Sagui-preto (Saguinus niger) é uma espécie de primata do Novo Mundo endêmico da Amazônia brasileira. Era considerado subespécie de Saguinus midas. Ocorre ao sul do rio Amazonas e leste do rio Xingu e rio Fresco, até o baixo rio Araguaia.
Ocorre em região com altas taxas de desmatamento na Amazônia e por isso, corre risco de extinção.
Descrição da espécie O macaco Sagui-una é caracterizado por sua pelagem da cor preta, contendo manchas bem definidas ao longo do corpo em tons amarronzados, avermelhados ou amarelados, suas orelhas são livres de pelos e seu peso na forma adulta para a fêmea equivale a 468,0 g e 543,0 g (grávida), enquanto o macho pesa em torno de 476,0 g e 472,7 g. Um adulto da espécie mede em milímetros da cabeça ao corpo 228mm com uma cauda de 378mm para a fêmea, o macho é ligeiramente maior, medindo da cabeça ao corpo 235mm com uma cauda de 376mm.HERSHKOVITZ, P. Living New World monkeys (Platyrrhini), with an introduction to Primates. The University of Chicago Press, p.1117, 1977.
OLIVEIRA, A. et al. Avaliação do Risco de Extinção de Saguinus niger (É. Geoffroy, 1803) no Brasil. Iperó: ICMBio, 2015.
Nomes populares e Etimologia O primata Saguinus niger, é popularmente conhecido na região brasileira como sagui-una, guaribinha, sagui-preto ou mico-de-mão-preta. Na língua inglesa é chamado de black-handed tamarin. As palavras Sagui e Una são derivadas do tupi, sa’gwi utilizado para designar um macaco de pequeno porte e cauda longa, e una que significa preto, escuro ou negro.OLIVEIRA, A. et al. Avaliação do Risco de Extinção de Saguinus niger (É. Geoffroy, 1803) no Brasil. Iperó: ICMBio, 2015.
DICIONÁRIO-TUPI-GUARANI. Dicionário Tupi, Aldeia. Disponível em:https://dicionariotupi.com.br/palavras/?letra=c. Acesso em: 18 fev. 2025.
Taxonomia O Saguinus niger pertence à subfamília Callitrichinae, dentro da família Callitrichidae. Filogeneticamente, é mais próximo de outras espécies do gênero Saguinus, como Saguinus midas e Saguinus ursulus. A espécie foi descrita por É. Geoffroy em 1803 e, ao longo do tempo, sua classificação passou por revisões, com estudos recentes sugerindo distinções entre populações geográficas. Sua distribuição é influenciada por barreiras naturais, como os rios Tocantins e Amazonas. Estudos recentes baseados em análises de DNA mitocondrial sugerem que a população de Saguinus niger a leste do Rio Tocantins pode ser, na verdade, uma espécie distinta, denominada Saguinus ursulus (sagui-de-mãos-pretas-oriental). Assim, o nome Saguinus niger seria mais adequado para a população a oeste desse rio. Além disso, seu parente vivo mais próximo é o sagui-de-mãos-douradas (Saguinus midas), com o qual compartilha diversas características morfológicas e comportamentais.GARBINO, G.S.T. et al. Notes on the western black-handed tamarin, Saguinus niger (É. Geoffroy, 1803) (Primates) from an Amazonia-Cerrado ecotone in central-western Brazil: new data on its southern limits. Mastozoología Neotropical, Mendoza, v. 22, n. 2, p. 311-318, out. 2015.
U.S. FISH & WILDLIFE SERVICE. Western Black-handed Tamarin (Saguinus niger). Disponível em: https://www.fws.gov/species/western-black-handed-tamarin-saguinus-niger. Acesso em: 20 fev. 2025.
WIKIPEDIA. Black Tamarin. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Black_tamarin. Acesso em: 20 fev. 2025.
Distribuição geográfica e habitat O Sagui-una é endêmico das florestas tropicais da Amazônia brasileira, e está presente nos estados do Pará e Maranhão. A espécie ocorre ao sul do rio Amazonas, ao leste do rio Xingu e rio Fresco até o rio Tocantins e baixo do rio Araguaia. Além disso, também pode ser encontrado no estuário do rio Amazonas, nas porções florestadas na Ilha de Marajó. No Maranhão, ocorre ao leste do rio Mearim e subpopulações podem ser encontradas no interflúvio Mearim-Itapicuru.GARBINO, G.S.T. et al. Notes on the western black-handed tamarin, Saguinus niger (É. Geoffroy, 1803) (Primates) from an Amazonia-Cerrado ecotone in central-western Brazil: new data on its southern limits. Mastozoología Neotropical, Mendoza, v. 22, n. 2, p. 311-318, out. 2015.
