Almaleque Aladil Zainadim Quitebuga ibne Abedalá Almançuri Aturqui Almugli (, melhor conhecido só como Quitebuga (), foi o décimo sultão mameluco do Egito da dinastia Bahri (vigésimo no total) e reinou entre dezembro de 1294 e novembro de 1296.
História Quitebuga iniciou sua carreira como um soldado comum de origem turco-mongol no exército ilcânida de Hulagu. Ele foi feito prisioneiro durante a Primeira Batalha de Homs em 1260Ibn Taghri, Sultanante of al-nasir Muhammed. e foi comprado como escravo (mameluco) por Calavuno. Posteriormente, foi libertado e feito Emir(Almacrizi - Al-Khitat Al-Maqiziyah, p. 388/vol.3) - (Ibn Taghri, Sultanante of al-nasir Muhammed).
Durante o reinado do filho de Calavuno, o sultão Axerafe Calil, ele foi preso e solto em seguidaAlmacrizi, p.218 & p.222 /vol.2. Em 1293, após o assassinato de Axerafe, Quitebuga se tornou o vice-sultão e regente do jovem sultão Anácer Maomé - que tinha apenas nove anos - e, juntamente com o emir Sanjar al-Shuja'i, ele era o governante de facto do EgitoAlmacrizi, p.249/vol. 2. Porém, Quitebuga logo entrou em conflito com al-Shuja'i, que fora um dos vizires de Al-Nasir. Com o apoio dos búrjidas, al-Shuja'i planejou prender Quitebuga e assassinar seus emires, mas ele foi avisado do plano do rival por um tártaro chamado Cungar. Quitebuga então cercou a cidadela com o apoio dos gengiscânicas e dos curdos sharzuriShahrzuriyah eram os curdos que escaparam da região da Mesopotâmia após a invasão turco-mongol. Na batalha entre Caraque e o sultão Kutuz, eles traíram Maleque Almuguite, rei de Caraque, e se juntaram aos egípcios. (Almacrizi, p500/vol.1 ), mas ele foi derrotado pelos búrjidas e teve que fugir para BilbeisBilbeis, também escrito como Bilbays ou Bilbis, era uma cidade na região sudeste do Governorado de Sharqia na parte oriental do Delta do Nilo, no Baixo Egito a noroeste da cidade do Cairo. - ( Encyclopædia Britanica, p.15/vol. II), onde ele ficou até conseguir retornar para o Cairo para cercar a cidadela novamente quando seus emires derrotaram os búrjidas. O cerco durou sete dias com sangrentos confrontos diários com os mamelucos do sultão e os aliados de al-Shuja'i. Muitos dos emires dele então se juntaram a Quitebuga. Já o emires deste informara a mãe do sultão Al-Nasir que a disputa era com al-Shuja'i e não com o filho dela e, por isso, ela trancou os portões da cidadela, prendendo al-Shuja'i em sua casa do lado de fora. Mais dos seus emires desertaram para o lado de Quitebuga. Al-Shuja'i, que não era popular entre os egípcios, foi então assassinado quando estava a caminho da cidadela para tentar um diálogo sobre o conflito. Quando o portão da cidadela foi aberto, Quitebuga e seus emires entraram e seus aliados, que haviam sido aprisionados por al-Shuja'i foram libertados e os búrjidas que haviam apoiado o finado emir foram presos ou expulsos da cidadela. As propriedades de al-Shuja'i no Levante foram confiscadas e seus principais líderes, presosAlmacrizi, pp.252-255/vol.2.
Os mamelucos búrjidas, que eram uns 300, e que haviam sido expulsos por Quitebuga se rebelaram numa onda de fúria no Cairo. Esses mamelucos, que se denominavam "Mamelucos de Axerafe Calil" (al-Mamalik al-Ashrafiyah Khalil) por que Hoçã Adaim Lajin, que estava envolvido no assassinato do sultão - e patrocinador deles - Axerafe Calil, apareceu no Cairo e não foi preso nem punido. Mas os mamelucos de Axerafe Calil foram derrotados e muitos terminaram executados ou mortosAlmacrizi, pp.259/vol.2.
