Gary Leon Ridgway (Salt Lake City, 18 de fevereiro de 1949), conhecido popularmente como Green River Killer, é um assassino em série americano. Foi inicialmente condenado por 48 casos de assassinato. Para evitar a pena de morte, confessou mais de 70 homicídios, embora, quando condenado, foi sentenciado por 49 assassinatos, o que o torna o segundo assassino em série mais prolífico da história dos Estados Unidos em termos de mortes confirmadas. Suas vítimas eram todas mulheres, muitas adolescentes, mortas entre as décadas de 1980 e 1990, no estado de Washington.

A maioria das vítimas de Ridgway eram supostamente trabalhadoras sexuais (especialmente prostitutas) e outras mulheres em circunstâncias vulneráveis, incluindo adolescentes que fugiram de casa. A imprensa deu seu apelido, "O Assassino do Rio Verde", já que suas primeiras cinco vítimas foram encontradas perto do Rio Verde ("Green River"). Ele estrangulava suas vítimas utilizando os braços ou um cinto de couro. Gary se livrava dos corpos jogando-os nas margens do rio ou em áreas arborizadas pelo Condado de King, retornando com certa frequência para ter relação sexual com os cadáveres.

Em 30 de novembro de 2001, enquanto Ridgway deixava a fábrica de caminhões de Kenworth onde trabalhava, em Renton, Washington, ele foi preso pela polícia sob a acusação de assassinar quatro mulheres, baseado em evidências de DNA. Como parte do seu acordo para evitar receber a pena capital, Ridgway concordou em divulgar para as autoridades a localização dos corpos das outras mulheres que ele havia matado. Em dezembro de 2003, ele recebeu 48 sentenças de prisão perpétua, sem possibilidade de condicional. Cumpriu pena no Presídio Estadual de Washington, em Walla Walla, entre 2004 e 2015, quando foi transferido para o presídio de segurança máxima de USP Florence, em Florence, Colorado, mas em outubro de 2015 voltou para Washington.

Começo da vida Gary Ridgway nasceu em 18 de fevereiro de 1949, em Salt Lake City, Utah, o segundo de três filhos do casal Mary e Thomas Ridgway. Sua vida na casa era conturbada; parentes descreveram sua mãe como dominadora e disseram que, quando jovem, ele testemunhou muitas discussões violentas entre seus pais. Seu pai era um motorista de ônibus que costumava reclamar da presença de prostitutas.

Ridgway costumava urinar na cama até seus 13 anos de idade e sua mãe frequentemente lavava seus genitais após cada incidente, normalmente o fazendo de camisola ou alguma roupa curta. Mais tarde, ele diria aos psicólogos de defesa que, quando adolescente, tinha sentimentos conflitantes de raiva e atração sexual por sua mãe e fantasiava em matá-la.

Ridgway era disléxico e isso o atrasou bastante na escola. Quando tinha 16 anos, ele esfaqueou um menino de seis anos, que sobreviveu ao ataque. Ridgway levou o menino para a floresta e o apunhalou pelas costelas em seu fígado, afirmando depois que queria saber "como era a sensação".

Foi reportado que o QI de Ridgway era muito baixo, não passando de oitenta.

Vida adulta Ridgway se formou na Tyee High School, na cidade de SeaTac, em 1969, e se casou com sua namorada do colégio de 19 anos, Claudia Kraig. Ele então se juntou a Marinha dos Estados Unidos e foi enviado para o Vietnã, onde serviu num navio de suprimentos, chegando a ver combate. Durante seu tempo na marinha, Ridgway frequentemente se relacionava com prostitutas e contraiu gonorreia; embora irritado com isso, ele continuou a fazer sexo sem proteção. Quando ele retornou do Vietnã, seu casamento acabou.

