Druso Júlio César (; – ) era filho do imperador romano Tibério e seu herdeiro depois da morte de seu irmão adotivo Germânico em 19. Nascido em Roma num proeminente ramo da gente Cláudia e membro da dinastia júlio-claudiana, Druso era filho do imperador com Vipsânia Agripina e seu nome de nascimento era Nero Cláudio Druso (), uma homenagem ao seu tio paterno Druso, o Velho. Em 4, assumiu o nome "Júlio" e o cognome "César" depois da adoção de seu pai na gente Júlia por Augusto.
Seu primeiro cargo político foi o de questor em 10 e, a partir daí, sua carreira espelhou a de Germânico, assumindo todos os cargos que ele assumiu conforme ia atingindo a mesma idade. Seguindo o modelo de Augusto, pretendia-se que os dois governariam juntos. Ambos eram populares e muitas dedicações em nome dos dois foram encontradas por toda a Itália. Dião Cássio chamou-o de "Castor" em "História Romana", comparando os dois aos famosos irmãos da mitologia romana Castor e Pólux.Dião Cássio, História Romana LVII.14
Druso morreu repentinamente em 14 de setembro de 23, aparentemente de causas naturais. Historiadores antigos, como Tácito e Suetônio, alegam que ele teria sido assassinado em meio a uma disputa com o poderoso Sejano, prefeito pretoriano de Roma. No relato deles, Sejano teria seduzido Lívila, esposa de Druso, e, com a ajuda de um médico, ela teria envenenado Druso. Apesar destes rumores, Tibério não suspeitou de Sejano e os dois permaneceram amigos até a queda de Sejano em 31.
Primeiros anos e família Druso nasceu em 7 de outubro de em Roma com o nome de Nero Cláudio Druso e é geralmente referenciado pelos historiadores antigos como Druso II, Druso, o Jovem e Druso Menor () para distingui-lo de seu tio paterno, Nero Cláudio Druso, conhecido como Druso, o Velho, irmão mais novo de Tibério e em cuja homenagem foi batizado. Druso era neto pelo lado da mãe de Marco Vipsânio Agripa, o braço-direito de Augusto, e de sua primeira esposa, Cecília Ática.
Como membro da dinastia júlio-claudiana, Druso era parente próximo de todos os cinco imperadores júlio-claudianos. Seu pai era imperador e seu avô adotivo foi o fundador do Império Romano, Augusto. Pelo lado de sua mãe, era primo de Calígula; pelo lado do pai, primo de Cláudio e primo de segundo grau de Nero.
Antes de Tibério, os herdeiros de Augusto eram os filhos de Agripa, Caio César e Lúcio César, que ele adotou e nomeou herdeiros. Eles avançaram em suas carreiras políticas na mesma velocidade e o plano era que governassem juntos. Porém, os dois morreram jovens num espaço de dezoito meses, o que forçou Augusto a planejar uma nova linha sucessória. Em 4, ele adotou Tibério na condição de que ele adotasse Germânico e o nomeasse seu herdeiro.Suetônio, Vidas dos Doze Césares, Vida de Tibério 15 Como os filhos de Agripa, a intenção de Augusto era que Germânico e Druso governassem juntos depois de Tibério.Dião Cássio, História Romana LV.13
No mesmo ano, Druso casou-se com sua prima Lívila, filha de Druso, o Velho, aproximando-o ainda mais dos julianos. Tácito afirma que ela era pouco atraente quando criança, mas se tornou uma bela mulher.Tácito, Anais IV.3 A filha dos dois, Júlia, nasceu não muito depois do casamento. Além dela, os dois tiveram dois filhos, Tibério Gêmelo e seu irmão gêmeo, Tibério Cláudio César Germânico II Gêmelo, morto ainda bebê, em 19, um evento comemorado em moedas da época.
Assim como aconteceu com os filhos de Agripa, Druso tinha quase a mesma idade que Germânico e os dois seguiram carreiras paralelas. Os dois ocuparam os mesmos cargos nas mesmas idades e progrediram pelo cursus honorum na mesma velocidade. Ambos foram questores com a mesma idade, ambos foram isentados do pretorado, os dois assumiram o primeiro e o segundo consulado com a mesma idade e receberam o imperium maius proconsular quando foram enviados para governar a Germânia e Ilírico respectivamente.
