Micronutrientes ou oligoelementos são nutrientes necessários à manutenção de algum organismo, como no caso do cromo para o corpo humano, necessário em quantidades extremamente pequenas, e de alguns metais para plantas.https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/B9780123849052000078 São nutrientes necessários para a manutenção do organismo, embora sejam requeridos em pequenas quantidades, de miligramas a microgramas. Fazem parte deste grupo as vitaminas e os minerais, os quais são essenciais e devem estar diariamente presentes na alimentação. O défice de micronutrientes pode provocar doenças ou disfunções, ao passo que o o excesso pode acarretar intoxicações. Por esse motivo, a dieta deve ser sempre equilibrada e variada. Os micronutrientes compõem o sistema de defesa antioxidante que protegem o organismo de moléculas potencialmente prejudiciais (espécies reativas de oxigênio, nitrogênio e cloro),https://www.cambridge.org/core/journals/british-journal-of-nutrition/article/micronutrients-oxidantantioxidant-status/BE86BA2BB8F2529F376CA3209F74DC7C tendo importância na resposta imune inata.https://academic.oup.com/jid/article/182/Supplement_1/S5/2191448

Quantidades traço significam quantias extremamente pequenas detectadas em certo ambiente ou amostra, falando-se na ordem dos microgramas por litro. Mesmo sendo tão pequenas, tais quantias são frequentemente importantes para o ambiente em que se encontram, sendo alguns componentes conhecidos necessários ao corpo humano, responsável pela morte de várias espécies de vegetais e contaminação bastante significativa do ar, solo e água. Funções dos microminerais Estrutural: Pela simples participação na constituição das estrutura dos órgãos. Físico-química: Caracteriza-se pela ação do elemento per sí na execução de uma tarefa biológica. Catalisadora de reações bioquímicas (enzimas, coenzimas, cofatores, metaloproteínas e hormônios): Principalmente relacionada com os microelementos incorporados ou associados às enzimas, coenzimas ou cofatores, metaloproteínas e hormônios, estes elementos têm papel fundamental como reguladores da velocidade (catalisadores ou de desencadeamento de reações bioquímicas orgânicas. Os cofatores enzimáticos são enzimas que precisam de íons, chamadas metaloenzimas, e o íon pode atuar de várias formas: como centro catalítico primário, no sítio ativo da enzima; como complexo de coordenação ou grupo de união entre o substrato e a enzima; como estabilizador da conformação da enzima. Exemplos de metaloenzimas; anidrase carbônica (Zn2+), citocromo oxidase (Cu+).

Lista de micronutrientes Ferro (Fe) Zinco (Zn) Cobre (Cu) Manganês (Mn) Selênio (Se) Cromo (Cr) Iodo (I) Flúor (F) Arsénio (As) Boro (B) Molibdênio (Mo) Cobalto (Co) Estanho (Sn) Níquel (Ni) Vanádio (V) Silício (Si)

Funções específicas

Molibdênio Função na planta Sua principal atuação está no processo de fixação simbiótica do nitrogênio e em outros processos fisiológicos das plantas superiores. O Mo participa ativamente como cofator integrante nas enzimas nitrogenase, redutase do nitrato e oxidase do sulfato, e está intensamente relacionado com o transporte de elétrons durante as reações bioquímicas

Deficiência A falta de Mo no solo irá ocasionar menor síntese da enzima nitrogenase, com consequente redução da fixação biológica do nitrogênio (N2).

A deficiência de Mo na soja pode ser percebida na coloração (amarelada pálida) das folhas mais velhas, semelhante a deficiência de nitrogênio. Nas situações de deficiência, o íon Mo se desloca das folhas mais velhas para as mais novas.

Absorção pela planta O teor de Mo total no solos encontra-se na faixa de 0,5 a 5,0 ppm, onde ocorre nas seguintes fases: solúvel na solução do solo, adsorvido na fração coloidal, retido na rede cristalina dos minerais primários e quelado à matéria orgânica.

