O 101955 Benu (designação provisória ) é um asteroide Apolo descoberto pela sonda LINEAR em 11 de setembro de 1999. O asteroide é o alvo da sonda OSIRIS-REx, que foi lançada em 2016. Em 20 de outubro de 2020 a sonda pousou no asteroide e coletou algumas amostras para um estudo aprofundado. O retorno da sonda à Terra ocorreu em setembro de 2023. O asteroide possui potencial para atingir a Terra e está listado na Tabela de Risco Sentry. (Use Unconstrained Settings) O seu nome se refere a Benu, a antiga ave mitológica egípcia associada ao Sol, à criação e ao renascimento.

Com um diâmetro médio de aproximadamente 490 metros, Benu foi observado extensivamente com o radar planetário do Arecibo Observatory e o Deep Space Network, Goldstone. Um estudo dinâmico recente feito por Andrea Milani e seus colaboradores localizou uma série de oito impactos potenciais da Terra entre 2169 e 2199.

A probabilidade cumulativa de impacto depende das pouco conhecidas propriedades físicas do objeto, mas não é maior do que 0,07% para todos os oito encontros. A avaliação com precisão da probabilidade de o Benu ter um impacto na Terra exigirá um modelo de forma pormenorizado do asteroide, além de observações adicionais (quer a partir do solo ou de naves para interceptar o objeto) para determinar a magnitude da aceleração Yarkovsky.

Descoberta e observação thumb|left|Série de imagens de radar mostrando a rotação do Benu.|152x152px O Benu foi descoberto em 11 de setembro de 1999 durante uma pesquisa de asteroides próximos da Terra feita pelo Lincoln Near-Earth Asteroid Research (LINEAR). O asteroide recebeu a designação provisória e foi classificado como um objeto próximo à Terra. Ele foi extensivamente observado pelo Observatório de Arecibo e o Goldstone Deep Space Network, que usaram imagens de radar quando o mesmo se aproximou da Terra em 23 de setembro de 1999.

Nomeação O nome Benu foi selecionado por mais de 8 mil estudantes de vários países ao redor do mundo inscritos no concurso "Name That Asteroid!" organizado pela Universidade do Arizona, a Sociedade Planetária e o projeto LINEAR em 2012. O estudante do terceiro ano Michael Puzio da Carolina do Norte propôs o nome em referência a Benu, garça da mitologia egípcia. Para Puzio, o TAGSAM (braço robótico para a coleta de amostras) estendido da espaçonave assemelha-se à divindade egípcia, que é tipicamente representada como uma garça.

Os acidentes geológicos do asteroide terão o nome de aves ou de criaturas mitológicas semelhantes a aves.

Características físicas thumb|left|upright=0.7|Sequência de imagens da OSIRIS-REx mostrando a rotação do Benu, a uma distância de aproximadamente 80 km O Benu tem forma mais ou menos esferoidal, lembrando um pião. O seu eixo de rotação tem inclinação de 178° em relação à sua órbita; a direção da rotação sobre o eixo é retrógrada com respeito à órbita. Enquanto as primeiras observações de radar instalado na Terra indicaram que o Benu tinha uma forma razoavelmente lisa com uma rocha de 10 a 20 m proeminente na superfície, dados de alta resolução obtidos pela OSIRIS-REx revelaram que a superfície é mais áspera, com mais de 200 rochas maiores que 10 m na superfície, a maior tendo 58 m de diâmetro. As rochas contêm veios de minerais de carbono de alto albedo, que se acredita terem origem antes da formação do asteroide, devido a canais de água quente no corpo celeste que lhe deu origem, que era muito maior. Os veios têm de 3 a 15 cm de largura e podem ter mais de um metro de comprimento, sendo bem maiores que os vistos em meteoritos.

Existe uma crista bem definida ao longo do equador do Benu. A presença dessa crista sugere que partículas de regolito de grãos finos se acumularam nessa área, possivelmente por causa da baixa gravidade e rápida rotação. Observações da OSIRIS-REx mostraram que a rotação do Benu está ficando mais rápida com o passar do tempo. Essa mudança é causada pelo Efeito de Yarkovski. Devido à emissão desigual de radiação térmica da superfície do Benu enquanto ele gira à luz do Sol, o seu período de rotação diminui cerca de um segundo a cada 100 anos.

