"Rose" (prt: "Rose") é o primeiro episódio da primeira temporada moderna da série de ficção científica Doctor Who, transmitido originalmente através da BBC One em 26 de março de 2005. Escrito por Russell T Davies — um dos três produtores executivos — e dirigido por Keith Boak, o episódio é o primeiro a ir ao ar desde o filme televisivo produzido em 1996. Depois de a série ter entrado em pausa em 1989, Davies tentou convencer os executivos da British Broadcasting Corporation (BBC) a reproduzi-la diversas vezes durante a década de 1990. Em 2002, ele teve oportunidade de apresentar suas ideias para a nova produção do programa. Inspirado por séries estadunidenses como Buffy the Vampire Slayer e Smallville, Russell competiu com outras duas pessoas e teve sua ideia de atualizar o programa para o século XXI aceita.

O enredo mostra como Rose Tyler conhece o Doutor, um alienígena viajante do tempo, agora em sua nona encarnação e interpretado por Christopher Eccleston. Quando a loja de departamento em que ela trabalha é atacada por Autons — manequins de plástico que têm vida —, os dois descobrem e derrotam uma conspiração planejada pela Consciência Nestene, um extraterrestre que tem como objetivo dominar a Terra. Depois de ajudar o Doutor, Rose Tyler aceita a oferta de viajar pelo tempo e pelo espaço na máquina do tempo daquele, a TARDIS.

O episódio marcou a estreia de Eccleston, o nono ator a interpretar o Doutor desde a estreia do programa em 1963, e Billie Piper como Rose, a sua companhia. Sendo o primeiro capítulo, vários personagens principais são apresentados nele como Jackie Tyler (Camille Coduri) e Mickey Smith (Noel Clarke), a mãe e o namorado de Rose Tyler, respectivamente. Ao contrário das outras reencarnações, o público não viu o Doutor se regenerar; a regeneração é um recurso narrativo da série no qual ele muda de corpo e identidade. Davies pensou que seria mais claro começar com um novo profissional ao invés de mostrar o intérprete anterior no processo regenerativo.

As filmagens de "Rose" iniciaram-se em Cardiff, onde se localiza a sede da BBC Wales, em julho de 2004; algumas cenas também foram gravadas em Londres. O episódio, o primeiro após 25 anos, foi visto por mais de 10 milhões de espectadores britânicos, tornando-se, assim, o episódio de Doctor Who mais visto desde The Creature from the Pit (1979). Embora alguns tenham criticado o tom do seu humor, em geral, o capítulo recebeu análises positivas dos críticos.

Antecedentes e produção thumb|left|150px|Russell T Davies foi o responsável por convencer a BBC de reviver Doctor Who e escrever "Rose". Doctor Who nasceu da ideia de Eric Maschwitz, que pediu para o Grupo de Pesquisa da BBC avaliar a viabilidade da emissora produzir uma nova série de ficção científica. O estudo foi preparado e foram reunidas mais algumas ideias para o conceito do programa. Em dezembro de 1962, o canadense Sydney Newman tornou-se o novo chefe do Departamento de Drama. Apaixonado por este estilo televisivo, ele decidiu colocar o novo seriado no horário nobre dos sábados entre o esportivo Grandstand e o musical Juke Box Jury. A produção teria objetivo educacional ao mostrar diferentes fatos históricos através da viagem no tempo.

Sua estreia ocorreu em 23 de novembro de 1963, um dia após o assassinato de John F. Kennedy, através da BBC One (então BBC1), às 17:16:20 GMT — oitenta segundos após o inicialmente previsto.Howe, Stammers, Walker (1994), p. 54 Com o tempo, a série foi conquistando espaço na grade da BBC, com números cada vez mais crescentes até que, na década de 1980, sua audiência começou a despencar, culminando na sua pausa decretada por Jonathan Powell a partir de 1989. O programa foi transmitido de 1963 a 1989, em um total de vinte e seis temporadas.