Em condições de pH extremamente baixo, o Mo existente na solução do solo encontra-se predominantemente em forma não dissociada de ácido molíbdico (H2MoO4). Com o aumento do pH, o H2MoO4 se dissocia em (HMoO4-) e, posteriormente, a molibdato (MoO42-), o qual se torna a forma predominante em solos de pH neutro e alcalino. O suprimento para as plantas é feito principalmente na forma de MoO42-, presente na solução do solo, via fluxo de massa.

Correção quanto à toxidez O Mo é facilmente liberado dos minerais primários pela intemperização. Comparado com os outros micronutrientes, ele permanece relativamente móvel como molibdatos potencialmente solúveis. Entretanto, esses molibdatos são adsorvidos nas superfícies de minerais primários e da fração coloidal, fazendo com que a disponibilidade do Mo no solo seja dependente do pH. A correção do pH dos solos ácidos, através da calagem, aumenta a disponibilidade de molibdênio, justificando-se esta ocorrência com o mecanismo de troca dos ânions de molibdato (MoO42-) por hidroxila (OH-). Muitos trabalhos de pesquisa indicam que o uso do calcário em solos ácidos elimina a possibilidade de resposta à fertilização com o Mo.

Portanto, quando o solo esta sofrendo saturação por Mo, deve-se evitar o uso de calcário para que este seja adsorvido pelo solo.

Fontes de adubação As formas de Mo mais utilizadas em adubações são os molibdatos de sódio e de amônio e o trióxido de molibdênio, sendo ainda utilizado o ácido molibídico e fertilizantes compostos contendo o Mo em sua composição como as fritas (fritted trace elements). Estas formas podem ser supridas às plantas como adubo de solo, aspersão foliar (exceto o FTE) ou aderido com as sementes.

Translocação na planta Não há muitas informações sobre a mobilidade do Mo dentro das plantas e os poucos relatos existentes ainda são contraditórios.Em leguminosas parece que há uma alta taxa de retranslocação deste micronutriente durante o estádio de enchimento de grãos, para garantir um alto armazenamento de Mo nas sementes. As diferenças relatadas em termos de eficiência de Mo em cultivares de feijão fava (Vicia faba) podem ser atribuídas a diferentes níveis de acúmulo de Mo nos nódulos e a diferentes taxas de retranslocação das raízes para as vagens e dessas para os grãos durante o estádio de amadurecimento de grãos

Elemento no solo do cerrado Por causa de sua baixa concentração nos solos e utilização sem a devida reposição, o Mo tem-se esgotado, tornando-se comum a sua deficiência, principalmente, nos solos de cerrado.

Sódio Funções do elemento na planta São conhecidas varias funções do sódio embora nem todas sejam esclarecidas na sua origem, ou seja, no seu nível molecular.

Osmótica – O K tem essa função nas plantas. Entretanto, não há uma exigência absoluta desse elemento visto que o comportamento vacuolar contem diversos outros solutos como açucare, aminoácidos e sais de sódio. Daí a possibilidade do Na preencher parcialmente essa função biofísica do K.

Estômatos – Ondas eletromagnéticas do comprimento da luz azul proporciona a ativação de proteínas transportadoras nas membranas das células-guarda, ativando o influxo de K+ e de seus íons de contrabalanço. O aumento da concentração desses componentes reduz o potencial de água dessas células, fazendo com que a água entre nelas, que passam a ficar túrgidas. Devido à deposição diferencial de celulose nas células-guarda, esse aumento de volume resulta na abertura do estômato, possibilitando as trocas gasosas. Nas espécies que apresentam alta permeabilidade para o Na, o K pode ser pelo menos em parte substituído pelo Na.

Fotossíntese – Exerce funções na fotofosforilação.

Fixação do carbono – Em plantas CAM (ou MAC) e C4, é essencial à enzima PEPcase

Ativação enzimática

Deficiência A deficiência de sódio em algumas plantas do tipo C4 acarreta em menor desenvolvimento das plantas, cloroses foliares, necrose nas folhas ou não florescimento.