Observações desse asteroide feitas pelo Telescópio Espacial Spitzer em 2007 indicaram um diâmetro efetivo de , o que está de acordo com outros estudos. Ele tem um baixo albedo geométrico de 0,046 ± 0,005. A inércia térmica foi medida e descobriu-se que varia em aproximadamente 19% durante cada período de rotação. Com base nestas informações, cientistas (incorretamente) estimaram um tamanho médio para os grãos de regolito, indo de alguns milímetros a até um centímetro, uniformemente distribuídos. Nenhuma emissão de uma potencial coma de poeira foi detectada perto do Benu, o que indica um limite de 106 g de poeira dentro de um raio de 4750 km.

Observações astrométricas entre 1999 e 2013 demonstraram que o Benu é influenciado pelo Efeito de Yarkovski, fazendo com que o semieixo maior de sua órbita varie em média 284 ± 1,5 metros ao ano. Análises de efeitos gravitacionais e térmicos indicaram uma densidade aparente de ρ = 1 190 ± 13 kg/m3, o que é um pouco mais denso que a água. Portanto, a macroporosidade prevista é de %, sugerindo que o interior do asteroide tenha uma estrutura Rubble pile (um objeto que não é um monolito, e sim um aglomerado de rochas reunidas pelo efeito da gravidade). A massa estimada é de (7,329 ± 0,009) × 1010 kg.

Fotometria e espectroscopia Observações fotométricas do Benu em 2005 mostraram um período sinódico de 4,2905 ± 0,0065 h. Ele é um asteroide tipo B, que é uma subcategoria dos asteroides tipo C. Medidas em um intervalo de ângulos de fase mostraram um declive na função de fase de 0,04 magnitude por grau, o que é similar a outros asteroides próximos à Terra com baixo albedo.

Antes da OSIRIS-REx, a espectroscopia indicou uma correspondência com condritos carbonáceos CI e/ou CM, incluindo a magnetita mineral carbonácea-condritada. A magnetita, um produto de água espectralmente proeminente, mas destruído pelo calor, é um importante indicador para os astrônomos, incluindo a equipe da OSIRIS-REx.

Levantamentos espectroscópicos preliminares da superfície do asteroide pela OSIRIS-REx confirmaram a magnetita e a ligação meteorito-asteroide,All About Bennu: A Rubble Pile with a Lot of Surprises. Kimberly M. S. Cartier, EOS Planetary Sciences. 21 de Março de 2019. "In terms of spectra and minerology, Bennu’s rocks 'look a lot like the rarest, most fragile meteorites in our collection,' Lauretta said, referring to the CM carbonaceous chondrites" "This finding is in agreement with pre-encounter measurements and consistent with CI and CM chondrites." dominada por filossilicatos. "Report Card" at 25:15 Os filossilicatos, entre outros, retêm água. Os espectros de água de Benu foram detectados na aproximação, revisados por cientistas externos, e depois confirmados pela órbita.

Atividade O Benu é um asteroide ativo, "Bennu is an Active Asteroid!" emitindo esporadicamente jatos de partículas e pedras de até 10 cmNo One Knows Why Rocks Are Exploding From Asteroid Bennu. Daniel Oberhaus, Wired. 5 December 2019.. (não é poeira, que é definida em dezenas de micrômetros). Os cientistas levantam hipóteses de que as emissões podem ser causadas por fraturamento térmico, liberação de voláteis por desidratação de filossilicatos e/ou impactos de meteoroides.

Antes da chegada da OSIRIS-REx, o Benu exibiu polarização consistente com o Cometa Hale-Bopp e o 3200 Phaethon, um cometa rochoso. Bennu, Phaethon e os cometas de Manx inativos são exemplos de asteroides ativos. Sec. 4.3 Dormancy and Rejuvenation Os asteroides tipo B que exibem uma cor azul em particular podem ser cometas inativos. Se a União Astronômica Internacional declarar o Benu como sendo um objeto de estado duplo, sua designação de cometa será P/ (LINEAR).

Características da superfície Todos os acidentes geológicos de Benu têm o nome de espécies de aves e figuras mitológicas parecidas com aves. Os primeiros acidentes a serem nomeados foram os últimos quatro candidatos para ser o lugar da coleta de amostras da OSIRIS-REx, que receberam nomes não oficiais em agosto de 2019. Em 6 de março de 2020 a União Astronômica Internacional anunciou os primeiros nomes oficiais para 12 acidentes da superfície do Benu, incluindo regiões (grandes regiões geográficas), crateras, cordilheiras, fossas (sulcos e trincheiras) e rochas.

