thumb|José Cordeiro.
José Cordeiro (São Sebastião, Ponta Delgada, 27 de fevereiro de 1867 — São Sebastião, Ponta Delgada, 29 de novembro de 1908) foi um engenheiro químico e empresário açoriano, conhecido sobretudo por seu papel pioneiro na introdução e expansão da energia elétrica nos Açores.
Foi responsável pelo empreendimento hidroelétrico que permitiu inaugurar, em 18 de março de 1900, a iluminação elétrica pública de Vila Franca do Campo, considerada a primeira do género no arquipélago. A sua atuação esteve na origem da posterior expansão da eletrificação para outras localidades da ilha de São Miguel.
Biografia
Formação e primeiros trabalhos
José Cordeiro nasceu no lugar da Grotinha, na freguesia de São Sebastião, em Ponta Delgada. Era filho de João José Cordeiro e Emília Júlia de Amaral Cordeiro e o terceiro de oito filhos.
Realizou os estudos iniciais em Ponta Delgada. Em 1884, aos 17 anos, seguiu para Gand, na Bélgica, onde frequentou estudos preparatórios de engenharia. Em 1889 matriculou-se na École Centrale des Arts et Manufactures, em Paris.
Os estudos foram interrompidos em 1891 devido a uma pleurisia, que o obrigou a regressar temporariamente a São Miguel. Depois de recuperar, voltou a Paris e concluiu, em 1893, sua formação em engenharia química, com distinção.
Em 1894 realizou estágios profissionais em França, em fábricas de açúcar e estearina, e na Alemanha, em unidades ligadas à produção de álcool e cerveja. No ano seguinte começou a trabalhar na Fábrica de Álcool da Lagoa, deixando a empresa em 1896 devido a divergências de natureza técnica. Nesse mesmo ano trabalhou em Lisboa no setor do gás de cidade.
Eletrificação dos Açores
No final da década de 1890, José Cordeiro passou a dedicar-se à introdução da eletricidade em São Miguel. Em 29 de maio de 1897, o jornal vila-franquense A Liberdade noticiou uma proposta sua para a instalação de iluminação elétrica destinada ao serviço público e particular de Vila Franca do Campo.
Após negociações com a Câmara Municipal, foi aberto em janeiro de 1899 um concurso para a instalação da iluminação elétrica da vila. Cordeiro recorreu a financiamento e equipamentos adquiridos no estrangeiro para executar o projeto.
A produção de energia foi instalada na Ribeira da Praia, em Água de Alto, utilizando a força hídrica disponível na região. A primeira central ficou conhecida como Fábrica da Vila e deu início ao aproveitamento hidroelétrico da Ribeira da Praia.
A inauguração estava inicialmente prevista para fevereiro de 1900, mas foi adiada devido aos danos provocados por uma cheia na represa. A iluminação elétrica entrou em funcionamento em 18 de março de 1900, data que a documentação da Fundação Engenheiro José Cordeiro identifica como o início da iluminação elétrica nos Açores.
O empreendimento foi posteriormente ampliado. Em setembro de 1900, a Câmara Municipal da Ribeira Grande adjudicou a José Cordeiro a iluminação elétrica do concelho. Nos anos seguintes, a rede e a capacidade de produção foram desenvolvidas para permitir o fornecimento de energia a outros centros urbanos, incluindo Ponta Delgada.
O aproveitamento hidroelétrico da Ribeira da Praia viria a incluir diferentes centrais ao longo do século XX e tornou-se um dos principais testemunhos materiais do início da produção pública de eletricidade no arquipélago.
Outras atividades empresariais
Além do setor elétrico, José Cordeiro interessou-se por diferentes atividades industriais. Realizou experiências relacionadas à produção de açúcar a partir da beterraba-açucareira e estudou projetos de transporte elétrico sobre carris entre Ponta Delgada e a Ribeira Grande e entre Ponta Delgada e as Furnas, que não chegaram a ser concretizados.
Também esteve ligado à introdução do automóvel na ilha de São Miguel. Uma notícia publicada pelo Diário dos Açores após sua morte referia-se a Cordeiro como introdutor do automobilismo na ilha, associado à necessidade de deslocação rápida entre as diferentes instalações que explorava.
Em 1 de julho de 1907, adquiriu a fábrica de gás de Ponta Delgada, até então pertencente à Compagnie pour l’Éclairage, le Chauffage et la Force Motrice. A aquisição levou à reorganização de seus serviços e à criação da Empresa de Electricidade e Gás, instalada na zona da Calheta de Pero de Teive.
Morte
José Cordeiro morreu na noite de 29 de novembro de 1908, em sua residência na Grotinha, aos 41 anos, depois de permanecer cerca de quinze dias doente.
O funeral realizou-se no Cemitério de São Joaquim, em Ponta Delgada, e contou com ampla participação popular e de representantes das autoridades locais.
Legado
Após sua morte, a família mandou erguer no cemitério uma estátua em bronze, da autoria do escultor Anjos Teixeira. Em outubro de 1974, a obra foi transferida para uma rua de Ponta Delgada que recebeu o nome do engenheiro, nas proximidades das instalações ligadas à antiga empresa elétrica.
José Cordeiro é patrono da Fundação Engenheiro José Cordeiro, instituição ligada à preservação e divulgação da história da energia e do património tecnológico açoriano.
Em 2017, a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo e a Fundação inauguraram o percurso pedestre Quatro Fábricas da Luz, que atravessa as antigas instalações hidroelétricas da Ribeira da Praia e procura divulgar a história do início da produção e distribuição pública de energia elétrica nos Açores.
A Biblioteca Nacional de Portugal regista ainda a publicação, em 2020, de José Cordeiro, pioneiro da eletrificação dos Açores, de Luís Cardoso, editada pela Fundação Engenheiro José Cordeiro.
Bibliografia MOTTA, A. A. R. "José Cordeiro (engenheiro)". Insulana. Ponta Delgada: Instituto Cultural de Ponta Delgada, vol. IX, 1953, pp. 41–61. CARDOSO, Luís. José Cordeiro, pioneiro da eletrificação dos Açores. Ponta Delgada: Fundação Engenheiro José Cordeiro, 2020.
Ligações externas José Cordeiro na Fundação Engenheiro José Cordeiro Biografia completa de José Cordeiro Parque da Energia Hídrica da Ribeira da Praia
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