Catch Me If You Can é um filme norte-americano de 2002 do gênero comédia dramático-biográfica, dirigido e produzido por Steven Spielberg, com roteiro de Jeff Nathanson baseado na autobiografia homônima de Frank W. Abagnale Jr., co-escrita com Stan Redding.
Estrelado por Leonardo DiCaprio, Tom Hanks, Christopher Walken, Martin Sheen e Nathalie Baye, o filme conta a história de Frank Abagnale, que, antes de seu aniversário de dezenove anos, realizou com sucesso golpes no valor de milhões de dólares ao se apresentar como piloto da Pan Am, médico da Geórgia e promotor da paróquia da Louisiana. Seu principal crime foi fraudar cheques; ele se tornou tão habilidoso que o FBI mais tarde o procurou para ajudar na captura de outros falsificadores. Embora seja baseado em fatos reais, sua precisão histórica é altamente contestada.
O filme estreou em 25 de dezembro de 2002 nos cinemas estadunidenses obtendo sucesso comercial e crítico onde elogiaram a performance de Di Caprio e a trilha sonora de John Williams. No 75º Oscar, Christopher Walken e John Williams foram indicados para melhor ator coadjuvante e melhor trilha sonora original, respectivamente.
Enredo Em 1969, o agente do FBI Carl Hanratty chega a Marselha, na França, para buscar um prisioneiro chamado Frank Abagnale, Jr. que está doente devido às condições da prisão.
Seis anos antes, Frank mora em New Rochelle, Nova York, com seu pai, o Sr. Frank Abagnale, e sua mãe francesa Paula. Durante sua juventude, ele testemunhou as muitas técnicas de seu pai para enganar as pessoas. Por causa dos problemas fiscais do Sr. Abagnale com o IRS, a família é forçada a se mudar para um pequeno apartamento.
Um dia, Frank descobre que sua mãe está tendo um caso com Jack Barnes, amigo de seu pai do Rotary Club de New Rochelle. Quando seus pais se divorciam, Frank foge de casa. Precisando de dinheiro, ele passa a praticar estelionato através de golpes de confiança para sobreviver. Com seus planos cada vez mais ousados, Frank se faz passar por um piloto da Pan Am e usa o nome falso de Frank Taylor ao falsificar cheques da folha de pagamento da companhia aérea. Com os golpes cada vez mais frequentes, suas falsificações rapidamente passam a valer milhões de dólares.
A notícia dos crimes chega ao FBI e o agente Carl Hanratty começa a rastrear Frank. Carl chega a encontra-lo em um hotel, mas Frank o faz acreditar que ele é um agente do Serviço Secreto, se apresentando como Barry Allen. Ele foge antes que Carl perceba que foi enganado.
Algum tempo depois, Frank começa a se passar por um médico em um hospital. Utilizando o nome Dr. Frank Conners, ele se apaixona por Brenda, uma jovem e ingênua enfermeira do local. Ele pede ao pai advogado dela a mão da moça em casamento e também obtém ajuda para fazer o exame da Ordem dos Advogados do Estado da Louisiana, no qual Frank é aprovado. Carl rastreia Frank até a festa de noivado dele e de Brenda, mas Frank foge pela janela de um quarto, dizendo a Brenda para encontrá-lo no Aeroporto Internacional de Miami dois dias depois.
No aeroporto, Frank avista Brenda, mas também agentes à paisana prontos para capturá-lo numa emboscada. Ao perceber que Brenda desistiu dele, Frank foge novamente. Reassumindo sua identidade de piloto, ele organiza um falso recrutamento de aeromoças em uma faculdade local; cercado por oito mulheres vestidas como aeromoças, ele se esconde de Carl e dos outros agentes no aeroporto e foge em um voo para Madrid, na Espanha.
Em 1967, Carl rastreia Frank na cidade natal de sua mãe, Montrichard, na França, e consegue induzi-lo a ser preso.
De volta em 1969, Carl leva Frank em um voo de volta aos Estados Unidos. Ao se aproximarem do pouso, Carl o informa que seu pai morreu. Desolado, Frank foge do avião pelo banheiro da aeronave durante o pouso e vai até a casa de sua mãe e descobre que ela está casada com Barnes e que tem uma filha com ele. Com a situação, Frank decide finalmente se entregar ao FBI e é condenado a doze anos em uma prisão de segurança máxima.
