O FAL (, ), é um fuzil de batalha criado pelo projetista belga Dieudonné Saive e fabricado pela Fabrique Nationale de Herstal.
Durante a Guerra Fria o FAL foi adotado por vários países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com a exceção notável dos Estados Unidos. É um dos fuzis mais utilizados na história, tendo sido adotado por mais de 90 países. Devido à sua prevalência e uso generalizado entre as forças armadas de muitos países da OTAN e dos países opostos ao bloco soviético durante a Guerra Fria, foi apelidado em inglês de "The Right Arm of the Free World" ("O Braço Direito do Mundo Livre").
Utiliza o calibre de alta energia 7,62×51mm NATO, apesar de ser originalmente projetado para os cartuchos intermediários 7,93x33mm kurz e .280 British. Os países ligados ao Reino Unido, a Commowealth, utilizam uma variante de tiro unicamente semiautomático e em polegadas designada como L1A1 Self-Loading Rifle (Fuzil Auto-Carregável L1A1).
História
thumb|200px|Soldados da Jamaica praticando tiro com FN FAL|esquerda
Em 1946, o primeiro protótipo do FAL foi completado. Ele foi projetado para disparar o cartucho intermediário 7,92x33mm kurz desenvolvido e usado pelas forças da Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial com o fuzil de assalto Sturmgewehr 44. Depois de testar este protótipo em 1948, o Exército Britânico instou a FN a construir protótipos adicionais, incluindo um modelo em configuração bullpup, calibrado para seu novo cartucho intermediário de calibre .280 britânico (7,43×43mm). Liderando o projeto estava o belga Dieudonné Saive, que ao mesmo tempo trabalhou no fuzil FN49. Em finais de 1940, os engenheiros belgas foram à Inglaterra e passaram a usar o cartucho britânico .280 devido aos resultados balísticos desse calibre, que estava também na disputa para ser padronizado pela OTAN.
Em 1950 os engenheiros belgas e ingleses criaram um protótipo em formato bullpup, o EM-2. Depois de apenas um protótipo feito, o projeto foi abandonado. Nesse mesmo ano, o Reino Unido apresentou o armamento aos Estados Unidos para testes de comparação contra o modelo preferido do Exército dos Estados Unidos da época - o T25 de Earle Harvey. Depois que esse teste foi concluído, oficiais do Exército dos EUA sugeriram que a FN reprojetasse a arma para disparar o cartucho-protótipo ".30 Light Rifle" americano. A FN chegou a acordar a produção de FALs nos Estados Unidos livre de royalties em 1951. O cartucho ".30 LR" foi de fato padronizado posteriormente como o 7,62x51 NATO, no entanto, os EUA continuaram com os testes de armamento. O FAL projetado para o .30 Light Rifle enfrentou o redesenhado T25 (agora redesenhado como o T47) e uma variante M1 Garand, o T44. Finalmente, o T44 venceu, tornando-se o M14.
A FN modificou o FAL por causa dessa padronização, os primeiros FALs estavam prontos na Bélgica em 1953, mas a Bélgica não foi o primeiro país a aprovar o FAL como fuzil padrão. Essa ação veio do Canadá, com ligeiras modificações sobre o nome C1. Em 1955 os canadenses começaram a produzir os fuzis C1 e C2, esse último uma versão com cano pesado, conhecido no Brasil como FAP. Em 1957 o exercito inglês seguiu o exemplo canadense e adotou o FAL, nessa versão apenas semiautomático sob o nome L1A1, que eram fornecidos normalmente com miras ópticas. Em seguida foi a Áustria sobre o nome Stg.58 fabricado pela Steyr. O FAL foi adotado pelo Exército Brasileiro em 1964, tendo sua dotação durado quatro décadas, culminando com a adoção do IMBEL A2, também da plataforma FAL, em 2015.
Várias versões do FAL também foram aprovadas na Turquia, Austrália, Israel, África do Sul, Alemanha Ocidental e vários outros países. O sucesso do FAL poderia ser maior ainda se a FN tivesse vendido os direitos de produção do FAL para a Alemanha Ocidental, onde era conhecido como G-1, mas a FN rejeitou o pedido. Então a Alemanha que comprou os direitos do CETME espanhol, com algumas modificações a Heckler & Koch criou o HK G3, o mais notável competidor do FAL.
