A Primeira Liga (Liga Portugal Betclic por razões de patrocínio) é o principal escalão do sistema de ligas de futebol de Portugal. Criada na época 1934–35 pela Federação Portuguesa de Futebol, é organizada pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional desde a temporada 1995–96. É disputada por dezoito clubes, num sistema de promoção e despromoção com a Segunda Liga.

A partir da época 2023–24 a Primeira Liga tem o nome comercial de Liga Portugal Betclic devido a um acordo de patrocínio entre a casa de apostas e a Liga Portugal, fechando assim um ciclo de dois anos em que a bwin foi o principal patrocinador da prova.

No final da época 2025–26 a Liga Portuguesa ocupava o 6.º lugar no ranking da UEFA, o que significa que na época seguinte o campeão e o segundo lugar têm acesso direto à Liga dos Campeões e o 3.º classificado à 3.ª pré-eliminatória da competição. Os 4.º e 5.º classificados têm acesso, respetivamente, às 2.ª pré-eliminatórias da Liga Europa e da Liga Conferência.No caso do vencedor da Taça de Portugal se qualificar via campeonato para a Liga dos Campeões, o 3.º classificado passa a ter acesso direto à fase de grupos da Liga Europa, enquanto que o 4.º e 5.° classificados têm acesso, respetivamente, às 2.ª pré-eliminatórias da Liga Europa e da Liga Conferência.

Os clubes classificados em 17.º e 18.º lugares são despromovidos à Segunda Liga, por troca com os 1.º e 2.º classificados desta prova que são assim promovidos a primodivisionários. A equipa que terminar em 16.º lugar disputará um play-off de despromoção/promoção a duas mãos com o 3.º lugar da Segunda Liga.

Adicionalmente, as equipas da Primeira Liga participam na Taça de Portugal e na Taça da Liga, entrando na 3.ª e 2.ª eliminatórias destas competições, respetivamente.

Durante as 92 edições disputadas até ao momento, participaram na Primeira Liga um total de 73 clubes, dos quais somente cinco se sagraram campeões nacionais. O maior vencedor da história da Primeira Liga é o Benfica, com 38 campeonatos nacionais conquistados. O atual campeão nacional é o FC Porto, após conquistar na época 2025–26 o seu 31.º título.

História thumb|direita|140px|O campeão nacional tem direito ao uso do escudo português no seu equipamento.

Origens Em 1921, após a derrota da Seleção Nacional na sua estreia frente à Espanha, surgiu a necessidade de se alterar o sistema do futebol português, constituído por campeonatos regionais (Porto e Lisboa, com algumas competições irregulares na Madeira). Nasceu assim uma prova regular com os vencedores das provas distritais chamada Campeonato de Portugal, prova que em 1938 passaria depois a designar-se Taça de Portugal. Na sua primeira edição, na época 1921–22, teve apenas dois clubes, Sporting e FC Porto (a representar Lisboa e Porto, respetivamente). O FC Porto venceu numa finalíssima a primeira edição. Em 1934 começou então verdadeiramente o Campeonato Nacional da Primeira Divisão, com oito equipas, catorze jornadas a duas voltas e a somar pontos, e em que o FC Porto foi o primeiro vencedor. Na altura foi chamada de Liga Experimental, tendo em conta que era a primeira vez que se organizava. Foi assim, a partir da época 1934–35, que os campeões nacionais passaram a ser designados a partir do Campeonato da Liga da Primeira Divisão (época 1934–35) e que até hoje já teve cinco vencedores. A competição anterior, o chamado Campeonato de Portugal, era uma prova por eliminatórias, incluindo clubes da Segunda Divisão cujos vencedores eram definidos numa final (no entanto, os títulos dos Campeonatos de Portugal não contam como títulos da Taça de Portugal, nem de títulos do Campeonato da Primeira Divisão de acordo com o que ficou definido no Relatório de Atividades da FPF de 1938).

