Laura e Lawrence Nelson foram uma mãe e seu filho negros dos Estados Unidos que foram linchados em Okemah, Oklahoma, em 25 de maio de 1911.

Laura, seu marido e o seu filho de 15 anos de idade, Lawrence (e seu bebê, de acordo com alguns relatos), foram levados sob custódia depois de Lawrence ter baleado e morto George Loney, vice-xerife de Okemah. Loney e um grupo de pessoas chegaram na casa dos Nelsons "para investigar o roubo de uma vaca". O marido de Laura se declarou culpado do roubo e foi enviado para uma prisão estadual de segurança relativa. Em um esforço para salvar seu filho, Laura disse que disparou o tiro fatal. Tanto ela quanto Lawrence foram presos, e o filho foi levado para a cadeia local e Laura para uma cela no tribunal do condado.

Três semanas depois, uma multidão de cerca de 40 homens brancos armados chegaram para raptá-los, amarrando os guardas e levando mãe e filho. Laura foi estuprada, segundo alguns relatos, e em seguida ambos foram enforcados em uma ponte sobre o Canadian North River.Feimster, Crystal. Southern Horrors: Women and the Politics of Rape and Lynching. Harvard University Press, 2009, p. 174. Centenas de espectadores se reuniram na ponte na manhã seguinte, e fotografias dos corpos pendurados foram vendidas como cartões postais. Os assassinos nunca foram identificados. O evento foi citado em diversas canções do cantor estadunidense de folk Woody Guthrie, cujo pai participou do linchamento.

Os Nelsons estavam entre pelo menos as 4743 pessoas linchadas nos Estados Unidos entre 1882 e 1968, sendo que cerca de 3.446 deles eram negros, e 73 por cento dos casos ocorridos no sul.Kennedy, Randall. Race, Crime, and the Law. Vintage Books, 1998, p. 42.*Amy Louise Wood afirma que é difícil acertar os numerous exatos, em grande parte devido a dicordância sobre o que é linchamento. Diversos grupos possuem arquivos sobre o assunto, como a National Association for the Advancement of Colored People, o Tuskegee Institute, e o Chicago Tribune, mas os pesquisadores afirmam que os linchamentos em zonas rurais não foram catalogados. Wood estima que 3,200 homens negros foram linchados no sul dos Estados Unidos entre 1880 e 1940. Para mais, leia Wood, Amy Louise. Lynching and Spectacle: Witnessing Racial Violence in America, 1890-1940. University of North Carolina Press Books, 2009, p. 4.

Tiroteio

thumb|300px|Mapa do Condado de County c. 1972. Os Nelsons viviam ao norte de Paden e foram levados para Okemah. O linchamento ocorreu no oeste de Okemah sobre a ponte que agora passa a estrada estadual 56 através do North Canadian River

Relatos variam sobre o que aconteceu com os Nelsons, e os detalhes são difíceis de definir. Algumas histórias dizem que a família havia roubado uma vaca, outros dizem que uma ovelha. Alguns dizem que Lawrence havia disparado a arma apenas porque ele pensou que o oficial estava prestes a disparar a sua. Outros dizem que a família deixou o oficial morrer implorando por água. Alguns dizem que Laura teve um bebê que morreu com ela, enquanto outros dizem que o bebê foi salvo, sendo que várias fontes primárias não fazem nenhuma menção de um bebê. O cantor folk Woody Guthrie, cujo pai Charley participou do linchamento, escreveu várias canções sobre o evento; ele fala de três corpos pendurados na ponte, e não dois (ver abaixo). Alguns dizem que Laura foi estuprada antes de ser enforcada; outras fontes não fazem qualquer referência a isso.

Várias fontes secundárias concordam que, em 2 de maio de 1911, o vice-xerife George Loney e três outros policiais realizaram uma busca para descobrir quem havia roubado uma vaca ou ovelha pertencente a um dos policiais. Eles encontraram restos abatidos em um celeiro atrás da cabana dos Nelsons, sete milhas a nordeste de Paden, Oklahoma, mas quando entraram na cabana para questionar os Nelsons, Laura teria pegado um rifle Winchester. Seu filho, Lawrence, tomou o rifle de sua mãe, e disparou um único tiro que passou por entre as pernas da calça de um oficial e, em seguida, teria atingido Loney na perna. Os outros oficiais deixaram a cabana e começaram um tiroteio com o marido de Laura, que apenas terminou quando ele ficou sem munição; momento em Loney tinha sangrado até a morte no quintal dos Nelsons.Owens, Ron. Oklahoma heroes: the Oklahoma Peace Officers Memorial. Turner Publishing Company, 2000, pp. 132–133.

