Coendou speratus é uma espécie de roedor da família Erethizontidae. É endêmica do Brasil, onde pode ser encontrada na região Nordeste nas Florestas Costeiras de Pernambuco ao norte do rio São Francisco, nos estados de Alagoas e Pernambuco. Coberto com espinhos castanho-escuros com a ponta avermelhada, é conhecido pelos moradores da região como "coandu-mirim".
O Coendou speratus se alimenta basicamente de sementes e tem hábitos noturnos. Ele possui um nariz pontudo e uma cauda longa e flexível que ajuda na locomoção entre as árvores, mas o animal não consegue saltar entre elas. O porco-espinho é forçado a escalar para subir ou descer de árvores quando os galhos não estão próximos uns dos outros.
A espécie encontra-se ameaçada de extinção em virtude da fragmentação do habitat e da caça predatória por habitantes locais.
História da descoberta Coendou speratus foi descrito formalmente como uma nova espécie em 2013 por Pontes et al., com base em espécimes coletados na região da Mata Atlântica do Nordeste do Brasil. A descoberta ocorreu durante inventários de biodiversidade iniciados em 2002 em fragmentos florestais do chamado Centro de Endemismo Pernambuco, uma área reconhecida por seu alto grau de diversidade e endemismo, mas também por intensa degradação ambiental.
Os estudos de campo foram conduzidos em diversos fragmentos florestais ao longo de vários anos, utilizando métodos de censo por transecto linear. Apesar de levantamentos anteriores na região, a espécie não havia sido registrada, o que evidência tanto sua possível raridade quanto as lacunas no conhecimento da mastofauna local.
A descrição da espécie baseou-se na análise de cinco espécimes depositados em coleções científicas brasileiras coletado em 2009 no município de Sirinhaém, no estado de Pernambuco. Além desses exemplares, há registros que incluem indivíduos resgatados em áreas próximas a centros urbanos e um espécime previamente coletado em Alagoas, que posteriormente foi reconhecido como pertencente à nova espécie.
O epíteto específico speratus, que significa “esperança”, foi atribuído pelos autores como uma referência à necessidade de conservação da região onde a espécie ocorre, considerada uma das mais ameaçadas da Mata Atlântica. A denominação também reflete a expectativa de que a descoberta contribua para ampliar o conhecimento científico e incentivar ações de preservação nesse importante centro de biodiversidade.
Morfologia Cabeça: Apresenta espinhos tricolores, com base amarelo-esbranquiçada, faixa preta mediana e ponta vermelho-acastanhada. As cerdas seguem padrão semelhante. As vibrissas mistaciais são longas e pretas, podendo ultrapassar a linha dos ombros (cerca de 90 mm). O focinho é bulboso e rosado, recoberto por pelos curtos escuros.
Corpo: A região dorsal é recoberta por espinhos tricolores, variando entre indivíduos quanto ao comprimento da faixa preta e da ponta avermelhada. Os espinhos são densos, agrupados em pares ou tríades pontiagudas, alguns com pontas farpadas, ocultando pelos finos e acinzentados.
Membros: Internamente cobertos por pelos densos acastanhados a acinzentados; externamente, por espinhos bicolores (base clara, faixa escura e ponta amarelada), medindo cerca de 10 mm nos anteriores e 14 mm nos posteriores. Possui vibrissas anconeais, antebraquiais e ulnares do carpo (cerca de 45 mm). As garras são longas e curvas.
Cauda: Preênsil, com metade proximal dorsal recoberta por espinhos bicolores semelhantes aos da garupa e coxas, que se tornam mais curtos em direção à extremidade distal. A coloração varia entre espinhos amarelo-claros com cerdas acastanhadas e espinhos amarelo-acastanhados com cerdas alaranjadas a marrom-avermelhadas. A metade distal é coberta por cerdas de cerca de 13 mm, variando de marrom-escuro a marrom-avermelhado, exceto na ponta nua.