Quando questionados sobre Ridgway após sua prisão, amigos e familiares o descreveram como amigável, mas estranho. Seus dois primeiros casamentos resultaram em divórcio por causa da infidelidade de ambos os parceiros. Sua segunda esposa, Marcia Winslow, alegou que ele chegou a estrangula-la. Ele se tornou muito religioso durante seu segundo casamento, pregando de porta em porta, lendo a bíblia em voz alta no trabalho e em casa e insistindo que sua esposa seguisse os rígidos ensinamentos de seu pastor. Ridgway também costumava chorar após sermões ou sua leitura da bíblia. Apesar de suas crenças, Ridgway continuou a solicitar os serviços de prostitutas e queria que sua esposa participasse de sexo em lugares públicos e inadequados, às vezes até em áreas onde os corpos de suas vítimas foram descobertos posteriormente.

De acordo com as mulheres de sua vida, Ridgway tinha um apetite sexual insaciável. Suas três ex-esposas e várias ex-namoradas relataram que ele exigia sexo delas várias vezes ao dia. Frequentemente, ele gostava de fazer sexo em áreas públicas ou na floresta. O próprio Ridgway admitiu ter uma fixação por profissionais do sexo, com quem ele tinha uma relação de amor/ódio. Ele frequentemente reclamava da presença delas em seu bairro, mas também tirava proveito de seus serviços regularmente. Alguns especularam que Ridgway estava dividido entre seus impulsos e suas firmes crenças religiosas.

Com sua segunda esposa Marcia, Ridgway teve um filho, Matthew (nascido em 1975).

Assassinatos miniaturadaimagem|Uma mugshot de Ridgway durante sua breve detenção pelas autoridades em 1982.

Ao longo das décadas de 1980 e 1990, acredita-se que Gary Ridgway tenha assassinado pelo menos 71 mulheres, geralmente adolescentes ou muito jovens, próximo a área de Seattle e Tacoma, no estado de Washington. Em declarações ao tribunal, Ridgway mais tarde relatou que havia matado tantas pessoas que havia perdido a conta. A maioria dos assassinatos ocorreu entre 1982 e 1984. As vítimas eram, em sua grande maioria, mulheres em situação vulnerável (financeira ou emocionalmente), como prostitutas ou jovens que fugiam de casa, que ele pegava ao longo da Rodovia Pacific South. Ridgway às vezes mostrava fotos de seu filho para gerar confiança nas vítimas, dando a elas uma falsa sensação de segurança. Eles então se envolviam em atividades sexuais e quando as convencia a fazer sexo por trás, Ridgway envolvia o antebraço na parte da frente de seus pescoços e usava o outro braço para puxar o antebraço o mais firmemente que pudesse, estrangulando a vítima. Ele matou a maioria das vítimas em sua casa, seu caminhão ou em áreas isoladas. A maioria dos corpos foi despejada em áreas arborizadas ao redor do Green River (ou "Rio Verde"), na região do Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma e outras áreas do Condado Sul de King.

Também foram encontradas duas vítimas confirmadas e outras duas suspeitas na área de Portland, no Oregon. Os corpos eram frequentemente deixados em grupos, às vezes posados, geralmente nus. Ele às vezes voltava ao local onde enterrava os corpos das vítimas e tinha relações sexuais com eles. Ridgway mais tarde explicou que não considerava a necrofilia mais satisfatória sexualmente, mas fazer sexo com as falecidas reduzia sua necessidade de obter uma vítima viva e, assim, limitou sua exposição que podia terminar em sua captura pelas autoridades. Como a maioria dos corpos não foi descoberta até que restassem apenas os esqueletos, duas vítimas nunca foram identificadas. Ridgway ocasionalmente contaminava os locais de despejo com chicletes, cigarros e materiais pertencentes a outras pessoas, e até chegou a transportar os restos mortais de algumas vítimas através das fronteiras do estado para o Oregon a fim de confundir a polícia.

