O (em tcheco: čeština, AFI: [ˈʧɛʃcɪna]) é uma língua da família eslava ocidental, falada principalmente na Tchéquia (Chéquia), onde é língua oficial, e na Eslováquia. Como a Tchéquia faz parte da União Europeia, o tcheco constitui uma de suas 24 línguas oficiais.

Com aproximadamente 12 milhões de falantes, a vitalidade do tcheco se encontra estável. Além disso, o idioma é classificado como institucional, tendo a participação da Tchéquia na União Europeia e sua relevante presença midiática, principalmente no ramo cinematográfico, como contribuintes relevantes para o atual status da língua.

Os primeiros registros da língua tcheca escrita datam de 862 d.C., após dois missionários bizantinos traduzirem textos litúrgicos para o antigo eslavo eclesiástico para o povo da Morávia. Não muito tempo depois, o Papa Estêvão V estabeleceu o uso do alfabeto latino na Tchéquia, que o utiliza até o presente.

Uma das características mais marcantes da língua tcheca é sua diglossia, uma vez que o tcheco escrito padrão (em tcheco: spinovna čeština) se difere em diversos aspectos do tcheco coloquial (em tcheco: horová čeština) ou comum (em tcheco: obecná čeština). Durante a dominação da Dinastia Habsburgo sobre a Tchéquia, o ensino e estudo de alemão era não só imposto como considerado o condutor da mobilidade social no país, fazendo muitos cidadãos tchecos, como o renomado autor Franz Kafka, passarem a falar e escrever em alemão. Após o fim da longa dominação de autoridades falantes de alemão sobre a Tchéquia, o linguista Josef Dobrovský, a fim de restabelecer o uso do tcheco no país, consultou a Bíblia de Kralice, escrita no século XVI, para o formação do gênero literário do idioma. Dessa maneira, a língua escrita buscou seguir a antiga estrutura do tcheco, enquanto a língua falada evoluiu e mudou durante os séculos seguintes.

Etimologia Tanto o nome ''tcheco'' quanto o nome čeština, em tcheco, derivam de uma antiga tribo eslava (Čech, pl. Češi) que habitavam a Boêmia Central e uniram tribos eslavas vizinhas sob o reinado da dinastia Premíslida (Přemyslovci) no final do século IX. A etimologia do nome em si, porém, é incerta, apesar de haver muitas hipóteses divergentes nesse âmbito.

A primeira tentativa acadêmica de explicar a etimologia do nome "tcheco" foi feita por Josef Dobrovský (1782), que argumentou que o nome derivaria do verbo ''começar'' (em tcheco: začíti), se referindo especificamente à partícula -čí, originalmente -če, sob a percepção de que os tchecos houvessem sido os primeiros a chegar às regiões ocidentais. Essa hipótese, porém, foi contrariada por Jungmann (1835), que afirmou que os tchecos não ''começaram'' o processo de imigração para a região, além de apontar algumas incoerências da teoria de Dobrovský (1782) no âmbito linguístico.

Distribuição Nas duas províncias da Boêmia e Morávia e na parte meridional da Silésia, o idioma é falado por cerca de 9,5 milhões de pessoas. Há também comunidades de falantes em outros países, em sua maioria europeus, sendo as mais significativas presentes na Eslováquia (com 22,9 porcento da população); na Itália (1,1 porcento) e na Áustria (1,0 porcento). miniaturadaimagem|Placa da Cidade de Praha, no Texas|esquerda Durante o período entre 1848 e 1914, uma população de aproximadamente 350 mil tchecos migrou para os Estados Unidos da América, se estabelecendo principalmente nos estados do Texas, Nebraska e Wisconsin. Com o decorrer do tempo, questões como a aculturação e políticas para o uso único da língua inglesa em escolas levaram à perda da língua tcheca nessas comunidades, mesmo assim, há múltiplas sociedades, como a Czech Heritage Society of Texas (em português: Sociedade da Herança Tcheca do Texas) que ativamente trabalham para a preservação da herança tcheca nos Estados Unidos, a fim de manter a língua e cultura de seus ancestrais.