Na prisão, Carl ocasionalmente visita Frank. Durante uma visita, ele mostra a ele um cheque fraudulento de um caso em que está trabalhando. Frank imediatamente descobre que o caixa do banco estava envolvido na fraude. Impressionado, Carl convence o FBI a permitir que ele cumpra o restante de sua sentença trabalhando para a Unidade de Crimes Financeiros do FBI. Frank concorda, mas logo fica inquieto com o tedioso trabalho de escritório.
Em um fim de semana, Frank se prepara para se passar por um piloto novamente e é interceptado por Carl, que está disposto a deixá-lo continuar com seu golpe, garantindo-lhe que ninguém o está perseguindo e que a escolha é dele. Frank volta ao trabalho e discute outro caso de fraude com Carl, que o questiona sobre como ele trapaceou no exame da Ordem dos Advogados do Estado da Louisiana, mas Frank revela que estudou e foi aprovado, o que faz Carl sorrir.
O filme se encerra com textos afirmando que Frank viveu por 26 anos na Região Centro-Oeste dos Estados Unidos com sua esposa, com quem teve três filhos; ele continua amigo de Carl até os dias atuais e construiu uma vida de sucesso se tornando um dos maiores especialistas mundiais em fraude bancária e falsificação de cheques e documentos.
Elenco
Produção Desenvolvimento Frank Abagnale vendeu os direitos cinematográficos de sua autobiografia homônima assim que a lançou em 1980. De acordo com Abagnale, os produtores Norman Lear e Bud Yorkin compraram os direitos do livro após vê-lo numa entrevista no programa The Tonight Show. Dois anos depois, eles venderam os direitos para a Columbia Pictures, que por sua vez os vendeu para o produtor Hall Bartlett. Bartlett e o seu parceiro de negócios Michael J. Lasky contrataram Steven Kunes para escrever o roteiro, mas Bartlett morreu antes que o projeto encontrasse uma distribuidora para o filme. Os direitos foram então vendidos novamente para a Hollywood Pictures, uma divisão da Disney, e quando o projeto entrou em reviravolta cinematográfica, os direitos foram novamente vendidos para a Bungalow 78 Productions, uma divisão da TriStar Pictures. A partir daí, o projeto foi apresentado a Steven Spielberg na DreamWorks Pictures. De acordo com a Variety, o produtor executivo Michel Shane comprou os direitos do filme em 1990 para a Paramount Pictures. Em dezembro de 1997, Barry Kemp comprou os direitos do filme de Shane, trazendo o projeto para a DreamWorks, com Jeff Nathanson escrevendo o roteiro. Em abril de 2000, David Fincher foi contratado para dirigir ao longo de alguns meses, mas desistiu em favor de Panic Room. Em julho de 2000, Leonardo DiCaprio havia entrado em negociações para estrelar, com Gore Verbinski para dirigir o filme. Spielberg assinou contrato como produtor e as filmagens começaram em março de 2001.
Seleção de elenco e direção Verbinski escalou James Gandolfini como Carl Hanratty, Ed Harris como Sr. Frank Abagnale e Chloë Sevigny como Brenda Strong. No meio da produção, Verbinski desistiu por conta do compromisso de DiCaprio em Gangs of New York. Lasse Hallström estava em negociações para dirigir em maio de 2001, mas desistiu em julho de 2001. Nesta fase, Harris e Sevigny também deixaram a produção, mas Gandolfini ainda estava no elenco. Spielberg, que foi co-fundador da DreamWorks, ofereceu o cargo de diretor a Miloš Forman e considerou contratar Cameron Crowe. Durante este período de negociação, Spielberg começou a considerar dirigir o filme ele mesmo, eventualmente desistindo de projetos como Big Fish e Memórias de uma Gueixa. Spielberg se comprometeu oficialmente a dirigir em agosto de 2001. No mesmo mês, Tom Hanks foi escalado para substituir Gandolfini, que havia saído devido a conflitos de agenda com a série The Sopranos.Hanks to Catch Leo For Spielberg
A busca pela substituta de Sevigny como Brenda Strong durou meses até Amy Adams ser escalada. Spielberg aprovou a escolha e o produtor Walter F. Parkes comentou que ela era "tão fresca e honesta quanto qualquer pessoa que já vimos", o que foi um elemento importante no papel. Christopher Walken foi escalado como Sr. Frank Abagnale após sugestão de Parkes. Martin Sheen interpretou Roger Strong, pois ele tinha uma "presença intimidadora". Spielberg queria escalar uma atriz francesa para retratar Paula Abagnale para se manter fiel aos fatos. Ele pediu a ajuda de Brian De Palma, que estava morando em Paris, e fez testes com várias atrizes até fechar com Nathalie Baye.
