Acrotíri () é um sítio arqueológico da Idade do Bronze da ilha grega de Santorini, associado com a Civilização Minoica devido a inscrições em Linear A, e semelhanças nos estilos de artefatos e afrescos. Seu nome deriva de uma aldeia moderna de mesmo nome localizada numa colina próxima. Afrescos, cerâmica, móveis, avançados sistemas de drenagem e edifícios de três andares foram descobertos no sítio, cuja escavação foi iniciada em 1967 por Spyridon Marinatos.
Acrotíri foi enterrado pela erupção do vulcão Tera durante o ; como resultado,(igual as ruínas romanas de Pompeia posteriormente), está muito bem preservado. Alguns historiadores sustentam que o desastre ocorrido com este assentamento tenha sido a inspiração para a história platônica de Atlântida.
Um ambicioso telhado moderno, destinado a proteger o local, desabou pouco antes de sua conclusão em 2005, matando um visitante; não foram registrados danos às antiguidades. Como consequência o sítio foi fechado para visitantes; desde abril de 2012 o sítio está novamente aberto ao público.
Descoberta e escavações
Em 1867 uma empresa de construção francesa operava projetos de extração de pedra-pomes e pozolana em Santorini, para a construção do Canal de Suez. Ferdinand André Fouqué, o geólogo da empresa, encontrou e registrou restos de paredes em um vale abaixo de Acrotíri e na pequena ilha de Tirásia. Três anos depois arqueólogos franceses e, em seguida, em 1899, o alemão Robert Zahn, escavaram sistematicamente o mesmo terreno, todavia, devido a falta de informações para produzir estimativas de tempo e, em vista das surpreendentes descobertas ocorridas contemporaneamente em Creta, tais escavações foram abandonadas. Em 1967, sob os auspícios da Sociedade Arqueológica de Atenas, o arqueólogo Spyridon Marinatos iniciou novas escavações nas ilhas onde notabilizou-se pela descoberta do assentamento de Acrotíri.
Depois de quarenta anos de escavação contínua verificou-se apenas dois hectares da cidade, que ocupava uma área muito maior. É basicamente a cidade do momento da destruição, em meio ao , de modo que a datação precisa ainda é discutida. As mais antigas camadas estratigráficas foram exploradas apenas ocasionalmente, em trincheiras feitas para extrair os postes de suporte do telhado. Foram encontrados fragmentos de cerâmica e outros artefatos datáveis a partir do neolítico, perpassando vários período da Civilização Cicládica.
Logo após a descoberta do assentamento, um telhado foi edificado para proteger os edifícios da chuva e do sol. Entre 2002-2005, o telhado, que continuamente foi ampliado, foi substituído por uma nova estrutura, a pedido da União Europeia. Todavia um acidente ocorreu pouco antes da inauguração, do qual um turista foi morto e seis ficaram feridos. Como havia dúvidas quanto a solidez do telhado, as escavações, assim como as visitações, foram paralisadas. Durante a interrupção das escavações, os arqueólogos concentraram-se na análise de objetos já extraídos, em especial aqueles em camadas mais profundas. Através deste trabalho eles fizeram novas descobertas sobre a pré-história da cidade. Desde 2009, um novo telhado foi construído e as escavações foram retomadas em 2011.
Periodização
thumb|200px|esquerda|Túmulo de Spyridon Marinatos, Acrotíri
thumb||esquerda|200px|Christos Doumas guiando visitantes em Acrotíri, 2010
A parte escavada da cidade fica em um declive de cerca de 200 m da costa atual. As primeiras indicações de casas datam do neolítico, As escavações levaram aos primórdios da habitação como uma vila costeira em uma pequena península plana. Os primeiros exemplares de cerâmica estão intimamente relacionados com os tipos encontrados em Naxos e Saliagos. Semelhanças na decoração também estão disponíveis em cópias do Dodecaneso, particularmente provenientes de Rodes.
