"Zumbi", também conhecida como "África Brasil (Zumbi)", é uma canção composta pelo cantor brasileiro Jorge Ben. Com uma letra que alude a Zumbi dos Palmares, personagem histórico e líder do Quilombo dos Palmares, no século XVII, "Zumbi" foi lançada no álbum A Tábua de Esmeralda, de 1974. Dois anos depois, o compositor regravou a canção para o álbum África Brasil, mas com bastante modificações em relação a versão original, e ela foi rebatizada com o nome desse LP.

História Versão de 1974 Gravada e lançada inicialmente no álbum A Tábua de Esmeralda, de 1974, a canção foi batizada com o título de "Zumbi" e era caracterizada por uma sonoridade acústica e leve, em sintonia com a temática esotérica desse disco. Ressaltando a letra cantada, a voz de Jorge Ben aparece mais alta do que o acompanhamento instrumental, marcado pelo uso do violão - instrumento predileto até então do cantor - combinados a violino e cello, instrumentos típicos da música erudita.

Versão de 1976 Na segunda versão da música, gravada e lançada em seu álbum África Brasil, de 1976, o compositor fez significativas mudanças, a começar rebatizado a canção com o nome do disco. Além disso, Ben alterou a estrutura da letra e os arranjos originais foram completamente modificados, ganhando uma pegada mais pesada e funk, inspirada na black music estadunidense, em especial pela soul music de Memphis, e que privilegiava o acompanhamento instrumental. Em lugar do tom mais suave e acústico da versão de 1974, foram incorporados o baixo elétrico e a guitarra elétrica junto a atabaques e outros instrumentos de percussão. Na mixagem de som, a voz de Ben apareceu quase na mesma frequência dos instrumentos, uma iniciativa que aproximou o cantor de alguns gêneros do rock e o afastou do formato típico da MPB daquela época.

Um solo do piano de pouco mais de 10 segundos abre a música. Em seguida, o toque do agogô introduz o vocal e o conjunto instrumental. Tanto este instrumento como a cuíca são utilizados ao longo da faixa para marcar os contratempos da percussão, que combinados ao baixo, à guitarra elétricos e efeitos produzidos por um sintetizador, conferem modernidade à canção.

O vocal de Jorge Ben surge em um tom revolto e veemente nos versos “Eu quero ver o que vai acontecer/ Quando Zumbi chegar”, repetindo o trecho “eu quero ver” por três vezes, o que reforça a chegada de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, e a sua luta pela libertação dos escravos. A voz de Ben assume contornos declamatórios e discursivos nos versos “Zumbi é senhor das guerras/ É senhor das demandas/ Quando Zumbi chega/ É Zumbi é quem manda”, em que o compositor omite na entoação o “s” da palavra “demandas” para rimasse com o verbo “manda”. O volume da voz do cantor cresce à medida que aumenta a sonoridade do acompanhamento instrumental, um efeito que amplia a tensão do anúncio da vinda de Zumbi com a entoação do refrão.

Composto pelos versos “Angola, Congo, Benguela/ Monjolo, Cabinda, Mina/ Quiloa, Rebolo”, que representam os territórios africanos de onde vinham os escravizados para o Brasil, o refrão é cantado três vezes em sua primeira aparição, convocando os negros para a luta. Ben modifica a pronúncia de “Cabinda”, que vira proparoxítona com a tonalidade recaída sobre a primeira sílaba. Na última aparição do refrão, a pronúncia é corrigida. O refrão é acompanhado por instrumentos de sopro.

As estrofes seguintes, que narram a venda de uma princesa africana em um leilão de escravos e reproduzem o cenário das grandes fazendas do período escravocrata, são nítidos recursos da figurativização. Além de conferirem um caráter narrativo e visual aos versos, Ben trabalha um jogo de imagens que contrasta a cor branca do açúcar (“De um lado cana de açúcar”) e do algodão (“Vendo a colheita do algodão branco”) à cor negra do café (“Do outro lado o imenso cafezal”) e da pele dos escravos (“Sendo colhidos por mãos negras”). No final desta parte, a execução dos instrumentos elétricos é suspensa, permanecendo apenas o conjunto percussivo, onde se destacam ainda a cuíca emitindo um som percussivo e melódico ao mesmo tempo e o agogô no contratempo dos atabaques e de outros instrumentos graves, e a voz de Ben, que acompanha o repique na caixa da bateria como em uma marcha de guerra.

Esse vocal de Ben acompanhada apenas pela percussão é interrompido por um curto e ascendente acorde da guitarra, que anuncia o clímax da canção, com a reintrodução da massa sonora dos metais e o canto assumindo contornos mais passionais e dramáticos, alternando com entoações figurativas, na execução final do refrão, intercalado por apóstrofes (“meu povo!”) e alguns vocais improvisados.

Versão de 2026 Nesta versão, os arranjos sofreram alguns ajustes para se aproximar dos padrões atuais, bem como foi relançada no padrão de áudio Dolby Atmos. Foi usada como tema de abertura da novela das seis A Nobreza do Amor.

Ficha Técnica no "Tábua de Esmeralda" Jorge Ben: violão

no África BrasilÁfrica Brasil - Discos do Brasil Jorge Ben: guitarras Dadi Carvalho: baixo elétrico Pedrinho: bateria José Roberto Bertrami: teclados Oberdan Magalhães: saxofone Zé Carlos Bigorna: saxofone Darcy Cruz: trompete Márcio Montarroyos: trompete Doutor: percussão Gustavo: percussão Joãozinho: percussão Wilson Canegal: percussão Ariovaldo Contesini: atabaque Djalma Corrêa: atabaque Hermes Contesini: atabaque Esdra Ferreira (Nenen): cuíca

Ligações externas

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