Candidatos a lugar de coleta de amostras thumb|center|Os últimos quatro candidatos para lugar de coleta de amostras da OSIRIS-REx|707x707px

+ Os últimos quatro candidatos para lugar de coleta de amostras da OSIRIS-REx Nome Local DescriçãoNightingale56°N 43°E Material granulado abundante com alta variação de cor.Kingfisher11°N 56°E Uma cratera relativamente nova com a maior assinatura de água entre os quatro.Osprey 11°N 80°E Localizado em uma mancha de baixo albedo com uma grande variedade de rochas.Sandpiper 47°S 322°E Localizado entre duas crateras jovens, localizadas em terreno acidentado. Os minerais variam em brilho com indícios de minerais hidratados.

Em 12 de dezembro de 2019, depois de um ano mapeando a superfície do Benu, o alvo foi anunciado. Chamado Nightingale, a área é próxima ao polo norte do asteroide e encontra-se em uma pequena cratera dentro de uma cratera maior. Osprey foi escolhido como substituto.

Características nomeadas pela União Astronômica Internacional thumb|center|Mosaico global do Benu mostrando as localizações das 12 primeiras características de superfície a serem nomeadas|ligação=Special:FilePath/First_named_surface_features_on_Bennu.png|675x675px + Lista dos acidentes da superfície do Benu nomeados oficialmente pela União Astronômica Internacional Nome Significado do nome LocalAellopus SaxumAelo, uma das irmãs harpia metade-ave metade-mulher da mitologia grega25.44°N 335.67°EAetos SaxumAetos, companheiro de infância do deus Zeus que foi transformado em uma águia na mitologia grega3.46°N 150.36°EAmihan SaxumAmihan, ave divindade da mitologia das Filipinas17.96°S 256.51°EBenben SaxumBenben, o monte que surgiu a partir das águas primordiais Nun na mitologia egípcia45.86°S 127.59°EBoobrie SaxumBoobrie, entidade que muda de forma da mitologia escocesa e geralmente assume a forma de uma ave aquática gigante48.08°N 214.28°ECamulatz SaxumCamulatz, uma das quatro aves do mito da criação dos quichés na mitologia maia10.26°S 259.65°ECelaeno SaxumCelaeno, uma das irmãs harpia metade-ave metade-mulher da mitologia grega18.42°N 335.23°ECiinkwia Saxum Ciinkwia, seres trovejantes da mitologia algonquina que se parecem com águias gigantes4.97°S 249.47°EDodo SaxumUm personagem dodô de Alice no País das Maravilhas32.68°S 64.42°EGamayun SaxumGamajun, ave profética da mitologia eslava9.86°N 105.45°EGargoyle SaxumGárgula, monstro semelhante a um dragão com asas4.59°N 92.48°EGullinkambi SaxumGullinkambi, galo da mitologia nórdica que vive em Valhala18.53°N 17.96°EHuginn SaxumHugin, um dos dois corvos que acompanham o deus Odin na mitologia nórdica29.77°S 43.25°EKongamato SaxumKongamato, criatura voadora gigante da mitologia Kaonde5.03°N 66.31°EMuninn SaxumMunin, um dos dois corvos que acompanham o deus Odin na mitologia nórdica29.34°S 48.68°EOcypete SaxumOcypete, uma das irmãs harpia metade-ave metade-mulher da mitologia grega25.09°N 328.25°EOdette SaxumOdette, princesa que se transforma no Cisne Branco em O Lago dos Cisnes44.86°S 291.08°EOdile Saxum Odile, o Cisne Negro em O Lago dos Cisnes42.74°S 294.08°EPouakai Saxum A Pouakai ou poukai é uma ave monstruosa da mitologia maori.40.45°S 166.75°ERoc SaxumRoca, ave de rapina gigante da mitologia árabe23.46°S 25.36°ESimurgh SaxumSimurgue, ave benevolente que possui todo o conhecimento na mitologia persa25.32°S 4.05°EStrix SaxumStrix, ave de mau agouro da mitologia romana13.4°N 88.26°EThorondor SaxumThorondor, o Senhor das Águias na Terra Média de Tolkien47.94°S 45.1°ETlanuwa RegioTlanuwa, aves gigantes da mitologia cherokee37.86°S 261.7°E

Origem e evolução