A FN criou o que é possivelmente o clássico fuzil de batalha do pós-guerra. Introduzido formalmente por seu designer Dieudonné Saive em 1951, e produzido dois anos depois, foi descrito como o "Braço Direito do Mundo Livre". O fuzil de batalha FAL tem seu homólogo no Pacto de Varsóvia o AKM e variantes. Alguns países, como Israel e África do Sul, fabricaram e utilizaram os dois projetos em vários momentos. Ao contrário do fuzil de assalto soviético AKM, que utiliza o intermediário 7,62x39mm, o FAL utilizava um calibre de alta energia.
Detalhes do projeto miniaturadaimagem|Quatro vistas do FAL. miniaturadaimagem|Sistema de reaproveitamento de gases por recuo curto, usado no FAL. miniaturadaimagem|Detalhes da munição 7,62x51 NATO.
O FAL opera por meio de uma ação operada a gás muito semelhante à do soviético SVT-40. O FAL é operado a gás, possui um seletor de fogo de três posições: segurança, semiautomático e disparo automático. É alimentado por carregador e usa um pistão de gás (êmbolo) alocado acima do cano. O pistão tem sua própria mola de recuperação. Após o disparo o gás empurra o pistão, o qual faz um rápido toque no transportador do ferrolho, o resto da operação é dado apenas pela inércia. O conjunto do ferrolho, possui ainda um regulador de gás para que ele possa ser facilmente adaptado para as diversas condições ambientais, ou para o lançamento de granadas de bocal de forma eficiente, aproveitando todo o gás produzido pela carga de projeção (pólvora) para impulsionar a carga explosiva. O sistema de trancamento do ferrolho utiliza uma cabeça de trancamento basculante, com isso a parte traseira encosta-se na caixa da culatra que era feita, inicialmente, em aço forjado, mas em 1973 começou-se a testar vários tipos de metal na fabricação desta, a fim de se reduzir o custo de produção e o peso, mas sua fabricação ficou limitada ao aço usinado por causa de seu sistema basculante que encosta na caixa da culatra.
A capacidade dos carregadores do FAL varia de cinco a 30 munições, com a maioria dos carregadores tendo capacidade de 20 munições. Nas versões de coronha fixa do FAL, a mola recuperadora do recuo está alojada na coronha, enquanto nas versões de coronha dobrável está alojada na tampa do receptor (armação), necessitando de peças diferentes. Para manutenção de campo, o FAL pode ser aberto. Durante a abertura, o fuzil gira em torno de um conjunto de pinos, localizado entre a proteção do gatilho e o receptáculo do carregador, para dar acesso ao sistema de recuo. Este método de abertura causa uma linha de mira de ferro abaixo do ideal quando o aparelho de pontaria é montado no receptor inferior e o elemento de mira frontal da linha de mira é montado no receptor / cano superior e, portanto, é fixado em dois subconjuntos móveis diferentes.
Os fuzis também foram fabricados nas configurações de cano leve e reforçado, com o cano pesado destinado ao fogo automático como arma de suporte leve de pelotão ou esquadrão, no Brasil conhecido como FAP (Fuzil Automático Pesado). A maioria dos FALs de cano reforçado é equipada com bipés, embora alguns modelos de cano não reforçado tenham bipés, como o austríaco StG58 e o alemão G1, cujo bipé foi posteriormente disponibilizado como acessório.
Em comparação outros fuzis de batalha 7,62 × 51 mm da época, o FN FAL tinha um "coice" (recuo) relativamente leve, devido ao sistema de gás ajustável pelo usuário poder ser ajustado através do regulador de gás, No modo totalmente automático, no entanto, o atirador recebe um abuso considerável de recuo, dificultando a linha de visada e esgotando rapidamente as munições. Muitas forças militares que usam o FAL acabaram por eliminar o treinamento com tiro automático com o armamento, devido à inefetividade.
Variantes miniaturadaimagem|Vista em três ângulos do Ishapore 1A1, versão indiana do FN FAL. miniaturadaimagem|Variante FAL 50.61. Dependendo da variante e do país de adoção, o FAL foi produzido apenas como semiautomático ou fogo seletivo (capaz de modos de disparo semiautomático e totalmente automático).