Assume-se que a cidade sofreu acentuada expansão em torno de Naquela época a população da aldeia aumentou consideravelmente, como refletido na disposição de um cemitério que remonta à inclinação acima da península. Ele consistia de quartos esculpidos em rochas vulcânicas bastante maciças, algo incomum para o período. Os túmulos foram basicamente cistas, todavia, devido a falta de rochas adequadas para se produzir lajes, estas foram substituídas por salas. Perto do final do período Cicládico Antigo II (-) o cemitério foi abandonado e os exemplares de cerâmica encontrados nos túmulos pertencem ao chamado grupo Kastri.
Em cerca de há traços de metais na ilha. Comparações de estilos salientam que a troca de novos materiais e novas técnicas de cerâmica ocorreram do nordeste do Egeu para a ilha. Poliochini, em Lemnos, e outros assentamentos vizinhos foram abandonados no final do por razões desconhecidas. Ao mesmo tempo, a metalurgia desenvolveu-se em Acrotíri, e pode-se supor que tal mudança seja proveniente de imigrantes que fugiram para a ilha, trazendo consigo novos conhecimentos.
A cidade atingiu o seu florescimento dentro das Cíclades após Naquela época, os quartos do cemitério da Idade do Bronze Inicial foram preenchidos com pedras e restos de muros desmoronados, de modo a formar uma base estável para a expansão do assentamento em direção ao topo da encosta. Acredita-se que o estopim para tal período áureo foi a descoberta de grandes depósitos de cobre em Chipre, e a posição ideal de Santorini na rota comercial entre Chipre e Creta. A cidade, em seguida, tomou um caráter urbano, com casas de vários andares, e sua primeira infraestrutura pública, com um sistema complexo de esgoto. Novos estilos de cerâmica apareceram: exemplares com duas tonalidades e uma pintura detalhada com padrões geométricos e desenhos de plantas e animais.
Escavações sobre o período cicládico médio foram conduzidas, em parte, a partir das bases encontradas em trincheiras e sobre entulhos ou fragmentos que foram reutilizados como material de construção durante o cicládico recente. Além das trincheiras, a pesquisa mostra o estado da cidade durante o cicládico tardio I, com data ainda discutida. O abandono definitivo de Acrotíri ocorreu durante o Cicládico Recente I/Minoano Recente I com base na cronologia das ilhas e no Heládico Recente I, em algum momento anterior ao abandono do Heládico Recente IIA do Círculo de tumbas A em Micenas, com base a cronologia do continente.
Erupção minoica
thumb|200px|esquerda|Ruínas da cidade de Tira
A erupção minoica foi considerada um marco, não só para a ilha de Santorini, mas para todo o mundo Egeu, inclusive Creta. Segundo evidências dendrocronológicas, radiocarbônicas e de núcleos de gelo da Groenlândia, a erupção minoica se desenrolou entre - Por outro lado, evidências arqueológicas apontam para um período mais recente, entre - Durante os estudos acerca da erupção constatou-se que esta desenvolveu-se em quatro fases principais que foram precedidas por algumas fases basais que representam atividades vulcânicas precursoras; devido a inexistência de restos humanos em Acrotíri postula-se que esta atividade preliminar precedeu a erupção afugentaram os habitantes da ilha. Estima-se que a erupção minoica tenha provocado, além da destruição e soterramento de Acrotíri, o enfraquecimento da Civilização Minoica de Creta, assim como conturbações no Egito, mudanças climáticas que afetaram regiões longínquas como a China e tsunamis que destruíras diversos assentamentos costeiros em Creta e em outras localidades do mediterrâneo oriental.
Após a erupção constatou-se achados arqueológicos limitados que apontam para uma lenta recuperação, que durou séculos, da vegetação e do solo locais a ponto de permitir a reocupação da ilha pelos humanos. Fragmentos isolados do período Heládico Recente IIIB da Civilização Micênica, em torno de , foram encontrados perto da praia de Monolithos. Heródoto refere-se a uma colônia fenícia, mas não pode, então, ser demonstrada. Segundo Heródoto e Pausânias após o os dóricos, liderados pelo herói tebano Teras estabeleceram-se na ilha e formaram a antiga cidade de Tiira. A ilha que, segundo Heródoto, era chamada Caliste em homenagem ao herói fenício Cadmo, recebeu o nome de Tera em homenagem a Teras.
