Ayvú rapyta é uma compilação de mitos orais dos mbyá-guaranis do Guairá feita pelo antropólogo paraguaio León Cadogan, segundo o relato oral dos nativos e do cacique Pablo Verá.
Sua publicação foi precedida por um ensaio com o mesmo nome no boletim da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, Brasil. Estudiosos e organizações de uma dezena de países reproduziram em suas revistas e boletins uma grande quantidade de artigos de León Cadogan. Posteriormente, foi publicada com o nome completo de Ayvú Rapyta: textos míticos de los mbya-guarani ("Ayvú Rapyta: textos míticos dos mbyá-guarani"), em 1959, sendo considerado um dos trabalhos mais importantes sobre o povo guarani. Os primeiros capítulos do Ayvu Rapyta foram traduzidos para o francês por Pierre Clastres (1990) e, do francês, foram retraduzidos para o português e o espanhol com erros significativos. Também Kaká Werá Jecupé, adaptou a tradução poética em seu livro Tupã Tenondé (2001), com base em sua ascendência e convivência indígena em aldeias guarani desde a década de 80, coletando relatos orais dos caciques. A poeta e tradutora Josely Vianna Baptista publicou também uma versão em 2011.
Conteúdo O Ayvú rapyta é composto por textos majoritariamente narrativos que relatam a aparição do ser criador e a cosmogonia seguinte, intercalados com hinos, orações, mensagens recebidas, receitas de medicamentos e normas sociais variadas. No conjunto, destaca-se a cosmologia do deus criador Nhamandú (Ñande Ru) tenondé, que após manifestar a si mesmo, manifesta em desdobramento os fundamentos da Criação; dentre os quais figura primeiro o "Mborayu", cujo significado pode ser compreendido entre os conceitos de "amor", "solidariedade" e "reciprocidade". Nhamandú é considerado por Kaká Werá a essência de Tupã tenondé, que se apresenta sob o aspecto de colibri e em sua manifestação é o "Grande Som Primeiro", em uma analogia de que a Criação é também uma música.
Conceito O fundamento (rapyta) da linguagem humana (Ayvú), expressão que dá nome à obra, é um conceito que possui em seu âmago a dualidade entre alma e palavra, uma das características da metafísica guarani; o escritor indígena Kaká Werá traduziu o termo ayvu como "linguagem" e "ser", respectivamente, em trechos distintos de sua publicação Tupã Tenondé; sentidos estes que ele une no conceito de "alma-palavra", o ser humano em sua divina essência; o ser é linguagem, e é um desdobramento de Ñande Ru Tenondé."Ayvu rapyta oguero-jera, oguero-yvára Ñande Ru tenondé ñen'ey mbyterã" ('O ser fundamenta-se no fato de ter sido desdobrado de nosso Pai Primeiro, o ser fez-se parte da divindade primeira, como medula, palavra-alma, da coluna do Criador'). (Werá, Pablo, 1979 apud Jecupé, Kaká Werá, 2001. Tupã tenondé. São Paulo: Peirópolis.)
Índice Versão de León Cadogan, em espanhol: Las primitivas costumbres del colibrí. El fundamento del lenguaje humano. La primera tierra. Se está por dar asiento a un ser para alegría de los bien amados. De la paternidad y de la muerte. El diluvio. La nueva tierra. El señor del cuerpo como el sol. Los que se inspiran en la buena ciencia, conjurando los maleficios: los lugartenientes de los jakairá. Los remedios imperfectos. Los preceptos que dejaron nuestros buenos padres para nuestro gobierno. Un señor da consejos a su hijo que quiere casarse. Las aves migratorias. Palabras referentes a otros pájaros. Amuletos-filtros. Capitán Chikú. La lengua de nuestros padres y otros datos lingüísticos. Cuentos. Cantos infantiles. Saludos. El concepto guaraní del "alma". La carta de Yvaroty. Versão de Kaká Werá Jecupé, em português brasileiro:
Os primeiros costumes do colibri Os fundamentos do ser A primeira Terra Está-se a dar assento a um ser para alegria dos bem-amados
Referências bibliográficas PECCI, Antonio. Ayvu Rapyta, el gran texto sagrado de los Guaraníes. Assunção (Paraguai): Jornal Última Hora (El Correo Semanal), 7 de novembro de 1992. Acesso em 17 de dezembro de 2012. Sumário da obra. Acesso em 17 de dezembro de 2012. Ayvu Rapyta: The Sacred Word. Acesso em 17 de dezembroo de 2012.
Ver também Ayvu Rapyta na Biblioteca Digital Curt Nimuendajú. Acesso em 21 de março de 2023. Fragmentos do Ayvú Rapyta. Acesso em 17 de dezembro de 2012.
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