De mulieribus claris (tradução livre: Sobre Mulheres Famosas) é uma coleção de biografias de mulheres mitológicas ou de importância histórica escrita pelo autor Giovanni Boccaccio e publicada em 1374. É a primeira coleção exclusivamente dedicada a biografia de mulheres ocidentais.Brown, op. cit., p. xi Ao mesmo tempo que escrevia esta obra, Boccacio também compilou uma coleção de biografias de homens, De Casibus Virorum Illustrium.
Propósito
Boccaccio alega ter escrito 106 biografias para a posteridade de mulheres que eram renomadas, tanto bem quanto mal. Ele acreditou que recontando as ações de certas mulheres que haviam sido más serviria de compensação para as exortação das virtudes das ações das mulheres boas. Ele escreve em sua apresentação que a combinação de todos os tipos de mulheres iria encorajar a virtude e coibir o vício.Brown, op. cit., p. xii
Visão geral
O autor declara no prefácio que sua coleção de cento e seis curtas biografiasBrown, Virginia translation of Giovanni Boccaccio’s Famous Women, page xi; Harvard University Press, 2001; ISBN 0-674-01130-9Brown, op. cit., p. xi and xxii. Biographies 11–12 and 19–20 are combined to make 104 chapters, however the biographies are I (1) through CVI (106). é o primeiro exemplo na literatura ocidental dedicado exclusivamente às mulheres.Brown, op. cit., p.xxxvii. Um pouco do trabalho perdido de Suetônio, "pessoas ilustres" e o trabalho De Casibus Virorum Illustrium de Boccaccio contém biografias de ambos os sexos enquanto outras como De Viris Illustribus de Francesco Petrarca e De Viris Illustribus de Jerônimo de Estridão são dedicados exclusivamente para homens. Boccaccio informa que seu trabalho foi inspiradoBrown, op. cit., p. 4 e modelado a partir do De Viris Illustribus de Petrarca.Brown, op. cit., p. xii and p. xv
A coleção de biografias inspirou personagens no livro Le Livre de la Cité des Dames de Cristina de Pisano, De las virtuosas y claras mujeres de Alvaro de Luna, Defence of Good Women de Thomas Elyot, De las mujeres ilustres de Alonso de Cartagena, Gynevera de la clare donne de Giovanni Sabbadino degli Arienti, De plurimis claris selectisque mulierbus de Iacopo Filippo Forest Couronne margaritique de Jean Lemaire e vários trabalhos de Edmund Spenser. Também influenciou The Legend of Good Women de Geoffrey Chaucer e The Canterbury Tales.Boitani, Piero, The Monk's Tale, pp. 45, 50–69, Medium-Evum (1976)
Desenvolvimento
Boccaccio escreveu a obra em Certaldo provavelmente entre o verão de 1361 e o de 1362, entretanto pode ter sido até o final de dezembro de 1362.Brown, op. cit., p. 256 Ele dedicou o trabalho a Andrea Acciaioli, Condessa de Altavilla, em Nápoles no final de 1362 mesmo tendo continuado a revisão até a sua morte em 1375. Todavia, ela não foi sua primeira escolha. Primeiro, ele havia considerado dedicar um exemplar mais fino a Joana I de Nápoles porém considerou que um livro pequeno não seria digno de uma pessoa com uma fama tão grande.Brown, op. cit., p. xiii
Existem mais de cem manuscritos em pelo menos nove diferentes estágios do trabalho mostrando que este foi um trabalho popular na época. Boccaccio atualizou a obra em várias versões, edições e rearranjos durante o resto de sua vida.Brown, op. cit., p. xv Após sua morte no final do século XIV, Donato degli Albanzani traduziu uma cópia do latim para o italiano. No início do século XV Antonio di S. Lupidio fez uma tradução volgare, Laurent de Premierfait traduziu para o francês e Heinrich Steinhowel para o alemão. No início do século XVI Henry Parker traduziu aproximadamente a metade e dedicou a Henrique VIII da Inglaterra.