OLIVEIRA, A. et al. Avaliação do Risco de Extinção de Saguinus niger (É. Geoffroy, 1803) no Brasil. Iperó: ICMBio, 2015.
MENDES-OLIVEIRA, A.C., RAVETTA, A.L., CARVALHO, A.S., FIALHO, M.S. & VEIGA, L.M. Saguinus niger (amended version of 2020 assessment). The IUCN Red List of Threatened Species, 2021.
Há um registro da espécie no Mato Grosso, sendo o único fora do norte do Brasil. Segundo Garbino et al (2015), os rios Araguaia, Tapirapé e Comandante Fontoura marcam o limite de ocorrência de S. niger, associados ao clima sazonal e formações de vegetação mais abertas características do Cerrado, atuando como barreira de dispersão da espécie.GARBINO, G.S.T. et al. Notes on the western black-handed tamarin, Saguinus niger (É. Geoffroy, 1803) (Primates) from an Amazonia-Cerrado ecotone in central-western Brazil: new data on its southern limits. Mastozoología Neotropical, Mendoza, v. 22, n. 2, p. 311-318, out. 2015.
O Sagui-una habita as florestas de várzea de planícies amazônicas, florestas submontanas no Escudo Brasileiro, florestas de terra-firme, ou fragmentos de borda e florestas secundárias. Também ocorre em ambientes com certo grau de perturbação, como remanescentes florestais urbanos, áreas de extração seletiva de madeira, áreas de extração mineral e até mesmo florestas com alto índice de degradação.OLIVEIRA, A. et al. Avaliação do Risco de Extinção de Saguinus niger (É. Geoffroy, 1803) no Brasil. Iperó: ICMBio, 2015.
MENDES-OLIVEIRA, A.C., RAVETTA, A.L., CARVALHO, A.S., FIALHO, M.S. & VEIGA, L.M. Saguinus niger (amended version of 2020 assessment). The IUCN Red List of Threatened Species, 2021.
A utilização do habitat parece ser influenciada pela localização das árvores frutíferas as quais eles visitam em séries, utilizando um deslocamento direcionado.REIS, N. R. et al. Mamíferos do Brasil.1.ed. Londrina: EdUel, 2006, p.112.VERACINI, C. Dados preliminares sobre a ecología de Saguinus niger na Estação Científica Ferreira Penna, Caxiuanã, Pará, Brasil. Neotropical primates , v. 8, n. 3, p. 108-113, 2000. Disponível em: https://primate.socgen.ucla.edu/index.php/multivitaminic/article/view/460. Acesso em: 01 Jan. 2025.
Ecologia e comportamento
População Não se tem conhecimento do tamanho da população remanescente e não se sabe se o número de indivíduos maduros deste táxon ultrapassa 10.000. Conforme dados sobre o gênero, podem se agrupar de 4 a 15 indivíduos, no entanto, é mais comum grupos reduzidos, de 2 a 10 indivíduos.OLIVEIRA, A. et al. Avaliação do Risco de Extinção de Saguinus niger (É. Geoffroy, 1803) no Brasil. Iperó: ICMBio, 2015.
Suspeita-se que a população tenha sofrido um declínio de pelo menos 30% nas últimas três gerações (18 anos) em decorrência da degradação e perda de habitat. Esta queda é parcialmente fundamentada em informações do Global Forest Watch para as áreas do Pará, Brasil, onde há registros de ocorrência da espécie.MENDES-OLIVEIRA, A.C., RAVETTA, A.L., CARVALHO, A.S., FIALHO, M.S. & VEIGA, L.M. Saguinus niger (amended version of 2020 assessment). The IUCN Red List of Threatened Species, 2021.
Hábitos alimentares e forrageamento A dieta do Saguinus niger é predominantemente frugívora e inclui flores e frutas pequenos vertebrados como rãs-árvore, lagartixas, pequenos pássaros. A espécie passa uma grande parte do tempo, durante as atividades de forrageio, procurando sinais de presas, e ocupa uma parte menor desse tempo, dedicando-se à manipulação de substratos. SILVA, S. ; FERRARI, S. Notes on the Reproduction, Behaviour and Diet of Saguinus Niger (primates: Callitrichidae) in a Forest Remnant at the National Primate Centre, Ananindeua, Pará. Biologia Geral e Experimental, p. 19–28, 2007.