That he died begging for water, see Klein, Joe. Woody Guthrie: A Life. Bantam Doubleday Dell Publishing Group, 1999, p. 10.

A família foi presa e levada para a cadeia do condado de Okemah. O velho Nelson se declarou culpado de roubo de gado, e foi condenado a dois anos de prisão, e em seguida fo enviado para a prisão estadual em McAlester, Oklahoma, o que provavelmente salvou sua vida. Lawrence permaneceu na prisão Okemah, e Laura foi colocada em uma cela no tribunal, possivelmente com seu bebê junto.

Linchamentos

thumb|O corpo parcialmente coberto de Lawrence; o fotógrafo parece ter pintado os órgãos genitais Durante a noite de 25 de maio, um grupo de 40 homens armados chegou à prisão e conseguiu entrar facilmente através da porta, embora normalmente estivesse bloqueada. Eles obrigaram o guarda, WD Payne, a entregar o menino, "cerca de 14 anos de idade, magro e alto, amarelo e ignorante", de acordo com o Okemah Ledger. Eles também apreenderam Laura — descrita pelo Ledger como "muito pequena de estatura, muito negra, cerca de trinta e cinco anos de idade, e viciosa."Davidson, James West. 'They say': Ida B. Wells and the Reconstruction of Race. Oxford University Press, 2007, p. 5ff; Allen, James and Lewis, Jon. Without Sanctuary: Lynching Photography in America. Twin Palms Publishers, 2000, p. 179. De acordo com uma mulher negra que viu o incidente, o bebê de Laura foi deixado para trás: "Os homens apenas saíram andando e deixaram o bebê deitado sozinho na cela. Um dos meus vizinhos estava lá, e acabou por pegar bebê no colo e o levou embora."Reese, Linda Williams. Women of Oklahoma, 1890-1920. University of Oklahoma Press, 1997, p. 179. "Mother and son lynched", Clinton Mirror, May 27, 1911, and "News from everywhere", The Dispatch, June 7, 1911.

O guarda foi amarrado a uma das portas, e só foi capaz de desatar-se e pedir ajuda mais de uma hora mais tarde, pois teve que roer a corda que o estava amarrando. O xerife J.A. Dunnegan enviou uma equipe de busca atrás dos prisioneiros. Era tarde demais para os Nelsons. Laura e Lawrence foram levados por cerca de seis milhas na travessia da Yarbrough sobre o rio Canadense do Norte, a oeste de Okemah, onde foram amordaçados com sacos de reboque e enforcados de uma ponte sobre a estrada para Schoolton.The Crisis, July 1911, cited in "The Story of One Hundred Lynchings," The National Association of Colored People, 1919, and in Kennedy, Randall. Race, Crime, and the Law. Vintage Books, 1998, p. 44. Para o enforcamento, leia Allen, James e Lewis, Jon. Without Sanctuary: Lynching Photography in America. Twin Palms Publishers, p. 180.

Em sua primeira página, o The Okemah Ledger chamou o linchamento uma obra-prima de planejamento "executado com uma precisão silenciosa", e ao descrever o casal escreveu: "os braços da mulher estavam balançando ao seu lado, desatados, enquanto a cerca de 20 metros de distância balançava o menino com as roupas parcialmente rasgadas e com as mãos atadas… Gentilmente balançando ao vento, o espetáculo medonho foi descoberto por um cowboy negro que levava sua vaca para beber água. Centenas de pessoas de Okemah e da parte ocidental do país vieram para ver a cena." Ele termina o artigo com: "Embora o sentimento geral seja adverso do método, pensa-se de maneira geral que eles mereceram o que lhes tinha ocorrido."Archer, Seth. "Reading the Riot Acts", Southwest Review, September 22, 2006.