O surgimento do Campeonato da Primeira Divisão teve muito que ver com uma nova derrota sofrida pela seleção nacional em Madrid por 9-0, no apuramento para o Mundial de 1934, em que várias vozes questionaram a competitividade do modelo do Campeonato de Portugal, nomeadamente o número reduzido de jogos disputados por cada equipa e o valor dos competidores em prova. Ricardo Ornelas escreveu no jornal Os Sports que se deveria realizar uma prova em poule, à semelhança do que acontecia na principais potências futebolísticas da Europa. No sentido de aumentar a competitividade do futebol português, a FPF encarregou Plácido de Souza, Ribeiro dos Reis, Cândido de Oliveira e Virgílio da Fonseca de elaborarem o projeto de uma nova competição em poule. No entanto, por causa da situação económica do país, a FPF tinha dúvidas sobre a viabilidade económica da prova, devido às deslocações a que os participantes estariam sujeitos, bem como sobre o acolhimento que teria junto do público. Na época 1934–35 foi criado o Campeonato da Liga da Primeira Divisão. Após o sucesso da competição, em 1938 a FPF decidiu o seguinte: Ao vencedor do Campeonato da Liga da Primeira Divisão (competição organizada a título experimental mas cujos títulos são considerados oficiais) seria atribuído o título de campeão nacional. Participaram nesta primeira edição oito clubes na Primeira Divisão (quatro de Lisboa, dois do Porto, um de Coimbra e um de Setúbal — os campeonatos regionais mais competitivos da época).

O sucesso da prova foi imediato, não só económico mas sobretudo desportivo, com a sucessão de jogos disputados pelas melhores equipas, o que levou a que popularmente a prova relegasse para um plano secundário o Campeonato de Portugal. O jornalista Ricardo Ornelas por mais de uma ocasião no jornal Os Sports defendeu que o vencedor da Liga é que deveria ser considerado campeão nacional. Mais tarde tal viria a acontecer por parte da FPF.

Num congresso realizado em agosto de 1938 dá-se uma remodelação dos regulamentos das provas da FPF, em que ficou estabelecido: Na prática traduziu-se apenas em renomear o "Campeonato da Liga da Primeira Divisão" para "Campeonato Nacional da Primeira Divisão" (sendo a principal categoria muitas vezes abreviada para "Primeira Divisão") e renomearam o "Campeonato de Portugal" para "Taça de Portugal", de acordo com o Relatório de Atividades 1938 da FPF. A designação manteve-se até 1999, tendo nessa altura o nome sido alterado para "Primeira Liga".

Campeões

O Futebol Clube do Porto foi o primeiro vencedor do campeonato, numa altura em que se disputava entre oito equipas. Manuel Soeiro, jogador do Sporting Clube de Portugal foi o primeiro melhor marcador do campeonato, com catorze golos em catorze jogos. O Sporting, que ficou a dois pontos do campeão nessa época, só venceu a liga na época 1940–41, já na época da Primeira Divisão.

Em 1935–36, foi a vez do Benfica se sagrar campeão, por três vezes consecutivas. O Clube de Futebol Os Belenenses foi o quarto campeão diferente da liga, vencida na época 1945–46. No século seguinte, foi a vez do Boavista Futebol Clube inscrever-se na lista de campeões de Portugal. Desta vez, o clube portuense venceu a liga na época 2000–01.

Os Três Grandes

"Os Três Grandes" é uma expressão que tradicionalmente designa os três principais clubes de futebol em Portugal: , e . Estes são os clubes com mais títulos de campeão nacional e, igualmente, com mais segundos e terceiros lugares. Juntos "Os Três Grandes" detêm 90 dos 92 títulos de campeão disputados (1934–35 até 2024–25): o Benfica tem 38 títulos, o Porto tem 31 títulos e o Sporting tem 21 títulos. Nas 92 épocas completas já disputadas na Primeira Liga, em 55 temporadas o pódio foi exclusivamente ocupado pelos Três Grandes.