Carreira thumb|direita|upright=1.3|Mapa de Ilírico, onde Druso serviu no início de sua carreira O primeiro cargo de Druso foi de questor em 10. Hábil nas questões políticas, Druso tornou-se membro permanente de um comitê senatorial criado por Augusto em 13 para propor a pauta diária do Senado. No ano seguinte, Augusto morreu e, em sua homenagem, Druso leu uma eulogia em seu funeral. No mês seguinte, em 17 de setembro, o Senado se reuniu para confirmar seu pai como princeps. Entre seus primeiros atos como imperador, Tibério criou o colégio dos sodais augustais para ministrar o culto de Augusto e Druso se tornou membro.Tácito, Anais I.54 Este não foi o seu primeiro cargo sacerdotal, pois Druso já havia sido nomeado pontífice em 7 ou 8. Em 14 de maio de 14, Druso também se tornou um dos irmãos arvais.
Druso teve pouco tempo para lamentar a morte de seu avô ou para celebrar a ascendência de seu pai, pois as legiões do Reno e da Ilíria se amotinaram. Os legionários reclamavam não terem recebido os bônus prometidos a eles por Augusto e se revoltaram quando perceberam que nenhuma resposta viria de Tibério.Tácito, Anais I.16 - 17 Em 17 ou 18 de setembro, Druso foi enviado à frente de tropas leais para a Ilíria e uma delegação foi enviada para conferir o imperium maius proconsular a Germânico, que tratou da questão no Reno.Dião Cássio, História Romana LVII.6 Druso não precisava disto por que já era cônsul designado.
Revolta na Panônia As três legiões da Panônia — VIII Augusta, XIX Hispana e XV Apollinaris — estavam sob o comando de Quinto Júnio Bleso, que permitiu que seus homens deixassem de lado suas obrigações militares para que pudessem lamentar a morte de Augusto.Tácito, Anais I.16 Porém, a disciplina militar rapidamente ruiu e os legionários deixaram de obedecer ordens como resultado. A partir daí, os soldados amotinados passaram a descontar sua frustração em seus oficiais, incluindo Bleso e um centurião chamado Aufidieno Rufo.Tácito, Anais I.20 Druso, à frente de duas coortes pretorianas, chegou ao acampamento das legiões panônias em Emona em 26 de setembro acompanhado de Sejano.
Os soldados foram ter com ele imediatamente e permitiram que ele chegasse até as barreiras de terra antes do acampamento. Eles estavam impacientes, mas, nas palavras de Tácito:
As demandas das tropas eram: dispensa do serviço militar depois de apenas dezesseis anos (e não mais vinte), uma recompensa pelo tempo servido, um aumento do pagamento para um denário por dia e que os veteranos não pudessem ser detidos por um ordinário. Porém, as negociações desandaram e os soldados começaram a atirar pedras nos membros da corte de Druso.Tácito, Anais I.26 Na manhã seguinte, uma eclipse lunar antes do amanhecer convenceu os revoltosos que seu motim estava amaldiçoado e a ordem foi restaurada ao raiar do dia. Druso recebeu permissão de Bleso para entrar no acampamento antes de uma reunião das tropas durante a qual Druso elogiou o comportamento comedido dos soldados e prometeu escrever para seu pai enderençando suas demandas. Se esta carta foi despachada em 28 de setembro, ela provavelmente chegou em Roma entre 3 e 4 de outubro.