Filmagens As filmagens estavam programadas para começar em janeiro de 2002, mas foram adiadas para 7 de fevereiro em Los Angeles, Califórnia. As locações incluíam Burbank, Downey, Nova Iorque, os aeroportos de internacionais de LA/Ontario e Miami, Quebec e Montreal. O filme foi rodado em 147 locações em apenas 52 dias; DiCaprio comentou: "Cenas que pensávamos que levariam três dias demoraram apenas uma tarde". As filmagens ocorreram de 25 a 30 de abril na Park Avenue, nos arredores do hotel Waldorf Astoria New York. A produção mudou-se para Orange (Nova Jérsei) e voltou ao Brooklyn para as cenas dos bancos e do tribunal. As filmagens também ocorreram no TWA Flight Center localizado no Aeroporto Internacional John F. Kennedy. As filmagens foram concluídas em 12 de maio em Montreal.
Lançamento
A DreamWorks teve o cuidado de divulgar o filme como "inspirado em uma história verdadeira", para evitar controvérsias semelhantes às que ocorreram em Uma Mente Brilhante (2001) e The Hurricane (1999), que se desviaram da história e sofreram duras críticas com isso. A estreia ocorreu em Westwood, Los Angeles na Califórnia, em 18 de dezembro de 2002.
O canal Game Show Network lançou ao ar na época o episódio de 1977 do programa To Tell the Truth que contou com a participação de Frank Abagnale. Os segmentos foram exibidos em 29 de dezembro de 2002 e 1º de janeiro de 2003, como forma de promoção ao filme.
Recepção Bilheteria O filme foi lançado em 25 de dezembro de 2002, ganhando um pouco acima de US$ 30 milhões em 3225 cinemas durante o seu fim de semana de estreia. Catch Me If You Can faturou US$ 164,6 milhões na América do Norte e US$ 187,5 milhões em países estrangeiros, obtendo um total mundial de US$ 352,1 milhões. O filme foi um sucesso financeiro, recuperando o orçamento de US$ 52 milhões seis vezes. Catch Me If You Can foi o décimo primeiro filme de maior bilheteria de 2002 e o segundo de Spielberg de maior receita lançado naquele ano depois de Minority Report.
Resposta crítica Catch Me If You Can tem aclamação por parte da crítica especializada. Com um índice de aprovação de 96% com base em 194 críticas, o Rotten Tomatoes publicou um consenso: “Com a ajuda de um forte desempenho de Leonardo DiCaprio como na vida real do prodígio golpista Frank Abagnale, Steven Spielberg artesanou um filme elegante, despreocupadamente divertido e surpreendentemente doce”. Tem 89% de aprovação por parte da audiência, usada para calcular a recepção do público a partir de votos dos usuários do site. No Metacritic, o filme tem uma pontuação de 75 de 100, com base em 39 críticos, indicando "críticas geralmente favoráveis".
Roger Ebert elogiou fortemente o desempenho de DiCaprio e concluiu: "Este não é um filme importante de Spielberg, embora seja fácil de assistir". Stephen Hunter acreditou que DiCaprio mostra "o alcance, a facilidade e a inteligência que Martin Scorsese tão subutilizou em Gangs of New York". James Berardinelli elogiou a trilha sonora de John Williams, que ele considerou "mais íntima e 'jazzística' do que seu material usual, evocando intencionalmente Henry Mancini".
Peter Travers da revista Rolling Stone foi um dos poucos que deu uma crítica negativa ao filme; ele considerou o filme "atolado por mais de 140 minutos. Um filme que decolou como uma lebre na velocidade, mas que terminou como uma tartaruga enrolada.
Prêmios e indicações