O termo Internet obscura ou rede maligna refere-se a servidores de rede disponíveis na Internet, acessíveis somente através de ferramentas, configurações ou autorizações específicas que dão um elevado nível de anonimato tanto a quem publica os conteúdos como a quem os consulta. A dark web forma uma parte pequena da Deep web, a parte da rede que não está indexada pelas ferramentas de busca, apesar de algumas vezes o termo Deep web ser usado de maneira equívoca para se referir especificamente à dark web.

A internet obscura não deve ser confundida com a Deep web, nem com as redes de compartilhamento de arquivos chamadas de Darknet. Ao passo que Deep web e Darknet referem-se a websites difíceis de serem acessados, e redes secretas ou paralelas à Internet, a Internet obscura (Dark Internet) é qualquer porção da Internet que não pode ser acessada por meios convencionais.A Internet Obscura, reportagem de CR&T

As Darknets que constituem a dark web incluem pequenas redes friend-to-friend Peer-to-peer, assim como grandes e populares redes como Freenet, I2P e Tor, operadas por organizações públicas e indivíduos. Usuários da dark web se referem à rede comum como Clearnet devido à sua natureza não criptografada. A dark web do Tor pode ser referida como onionland, ou "Terra da Cebola", uma referência ao sufixo do domínio da rede .onion e à técnica de anonimização do tráfego chamada onion routing.

Terminologia A dark web tem sido confundida com a deep web constantemente. A confusão data de, pelo menos, 2009, e, desde então, especificamente em relação a Silk Road, ambos os termos têm sido constantemente confundidos apesar das recomendações para que sejam distinguidos.

Domínio De maneira geral os sites da dark web se caracterizam por terem suas URLs como um conjunto de números e letras seguidos do domínio ".onion". Sites neste domínio não são indexados por navegadores comuns como o Firefox e o Google Chrome, sendo amplamente acessados pelo Tor Browser. O Tor Browser foi originalmente um projeto desenvolvido pela agência de inteligencia naval americana que se tornou um projeto open source que permite qualquer pessoa navegar na internet de forma anônima. Para criar essa navegação anonima, o Tor Browser encripta o endereço IP do usuário e o roteia através de vários outros roteadores conectados ao redor do mundo que também usem o Tor. O Tor Browser é capaz de navegar tanto na Surface Web quanto na dark web, sendo por isso conhecido como "a chave para a dark web". Este sistema de encriptação de IP gera como consequência uma grande dificuldade de se encontrar, rastrear e identificar usuários que usem este navegador.

Definição Websites dentro da internet obscura são acessíveis apenas através de redes como o Tor (do inglês "The onion router”, ou roteador cebola pela tradução livre) e I2P (do inglês “Invisible Internet Project”, ou Projeto de Internet Invisível). O navegador Tor e os sites acessíveis pelo Tor são amplamente usados entre os usuários da darknet e podem ser identificados pelo domínio ".onion". Enquanto o Tor é focado em oferecer acesso anônimo à internet, I2P se especializa em permitir a hospedagem anônima dos websites. Identidades e endereços dos usuários da darknet permenecem anônimos e não podem ser rastreados devido ao sistema de encriptação em camadas. A tecnologia de encriptação da darknet direciona os dados dos usuários através um grande número de servidores intermediários, o que protege a identidade dos usuários e garante anonimato. As informações transmitidas podem ser descriptografadas somente por um nó subsequente do esquema, que conduz ao nó de saída. O sistema é tão complexo que torna praticamente impossível a reprodução do caminho dos nós percorrdos e também a descriptografia camada por camada. Devido ao alto nível de encriptação, websites não são capazes de rastrear a geolocalização e o IP de seus usuários assim como os usuários não são capazes de conseguir essas informações do seu hospedeiro. Dessa forma, a comunicação entre os usuários da darknet é altamente encriptada permitindo que os usuários conversem, mantenham blogs, e compartilhem arquivos de maneira confidencial.

A darknet é também utilizada para atividades ilegais assim como comércio ilegal, fórums, compartilhamento de conteúdo ligado à pedofilia e contato entre terroristas.

Ao mesmo tempo, alguns dos websites tradicionais criam alternativas para a acessibilidade para o navegador Tor, em esforços para se conectar com seus usuários. Um exemplo é o da redação jornalística independente ProPublica que lançou uma nova versão de seu website disponível para os usuários de Tor.