A invenção da prensa móvel trouxe a primeira versão em latim de Johan Zainer em Ulm de 1473. A única versão completa em latim do século XVI que sobreviveu foi feita em 1539 sendo de Mathias Apiarus.Brown, op. cit., p. xx
Conteúdo
As cento e seis biografias são de mulheres mitológicas ou históricas, assim como de algumas contemporâneas do autor. Uma descrição breve segue o mesmo padrão usado em várias versões de De viris illustribus. O padrão biográfico começa com o nome da pessoa, seus parentes ou ancestrais e então sua posição social. Por fim, a razão geral de sua notoriedade ou fama associada com detalhes.
A única fonte que Boccaccio diz que empregou são a Bíblia, Jerônimo e São Paulo. A redação das biografias, porém, fornece dicas de onde ele obteve a informação. Ele claramente teve acesso aos autores Valério Máximo, Plínio, o Velho, Lívio, Ovídio, Suetônio, Estácio, Virgílio, Lactâncio, Orósio e Justino.Brown, op. cit., p.xvi.
Lista de biografias
1. Eva, a primeira mulher na Bíblia 2. Semíramis, rainha dos Assírios 3. Opis, esposa de Saturno 4. Juno, deusa do lar 5. Ceres, deusa da colheita 6. Minerva 7. Vênus, deusa do amor 8. Ísis, rainha e deusa do Egito 9. Europa, rainha de Creta 10. Líbia, rainha da Líbia 11 e 12. Marpesia e Lampedo, rainhas das Amazonas 13. Tisbe, uma moça babilônica 14. Hypermnestra, rainha de Argos e sacerdotisa de Juno 15. Níobe, rainha de Tebas 16. Hypsipyle, rainha de Lemnos 17. Medeia, rainha da Cólquida 18. Aracne of Cólofon 19 e 20. Orítia e Antiopa, rainhas das Amazonas 21. Heriphile, uma profetisa 22. Medusa (mitologia), filha de Fórcis 23. Iole, filha do rei Eurito 24. Dejanira, esposa de Hércules 25. Jocasta, rainha de Tebas 26. Sibila de Cumas, uma profetisa 27. Carmenta, filha do rio Lado. 28. Prócris, esposa de Céfalo 29. Argia, filha de Adrasto 30. Manto, filha de Tirésias 31. As esposas dos Minias 32. Pentesileia, rainha das Amazonas 33. Polixena, filha do Rei Príamo 34. Hécuba, rainha dos Troianos 35. Cassandra, filha do Rei Príamo de Troia 36. Clitemnestra, rainha de Micena 37. Helena, esposa do Rei Menelau 38. Circe, filha do Sol 39. Camila, rainha dos Volscianos 40. Penélope, esposa de Ulisses 41. Lavínia, rainha de Laurento 42. Dido, ou Elissa, rainha de Cartago 43. Nicaula, rainha da Etiópia 44. Panfile, filha de Plateia 45. Reia Ília, um virgem vestal 46. Caia Cirila, esposa do Rei Tarquínio Prisco 47. Safo, garota de Lesbos e poetisa 48. Lucrécia, esposa de Colatino 49. Tomiris, rainha de Cítia 50. Leaena, uma cortesã 51. Atália, rainha de Jerusalém 52. Cloelia, uma virgem romana 53. Hipona, uma mulher grega 54. Megullia Dotata 55. Vetúria, uma senhora romana 56. Timarete, pintora grega 57. Artemísia, rainha de Cária 58. Virgínia, jovem filha de Lúcio Vergínio 59. Irene, filha de Cratino 60. Leontiona, filósofa grega 61. Olímpia do Epiro, rainha da Macedônia 62. Cláudia, uma virgem vestal 63. Virginia, esposa de Lúcio Volúmnio 64. Flora, deusa das flores e esposa de Zéfiro 65. Uma jovem mulher romana 66. Iaia ("Márcia"), filha de Marco Terêncio Varrão 67. Sulpícia, esposa de Fúlvio Flaco 68. Harmonia, neta de Hierão II 69. Paulina Busa, uma mulher da Apúlia 70. Sofonisba, rainha