanto, enquanto a rainha reunia os Conselhos e estorvava os propósitos do infante Henrique, este caiu gravemente doente e teve que ser transladado para a sua vila de Roa. Temerosa que devido à doença de Henrique os senhorios e castelos passassem a ser de D. João Manuel e de Lope Díaz de Haro, a rainha, a quem o infante planeava legar as suas possessões no caso de morrer, persuadiu o confessor do infante e os seus acompanhantes a convencerem-no a deixar todos os seus bens à Coroa. No entanto, o infante recusou, pois não queria que os seus bens passassem para as mãoes de Fernando IV. Henrique morreu a 8 de agosto de 1303, sendo sepultado no já desaparecido de Valladolid.
Em novembro de 1303 o rei encontrava-se em Valladolid junto à rainha, e solicitou o seus conselho, pois queria por fim ao pleito levantado pelo infante João de Castela, o de Tarifa, e Diego López V de Haro. A rainha disse-lhe que o ajudaria a resolver o diferendo, ao mesmo tempo que o rei lhe fazia importantes doações, pois as boas relações entre o rei e sua mãe tinham-se restabelecido por completo.
thumb|left|Tordehumos, um feudo disputado por Maria II Díaz de Haro a Diego López
Em janeiro de 1304, encontrando-se o rei em Carrión de los Condes, o infante João reclamou de novo o Senhorio da Biscaia em nome da sua mulher e apoiado por João Núñez de Lara. Num primeiro momento, o rei resolveu que a esposa do infante se conformasse em receber Paredes de Nava e Villalón de Campos como compensação, mas o infante João alegou que a esposa nunca aceitaria por estar em desacordo com os pactos anteriores do seu esposo em relação ao senhorio. O rei propôs então a Diego López V de Haro que entregasse a Maria II Díaz de Haro as vilas de Tordehumos, Íscar e Santa Olalla, além das suas possessões em Cuéllar, Córdova, Múrcia, Valdetorio e o Senhorio de Valdecorneja. Diego López V de Haro conservaria o Senhorio da Biscaia, Orduña, Valmaseda, e Durango. O infante aceitou esta oferta, pelo que este mandou chamar Diego de Haro a Carrión de los Condes. Diego não aceitou a proposta do soberano e antes de partir ameaçou revoltar-se.
O rei fez com que a sua mãe se reconciliasse com João Núñez de Lara na mesma altura em que se iniciavam as primeiras movimentações preparatórias da Sentença Arbitral de Torrellas, assinada em 1304, nas quais Diego López V de Haro não participou por estar em conflito com o rei. Este prometeu entregar a João de Castela, o de Tarifa, o Senhorio da Biscaia e a João Núñez de Lara a Bureba e as possessões de Diego López na Rioja, se ambos resolvessem as questões diplomáticas com Aragão a contento do monarca.
Em abril de 1304, o infante João iniciou as negociações com o reino de Aragão, compromentendo-se Fernando IV a aceitar as decisões estabelecidas pelos mediadores dos reinos de Portugal e Aragão, que se reuniriam nos meses seguintes, respeitantes às demandas de Afonso de Lacerda e às suas disputas com Aragão. Ao mesmo tempo, o rei confiscou as terras de Diego López V de Haro e de , senhor de Cameros, e repartiu-as entre os ricos-homens. Apesar disso, ambos os magnates sublevaram-se contra o rei.
Em janeiro de 1305, encontrando-se em Guadalajara o rei, María de Molina, o infante João de Castela, D. João Manuel, João Núñez de Lara o Menor, Diego López V de Haro e João Afonso de Haro, Fernando IV solicitou de novo a Diego López que devolvesse o Senhorio da Biscaia a Maria II Díaz de Haro e João Afonso de Haro, mas o pedido não foi aceite por Diego.
Conflitos pela possessão do Senhorio da Biscaia Em 1305 Diego López V de Haro foi chamado a ir às Cortes de Medina del Campo que se celebraram esse ano, mas só compareceu depois de ser chamado várias vezes, para responder às demandas de Maria II Díaz de Haro, que reclamava a posse do Senhoria da Biscaia, valendo-se da influência do seu esposo, o infante João.