No Brasil, houve ondas de imigração vindas da Tchéquia em diversas instâncias: no Período Colonial, por incentivo da imperatriz consorte do Brasil Maria Leopoldina da Áustria; em 1948 após o Golpe de Praga e em 1968 após a invasão do Pacto de Varsóvia, por exemplo. Atualmente, há aproximadamente cinco mil tchecos e descendentes no Brasil, com uma série de personalidades tcheco brasileiras permeando a história do país, sendo uma delas o ex-presidente Juscelino Kubitschek.

Dialetos Apesar de a grande maioria das zonas periféricas da Tchéquia não pertencerem a um dialeto específico, muitos dos dialetos tchecos se dividem em dois grandes grupos:miniaturadaimagem|Mapa de dialetos da Morávia

• Dialetos da Boêmia, onde se incluem os dialetos não muito peculiares da zona que margeia a Boêmia Central, englobando o dialeto conhecido como "tcheco comum" utilizado sobretudo em Praga.

• Dialetos Hanák da Morávia, que englobam diversos subgrupos de dialetos presentes na região da Morávia.

Esses grupos podem ser facilmente diferenciados por meio do seu tratamento de certas vogais longas, uma vez que os dialetos hanák tornaram abertas algumas vogais longas originalmente fechadas, enquanto o boêmio as transformou em ditongos.

+Comparação das vogais nos dois principais grupos de dialetos do tchecoOriginalBoémioHanák da Moráviaýejééý/íý/íúouóóúú

Os dialetos das regiões da Silésia e do nordeste servem o propósito de "línguas de transição" entre o tcheco e o polonês, caracterizados pela perda da distinção de durações das vogais; predominância das paroxítonas e consonantismo similar ao polonês, enquanto os dialetos do sudeste constituem uma transição entre o tcheco e o eslovaco, caracterizados pela retenção da vogal ú bem como de vogais anteriores antecedidas por consoantes palatais.

Línguas relacionadas miniaturadaimagem|Mapa da distribuição das línguas eslavas

Família eslava ocidental O Tcheco faz parte da família linguística eslava ocidental, uma ramificação da família das línguas eslavas.

Língua eslovaca miniaturadaimagem|Brasão de armas da Tchecoslováquia A língua eslovaca e o tcheco são mutuamente inteligíveis, não só por sua proximidade na genealogia das línguas eslavas, como pelo fato de que, até o século XVIII, o tcheco era a língua literária tanto da Tchéquia quanto da Eslováquia, e no período entre 1918 e o Divórcio de Veludo de 1993, as duas línguas eram representadas de forma próxima a equivalente na mídia da Tchecoslováquia, proporcionando uma aprendizagem passiva de ambas nos dois países, causando a incorporação de algumas palavras eslovacas no tcheco e vice-versa.

Língua alemã esquerda|miniaturadaimagem|Mapa étnico-linguístico da Áustria-Hungria em 1910 A grande área de fronteira da República Tcheca com países que têm como língua oficial o alemão e os longos períodos de dominação do país pela Alemanha resultaram em uma grande influência da língua no Tcheco, sobretudo em gírias e expressões coloquiais, mas também em certos aspectos gramaticais e sintáticos. Durante esse período, ensino e estudo de alemão era não só imposto como considerado o condutor da mobilidade social no país, fazendo com que muitos cidadãos tchecos das gerações seguintes, tendo o renomado autor Franz Kafka como exemplo, passassem a falar e escrever em alemão. Um exemplo da influência alemã no tcheco é a perda da tonicidade livre característica das línguas eslavas em função da tonicidade fixa na primeira sílaba, se assemelhando ao sistema alemão.

Língua russa miniaturadaimagem|Retratos de Gottwald e Stalin no Congresso do KSC no qual Gottwald foi nomeado primeiro-ministro Entre o Golpe de Praga de 1948 e a Revolução de Veludo em 1989, aulas de russo eram obrigatórias em escolas tchecas, trazendo palavras russas como mrož (no alfabeto cirílico: морж, em português: morsa) e jantar (no alfabeto cirílico: янтарь, em português: âmbar) para a língua, apesar da resistência por parte da população a essa influência.

