Stephen Russell Davies, OBE (Swansea, ), mais conhecido como seu pseudônimo de escritor Russell T Davies, é um roteirista e produtor de televisão galês cujos trabalhos incluem Queer as Folk, Bob & Rose, The Second Coming, Casanova, e a renovação de 2005 da clássica série britânica de ficção científica Doctor Who. Nascido em Swansea, Davies queria ser um ilustrador de quadrinhos quando adulto, até que um orientador vocacional em sua escola sugeriu que ele estudasse literatura inglesa; ele consequentemente focou sua carreira na escrita de peças de teatro e roteiros de televisão. Depois de se formar na Universidade de Oxford, Davies se juntou ao departamento infantil da BBC em meio expediente no ano de 1985, trabalhando em vários cargos, incluindo como roteirista e produtor em duas séries, Dark Season e Century Falls. Ele saiu da BBC no início da década de 1990 para trabalhar na Granada Television, mais tarde se tornando um roteirista autônomo.

Davies passou a escrever para séries de televisão adultas em 1994. Seus primeiros roteiros geralmente exploravam os conceitos de religião e sexualidade dentro de vários cenários: Revelations era uma novela sobre religião que possui uma vigária lésbica; Springhill uma novela sobre uma família católica em Liverpool; The Grand explorava as opiniões da sociedade sobre assuntos como prostituição, aborto, e homossexualidade durante o período entreguerras; e Queer as Folk, sua primeira série de destaque, que recriava suas experiências no círculo gay de Manchester. Suas séries seguintes incluíam Bob & Rose, que mostrava um homem gay que se apaixonava por uma mulher, The Second Coming, que se focava na segunda vinda e no deicídio de Jesus Cristo, Mine All Mine, uma comédia sobre uma família que descobria que era dona de toda a cidade de Swansea, e Casanova, uma adaptação do livro de memórias Histoire de Ma Vie.

Sua realização mais notável foi a renovação e produção da série de ficção científica Doctor Who após um hiato de dezesseis anos, com Christopher Eccleston, e mais tarde David Tennant, no papel principal do Doutor. O período em que Davies atuou como produtor executivo do programa viu um grande aumento na popularidade que levou à produção de duas séries spin-off, Torchwood e The Sarah Jane Adventures, e o renascimento dos dramas do horário nobre de sábado como fontes de lucro para as companhias produtoras. Davies recebeu a Ordem do Império Britânico em 2008 por seus serviços as artes cênicas, que coincidiu com o anúncio de que ele iria deixar de ser o produtor executivo da série com seu último roteiro, The End of Time. Davies se mudou para Los Angeles, Califórnia, em 2009, onde supervisionou a produção de Torchwood: Miracle Day e a quinta e última temporada de The Sarah Jane Adventures.

Ele retornou para o Reino Unido no final de 2011 depois que seu parceiro, Andrew Smith, desenvolveu câncer, e trabalhou na série infantil de ficção científica Wizards vs Aliens até seu cancelamento em 2014. Em 2015, retornou à televisão adulta com três trabalhos simultâneos e relacionados entre si, as séries Cucumber, Banana e Tofu. Cucumber, exibida no Channel 4, descreve a vida de um homem gay de idade mediana no ambiente de Manchester, enquanto que Banana relata histórias de diversos personagens gays no mesmo universo de ficção que a anterior, sendo transmitida no E4, o canal pago irmão do Channel 4. Tofu é um documentário de publicação exclusiva na internet que discute situações sexuais levantadas nas duas supracitadas, contendo entrevistas realizadas com elenco e moradores de rua, sendo emitida através do 4oD, serviço online do canal.