O produtor televisivo Russell T Davies pressionou a BBC em uma tentativa de reproduzir a série desde o final dos anos 1990, conseguindo discutir sua volta em 2002. Em setembro de 2003, um comunicado de imprensa anunciou que Doctor Who iria retornar sob a produção da BBC Wales. O formato fora alterado para episódios de 45 minutos ao invés dos 25 das outras temporadas. Desta forma, portanto, o ritmo tornaria-se "[rápido] como um raio". Davies inspirou-se em séries como Buffy the Vampire Slayer e Smallville, usando em particular a estrutura da primeira de narrar arcos de história durante uma temporada inteira, estes girando em torno de um "Big Bad".

Escolha do elenco Foi anunciado em março de 2004 que Christopher Eccleston interpretaria o Doutor. Jane Tranter, então Controladora do Comissionamento de Drama da BBC, disse que escolher um ator com a reputação de Eccleston simbolizava "a intenção de trazer [a série] Doctor Who para o século XXI, além de reter suas características principais e tradicionais — ser surpreendente e excêntrica". Christopher tornou-se o nono ator a interpretar o personagem desde a estreia da série em 1963. É possível que novos intérpretes assumam o papel através da regeneração, na qual o Doutor muda de corpo e identidade; tal possibilidade foi incluída em 1966. Russell T Davies decidiu começar a nova série já com um novo profissional ao invés de usar o recurso de regeneração; de acordo com ele, seria "loucura" começar com alguém e logo depois mudar antes que o público pudesse estabelecer laços com o artista. De início, o roteirista queria apresentar a nova produção como um "novo programa". O Doutor de Eccleston é mais "pé no chão" do que os anteriores; Russell refere-se a ele como "despojado", mas ainda assim sendo "divertido e engraçado". A jaqueta de couro surrada, principal característica do traje de Eccleston, estava no roteiro original de Davies; roupas simples também foram um desejo do próprio ator, que disse que não queria que suas roupas influenciassem sua atuação.

A escolha de Billie Piper como Rose Tyler foi anunciada em maio de 2004. De acordo com a então produtora executiva Julie Gardner, Piper — ex-estrela da música pop — "encaixa-se no papel perfeitamente" como uma "parceira dinâmica e única para Chistopher Eccleston". Davies descreveu a personagem como "uma pessoa comum que tropeça em algo extraordinário e encontra sua outra metade". Camille Coduri e Noel Clarke foram selecionados para interpretar a mãe e o namorado de Rose Tyler, respectivamente; Russell quis incluir estes personagens para "tornar [Rose Tyler] real" e "dar a ela uma vida". A família de Rose é parte da classe trabalhadora, o que era raramente visto nas companhias do programa anteriormente.

Roteiro e filmagens

thumb|right|Foi dada permissão à equipe de produção para iluminar a London Eye mais do que o normal para sua inclusão como um ponto do enredo em "Rose". O nome do episódio foi gradualmente reduzido; no roteiro original de Davies, o capítulo foi intitulado Rose meets the Doctor, and the Journey Begins e, no contrato do roteirista, como Rose Meets the Doctor, e finalmente encurtado para Rose. Também do primeiro rascunho de Russell, foram mudados os nomes dos personagens; Judy Tyler tornou-se Jackie Tyler e Muggsy Smith, Mickey Smith. Davies teve problemas para imaginar como Mickey deveria ser capturado pelo Nestene enquanto esperava por Rose no carro, e acabou percebendo que ele poderia ser atraído por uma lata de lixo de plástico. Ele comentou que "coisas comuns tornando-se assustadoras" eram uma marca de Doctor Who. O roteirista teve de retratar os Autons como terroristas de forma "oblíqua", já que a London Eye foi uma vez alvo de ataques do tipo. A primeira aparição do Doutor foi um assunto bastante debatido; Tranter e outros membros da equipe de produção queriam que ela fosse mais dramática, mas a cena nunca foi refilmada. Russell comentou que o episódio "refletia o ponto de vista de Rose", e uma entrada mais dramática refletiria "a empolgação do público pela volta do Doutor", o que não era sentido pela moça. A sequência em que o braço de um dos vilões ataca o apartamento da família Tyler era originalmente muito maior, mas foi revisada. Ainda faltavam alguns minutos para completar o capítulo, e uma cena dos dois personagens principais andando foi incluída aproximadamente um mês depois.