Ascensão ao poder Após a morte do vizir al-Shuja'i, Quitebuga, que já era o regente, se tornou ainda mais poderoso e foi convencido por Lajin - que sabia que os mamelucos de Calil e futuramente do jovem sultão al-Nasir iriam se vingar do assassinato do sultão Calil - a depor al-Nasir e tomar o poder para siIbn Taghri, Sultanante of al-Nasir Muhammed.. Após a derrota dos búrjidas, Quitebuga reuniu seus emires e disse-lhes: "O sistema real foi minado. Não há como haver respeito enquanto tivermos um sultão tão jovem." Os emires concordaram o ajudaram a derrubar al-Nasir, que foi aprisionado com a sua mãe primeiro numa seção do palácio e depois em Caraque. Quitebuga se instalou como sultão, tomou o nome real de al-Adil e fez de Lajin seu vice-sultãoAlmacrizi, p. 275/vol.2.
Os oirates thumb|esquerda|150px|Moeda de cobre de Quitebuga
Um evento muito importante ocorreu em 1296, logo no início do reinado do sultão Quitebuga: a chegada ao Levante de um enorme grupo de oirates (umas 10 000 pessoas, com seus cavalos e gadoIbn Taghri, Sultanante of Kutbugha )Oirates, .). Refugiados de origem turco-mongol, eles eram liderados por Turgai, um genro de HulaguDe acordo com Abulféda, Turgai era o marido de uma das filhas de Mangu Timur, um dos filhos de Hulagu. - (Abu Al-Fida, Year 695H)Em 1262, durante o reinado do sultão Baibars, muitos tátaros da Horda Dourada escaparam de Hulagu para o Egito e foram seguidos depois por outros tátaros. Baibars os recebeu e os empregou no seu exército. Eles tinham uma unidade própria que era chamada de al-Firqah al-Wafidiyah ("a unidade dos recém-chegados"). Por toda a era mameluca, os Wafidiyah eram homens livres e o sistema mameluco não se aplicava a eles. Baibars morava com eles no Cairo e lhes concedeu diversos postos oficiais. O maior grupo de tátaros imigrou para o Egito em 1296 durante o reinado de Quitebuga, que era também de origem mongol. Eles moravam no distrito de Hicinia, no Cairo, e muitas de suas mulheres se casaram com emires mamelucos. (Shayyal, p.144/vol.2 ). Eles estavam fugindo de Gazã. Enquanto uma parte do grupo de oirates foi bem recebida no Cairo por Quitebuga e passou a residir no distrito de HiciniaTambém escrito como Huçania, que ainda existe hoje em dia no Cairo., outra se abrigou nas cidades costeiras do Levante. Os oirates não eram muçulmanos, mas se converteram após se misturarem com os emires e a população egípcia localAlmacrizi, p. 266/vol.2Shayyal, pp.144-145/vol.2. Porém, como Quitebuga era de origem turco-mongol, sua extraordinária generosidade para com os oirates despertou o ciúme de seus emiresShayyal, p.145Almacrizi, Al-Khitat Almacriziah, pp.32-36/vol.3 e foi um dos fatores que levariam à sua quedaShayyal, p.145/vol.2.
Deposição Durante o reinado de Quitebuga, o Egito e o Levante foram atingidos por secas, carestias e epidemias que provocaram uma grande mortandade entre os egípciosAlmacrizi descreve a era do sultão da seguinte forma: "Seus dias foram os piores, com altos preços, epidemias e morte" - (Almacrizi, p.260/vol.2)De acordo com Almacrizi, essas epidemias provocaram a morte de 127 000 pessoas. - (Almacrizi, p.268/vol.2). Quitebuga não era popular entre os egípcios, que o consideravam um sultão de mau agouroQuando seus servos palacianos souberam que Quitebuga havia tomado o poder, um deles, empregado na cozinha, teria exclamado: "Este é um mau agouro! Um dia de azar!". As palavras do servo se espalharam e eram repetidas por toda a população. - ( Almacrizi, p. 260/vol.2 ). Além disso, os egípcios não estavam felizes com a generosidade do sultão para com os não-muçulmanos oirates enquanto que eles, piedosos fiéis, sofriam com os preços e a realidade da economia.