Vida e início de carreira Stephen Russell Davies nasceu em no Mount Pleasant Hospital em Swansea, Glamorgan. Seus pais, Barbara e Vivian Davies, eram professores de arte e cultura clássicas de uma área suburbana de Sketty. Davies era o filho mais jovem do casal e o único homem. Por ter nascido em uma cesariana, sua mãe recebia injeções de morfina e foi internada após uma overdose que resultou em um ataque psicótico.Aldridge & Murray, 2008, pp. 9-11 Ele descreveu a experiência de sua mãe como "literalmente ... ficção científica" e uma inspiração para sua carreira como roteirista.

Quando criança, Davies era chamado quase que exclusivamente pelo seu nome do meio. Ele cresceu em uma casa que "nunca desligava a TV" até o fim das transmissões, e subsequentemente ele ficou imerso em dramas como I, Claudius e Doctor Who; uma de suas primeiras memórias, aos três anos de idade, foi a resolução do serial The Tenth Planet, de Doctor Who exibido em 1966. Ele era um cartunista e um entusiasta de quadrinhos que comprava séries como Asterix e Peanuts.Aldridge & Murray, 2008, p. 12

Davies estudou na Tycoch Primary School e depois na Olchfa Comprehensive School aos onze anos. Em seu primeiro ano, os prédios principais da escola foram fechados para reformas e renovações depois que descobriu-se que o cimento usado na construção era o mesmo que causou o desabamento de outros edifícios públicos. As aulas aconteciam em prédios desmontáveis, o que influenciou sua imaginação a criar histórias de mistério, ficção científica e de conspiração sobre o prédio principal. Ele também se mergulhou em livros como Sons and Lovers, de D. H. Lawrence, e The Crystal Mouse, de Babs H. Deal.Aldridge & Murray, 2008, pp. 13-15

Aos quatorze anos, Davies entrou na recém formada West Glamorgan Youth Theatre (WGYT). O fundador e diretor do grupo, Godfrey Evans, o considerou "um total faz-tudo" que era talentoso e popular entre seus colegas. Trabalhar com o grupo o ajudou a definir sua orientação sexual: ele entrou em uma relação de vários meses com sua colega Rhian Morgan, e posteriormente se assumiu como homossexual durante a adolescência.Aldridge & Murray, 2008, pp. 16-17

Em 1979, Davies completou seus estudos e decidiu ficar na Olchfa para tentar estudar literatura inglesa na Universidade de Oxford; ele abandonou suas aspirações de se tornar um ilustrador de quadrinhos depois que um orientador vocacional o convenceu que seu daltonismo impediria esse caminho. Durante seus estudos, ele participou de um trabalho da WGYT para criar peças em língua galesa que seriam interpretadas na National Eisteddfod of Wales, incluindo Pair Dadeni, uma peça baseada no mito de Mabinogion, e Perthyn, uma peça sobre questões de identidade em West Glamorgan. Em 1981, ele entrou no Worcester College de Oxford para estudar literatura inglesa. Em Oxford, ele percebeu estar encantado com a narrativa ficcional, especialmente com obras do século XIX como aquelas escritas por Charles Dickens.Aldridge & Murray, 2008, pp. 19-21

Davies continuou a mandar roteiros para a WGYT enquanto estudava em Oxford: Box, uma peça sobre a influência da televisão que Evans notou ter as inclinações de Davies para enganar o público e misturar comédia e drama; In Her Element, que se centrava na animação de objetos inanimados; e Hothouse, uma peça inspirada nas obras de Alan Bennett sobre políticas internas em um escritório de publicidade. Em 1984, ele fez sua última participação com a WGYT e entrou em um curso de estudos teatrais na Universidade de Cardiff depois de se formar em Oxford.Aldridge & Murray, 2008, pp. 22-24 Davies trabalhou esporadicamente com o departamento de publicidade do Sherman Theatre. No ano seguinte ele começou sua carreira profissional na televisão depois que um amigo sugeriu que ele se encontrasse com um produtor de televisão que estava procurando um artista gráfico temporário para a série infantil Why Don't You?.Aldridge & Murray, 2008, pp. 24-25