Cidade
thumb|200px|Plano de Acrotíri
thumb|200px|Cerâmica contendo gesso
A cidade de Acrotíri, com cerca de 20 hectares, é uma das mais importantes do Egeu, além de ser um vislumbre da opulência arquitetônica dos minoicos. Os edifícios, retangulares e agrupados em unidades retangulares delimitadas por ruas estreitas, foram construídos exclusivamente com silhares (os mais luxuosos) ou com tijolos de argila com palha; eram rebocados com argila, colorida ou não, e cal. O piso térreo era geralmente de terra com pavimentação de lajes brutas de ardósia. Este comunicava-se com os andares superiores por escadas de madeira ou pedra; molduras de madeira eram usadas para reforçar a estrutura. O chão dos andares superiores era de terra com incrustações de pedaços de conchas ou coberto com mosaicos de seixos; o telhado era possivelmente plano e feito de cana com terra e cascalho para isolamento térmico; armazéns, oficinas e moinhos de grãos foram distribuídos no térreo, enquanto os andares superiores serviam como residências; muitos edifícios continham afrescos. As estradas da cidade eram estreitas e pavimentadas com lajes; a drenagem eram feita através de canais embutidos sob a superfície do pavimento; o esgoto levado para os canais por tubos de argila que foram colocados nas paredes das residências. Concluiu-se, devido a estruturação do assentamento, que este era habitado por ricos comerciantes ou chefes locais. Além disso, devido a presença de instalações religiosas (bacias lustrais, etc.), tipos de decoração e achados particulares, especula-se que alguns edifícios atuavam como centros cultuais.
Os afrescos encontrados em Acrotíri são alguns dos mais representativos do mundo egeu e expressam com clareza a cultura egeia da Idade do Bronze. Devido as subsequentes camadas piroclásticas que soterraram Acrotíri, os afrescos da cidade estão, em sua maior, em bom estado de conservação. Estes murais revelam, entre outras coisas, o vestuário, cerimônias sacras, história natural, etc. Figuras masculinas parecem assumir maior importância do que na pintura minoica em geral, embora o papel iconográfico da mulher é predominante. O vestuário das personagens e os cenários naturais representados assemelham-se aos afrescos minoicos de Creta, por outro lado, tanto o penteado (a maioria das personagens é representada com boa parte do crânio pintado de azul, possivelmente representado que está raspada) como a representação de mulheres com grandes brincos é algo peculiarmente diferente da iconografia minoica.
Um terremoto que precedeu a erupção minoica causou enormes avarias aos edifícios locais, alguns deles reduzidos a não mais que escombros. As escavações de Christos Doumas revelaram que, após esta catástrofe natural, um sistemático programa de demolição, nivelamento de escombros e reconstrução de edifícios foi realizado em todo o sítio. Diversas provas comprovam a demolição intencional de muitos edifícios, porém entre todas a mais importante é a presença de "bolas de demolição". O lapso de tempo entre o terremoto e a erupção é, segundo evidências (p. ex. tipos de cerâmica), de vários anos ou até mesmo duas ou três décadas. O processo de reconstrução do assentamento, como indicado por exemplo pela condição parcialmente rebocada e pintada do quarto do segundo andar da chamada "Casa Oeste", estava em andamento quando o assentamento foi soterrado pela erupção minoica. Dois vasos contendo gesso seco e outro, tintura seca, revelam que este quarto estava em processo de decoração quando foi abruptamente abandonado. Embora boa parte da cidade tenha sido demolida e reconstruída, alguns edifícios foram recuperados em algum grau, de modo que o plano da cidade preservado pela erupção seria anterior ao terremoto.
Xeste 3