Absorção pela planta

O K mostra o padrão duplo de absorção: o mecanismo 1 opera em baixas concentrações, apresenta alta afinidade e depende da energia metabólica, não sendo influenciado pela presença do sódio. O mecanismo 2 que funciona sob altas concentrações parece ser comum ao sódio que inibe a absorção de K: é passivo e se da através de canais proteicos. Acredita-se que a absorção de sódio se dê através desse segundo mecanismo.

Correção quanto à toxidez A correção dos solos sódicos consiste praticamente na substituição do Na do complexo de troca por H+ ou, mais usualmente pelo Ca do gesso CaSO4.2H2O, seguindo-se a lixiviação do Na.

Fontes de adubação Algumas fontes de adubação sódica são:

Cloreto de sódio (NaCl, 39% Na)

Salitre do Chile (NaNO3, 27% Na)

Salitre potássico (NaNO3.KNO3, 12% Na)

Translocação na planta

As espécies vegetais são classificadas em natrófilas e natrófobas segundo absorvem e transportam Na com facilidade ou não, as últimas mostrando mais seletividade em favor do K. As natrófobas concentram o Na nas suas raízes, o que pode acarretar toxidez e morte.

Elemento no solo do cerrado O Na no solo do cerrado é escasso, encontrando-se em teores que variam de 0,01 miliequivalentes por cem gramas até 0,1 miliequivalentes por cem gramas de solo.

Silício Funções do elemento na planta O silício influencia o crescimento e a produção de duas maneiras convergentes: através de mudanças no solo de modo indireto, diretamente mediante as funções que desempenha na vida da planta. Plantas nutridas com Silício são menos procuradas por insetos para alimentação, além de proporcionar maior resistência à ataques de fungos.

Deficiência A deficiência de Si nas plantas é muito rara, mas quando ocorre, causa o enfraquecimento das células das plantas, tornando-a mais susceptível a patógenos, pragas e intempéries climáticas.

Absorção pela planta A absorção de silício (como ácido silícico) é um processo ativo, isto é, que exige gasto de energia, mesmo quando as raízes estão em presença de altas concentrações do elemento.

Correção quanto à toxidez O Si não causa fito toxicidade, sendo assim não existem métodos para a correção quanto a sua toxidez.

Fontes de adubação As fontes de adubos silicatados conhecidas são os silicatos em geral, como silicato de cálcio, silicato de fósforo, entre outros.

Translocação na planta O transporte de Si a longa distância se dá no xilema em alta proporção do elemento e deposita nas células das paredes desses vasos, podendo evitar o colapso dos mesmos quando a planta transpira muito. Esse transporte é apoplástico em parte, mas o Si tem que passar ao simplasto para chegar ao xilema.

Elemento no solo do cerrado O solo do cerrado é pobre em Si, sendo que pode ser encontrado de 0,54 miliequivalentes por cem gramas até 29 miliequivalentes por cem gramas de solo.

Alumínio Funções do elemento na planta O Al é um elemento classificado como benéfico para algumas plantas, estimulante para outras ou principalmente tóxico.

Alguns autores afirmam que plantas de arroz, leguminosas tropicais, eucalipto, chá, pessegueiro, beterraba, milho e trigo apresentaram maior desenvolvimento com concentrações adequadas de Al.

Deficiência A deficiência de Al não acarreta prejuízos significativos para a maioria das culturas, e ainda promove um melhor desenvolvimento para outras.

Absorção pela planta Como o Al+3, as espécies monoméricas dos hidróxidos de Al são mais tóxicas que outras formas, pode se admitir que sejam mais absorvidas.

Correção quanto à toxidez O Ca diminui a absorção e reduz o efeito tóxico do Al, diversos mecanismos podendo operar: diminuição na absorção; aumento na concentração externa do Ca faz aumentar a força iônica o que causaria mudança nas espécies iônicas do Al diminuindo a proporção das mais tóxicas; o íon acompanhante do Ca formaria complexos com o Al reduzindo a sua toxidez.

Translocação na planta Ainda que as raízes apresentem teores mais altos de Al, e por isso sejam o órgão mais prejudicado pela toxidez, dá-se transporte a longa distancia, presumivelmente no xilema, visto que os órgãos da parte aérea apresentam o elemento.