Francisco Moreira Freire Correia Manoel Torres de Aboim, 1.º Visconde de Idanha (São Cristóvão e São Lourenço, Lisboa, 6 de dezembro de 1854 – Encarnação, Lisboa, 22 de março de 1919), foi um nobre, político e proprietário agrícola português. Foi Presidente da Câmara Municipal de Sintra e deputado às Cortes, na Câmara dos Senhores Deputados, pelo círculo n.º 12 de Lisboa.
Família
Era filho de João Baptista Moreira Freire Correia Manoel Torres de Aboim, irmão do 1.º Visconde de Vila Boim, e de sua mulher, Josefina Arcângela de Castro Teles de Eça Monteiro e Cunha, que casaram em Lisboa, na freguesia de São Lourenço, a 15 de maio de 1852. A família residia no Palácio dos Aboim, na Rua do Arco do Marquês do Alegrete, em Lisboa.
Nasceu a 6 de dezembro de 1854, e foi batizado na igreja de São Lourenço a 13 do mesmo mês, sendo padrinho Francisco Correia Manoel Torres de Aboim, irmão da sua avó paterna e segundo marido da sua avó materna.
Entre os seus irmãos contava-se Mariana de Santo António Moreira Freire Correia Manoel Torres de Aboim (1865–1946), que casou a 18 de julho de 1891 com João do Canto e Castro, futuro Presidente da República, de quem teve três filhos.
Biografia
Em 1874 era estudante e vivia com a família na Rua do Arco do Marquês do Alegrete. Iniciou a vida pública viajando, o que lhe permitiu adquirir vastos conhecimentos.
Foi sócio comanditário da firma lisboeta Alves & C.ª, cuja falência foi declarada pelo Tribunal do Comércio de Lisboa a 30 de novembro de 1883, a requerimento de credores. Em dezembro desse ano, os curadores fiscais da massa falida obtiveram a aposição de selos no seu domicílio e a apreensão de um prédio seu e dos respetivos rendimentos, por o considerarem sócio solidariamente responsável pelas dívidas sociais. Alegando ser apenas sócio em comandita, recorreu. Depois de o Supremo Tribunal de Justiça, por acórdão de 25 de junho de 1884, ter dado provimento ao seu agravo por razões processuais, o Tribunal do Comércio deferiu o seu pedido por sentença de 25 de julho de 1884. A decisão foi confirmada pela Relação de Lisboa por acórdão de 14 de agosto de 1885, que estabeleceu que, declarada a falência de uma sociedade, não devem ser postos selos nos bens do sócio comanditário.
Foi moço fidalgo da Casa Real. Na vida pública, exerceu o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Sintra entre 1893 e 1897 e, em 1908, foi administrador do concelho de Sintra. Foi ainda delegado do Governo junto da Companhia de Moçâmedes e vogal do respetivo conselho administrativo.
Foi eleito deputado em 1895 pelo círculo n.º 12, que então abrangia todo o distrito de Lisboa, incluindo o concelho de Sintra, e elegia 14 deputados. Foi a única eleição, entre 1852 e 1901, em que Sintra não constituiu círculo eleitoral próprio: o decreto de 28 de março de 1895 fez coincidir os círculos com os distritos administrativos, e a lei de 21 de maio de 1896 restabeleceu o círculo de Sintra. Foi proclamado deputado na sessão preparatória de 7 de janeiro de 1896 e prestou juramento no dia seguinte. Continuava em funções em 1897, estando presente na sessão de 6 de fevereiro desse ano, em que o Presidente do Conselho de Ministros, Hintze Ribeiro, anunciou a demissão do governo.
Foi sócio da Real Sociedade de Geografia de Lisboa a partir de 1886 e da Academia Indo-Chinesa de Paris, bem como diretor do Grande Club de Lisboa, então recentemente fundado. Foi agraciado com a comenda da Real Ordem de Isabel, a Católica, de Espanha.
Era proprietário em Idanha, lugar da freguesia de Belas, no concelho de Sintra, onde possuía um palácio. Fundou em Belas uma escola, que à época era apontada como a melhor do concelho.
Na sua época, era descrito como um dos mais destacados desportistas (sportsmen) da Península Ibérica. Frequentava os meios mundanos de Paris, Madrid e Londres e foi protetor de diversas associações de beneficência, recreio e instrução.
O título de Visconde de Idanha foi-lhe concedido, em duas vidas, por decreto de D. Carlos I de 7 de junho de 1894. Em 1901, por morte do tio, o 1.º Visconde de Vila Boim, que não deixou geração, sucedeu-lhe na representação da família.
Morreu em Lisboa, na freguesia da Encarnação, a 22 de março de 1919, aos 64 anos, e foi sepultado no Cemitério do Alto de São João, onde os Viscondes de Idanha tinham jazigo com as suas armas.
Casamentos e descendência
Casou três vezes.
A primeira, a 10 de fevereiro de 1876, em Belas, com Maria José da Silva Rego (17 de maio de 1858 – 17 de maio de 1888), filha de José Maria da Silva Rego e de sua mulher, Maria da Assunção Vieira. Deste casamento nasceram, entre outros, Raul Rego Correia Freire Manoel Torres de Aboim (1882–1940), que no ano letivo de 1897–1898 estava matriculado na Universidade de Coimbra e lhe sucedeu como 2.º Visconde de Idanha, e Maria da Assunção, que casou com Júlio de Resende.
A segunda, com Maria Vidigal Perdigão de Carvalho, de quem não teve geração.
A terceira, a 7 de setembro de 1895, em Belas, com Ana Josefa Amélia Álvarez de la Fuente de Torralba y Baygorri, nascida em Madrid em 1873, de quem teve três filhos. Deste casamento nasceu José Maria Moreira Freire Correia Manoel Torres de Aboim, inscrito em 1913 no recenseamento militar da freguesia de Belas como filho dos Viscondes de Idanha. Do mesmo casamento nasceu Virgínia da Assunção Moreira Freire Corrêa Manoel Torres de Aboim, que casou com Sebastião Sarzedas, filho de Joaquim António dos Reis Tenreiro Sarzedas, governador civil do Distrito de Évora.
Condecorações
Comendador da Real Ordem de Isabel, a Católica de Espanha
Notas
Categoria:Naturais de Lisboa Categoria:Viscondes de Portugal Categoria:Moços fidalgos da Casa Real Categoria:Administradores do concelho de Sintra Categoria:Presidentes da Câmara Municipal de Sintra Categoria:Deputados do Reino de Portugal Categoria:Empresários de Portugal Categoria:Agricultores de Portugal Categoria:Nobres de Portugal do século XIX Categoria:Nascidos em 1854 Categoria:Mortos em 1919