Curcuma longa comummente conhecida como (designação que partilha com outras espécies do género Curcuma), é uma planta herbácea da família do gengibre (Zingiberaceae), originária do Sudeste da Ásia (mormente Índia e Indonésia). Da sua raiz seca e moída, obtém-se a especiaria homónima, utilizada como condimento ou corante de cor amarela e brilhante, na culinária e no preparo de medicamentos.
Não deve ser confundido com a especiaria extraída das flores de Crocus sativus, comummente conhecida como açafrão.
Nomes comuns Além de «curcuma» esta espécie é ainda conhecida pelos seguintes nomes comuns: açafroeira (não confundir com a espécie Crocus sativus, que partilha este nome), açafroeira-da-índia(também grafada açafroeiro-da-índia), açafrão-da-índia (também grafada açafrão-das-índias) açafrão-da-terra e turmérico. É conhecida ainda pelo nome de origem tupi mangarataia.
Etimologia O nome «curcuma» entra na língua portuguesa por via do árabe كركم (kurkum), que por seu turno provém do sânscrito kuṅkuma.
Os nomes «açafroeira», «açafrão-da-terra», «açafrão-da-índia», «açafroeira-da-índia», «açafroeiro-da-índia» e «açafrão-das-índias» provêm, por um lado, das propriedades da raiz desta planta que, tal como o açafrão comum (Crocus sativus), tinge a comida de tons amarelados. Quanto às alusões à Índia (ou Índias), nalguns destes nomes estas devem-se ao facto de esta espécie provir do sudeste asiático (designado historicamente durante o período colonial como «Índias», como sinédoque), tendo na Índia, por excelência, o seu principal produtor e consumidor histórico.
A palavra «turmérico», por sua vez, entra na língua portuguesa por via do inglês "turmeric", já no séc. XX, tratando-se de corruptela do étimo inglês antigo turmerite, provindo este por sua vez do francês «terre-mérite», o qual, por seu turno, espelha o étimo latino terra meritare, ou "terra meritória".
O nome popular mangarataia vem do tupi antigo, significando "mangará ardido" (mangará + taia). Mangará é o nome genérico para diversas espécies de plantas aráceas, que possuem tubérculos comestíveis.
Distribuição Esta espécie é natural do Sudeste asiático, marcando presença na Índia, Indonésia, Malásia, Vietname e Tailândia.
Ecologia Presentemente, já não há conhecimento desta espécie ocorrer de modo puramente natural, havendo, porém, relatos do seu aparecimento subespontâneo em bosques de teca do Leste de Java.
Descrição
É uma planta perene com ramificações laterais compridas, capaz de crescer até um metro de altura, contando com o rizoma subterrâneo.
A parte utilizada da planta é o rizoma (caule parcialmente ou totalmente subterrâneo, horizontal, com reservas, capaz de formar raízes, folhas e flores/fruto), que externamente apresenta uma coloração esbranquiçada ou acinzentada e internamente amarelada.
Do caule curto que desponta do rizoma saem as folhas e as hastes florais. As folhas aglomeram-se em grupos de 6 a 10 folhas, podendo cada uma delas orçar entre os 30 e os 50 centímetros.
O açafrão-da-índia reproduz-se por pedaços do rizomas que apresentam gemas (olhos) com plantio em solo argiloso, fértil e de fácil drenagem.
Depois da planta adaptada ao local, alastra-se, pois o rizoma principal emite numerosos rizomas laterais.
É uma planta extremamente resistente e, por isso, difícil de ser destruída.
A colheita deve ocorrer na época em que a planta perde a parte aérea, depois da floração. Nesta fase, os rizomas apresentam pigmentos amarelos intensos, que podem manchar a pele ou o tecido de quem os colha indelevelmente, sendo que o contacto com a pele também pode originar reacções alérgicas nalgumas pessoas.
Cultivo A curcuma é uma planta dos trópicos húmidos e subtropicais, encontrando-se a altitudes de até 2.000 metros. Tende a crescer melhor em áreas onde as temperaturas diurnas anuais alternem entre os 20 e 28 graus Celsius, podendo, no entanto, suportar gamas de temperaturas entre os 18 e os 32 graus Celsius. Prefere uma precipitação anual média entre os 1.000 e 2.000 mm, podendo, no entanto, suportar precipitações anuais na ordem dos 800 a 3.000 mm.
A curcuma sói de privilegiar solos férteis, bem drenado e com sombra. Em todo o caso, é susceptível de se desenvolver bem tanto em áreas com forte exposição solar, como em espaços com sombra parcial. Prefere um pH do solo entre 6 e 7, mas tolera de 5,5 a 7,5.
Na Índia, o cultivo enceta-se pouco antes da estação das chuvas, sendo que as primeiras folhas costumam despontar do solo passados cerca de 30 dias. A colheita sucede quando as folhas murcham, passados cerca de 270 a 365 dias.
As colheitas de curcuma geralmente variam entre as 7 e as 9 toneladas por hectare, quando é feito cultivo apenas em sequeiro e entre 17 e 25 toneladas por hectare, quando sob irrigação.
O açafroeiro-da-índia está adaptado para medrar em áreas com seca sazonal e em florestas de monções.
Usos
Culinária A característica principal do açafrão-da-índia é a forte cor amarela que a sua raiz transfere aos alimentos. Como condimento, foi amplamente usado para colorir e adubar refeições, ao longo da história no mundo oriental. Com efeito, é um ingrediente essencial para acentuar o sabor e dar cor a muitos pratos da cozinha indiana, principalmente o arroz, e outrossim é um dos componentes do tempero pó de caril, típico das culinárias do sul da Ásia e indo-portuguesa.
Presentemente, é ainda usado para colorir laticínios, bebidas e mostarda, em cozidos, sopas, ensopados, molhos, peixes, pratos à base de feijão, receitas com ovos, maioneses, massas, frango, batatas, couve-flor e até pães. O seu amido usa-se na confecção de bolos e, como corante, usa-se em macarrões, mostardas, queijos, ovos, salgadinhos, margarinas e carnes.
Deve ser dissolvido em caldo quente, antes de se poder incorporar num prato.
Medicina Possui o composto ativo curcumina, que, juntamente com outros curcuminóides, têm sido estudado pela medicina para a prevenção e o tratamento de diversas condições médicas. Porém, a qualidade de muitos estudos e da interpretação dos resultados têm sido contestados.
Os potenciais benefícios alegados incluem: atividade anti-inflamatória; ação antioxidante; redução do nível de glicose no sangue em pacientes com diabetes; redução de fatores de risco associados a doenças cardiovasculares; tratamento do mal de Alzheimer; e prevenção de câncer.
Apesar dos potenciais benefícios para a saúde, a curcumina é mal absorvida pelo trato gastrointestinal, sendo quase totalmente excretada nas fezes; portanto o consumo por via oral produz apenas traços residuais da substância no sangue.
Bibliografia Joaquim de Almeida Pinto. Diccionario de botanica brasileira. 1873.
Ligações externas Reportagem sobre produção de açafrão em Goiás - Portal Globo.tv, visitado em 21 de abril de 2014. https://nutritionfacts.org/topics/turmeric/ http://acafrao24.com - Toda a informação sobre a planta Açafrão em PT-pt
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