História As primeiras documentações do tcheco como língua escrita ocorreram em 862, quando dois missionários Bizantinos foram à Morávia a fim de catequizar a população e traduzir textos litúrgicos para o eslavo antigo, uma língua considerada inteligível por todos os povos eslavos na época, utilizando o alfabeto glagolítico. O propósito dos missionários, porém, não pôde se estender, pois não muito tempo depois, o Papa Estêvão V restringiu o uso de línguas diferentes do latim ou grego para a leitura e divulgação de serviços cristãos, o que fez com que o povo precisasse se adaptar a um novo sistema de escrita: o alfabeto latino. Posteriormente, marcas diacríticas foram incorporadas ao novo alfabeto a fim de torná-lo mais versátil. miniaturadaimagem|293x293px|Memorial da Bíblia de Králice, na Tchéquia Em 1526, Fernando I foi coroado rei da Boêmia, dando início ao período de controle da dinastia Habsburgo sobre a Tchéquia, que impôs o uso de alemão em detrimento do tcheco no país por um estendido período de tempo.

Após essa sucessão de eventos, a língua tcheca se encontrou em estado de supressão e crescente desuso por duzentos anos, até o processo de renascimento cultural do país no século XIX, no qual o tcheco se restabeleceu como língua oficial. Durante esse processo, foi consultada a Bíblia de Králice, escrita três séculos antes, para a formação do gênero literário tcheco, o que resultou em uma diferença proeminente entre a língua falada e a escrita. A partir de então, o tcheco voltou à atividade, sendo ensinado nas escolas e utilizado livremente pela imprensa e nas belas artes. Além disso, em 1882, a Universidade de Praga foi dividida em duas escolas: uma alemã e uma tcheca.

Durante o século XX, elementos do tcheco comum se infiltraram na língua escrita e a ortografia de palavras estrangeiras passou a refletir a pronúncia alemã. Após a Segunda Guerra Mundial, mudanças sociais levaram a uma diminuição nas diferenças entre os dialetos e, tendo a globalização como contribuinte, a diglossia do tcheco tem se tornado cada vez menos proeminente.

Fonologia

Consoantes As consoantes do tcheco possuem um grupo distinto denominado consoantes suaves (em tcheco: měkké souhlásky), composto de nove consoantes: /t͡s/, /t͡ʃ/, /ɟ/, /j/, /ɲ/, /r̥/, /ʃ/, /c/ e /ʒ/, todas as outras estão englobadas no grupo geral de consoantes. +Tabela de consoantes do tchecoBilabialLabiodentalAlveolarPós-alveolarPalatalVelarGlotalPlosivap b t d c ɟ k g Nasalm n ɲ Vibranter r̥ Fricativaf v s z ʃ ʒ x ɦ Africadat͡s t͡ʃ Aproximantej Aproximante laterall Vogais miniaturadaimagem|247x247px|Quadro de vogais da língua tchecaO tcheco possui cinco vogais curtas /a/, /ɛ/, /ɪ/, /o/ e /u/ (escritas como a, e, i/y, o e u), e suas correspondentes vogais longas /a:/, /ɛ:/, /i:/, /o:/ e /u:/ (escritas como á, é, í/ý, ó e ú/ů).

O tcheco tende a não apresentar cadeias vocálicas, porque essas não constavam nas línguas nativas das quais se derivou o tcheco. O ditongo ou, porém, é uma exceção a essa regra, e algumas palavras estrangeiras introduziram os ditongos au e eu à língua. Há no tcheco seis ditongos terminados em j: aj, ůj, ej, oj e uj.

As consoantes r, l e m podem ser vocálicas. Tanto o r quanto o l ocorrem como vogais quando entre dois elementos não vocálicos e como consoantes em qualquer outra instância. O m vocálico, por outro lado, só é possível em duas palavras: sedm (em português: sete) e osm (oito). +Tabela de vogais do tchecoAnteriorQuase AnteriorCentralQuase PosteriorPosteriorFechadai:u:uSemifechadaɪo:oMédiaSemi abertaɛ:ɛAbertaaa: Transformações fonológicas Apesar de equivaler foneticamente à vogal e, uso do ě em uma palavra influencia a pronúncia da sílaba de acordo com a consoante que a antecede. Além disso, é importante apontar que a vogal ě não ocorre fora dos casos mencionados a seguir. +Comparação de sílabas com as vogais e e ěsílaba com a vogal epronúnciasílaba com a vogal ěpronúnciane/ne/ně/ɲe/de/de/dě/ɟe/te/te/tě/ce/be/be/bě/bje/pe/pe/pě/pje/ve/ve/vě/vje/fe/fe/fě/fje/me/me/mě/mɲe/