Primeiro Comando da Capital (PCC), também referido como 15.3.3 (abreviadamente 15 ou Quinze) ou simplesmente como Partido,Biondi, Karina; Marques, Adalton. Memória e historicidade em dois "comandos" prisionais. Lua Nova: Revista de Cultura e Política. (79) • 2010 • CEDEC - Centro de Estudos de Cultura Contemporânea . é a maior organização criminosa do Brasil, com atuação principalmente no estado de São Paulo, mas também em todo o território brasileiro, além de países fronteiriços, como Paraguai, Bolívia, Colômbia e Venezuela. Tem mais de 40 mil membros, sendo 13 mil apenas em São Paulo. Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), o Primeiro Comando da Capital deixou de ser uma facção criminosa e já pode ser considerado a primeira máfia do Brasil, status que mantém desde setembro de 2020. Com isso, o Comando Vermelho (CV) assumiu o posto de maior facção do país.
A organização surgiu em 31 de agosto de 1993 no Centro de Reabilitação Penitenciária da Casa de Custódia de Taubaté, no Vale do Paraíba, a 130 km da capital paulista, local que acolhia prisioneiros transferidos por serem considerados de alta periculosidade pelas autoridades. Calcula-se que hoje tenha cerca de seis mil integrantes dentro do sistema penitenciário e outros 2,6 mil em liberdade, apenas no estado de São Paulo.
É financiada principalmente pelo tráfico de drogas, mas roubos de cargas, assaltos a bancos e sequestros também são fontes de faturamento. O Primeiro Comando da Capital está presente em 90% dos presídios paulistas, e os negócios particulares dos líderes e da própria facção têm faturamento estimado pela inteligência policial em, no mínimo, 400 milhões de reais por ano. Alguns policiais e promotores acreditam que esse número pode chegar a cerca de 800 milhões de reais.
Vários dos ex-líderes da organização estão presos, como o criminoso Marcos Willians Herbas Camacho (vulgo Marcola), que cumpria sentença de 44 anos, principalmente por assalto a bancos, no Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Venceslau, onde estava presa toda a cúpula da facção, até ser transferido com outros 21 criminosos do Primeiro Comando da Capital para os presídios federais de segurança máxima de Porto Velho (Rondônia), Mossoró (Rio Grande do Norte) e Brasília (Distrito Federal), no dia 13 de fevereiro de 2019.
História Origem O Primeiro Comando da Capital foi fundado em 31 de agosto de 1993 no anexo chamado de "Piranhão" da Casa de Custódia de Taubaté, até então a prisão mais segura do Estado de São Paulo, por oito presidiários transferidos da cidade de São Paulo, conhecidos como "Os da capital". O grupo era composto por Misael Aparecido da Silva, o "Misa"; Wander Eduardo Ferreira, o "Eduardo Cara Gorda"; Antônio Carlos Roberto da Paixão, o "Paixão"; Isaías Moreira do Nascimento, o "Isaías Esquisito"; Ademar dos Santos, o "Dafé"; Antônio Carlos dos Santos, o "Bicho Feio"; César Augusto Roris da Silva, o "Cesinha"; e José Márcio Felício, o "Geleião".
Eles formavam um time de futebol cujo nome era Primeiro Comando da Capital (PCC), também chamado de "Partido do Crime" e de "15.3.3", por conta da ordem das letras "P" e "C" no alfabeto. Durante uma partida de futebol, eles mataram um dos criminosos mais temidos do presídio e se tornaram a gangue dominante do local.
O Primeiro Comando da Capital afirmava que pretendia "combater a opressão dentro do sistema prisional paulista" e "vingar a morte dos 111 presos", em 2 de outubro de 1992, no "massacre do Carandiru", quando a Polícia Militar matou presidiários no pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção de São Paulo. O grupo usava o símbolo chinês do equilíbrio yin-yang em preto e branco, considerando que era "uma maneira de equilibrar o bem e o mal com sabedoria".
Inicialmente, o Primeiro Comando da Capital não tinha atividade criminosa específica, e seus membros atuavam de forma independente em diversos crimes, pagando mensalidades para financiar a organização. Ao contrário de gangues convencionais, o Primeiro Comando da Capital não recrutava membros por meio da violência, só em situações excepcionais.
Consolidação thumb|upright|Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola", considerado o líder da organização criminosa No início dos anos 2000, Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola", e Idemir Carlos Ambrósio, o "Sombra", eram alguns dos líderes mais respeitados entre os presos do Estado de São Paulo. Em fevereiro de 2001, "Sombra" tornou-se o líder do PCC e organizou rebeliões simultâneas em 29 presídios do estado, que deixaram 16 presos mortos. Ele foi assassinado cinco meses depois, por cinco membros da facção, em uma disputa interna de poder.
O Primeiro Comando da Capital começou então a ser liderado por "Geleião" e "Cesinha", responsáveis pela aliança do grupo com a facção criminosa Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro. "Geleião" e "Cesinha" passaram a coordenar atentados violentos contra prédios públicos, a partir do Complexo Penitenciário de Bangu, onde se encontravam detidos. Considerados "radicais" por outra corrente do PCC, mais "moderada", "Geleião" e "Cesinha" usavam atentados para intimidar as autoridades do sistema prisional e foram depostos e jurados de morte em novembro de 2002, quando o grupo foi totalmente assumido por "Marcola". "Cesinha" acabou assassinado, no presídio de Avaré.