Estudos anteriores relatam que os saguis são capazes de aprender onde os recursos estão localizados nas áreas que habitam, o que facilita no retorno a esses locais já conhecidos. Além disso, é reconhecido que os saguis usam pistas visuais para localizar o alimento, e há indícios de que a disponibilidade de alimento e o odor podem influenciar as suas decisões de forrageio em determinadas situações.REIS, N. R. et al. Mamíferos do Brasil.1.ed. Londrina: EdUel, 2006, p.112.
Em pesquisa conduzida com a espécie em Paragominas (PA), Mendes-Oliveira & Ferrari (2000) descobriram que a alimentação do grupo estudado consistia em 87,5% de consumo de frutos, 9,4% de ingestão de invertebrados e 3,1% de secreção de Parkia pendula. As sementes de 18 espécies vegetais foram ingeridas pelos S. niger. A significativa diversidade alimentar no consumo de espécies vegetais, leva os autores a atestar o potencial do S. niger como um bom dispersor de sementes e a destacar a contribuição desta espécie para a regeneração e preservação dos remanescentes florestais, por meio de análises dos fluxos de sementes entre habitats primários e degradados.OLIVEIRA, A. et al. Avaliação do Risco de Extinção de Saguinus niger (É. Geoffroy, 1803) no Brasil. Iperó: ICMBio, 2015.
Comportamento social Os comportamentos sociais do Saguinus niger incluem allogrooming ("limpeza social"), onde um indivíduo limpa ou arruma o pelo ou a pele de outro indivíduo; agonismo que é um comportamento de confronto e competição entre indivíduos, que incluem sinais ameaçadores como: posturas corporais, vocalizações ou exibições visuais ou agressões, brincadeira, e marcação de cheiro que consiste em depositar secreções que possuem odor em várias superfícies como troncos, árvores, folhas e solo, para transmitir informações sobre identidade, estado reprodutivo, dominância social e entre outras. O allogrooming é observado principalmente durante os períodos de descanso, sendo uma atividade discreta que reduz a visibilidade dos indivíduos. Os juvenis tendem a realizar mais allogrooming em adultos do que o contrário, o que sugere uma dinâmica social onde os jovens buscam interações com os adultos. SILVA, S. ; FERRARI, S. Notes on the Reproduction, Behaviour and Diet of Saguinus Niger (primates: Callitrichidae) in a Forest Remnant at the National Primate Centre, Ananindeua, Pará. Biologia Geral e Experimental, p. 19–28, 2007.
A brincadeira é uma atividade comum, especialmente entre os indivíduos imaturos, que frequentemente se envolvem em perseguições e tentativas de captura de pequenos animais, como borboletas. O agonismo foi documentado como trocas ocasionais de vocalizações exaltadas, sugerindo que, apesar de existirem interações sociais, elas não são majoritariamente agressivas.SILVA, S. ; FERRARI, S. Notes on the Reproduction, Behaviour and Diet of Saguinus Niger (primates: Callitrichidae) in a Forest Remnant at the National Primate Centre, Ananindeua, Pará. Biologia Geral e Experimental, p. 19–28, 2007.
Um dos comportamentos mais frequentes é a marcação de cheiro, os indivíduos marcam o mesmo local no substrato consecutivamente, sendo majoritariamente marcação esternal e suprapúbica. Essas marcações podem indicar uma maneira de comunicação e marcação de território.SILVA, S. ; FERRARI, S. Notes on the Reproduction, Behaviour and Diet of Saguinus Niger (primates: Callitrichidae) in a Forest Remnant at the National Primate Centre, Ananindeua, Pará. Biologia Geral e Experimental, p. 19–28, 2007.
Reprodução O sistema de acasalamento da espécie é poligâmico, onde normalmente apenas uma fêmea por grupo se reproduz durante uma estação de reprodução específica. Comumente, a parturição da fêmea gera gêmeos dizigóticos, e ocorre uma ou duas vezes ao ano, com um tempo de gestação de cinco meses.REIS, N. R. et al. Mamíferos do Brasil.1.ed. Londrina: EdUel, 2006, p.112.
OLIVEIRA, A. et al. Avaliação do Risco de Extinção de Saguinus niger (É. Geoffroy, 1803) no Brasil. Iperó: ICMBio, 2015.