Davies queria que o Doutor percebesse que Rose tinha algo para oferecer à sua causa. A cena em que os dois dão as mãos e correm juntos foi feita com intenção de mostrá-los como um time, mesmo sem qualquer confirmação oficial partindo de ambas as partes, e isso não os levaria a questionar sua relação. O episódio foi escrito através do ponto de vista de Rose. Com o objetivo de facilitar a identificação do público, o roteirista queria que o vilão alienígena pudesse ser facilmente confundido com um humano para que fosse possível para a personagem principal confundi-lo com um ser humano. Ele não sentiu necessidade de criar um novo monstro, já que os Autons encaixavam-se neste critério. As sequências com participação deles foram difíceis de ser filmadas, já que o figurino era desconfortável para os atores; sendo assim, pausas tiveram de ser feitas frequentemente. Imagens geradas por computador (CGI) foram usadas na pós-produção para cobrir o zíper das fantasias, presentes na parte de trás do pescoço. Russell também quis recriar a famosa cena na qual os Autons quebram os vidros de uma loja em Spearhead from Space (1970); esta foi a primeira aparição deles. No entanto, o orçamento permitiu que eles realmente o quebrassem ao invés de apenas cortá-lo nas pontas, como foi feito em Spearhead.

left|thumb|200px|A loja de departamento Howells foi usada para representar a Henrik's, onde Rose Tyler trabalha. O storyboard do roteiro foi feito por Anthony Williams. Russell ofereceu a direção a Edgar Wright, mas este teve de recusar, pois ainda estava trabalhando em Shaun of the Dead (2004). O cargo acabou recaindo em Keith Boak. As filmagens foram iniciadas em julho de 2004 como parte do primeiro bloco de produção em conjunto com os episódios quatro e cinco. Os primeiros cinco dias de gravação se passaram em Londres, enquanto o resto ocorreu em Cardiff. Foi dada permissão para que a equipe de produção adicionasse mais luzes na London Eye, iluminando-a mais que o normal. Na cena em que o Doutor e Rose correm pela cidade de Londres, uma cronometragem cuidadosa foi empreendida pela equipe, já que desejavam que um ônibus londrino passasse por trás dos personagens; para tal, a equipe e o elenco tiveram de aguardar pela passagem do mesmo. Nas cenas que foram filmadas em Cardiff, um ônibus londrino e uma van do London Evening Standard apareceram para dar a impressão de que se estava na capital britânica. O exterior da council house de Rose foi gravado em uma casa do tipo em Londres e outra em Cardiff — para sequências distintas. Para formar o apartamento de Mickey, o estúdio onde foi construída a moradia dos Tyler foi redecorado. A equipe de produção tentou realizar seu trabalho em Cardiff em sigilo, mas um dia antes do início das gravações, o Cardiff Council emitiu um comunicado de imprensa informando em quais ruas as filmagens iriam decorrer. O ataque dos Autons durante o clímax foi capturado na Working Street, Cardiff em 22 de julho de 2004; as partes da invasão ocorridas em pontos famosos de Londres, como a London Eye, foram exceção. A Henrik's, onde Rose trabalha, é na verdade a loja de departamento Howells, e a pizzaria é a La Fosse. Levou tempo para a equipe encontrar um restaurante que precisasse do mínimo de decoração possível e que estivesse disposto a fechar por um dia. A rua na qual os personagens se unem e Rose aceita acompanhar o Doutor em suas viagens é a St David's Market, enquanto túneis de serviço de um hospital da capital galesa foram utilizados para ilustrar o porão da Henrik's, onde a jovem é ameaçada pelos Autons. A maioria das gravações em estúdio ocorreu entre agosto e outubro de 2004.