A Zona Arqueológica de Medina Elvira é um sítio arqueológico situado entre os municípios de Atarfe e Pinos Puente, na província de Granada, Andaluzia, sul de Espanha. Deve o seu nome a Medina Elvira (ou Madinat Ilbira), uma cidade árabe, que remonta pelo menos ao e que foi a primeira capital da Taifa de Granada, o reino islâmico dos Zíridas, que depois foi transferida para Granada, situada pouco mais de 10 km a sudeste.
No entanto, foram encontrados vestígios de ocupação bastante mais antiga, que remontam à época romana e visigótica. É também possível que seja o local da cidade romana de Elvira.
O sítio arqueológico situa-se no sopé meridional da Serra Elvira, ocupando um anfiteatro natural e uma área de 332 hectares. O flanco norte é cercado por uma série de elevações: o Cerro del Sombrerete, Tajo Colorado, Cerro Almirez y Cerro de los Cigarrones, que aparentemente foram importantes para a localização das defesas da cidade. Muitas dos inúmeros achados arqueológicos da zona foram encontrados à superfície.
Características Localização O padrão de localização das diferentes áreas da zona arqueológica depende, entre outras, da geomorfologia, existindo uma zona mais plana ou ligeiramente inclinada em que se encontra o principal edifício religioso (Cortijo de las Monjas), e um dos bairros (Cerro de los Cigarrones), outra zona de encostas suaves onde se estão as necrópoles (Pago de Marugán y Cortijo de los Cigarrones) e alguns cerros íngremes onde há estruturas poliorcéticas de evidente valor estratégico para a defesa da cidade (Cerro del Sombrerete).
Em vários locais observam-se restos de pedreiras cuja datação precisa ainda não foi descoberta por falta de estudos aprofundados. O processo de deterioração do meio natural foi-se agudizando, devido à desnudação vegetal e de solo em amplas zonas ter aumentado a escorrência superficial nos glacis de erosão que provoca a que agora afeta a zona. Existem dois grandes barrancos que cruzam a área desde a zona setentrional até à meridional: o da Mezquita e o de Marugán. A grande pressão antrópica sobre o meio, com atividades como pedreiras, lixeiras, etc., levaram a grandes transformações na configuração da área.
Intervenções alt=Lâmpada de bico califal (925-1085), em latão dourado e cinzelado, com uma palmeta que lembra a cauda de um pássaro.|miniaturadaimagem|Lâmpada de bico califal (925-1085), em latão dourado e cinzelado, com uma palmeta que lembra a cauda de um pássaro. Na Zona Arqueológica de Elvira conhecem-se, pontualmente mas com rigor científico, restos de assentamento e fortificações no Cerro del Sombrerete e restos de unidades domésticas e viárias dum bairro no Cerro de los Cigarrones, fruto de intervenções recentes. Num segundo nível encontram-se restos retirados por investigadores do e num terceiro nível encontram-se uma série de achados recolhidos em alguns trabalhos arqueológicos (Espinar, Quesada y Amescua, 1994). As principais intervenções podem resumir-se em:
Intervenções na necrópole da herdade de Marugán, em que foram documentadas cerca de sepulturas com inúmeros objetos pessoais e de adorno, (brincos, pulseiras, anéis, etc.), que segundo Gómez-Moreno são da época visigótica.
Reconhecimento dos restos dum aqueduto junto a Marugán, assim como outros vestígios encontrados na herdade dos Tejoletes do Cortijo de las Monjas.
Os achados encontrados em 1868 quando foi construída a estrada de Granada–Córdova perto de Los Baños da Serra Elvira, com várias intervenções em anos sucessivos, durante as quais foram escavadas as ruínas de termas romanas importantes.
As escavações do Secano de la Mezquita, iniciadas em 1872, nas quais foram encontrados restos de muros, colunas e uma grande camada de matérias carbonizadas. Os trabalhos prosseguiram em 1874, pondo a descoberto mais restos de edifícios abandonados após um incêndio, entre os quais se destacam as colunas e o nível de cultura material, as lâmpadas de bronze da mesquita incendiada.
Em 1998 foi levada a cabo no Cerro de los Cigarrones uma prospecção e uma escavação de aproximadamente 80 m², tendo sido exumadas estruturas que fariam parte dum trama urbana. As casas têm paredes com rodapés em alvenaria de pedra e pavimentos de pedra. Funcionalmente foram consideradas como pertencentes a uma cozinha em que se encontra um algibe e um espaço público identificado como uma rua. Possivelmente tratava-se dum arrabalde ou bairro periférico da cidade, separado do núcleo principal que se situaria no Cortijo de las Monjas. Os materiais móveis recuperados situam-se cronologicamente entre os séculos VIII e XI.
Em 2001 foram postas a descoberto diversas estruturas e materiais cerâmicos, faunísticos, etc. no Cerro del Sombrerete. Alguns investigadores identificam ali a muralha da primeira cidade árabe existente na Veiga de Granada. Foram realizadas duas sondagens, tendo a primeira revelado um trecho de muro com cerca de 15 m, com uma série de estruturas anexas que podem ter sido a base duma torre. Na segunda sondagem foram documentadas uma série de aposentos que se interpretaram como sendo quartos e um pátio. Estas dependências de casas pertenciam a um conjunto complexo, sem dúvida com uma organização urbanística, que teria a função de alcáçova, controlando a cidade de Ilbira. A cronologia proposta para essas estruturas e materiais é e início do .
Delimitação da zona arqueológica alt=Vaso das lebres, Medina Elvira (Atarfe), século X, cerâmica vidrada em verde e manganês, Museu Arqueológico e Etnológico de Granada, Espanha.|miniaturadaimagem|Vaso das lebres, Medina Elvira (Atarfe), X, cerâmica vidrada em verde e manganês, Museu Arqueológico e Etnológico de Granada, Espanha. A delimitação da zona arqueológica de Medina Elvira foi realizada com base em diversos parâmetros devidamente verificados. Inicialmente, esse processo se baseou em fontes históricas e documentais geradas a partir do XIX.
Além disso, foram consideradas as intervenções arqueológicas mais recentes realizadas na área delimitada, especificamente em Cerro de los Cigarrones e Cerro del Sombrerete, ambos de vital importância para confirmar a permanência e a relevância da zona arqueológica. Tudo isso foi corroborado por um levantamento minucioso de toda a área que compreende a zona arqueológica, considerando a configuração atual do território, resultado de diversas transformações ocorridas no último quartel do XX , sendo uma das mais recentes a construção da autoestrada A-92 em Atarfe, com suas duas rotatórias que dão acesso à cidade de Atarfe e à cidade de Pinos Puente.
A região é conhecida pela extração de pedra, prática documentada desde a antiguidade; portanto, dentro da zona arqueológica existem atualmente pedreiras abandonadas em áreas com potencial para vestígios arqueológicos, como as localizadas junto à ravina da Mesquita e outras atualmente em uso, localizadas no Cerro del Sombrerete e no Tajo Colorado, com o perigo que isso representa para a integridade das estruturas arqueológicas.
Notas e fontes
Medina Elvira Categoria:Granada (província)