Crânio: Perfil dorsal plano sobre os ossos nasais e frontais, com parietais ligeiramente convexos. As cristas pós-orbitais alcançam a crista lambdoidal; ossos nasais longos e afilados; arcos zigomáticos mais largos posteriormente, convergindo para o rostro. Os forames incisivos são separados por septo completo. A fossa mesopterigóide pode ser ossificada ou perfurada por cavidades esfenopalatinas. As bulas auditivas são grandes, em forma de feijão, em contato com os processos paroccipitais.
Dentição: Incisivos com superfície anterior alaranjada e restante esbranquiçada. As fileiras dentárias maxilares são subparalelas, com dentes pentalofodontes típicos dos eretizontídeos (exceto Chaetomys). O quarto pré-molar superior é maior que o primeiro molar; o segundo molar é menor que o primeiro e maior que o terceiro.
Comportamento e Ecologia Coendou speratus é uma espécie arborícola e de hábitos predominantemente noturnos. Os indivíduos costumam permanecer em galhos em variáveis alturas, onde podem permanecer imóveis por longos períodos ou deslocar-se lentamente, comportamento estratégico antipredatória.
A espécie aparenta ter atitudes solitária, embora haja registros ocasionais de dois indivíduos juntos, possivelmente um casal. Durante encontros com observadores, os indivíduos tendem a permanecer imóveis ou movimentar-se lentamente, diferindo de outras espécies do mesmo gênero que apresentam comportamento de fuga mais rápido.
Os abrigos são estabelecidos em cavidades de árvores, onde os indivíduos permanecem durante o descanso. A espécie apresenta odor corporal forte e característico, mais intenso do que o observado em espécies do gênero C. prehensilis.
A dieta inclui frutos, havendo registros do consumo de frutos da palmeira Elaeis guineensis (dendezeiro). Observações em campo indicam que a espécie pode ocupar diferentes estratos da floresta, com preferência aparente por níveis mais baixos quando comparada a espécies relacionadas, como Coendou prehensilis.
Registros de campo indicam que indivíduos podem ser encontrados em proximidade com outras espécies de mamíferos arborícolas, embora não haja evidência de interações ecológicas diretas. A espécie também pode apresentar comportamento de vocalização em situações de perturbação.
Distribuição geográfica Coendou speratus é uma espécie possivelmente endêmica do Centro de Endemismo Pernambuco, uma região biogeográfica da Mata Atlântica localizada no nordeste do Brasil, ao norte do rio São Francisco. Sua distribuição abrange áreas costeiras dos estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, embora sua ocorrência exata ainda não esteja completamente delimitada.
Os registros confirmam a concentração do espécime em fragmentos florestais no estado de Pernambuco, especialmente na região de Usina Trapiche, no município de Sirinhaém, onde a espécie foi inicialmente descrita. Registros incluem indivíduos encontrados em áreas próximas aos municípios de Recife e Jaboatão dos Guararapes, bem como um espécime coletado anteriormente no estado de Alagoas, posteriormente reconhecido como pertencente à espécie.
Apesar de sua ocorrência nessa região, levantamentos realizados ao longo de vários anos em diferentes fragmentos de Mata Atlântica não registraram a espécie em diversas áreas próximas, incluindo grandes remanescentes florestais. Esses dados indicam que a distribuição de C. speratus pode ser fragmentada ou restrita a determinadas condições ambientais ainda pouco compreendidas.
A área de ocorrência da espécie sobrepõe-se à de Coendou prehensilis, mas não coincide com a de outras espécies do gênero, como Coendou insidiosus, cuja distribuição se encontra ao sul do rio São Francisco, nem com Coendou nycthemera, espécie amazônica.
Ligações externas
Categoria:Coendou Categoria:Roedores de Alagoas Categoria:Mamíferos descritos em 2013 Categoria:Roedores da Mata Atlântica Categoria:Roedores de Pernambuco Categoria:Roedores endêmicos do Brasil