Protoestrator () foi um oficial cortesão bizantino, originalmente tido como o mestre dos estábulos imperiais, que nos últimos séculos do império evoluiu para um dos altos ofícios militares. Sua forma feminina, dada às esposas dos titulares, foi protoestratorissa ().
História
thumb|Soldo de e thumb|Soldo de e seu filho Teófilo
O título significa "primeiro estrator", refletindo a natureza inicial do ofício como chefe da ordem imperial (taxis) dos estratores (cavalariços), que formavam a "escola dos estratores" (schola stratorum) atestada, por exemplo, prefeitura pretoriana da África no . Um doméstico dos estratores aparece sob (r. 685–695, 705–711) e um protoestrator do Tema Opsiciano chamado Rufo em 712. O primeiro titular do posto a ser mencionado como um personagem relativamente importante, contudo, é o espatário Constantino, filho do patrício Vardanes, mencionado próximo do fim duma lista de vítimas da perseguição iconoclasta sob em 765. O espatário Constantino é também o primeiro titular conhecido do posto "protoestrator imperial" (βασιλικός πρωτοστράτωρ, basilikos prōtostratōr).
Durante o período bizantino intermediário (até finais do ), o seu lugar na hierarquia não era elevado, mas sua proximidade com o imperador facilitou sua rápida ascensão, como exemplificado pela carreira de e dos futuros imperadores e . No Cletorológio de 899, é registrado como uma das "dignidades especiais" (axiai eidikai) e classificado na 48ª posição entre os 60 oficiais palacianos mais seniores. Titulares do posto poderiam aspirar algumas das mais altas posições, como de antípato patrício ou protoestrator.
O protoestrator teve lugar de destaque em cerimônias imperiais, andando ao lado do imperador em procissões (junto de seu superior, o conde do estábulo) e caçadas. Em campanhas, ele e o conde do estábulo ficaram próximos à tenda imperial, junto de três estratores com cavalos atrelados. Em procissões triunfais do Grande Palácio ao Fórum de Constantino, carregou a bandeira do imperador (flâmulo), antecedendo o imperador da sala do consistório até o fórum, e colocou a lança imperial no pescoço dos líderes cativos árabes. Em certas ocasiões, inclusive foi encarregado de introduzir emissários estrangeiros nas audiências imperiais.
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Nos séculos IX e XI, os seus subordinados incluíam os estratores [imperiais], armofílacas (armophylakes - "guardas dos armamentos" ou possivelmente "das carroças", de armatofílacas, segundo Nikolaos Oikonomides) e três establocometas (stablokomētes, "condes do estábulo"), um "da cidade" (σταβλοκόμης τῆς πόλεως, stablokomēs tēs poleōs, ou seja, de Constantinopla) e dois outros, provavelmente dos grandes estábulos imperiais em Malagina. Desde meados do , contudo, o posto parece ter ascendido em importância, e foi conferido como uma dignidade cortesã honorífica para membros distintos da corte. Assim, em ca. 1042 Romano Esclero, o irmão da amante favorita do imperador , foi elevado ao classe de magistro, bem como aos postos de protoestrator e duque de Antioquia.
Durante o período Comneno , o posto ascendeu ainda mais na hierarquia cortesã, de modo que o historiador foi capaz de observar que "este ofício tem sido sempre importante para os imperadores e foi conferido aos personagens mais elevados", enquanto o historiador do João Zonaras, influenciado pelo uso corrente, escreve, referindo-se à concessão do posto a Basílio, o Macedônio, que "esta dignidade foi aquela de pessoas distintas e parantes dos imperadores". Titulares durante o período Comneno incluíram os distintos comandantes militares Miguel Ducas, o cunhado de , e Aleixo Axuco, que casou-se com a sobrinha de .
Pela mesma época, foi também atestado no Reino da Geórgia onde foi ostentado pelo duque (eristavi) da Suanécia, João Vardanisdze, sob o rei . Escrevendo cerca de 1200, Nicetas Coniates iguala o ofício ao marechal ocidental, e parece que ele foi utilizado intercambiavelmente com o último no Império Latino e nos demais Estados latinos formados após a Quarta Cruzada. O ofício continuou a existir durante o período Paleólogo até a queda de Constantinopla, em 1453. Permaneceu uma das maiores dignidades do Estado, sendo classificado na 8ª posição da hierarquia, embora a partir do final do em diante, várias pessoas poderiam obtê-lo.
Lista de titulares conhecidos
Nota: a lista só inclui titulares conhecidos por outros meios de identificação além dos seus selos.