No começo da década de 1980, o Escritório do Xerife do Condado de King formou uma força tarefa para investigar os assassinatos. Entre seus membros estavam Robert Keppel e Dave Reichert, que entrevistaram periodicamente o assassino em série encarcerado Ted Bundy em 1984. Bundy ofereceu suas opiniões sobre a psicologia, as motivações e o comportamento do assassino. Ele sugeriu que o criminoso estava visitando novamente os locais onde deixava os corpos para poder fazer sexo com suas vítimas, o que acabou sendo verdade, e disse que se a polícia encontrasse uma cova nova, eles deveriam vigiá-la e esperar que ele voltasse. Também contribuindo para a investigação foi John E. Douglas, quem desenvolveu um perfil do suspeito.

Ridgway chegou a ser preso em 1982 e no começo de 2001 sob acusações relacionadas à prostituição. Ele se tornou suspeito dos assassinatos de Green River em 1983. Em 1984, chegou a ser submetido a um teste de polígrafo, mas passou sem problemas. Em 7 de abril de 1987, a polícia coletou amostras de cabelo e saliva de Ridgway.

Por volta de 1985, Ridgway começou a namorar com Judith Mawson, com os dois se casando em 1988. Mawson afirmou, em uma entrevista em 2010, que quando ela se mudou para a casa dele enquanto eles estavam namorando, não havia tapete lá. Mais tarde, os detetives disseram a ela que ele provavelmente havia enrolado um corpo no tapete. Na mesma entrevista, ela descreveu como ele saía para trabalhar de manhã cedo em alguns dias, aparentemente para conseguir horas extras. Mawson especulou que Gary devia ter cometido alguns dos assassinatos enquanto supostamente trabalhava nesses turnos da manhã. Ela alegou que não havia suspeitado dos crimes de Ridgway antes de ser contatada pelas autoridades em 1987, e nem mesmo tinha ouvido falar do Assassino de Green River antes dessa época porque ela não assistia aos noticiários.

A autora Pennie Morehead entrevistou Ridgway na prisão, onde afirmou que enquanto estava no relacionamento com Mawson, sua taxa de mortalidade caiu e que ele realmente a amava. De suas 49 vítimas conhecidas, apenas três foram mortas depois que ele se casou com Mawson. Ela chegou a dizer a um repórter de televisão local: "Sinto que salvei vidas [...] sendo sua esposa e o fazendo feliz."

Por quase vinte anos, a polícia não conseguiu encontrar o Assassino de Green River, apesar de vários homens terem sido interrogados, inclusive Ridgway. O caso esfriou por vários anos, mas a polícia do condado nunca desistiu completamente. No começo dos anos 2000, avanços na tecnologia forense trouxe uma nova luz ao caso. As amostras de DNA coletadas em 1987 foram então submetidas a uma impressão genética, fornecendo as evidências para seu mandado de prisão. Em 30 de novembro de 2001, Ridgway estava na fábrica de caminhões de Kenworth, onde ele trabalhava como pintor, quando a polícia chegou para prende-lo. Gary Ridgway foi preso sob suspeita de assassinato de quatro mulheres quase 20 anos antes, depois de ser identificado como um potencial suspeito, quando as evidências de DNA o ligaram de forma conclusiva ao sêmen deixado nas vítimas. As quatro vítimas citadas na denúncia original eram Marcia Chapman, Opal Mills, Cynthia Hinds e Carol Ann Christensen. Mais três vítimas - Wendy Coffield, Debra Bonner e Debra Estes - foram adicionadas à acusação depois que um cientista forense identificou esferas de tinta spray microscópicas como uma marca específica e composta de tinta usada na fábrica Kenworth, onde Gary trabalhava, durante o prazo específico em que essas vítimas foram mortas.

Acordo com a promotoria, confissões e sentença No começo de agosto de 2003, redes de televisão de Seattle reportaram que Ridgway havia sido transferido de uma cadeia de segurança máxima do Condado de King para uma de segurança média de Airway Heights. Outras notícias afirmaram que seus advogados, liderados por Anthony Savage, estavam fechando um acordo de confissão com a promotoria que o pouparia da pena de morte em troca de sua completa confissão de uma série de assassinatos de Green River.