LAR 50.41 & 50.42 miniaturadaimagem|O FAL exposto entre a Uzi e a FN Minimi no Musée des Armes de Grand Curtius, em Liège, na Bélgica. Também conhecido como FALO como abreviatura do francês Fusil Automatique Lourd;
Cano pesado para fogo sustentado com carregador de 30 munições; designado como arma automática de esquadrão; Conhecido no Canadá como o C2A1, foi sua arma automática de esquadrão principal até que ele foi eliminado durante a década de 1980 em favor do C9, que tem melhor precisão e maior capacidade de munição do que o C2; Conhecido pelo Exército Australiano como o L2A1, foi substituído pelo FN Minimi. O FAL de L2A1 ou "cano pesado" foi usado por várias nações da Commonwealth. O 50.41 é equipado com um guarda-mão sintético, enquanto o guarda-mão 50.42 é feito de madeira.
FAL 50.61
Coronha dobrável, comprimento padrão do cano de 533 mm.
FAL 50.62
Coronha dobrável, cano de 458 mm (18 polegadas) mais curto, versão para paraquedistas e alça de carregamento dobrável.
FAL 50.63
Coronha dobrável, cano menor de 436 mm (17,16 polegadas), versão para paraquedistas, alça de carga dobrável. Esta versão mais curta foi solicitada pelos paraquedistas belgas. O receptor superior não foi cortado para uma alça de transporte, o que permitiu que a coronha dobrável do fuzil transpassasse na entrada de um Fairchild C-119 Flying Boxcar.
FAL 50.64
Coronha dobrável, comprimento padrão do cano de 533 mm. Receptor inferior de liga de alumínio "Hiduminium"
Outras variantes da FN
FN Universal Carbine (1947): Um protótipo FAL precoce em câmara para o cartucho 7,92×33mm Kurz. O cartucho Kurz de 7,92mm foi usada como espaço reservado para os futuros cartuchos de médio alcance sendo desenvolvidos pela Grã-Bretanha e os Estados Unidos na época. FAL .280 Experimental Automatic Carbine, Long Model (1951): Uma variante da FAL foi utilizada para o cartuho experimental .280 British [7,2×43mm]. Foi projetado para uma competição em Aberdeen Proving Grounds, Aberdeen, Maryland. FAL .280 Experimental Automatic Carbine, Short Model (1951): Uma versão bullpup do FAL em .280 British projetado para competir com os fuzis britânicos EM-1 e EM-2 bullpup. Também foi demonstrado nos testes Aberdeen Proving Grounds, mas nunca foi colocado em plena produção.
Olin / Winchester FAL miniaturadaimagem|Um PARA-FAL modernizado.
Uma variante semiautomática de cano duplo em 5,56 mm, criado durante o Projeto SALVO. Esta arma foi projetada por Stefan Kenneth Janson, que anteriormente projetou a carabina EM-2
Armtech L1A1 SAS
A empresa holandesa Armtech construiu o L1A1 SAS, uma variante do L1A1 com um comprimento de cano de 290 mm. É semelhante às carabinas L1A1 de cano curto usadas pelas forças da ANZAC no Vietnã.
DSA FAL (DSA-58)
A empresa americana DSA (David Selvaggio Arms) fabrica uma cópia do FAL chamado DSA-58 que é feita com o mesmo equipamento de linha de produção Steyr-Daimler-Puch que o StG-58. Ele vem com um cano de 406 mm, 457 mm ou 533 mm. Tem em receptor inferior de liga de alumínio. Os modelos civis são semiautomáticos, mas os clientes militares e policiais podem adquirir modelos de fogo seletivo. O DSA-58 pode usar qualquer carregador FAL de medição métrica, com capacidade de 5, 10, 20 ou 30 munições.
O DSA-58 OSW (Operational Specialist Weapon) é a versão "para". Vem com coronha rebatível de polímero e cano de 279 mm ou 330 mm. O DSA-58 CTC (Compact Tactical Carbine) versão carabina.
Produção e uso militar
O FAL foi usado em mais de 90 países e mais de 7 milhões de unidades foram produzidos O FAL foi originalmente feito na Fabrique Nationale de Herstal (FN) em Liège, na Bélgica, mas foi produzido sob licença em mais de quinze países. Em agosto de 2006, ainda estava sendo produzido por mais de quatro empresas.