Quando Quitebuga estava em Damasco, os emires resolveram se livrar dele. Eles foram até o sultão e o encontraram no caminho de volta para o Egito. Quitebuga se enfureceu com Biçari, um de seus proeminentes emires, e o acusou de se corresponder com os mongóis. Temendo que o sultão fosse prender Biçari, os emiresOs emires que atacaram Quitebuga incluíam Lajim, Biçari, Cara Suncur, Cabejaque e Alhaje Baader. - ( Almacrizi, p.273/vol.2 ), entre eles Lajim, se armaram e foram até o diliz (a tenda real do sultão, utilizada durante suas viagens e batalhas) do sultão e enfrentaram seus mamelucosOs mamelucos de Quitebuga se denominavam al-Mamalik al-Adilyyah, uma referência ao nome real dele, Aladil.. Uns poucos mamelucos do sultão foram mortos ou feridos. Quitebuga então fugiu pelos fundos do Diliz e foi para Damasco a cavalo acompanhado por cinco de seus mamelucos, eludindo os emires. Lajim foi entronado como o novo sultão do Egito enquanto Quedebuga se refugiava na cidadela de Damasco. Eventualmente, ele renunciou e reconheceu Lajim afirmando que "Sultão Maleque Almançor [Lajim] é um dos meus KhushdashiyaKhushdashiya () eram mamelucos pertencentes a um mesmo emir ou sultão.. Eu lhe sirvo e lhe obedeço. Eu permanecerei na cidadela até que o sultão decida o que fazer comigo." Quitebuga partiu de Damasco para SarkhadAlmacrizi, pp. 277-278/vol.2 tendo reinado por dois anos e dezessete diasAlmacrizi, p. 274/vol.2.
Em 1297, quando o sultão Anácer Maomé estava a caminho da Síria com um exército egípcio para enfrentar a invasão de Gazã, alguns oirates conspiraram com alguns dos mamelucos do sultão para assassinar o vice-sultão Salar e o ostadarOstadar era um supervisor da cozinha real e de tudo o que estava ligado à comida e bebida do sultão. Baibars Aljasnaquir, que eram os governantes de fato do Egito na época, para reconduzir Quitebuga de volta ao poder, mas a tentativa falhou e os conspiradores foram severamente punidos. Após a derrota do exército de Anácer Maomé na Batalha de Uádi Alcazandar, Quitebuga fugiu para o Egito e passou a servir Salar. Após Gazã ter se retirado da Síria, Quitebuga se tornou o enviado do sultão Anácer em HamaAlmacrizi, p. 326 e p.329/vol.2, onde ele morreu.
Ele foi descrito como um homem baixo de pele morena com uma barba curtaSatō, p. 106.
Ver também
Bibliografia
Abu al-Fida, The Concise History of Humanity Almacrizi, Al Selouk Leme'refatt Dewall al-Melouk, Dar al-kotob, 1997. Idem em inglês: Bohn, Henry G., The Road to Knowledge of the Return of Kings, Chronicles of the Crusades, AMS Press, 1969. Almacrizi, al-Mawaiz wa al-'i'tibar bi dhikr al-khitat wa al-'athar, Matabat aladab, Cairo 1996, ISBN 977-241-175-X. Idem em francês: Bouriant, Urbain, Description topographique et historique de l'Egypte, Paris 1895 Ibn Taghri, al-Nujum al-Zahirah Fi Milook Misr wa al-Qahirah, al-Hay'ah al-Misreyah 1968 History of Egypt, 1382-1469 A.D. by Yusef. William Popper, translator Abu L-Mahasin ibn Taghri Birdi, University of California Press 1954 Mahdi, Dr. Shafik, Mamalik Misr wa Alsham ( Mamluks of Egypt and the Levant), Aldar Alarabiya, Beirut 2008 Sato Tsugitaka, State and Rural Society in Medieval Islam, Brill 1997, ISBN 90-04-10649-9 Shayal, Jamal, Prof. of Islamic history, Tarikh Misr al-Islamiyah (History of Islamic Egypt), dar al-Maref, Cairo 1266, ISBN 977-02-5975-6 The New Encyclopædia Britannica, Macropædia,H.H. Berton Publisher,1973–1974
Categoria:Sultões mamelucos do Egito