da Numídia 71. Texena, filha do príncipe Heródico 72. Laódice, rainha da Capadócia 73. Quiomara, uma nobre da Galácia 74. Emília Paula, esposa de Cipião Africano 75. Dripetrua, rainha de Laódice 76. Semprônia, filha de Graco 77. Cláudia Quinta, uma mulher romana 78. Hipsicrateia, rainha de Ponto 79. Semprônia, uma mulher romana 80. As esposas dos címbrios 81. Julia, filha de Júlio César 82. Pórcia, esposa de Marco Júnio Bruto 83. Curia, esposa de Quinto Hortênsio Hórtalo 84. Hortênsia, filha de Quinto Hortênsio Hórtalo 85. Sulpícia, esposa de Lêntulo Cruscélio 86. Cornifícia, uma poetisa 87. Mariana, rainha da Judeia 88. Cleópatra, rainha do Egito 89. Antônia, filha de Antônio 90. Agripina, esposa de Germânico 91. Paulina, uma mulher romana 92. Agripina, mãe do imperador Nero 93. Epícaris, uma escrava liberta 94. Pompeia Paulina, esposa de Sêneca 95. Popeia Sabina, esposa de Nero 96. Triaria, esposa de Lúcio Vitélio, o Jovem 97. Proba, poetisa latino-romana e esposa de Adelfo 98. Faustina Augusta 99. Júlia Soémia, mulher de Emesa 100. Zenóbia, rainha de Palmira 101. Papisa Joana 102. Irene de Atenas, Imperatriz de Constantinopla 103. Gualdrada, uma dama de Florença 104. Constança, Imperatriz de Roma e rainha da Sicília 105. Camiola, uma viúva de Siena 106. Joana, rainha de Jerusalém e da Sicília
Bibliografia Fontes primárias Boccaccio, Poeet ende Philosophe, bescrivende van den doorluchtighen, glorioesten ende edelsten vrouwen (Antwerp, 1525) Boccaccio, Tractado de John Bocacio, de las claras, excellentes y mas famosas y senaladas damas (Zaragoza, 1494) Boccaccio, De la louenge et vertu des nobles et cleres dames (Paris, 1493) Boccaccio, De preclaris mulieribus (Strassburg, 1475) Boccaccio, De preclaris mulieribus (Louvain, 1487) Boccaccio, De mulieribus claris (Bern, 1539) Boccaccio, De mulieribus claris (Ulm, 1473) Boccaccio, French translation (Paris, 1405)
Fontes secundárias Brown, Virginia translation of Giovanni Boccaccio’s Famous Women, page xi; Harvard University Press, 2001; ISBN 0-674-01130-9 Schleich, G. ed., Die mittelenglisch Umdichtung von Boccaccio De claris mulieribus, nebst der latinischen Vorlage, Palaestra (Leipzig, 1924) Wright, H.G., ed., Translated from Boccaccio's De Claris Mulieribus, Early English Text Society, Original series w/Latin (London, 1943) Guarino, G. A., Boccaccio, Concerning Famous Women (New Brunswick, N.J., 1963) Zaccaria, V., ed., De mulieribus claris with Italian translation (Milan, 1967 and 1970) Branca, V., ed., Tutte le opere di Giovani Boccaccio, volume 10 (1967) Questia Zaccaria, V., ed., De mulieribus claris, Studi sul Boccaccio (Milan, 1963) Kolsky, S. , Ghost of Boccaccio: Writings on Famous Women, (2005) Franklin, M., Boccaccio's Heroines: Power and Virtue in Renaissance Society (2006)
Ligações externas Humanism - Renaissance - Development Of The Studia Humanitatis, em inglês The Genealogy of Women: Studies in Boccaccio's De mulieribus claris, em inglês The ghost of Boccaccio : writings on famous women in Renaissance Italy'', em inglês Its publishing development history by Guyda Armstrong of Brown University, em inglês
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