Sob a liderança de Marcola, também conhecido como "Playboy", atualmente detido por roubo a bancos, o Primeiro Comando da Capital teria participado no assassinato, em março de 2003, do juiz-corregedor Antônio José Machado Dias, juiz da Vara de Execuções de Presidente Prudente. A facção tinha recentemente apresentado como uma das suas principais metas promover uma rebelião de forma a "desmoralizar" o governo e extinguir o regime disciplinar diferenciado (RDD), no qual os presos passam vinte e três horas confinados às celas, sem acesso a jornais, revistas, rádios ou televisão, por apresentarem alto risco para a sociedade.
Disputas com outras facções em 2016
Ataques
Atentado frustrado de 2002 Em outubro de 2002, a Polícia Civil de São Paulo revelou, após investigação, que a sede da Bolsa de Valores de São Paulo havia sido escolhida como alvo de um atentado terrorista a ser perpetrado pela facção criminosa PCC, com ameaça de uso de explosivos. O ataque não ocorreu por causa da prisão de Petronília Maria de Carvalho Felício, que fez os integrantes da facção desistir do ato. Na história da Bovespa até então, só havia registro de ameaças anônimas feitas por telefone, mas o prédio não chegou a ser evacuado.
Ataques de 2006
thumb|250px|esquerda|Cidades paulistas que sofreram ataques do Primeiro Comando da Capital durante os atentados de 2006
Iniciada na noite de 12 de maio de 2006, uma sexta-feira, deu-se a onda de atentados contra forças de segurança e alguns alvos civis com origem no Estado de São Paulo por ordem do Primeiro Comando da Capital. No dia 14, o ataque já havia se espalhado por outros estados do Brasil, como Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Bahia (este sem ligação direta com o Primeiro Comando da Capital).Balanço aponta 81 mortes em 180 ataques ocorridos em SP - Folha de S.Paulo, 15 de Maio de 2006
Os ataques, que ficaram conhecidos como "Crimes de Maio", tiveram repercussão na mídia brasileira e foram destaque na mídia internacional naqueles dias.Veja a repercussão dos ataques à polícia em SP na mídia internacional - Folha Online, 15 de Maio de 2006 Em todo o estado, 564 pessoas foram mortas e 110 ficaram feridas entre 12 e 21 de maio de 2006, do quais 505 eram civis e 59 agentes públicos.
No dia anterior ao início dos ataques, a Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo havia decidido transferir 765 presos para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau, unidade de segurança máxima localizada no interior paulista, depois que escutas telefônicas revelaram que facções criminosas planejavam rebeliões para o Dia das Mães daquele ano. Entre os presos a serem transferidos estava Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola", considerado o líder do Primeiro Comando da Capital. Em represália, a facção articulou rebeliões em 74 penitenciárias paulistas e, já na madrugada do dia 12, agentes de segurança pública, viaturas, delegacias de polícia, cadeias e prédios públicos passaram a ser alvo de ataques de criminosos.
Ataques de 2012 No final de 2012, outra onda de ataques contra a polícia começou. A causa era aparentemente um anúncio feito por líderes do Primeiro Comando da Capital e espalhado aos membros da gangue fora da cadeia. Durante cerca de trinta dias, todos os dias um ou dois policiais foram mortos, na maior parte em circunstâncias indefesas, como em folgas ou em férias, e até policiais aposentados. Muitos policiais foram assassinados na frente de familiares ou amigos, geralmente quando chegavam ou saíam de suas casas. Em dezembro, as mortes começaram a diminuir e cessaram sem motivo conhecido.
Atentados frustrados de 2023
Narcoterrorismo
Em 2002, por conta de seus métodos de atuação, o PCC já era descrito como uma organização terrorista pelo criminalista e presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas Luiz Flavio Borges d'Urso.
O governo argentino, liderado por Javier Milei, declarou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas. Em 29 de outubro de 2025, a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, informou que ambas foram incluídas no Registro de Pessoas e Entidades Ligadas a Atos de Terrorismo (Repet), que reúne grupos e indivíduos considerados ameaça à segurança nacional. No dia seguinte, o Paraguai também classificou as facções como organizações terroristas.
Em 28 de maio de 2026, o Departamento de Estado dos Estados Unidos (DoS) classificou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras com o objetivo de endurecer o combate ao e ampliar sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.
Em 1 de julho de 2026, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos considerou o PCC como "a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental".
Funcionamento O Primeiro Comando da Capital (PCC) tem mais de 40 mil membros, em 22 dos 27 estados brasileiros, além de países vizinhos, como Bolívia, Paraguai e Colômbia. A facção criminosa mantém suas principais ações no Estado de São Paulo, onde estão mais de 13 mil de seus membros, em 90% dos presídios paulistas.
O Primeiro Comando da Capital forma uma ampla rede de criminosos, dividida entre um braço político e outro econômico. No político, atua como um "poder regulador" que criou "estatutos" que sistematizaram a ética e as relações entre seus membros, os quais pagam mensalidades.
Além do tráfico de drogas, o Primeiro Comando da Capital também atua na economia informal e no sistema financeiro nacional, atuando em diversos setores da economia, como setor de combustíveis, bancos digitais (fintechs), mineração ilegal e bets.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o Primeiro Comando da Capital é a organização criminosa que mais cresce no mundo. De acordo com o Grupo de Atuação Especial e de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a organização criminosa fatura US$ 2 bilhões (mais de R$ 10 bilhões) anualmente. A manutenção e a rápida expansão da organização se deve ao montante que o grupo criminoso movimenta anualmente; em 2006 faturava 12 milhões de reais, de acordo com um estudo feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, teriam um faturamento anual cerca de 6,7 milhões de reais em 2024.
Países em que atua