Formato O campeonato iniciou-se na época 1934–35 e confrontou apenas oito equipas na Primeira Divisão: os quatro primeiros classificados do campeonato regional de Lisboa, os dois melhores do Porto, o campeão de Setúbal e o campeão de Coimbra (os quatro campeonatos regionais mais competitivos) enquanto as restantes equipas dos regionais eram apuradas para a II Divisão. O início da época 1939–40 ficou marcada pela polémica, devido a uma batalha administrativa entre o FC Porto e o Académico do Porto relativamente a um jogo do Campeonato Regional do Porto. A Federação Portuguesa de Futebol arranjou uma solução para satisfazer os dois clubes, alargando o campeonato para 10 equipas.Jornal Stadium, 10 Janeiro de 1940

Um jogo do Campeonato Regional da AF Porto entre o FC Porto e o Académico Futebol Clube acabou sendo interrompido pelo árbitro após um anormal número de expulsões e lesões, sobretudo do lado do FC Porto, atribuindo a vitória ao Académico. No entanto a decisão acabou sendo contestada pelo FC Porto, dado que os regulamentos da altura não previam a interrupção do jogo por número mínimo de participantes e a AF Porto deliberou a repetição do jogo, que resultou em vitória do FC Porto.

O Campeonato terminaria com FC Porto em primeiro, seguido de Leixões SC e Académico. No entanto, este último recorreu da decisão da AF Porto para a FPF. Dada a polémica instalada, a FPF decidiu pelo alargamento da Primeira Divisão para dez clubes, abrindo-se uma vaga extra para a AF Porto e outra para a AF Setúbal, decisão que teria o voto contra do FC Porto, segundo os dirigentes do Académico, para impedir a participação deste no campeonato, dada a animosidade:

Para além disso, a FPF anulou também o jogo de repetição entre FC Porto e Académico, o que relegou o FC Porto para a 3ª posição do campeonato regional, e atribuiu automaticamente o título regional ao Leixões SC, que no entanto repudiou publicamente a situação:

Na época seguinte, a prova voltaria a ser disputada por oito equipas. Na época 1941–42 foi decidido que o campeonato seria alargado de oito para dez equipas para admitir os campeões da AF Braga e AF Algarve (até esta época apenas os dois primeiros classificados dos campeonatos regionais das AFs do Porto, Coimbra, Lisboa e Setúbal eram admitidos). O FC Porto acabou o campeonato regional em terceiro lugar, o que não dava acesso à Primeira Divisão. Contudo, um segundo alargamento (de dez para doze equipas) na mesma época foi decidido, o que permitiu ao clube participar na Primeira Divisão.Tovar, p. 136 Este número de clubes ir-se-ia manter até à época 1945–46, altura em que admitiu doze equipas (entraram os campeões da AF Évora e da AF Aveiro).

Na época 1946–47, dá-se uma reformulação dos quadros competitivos, acabando-se com a qualificação a partir dos campeonatos regionais, passando a existir uma lógica de continuidade entre edições, e um sistema de promoções e descidas entre divisões. A Primeira Divisão foi alargada para catorze equipas, enquanto a II Divisão foi reformulada, e criada uma III Divisão.

O número de equipas na Primeira Divisão manteve-se durante vinte e cinco épocas, até que na época 1971–72 passou a dezasseis equipas para na época 1987–88 passar a admitir vinte, assim se mantendo por duas épocas. Na época 1989–90 assume o formato das dezoito equipas, com uma exceção na temporada seguinte (vinte), mantendo-se assim até à época 2005–06, sendo que na época 2006–07 houve uma redução para dezasseis equipas.

Na época 2014–15 regressou-se ao modelo de dezoito equipas, motivada pelas pretensões de vários clubes de menor dimensão bem como pela integração do Boavista Futebol Clube, devido à prescrição do procedimento disciplinar ocorrido em 2008, devido ao processo Apito Final. Optou-se portanto pelo arquivamento, sem qualquer juízo sobre a existência ou não da infração que pendia sobre o Boavista. Desta maneira impôs-se a sua reintrodução na Primeira Liga.

Em consequência da pandemia de COVID-19, após considerar inicialmente a realização de jogos à porta fechada, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu a 12 de março de 2020 pela suspensão total dos jogos da Primeira Liga na época 2019–20 por tempo indeterminado. A competição foi retomada a partir de 3 de Junho de 2020, com os jogos disputados à porta fechada.

Troféu O troféu de campeão nacional é entregue anualmente pela FPF, também a Liga entrega em cada época um troféu ao vencedor da Primeira Liga.