Tendo reconquistado o controle dos soldados, o passo seguinte de Druso, segundo Tácito, foi executar os líderes do motim. Ele enviou um grupo de busca e apreensão para procurar e matar todos os que se escondiam na floresta vizinha e não participaram da reunião. Depois disto, Druso voltou para Roma.Tácito, Anais I.28 - 30
Primeiro consulado e governo de Ilírico Em 15, Druso assumiu o consulado juntamente com Caio Norbano Flaco. Foi neste ano que Druso patrocinou jogos gladiatoriais em seu nome e no nome de Germânico e durante os quais ele se divertiu tanto que chegou a incomodar outros nobres presentes. Segundo os relatos, Druso foi um bom cônsul, mas era propenso à violência e recebeu o apelido de "Castor" depois brigar com um equestre. Houve também um incidente num teatro entre os pretorianos e os atores ("claqueurs") no qual Druso teria supostamente assumido o lado dos atores e impedido que os pretorianos punissem o mais desordeiros. Em "Anais" (1.77), Tácito afirma que o comportamento dos atores e da multidão foi depois tratado pelo Senado, que aprovou medidas que permitiram que os pretores punissem espectadores considerados perigosos. Foram tantos os excessos de Druso que Tibério decidiu nomeá-lo governador de Ilírico no ano seguinte, especialmente para que ele ganhasse experiência administrativa e aumentasse sua popularidade entre as legiões — mas também para mantê-lo distante das indulgências da vida em Roma.Tácito, Anais I.76
Druso seguiu para Ilírico com imperium maius proconsular, o que lhe garantia poder sobre os governadores provinciais e comandantes militares da região, e lá permaneceu até 20. Como Germânico havia deixado a região do Reno em 16, as tribos germânicas que antes haviam lutado juntas contra os romanos se voltaram umas contra as outras. As duas maiores forças na região, os marcomanos do rei Marobóduo e os queruscos liderados por Armínio, se enfrentaram e, depois de uma batalha inconclusiva, Marobóduo se retirou para o coração de seu reino nas florestas da Boêmia. Antes disto, duas tribos, os sêmnones e os langobardos, desertaram para o lado de Armínio. thumb|esquerda|Estátua de Druso em Cagliari Percebendo sua situação, Marobóduo pediu ajuda aos romanos. Dois anos antes, os marcomanos haviam se recusado a ajudar os romanos contra as forças de Armínio e, por isto, Tibério preferiu não enviar ajuda. Ao invés disto, ele enviou Druso para avançar os interesses romanos na região às custas dos marcomanos, que ele sabia estarem vulneráveis. No verão de 18, Druso soube de um antigo prisioneiro de Marobóduo, Catualda, que Marobóduo estava enfraquecido e que era um bom momento de atacar. Com base nesta informação, Druso liderou uma poderosa força que invadiu o território marcomano e atacou sua fortaleza real. Marobóduo fugiu, mas acabou forçado a buscar asilo em Roma, que Tibério concedeu. Posteriormente, Catualda perdeu uma batalha contra os hermúnduros e também recebeu asilo. O Senado Romano decretou que Druso receberia uma ovação por seu sucesso, o que aconteceu quando ele voltou a Roma em 28 de maio de 20.
Herdeiro de Tibério Enquanto Druso estava em Ilírico, seu irmão adotivo Germânico morreu na Síria, enfermo ou envenenado, em 10 de outubro de 19. A morte dele tornou Druso o herdeiro aparente, o que fez com que a esposa de Germânico, Agripina, suspeitasse de assassinato: ela acreditava que Tibério havia conspirado para matá-lo para permitir que Druso se tornasse herdeiro. A historiadora Barbara Levick afirma que esta tese é improvável, especialmente depois do impulso na carreira recebido pelo filho dela, Nero (não confundir com o futuro imperador), no ano seguinte.
Também em 10 de outubro de 19, Lívila deu à luz os gêmeos do casal, Tibério Gêmelo e Germânico, que Druso batizou em homenagem ao seu falecido irmão adotivo.Tácito, Anais II.84 O nascimento dos dois foi celebrado por Druso, que afirmou que nunca antes na história de Roma gêmeos haviam nascido filhos de um homem de status tão alto quando o seu e o evento foi comemorado em moedas. Tibério esperava que Druso manteria a família imperial junta e o encarregou da guarda dos filhos de Germânico, Nero e Druso.
Druso voltou a Roma em dezembro e estava presente quando Agripina chegou com as cinzas de Germânico em 20 de março. Ele também estava presente para o julgamento de Cneu Calpúrnio Pisão, que foi postumamente condenado por crime de maiestas ("traição"). Em 16 de dezembro, Tibério discursou uma eulogia a Germânico no Senado e o próprio Druso fez o mesmo na sessão seguinte. Ficou decidido que as duas eulogias seriam inscritas em bronze, a de Tibério para as gerações futuras e a de Druso para demonstrar sua devoção ao seu irmão adotivo numa demonstração pública de pietas ("piedade").