Carreira em séries infantis Davies entrou no departamento infantil da BBC Cymru Wales em 1985, recebendo contratos de um dia e comissões, como de ilustrador em Why Don't You?. Como trabalhava apenas três dias por mês na BBC, ele continuou como voluntário e autônomo para o Sherman Theatre. Em 1986, ele recebeu uma oferta de trabalho no Sunday Sport; ele recusou por ficar preocupado com o teor pornográfico do tabloide. Ele também enviou um roteiro especulativo para a novela Crossroads com um conteúdo mirado nos jovens; ele não foi usado já que o programa foi cancelado em 1987. Davies por fim abandonou inteiramente sua carreira de artista gráfico ao perceber que gostava mais de escrever diálogos para quadrinhos do que desenhá-los.Aldridge & Murray, 2008, pp. 27-31

No dia 1 de junho de 1987, Davies fez sua primeira e única aparição como apresentador televisivo em Play School, junto com a apresentadora regular Chloë Ashcroft. Peter Charlton, um dos produtores de Why Don't You?, sugeriu que ele se sairia "bem em frente da câmera" e o aconselhou a tornar sua carreira pública. Davies recebeu outras oportunidades para aparecer esporadicamente em um período de seis meses; ele apresentou apenas um episódio como ilustrador antes de sair do cenário comentando "não vou fazer isso de novo". A aparição se tornou uma piada interna da indústria, e gravações apareceram em festas que Davies compareceu.Aldridge & Murray, 2008, pp. 31-33

Em Why Don't You?, Davies realizou vários trabalhos, incluindo o de pesquisador, diretor, ilustrador e assistente. Ele recebeu seu primeiro trabalho profissional como roteirista em 1986 pelo produtor Dave Evans; ele havia entrado no escritório de Evans para receber seu pagamento e o produtor lhe ofereceu £ 100 extras por um novo roteiro. O roteiro de Davies foi bem recebido no departamento e isso fez com que ele conseguisse trabalhos maiores até receber um contrato de seis meses para se tornar um dos roteiristas do programa ao se mudar para Manchester em 1988.Aldridge & Murray, 2008, pp. 33-35 Ele trabalhou na série nos dois anos seguintes e eventualmente se tornou um dos produtores. Ele supervisionou um aumento na carga dramática – apesar do fato da BBC Manchester não ter a permissão da corporação para produzir dramas infantis – que triplicou a audiência e que chegou ao seu clímax no último episódio: um drama onde os protagonistas, liderados pelo apresentador Ben Slade, ficam presos em um café por um supercomputador que quer matá-los.Aldridge & Murray, 2008, pp 38-41

Enquanto produzia Why Don't You?, Davies se aventurou fora do departamento infantil da BBC Manchester: ele fez cursos de direção, escreveu alguns roteiros para públicos mais adultos nas séries DEF II e On the Waterfront, e acompanhou Keith Chegwin até a Noruega para ajudar na produção de um documentário sobre política. O chefe do departamento infantil da emissora, Ed Pugh, lhe ofereceu a chance de produzir a nova série Breakfast Serials. O programa incorporou elementos de uma comédia non sequitur com referências a cultura popular, como uma paródia de Land of the Giants, mirando em estudantes mais velhos.Aldridge & Murray, 2008, pp. 35-38 Davies tomaria a decisão de deixar o departamento infantil da BBC durante a produção de Breakfast Serials: um amigo lhe telefonou após a transmissão do primeiro episódio e disse que ele havia "transmitido uma piada sobre a juventude de Emily Brontë às oito horas da manhã"; a conversa fez com que ele percebesse que estava escrevendo para o público errado.Aldridge & Murray, 2008, pp. 41-42 Mesmo assim, Davies produziria outras três séries infantis (Dark Season, Century Falls e Children's Ward) antes de começar um carreira em séries adultas.

Dark Season e Century Falls thumb|upright|Kate Winslet teve seu primeiro papel de destaque em Dark Season.