De acordo com um guarda da cadeia de Okemah, WD Payne, os parentes dos Nelsons se recusaram a reivindicar os corpos. Eles foram enterrados pelas autoridades do Condado de Okfuskee em um cemitério no Greenleaf State Park, Perto de Okemah.Stories of Early Oklahoma - A collection of interesting facts, biographical sketches and stories relating to the history of Oklahoma, compilado pela Hazel Ruby McMahan (Mrs. James W.), State Historian for Oklahoma Society Daughters of American Revolution, 1945. (Copy at Oklahoma Historical Society Library, call number F/699/S7)

Fotografias e cartões postais

thumb|Fotografias do linchamento foram vendidas como cartões postais. O colecionador James Allen comprou essa imagemn de Laura nos anos noventa por 75 dólares

A cena após o linchamento foi gravada em uma série de fotografias de George H. Farnum, o proprietário do único estúdio de fotografia de Okemah. Ele tirou várias fotos de um barco, exibindo 58 espectadores na ponte, incluindo seis mulheres e 17 crianças, com os dois corpos pendurados abaixo. Ele também tirou close-ups dos corpos, e como era prática comum com fotografias de linchamentos, as imagens foram transformadas em cartões postais e vendidas em lojas locais como lembranças. . JR Moehringer escreve que eles eram tão comuns como os postais das Cataratas do Niagara, e mesmo com a proibição de circulação de imagens de linchamentos pelos serviços postais estadunidenses em 1908, os cartões ainda eram vendidos de porta em porta. . A fotografia de Farnum com os Nelsons pendurados da ponte também foi publicada no Ledger, jornal local de Okemah.Jackson, Mark Allan. Prophet Singer: The Voice and Vision of Woody Guthrie. University Press of Mississippi, 2008, pp. 136, 156–158.

O colecionador de antiguidades de Atlanta, James Allen, que passou anos procurando cartões postais desse tipo para publicar em seu Without Sanctuary: Lynching Photography in America (2000), recebeu a oferta de uma de Laura por US $75 em um ‘mercado de pulgas’.Allen, James and Lewis, Jon. Without Sanctuary: Lynching Photography in America. Twin Palms Publishers, 2000, p. 204."An Obsessive Quest to Make People See", The Los Angeles Times, August 27, 2000. "With non but the omnipresent stars to witness": review of Ken Gonzales-Day's Hang Trees , Pomona College Museum of Art, 2006, accessed August 25, 2010

Allen argumenta que os fotógrafos eram mais do que espectadores passivos, eles posicionavam e levantavam os corpos como se fossem aves de caça, e os postais se tornaram uma parte importante do ritual, ressaltando a natureza política do ato. Seth Archer escreve na Southwest Review que eles foram, em parte, concebidos como um aviso, neste caso para toda vizinha negra de Boley, Oklahoma — "olhem o que nós fizemos aqui, negro cuidado” — mas a prática de enviar as cartas para a família e amigos fora da região sublinhou a ritualização dos linchamentos; a morte como uma exibição da comunidade. Archer os compara com as imagens a partir do caso de abuso e tortura de prisioneiros de Abu Ghraib em 2004, onde militares dos EUA foram fotografados humilhando seus prisioneiros iraquianos. “A visão de horror para com os linchamentos ocorre em parte, agora, porque os americanos brancos começaram a ver os negros como seres humanos”; embora Archer escreva que os linchadores viam suas vítimas como “menos seres humanos do que eles mesmos”; como poderiam os membros dos linchamentos, possivelmente, ver a figura dos negros, sendo eles menos humanos que a turba que os linchava? "

Reação Os negros em Oklahoma expressaram o ultraje pelo ocorrido; um jornal negro lamentou: "Oh! onde é que está o espírito cristão que tanto ouvimos sobre ele"

— O que farão os bons cidadãos para prender os linchadores

— Espere, veremos — comentar é desnecessário. Tal crime é simples

"O inferno na Terra. Nenhuma desculpa pode ser dada para justificar o ato".Shepard, R. Bruce. "Diplomatic Racism: Canadian Government and Black Migration from Oklahoma, 1905-1912", in Glasrud, Bruce A. and Braithwaite, Charles A. (eds.). African Americans on the Great Plains: An Anthology. University of Nebraska Press, 2009, pp. 166–167.