Onion Routing O programa Onion Routing é composto por projetos de pesquisa, design, construção e análise de sistemas de comunicações anônimos. O foco é em sistemas práticos para conexões baseadas na Internet de baixa latência que resistam a análises de trafego, espionagem e outros ataques tanto de pessoas de fora (por exemplo, roteadores de internet) como de internos (próprios servidores Onion Routing). Onion Routing impede a rede de saber quem se comunica com quem - a rede sabe apenas que a comunicação está ocorrendo. Além disso, o conteúdo da comunicação está escondido de espiões até o ponto em que o tráfego sai da rede TOR.

O sistema de roteamento Onion mais recente está disponível gratuitamente e é executado na maioria dos sistemas operacionais comuns. Há uma rede Tor de várias centenas de nós, processando tráfego de centenas de milhares de usuários desconhecidos. (A proteção oferecida pelo sistema torna difícil determinar o número de usuários ou conexões de aplicativos.). O código e a documentação estão disponíveis sob uma licença gratuita. A proteção do Onion Routing é independente de saber se o remetente (sender) está escondido do receptor (receiver) da conexão ou vice-versa. O remetente e receptor podem querer identificar e até se autenticarem, mas não desejam que os outros saibam que estão se comunicando. O remetente também pode querer estar escondido do receptor. Há muitas maneiras pelas quais um servidor web pode deduzir a identidade de um cliente que o visita; Vários sites de teste podem ser usados para demonstrar isso. Um proxy de filtragem pode ser usado para reduzir a ameaça de identificar informações de um cliente que atinja um servidor. Onion Routing atualmente faz uso do filtro Privoxy para este propósito.

Serviços ocultos (Hidden Services) Os serviços da Web e outros serviços estão sujeitos a ataques de negação de serviço e até mesmo a potenciais ataques físicos. Mas se a localização lógica e física de um serviço estiver escondida, pode resistir a tais ataques, mesmo aqueles com acesso autorizado ao serviço. Desde o início fornecer serviços ocultos e pontos de encontro fizeram parte do Onion Routing.

O design Tor inclui uma abordagem melhorada para pontos de encontro e serviços ocultos. Os serviços ocultos foram implantados pela primeira vez usando a rede Tor. A Hidden wiki inclui uma lista de alguns serviços ocultos e informações relacionadas. (Um cliente Tor Tortivo e um proxy como Privoxy são necessários para acessar a hidden wiki.) Análise da segurança de servidores ocultos, incluindo melhorias de design para otimizar serviços de forma mais robusta são áreas de grande estudo na atualidade.

Conteúdo Um estudo publicado em Dezembro de 2014 por Gareth Owen da Universidade de Portsmouth descobriu que o tipo de conteúdo mais requisitado através do Tor era pornografia infantil, seguido por mercados negros, enquanto que os sites individuais com o mais alto tráfego eram aqueles dedicados a operações de botnet. Muitos sites de denúncia também mantém presença, assim como fórums de discussões políticas. Sites associados com o Bitcoin, fraudes de serviços e compras por correio estão entre os mais abundantes. Para combater a tendência de conteúdo controverso, o coletivo de artistas Cybertwee realizou uma venda de bolos em um site de darknet.

Embora exista conteúdo ilícito na dark web, o seu tráfego não é totalmente feito por pessoas com intenções maliciosas, ele também é composto por usuários que procuram maior privacidade em suas atividades. No entanto, assim como ocorre no Bitcoin, existe uma grande imagem de criminalidade associada com a dark web, mesmo sabendo que o onion routing, atual modelo conexão que garante o anonimato do usuário e é usado para acessar essas redes, foi financiado pelo governo dos Estados Unidos para garantir a privacidade na comunicação online.

Um estudo mais recente de fevereiro de 2016 feito por pesquisadores do King's College de Londres dá a seguinte distribuição de conteúdo por um conjunto de categorias alternativas, destacando o uso ilícito de serviços .onion:

Botnets As botnets são muitas vezes estruturadas com seus servidores de comando e controle baseados em um serviço oculto resistente à censura, criando uma grande quantidade de tráfego relacionado aos bots.

Serviços relacionados ao Bitcoin Os serviços de Bitcoin, como tumblers, estão freqüentemente disponíveis no Tor, e alguns - como o Grams - oferecem integração ao mercado de darknet. Um estudo realizado por Jean-Loup Richet, pesquisador da ESSEC, e realizado junto ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, destacou novas tendências no uso de Bitcoin para fins de lavagem de dinheiro. Uma abordagem comum era usar um serviço de troca de moeda digital que convertia Bitcoin em uma moeda de jogo on-line (como moedas de ouro em World of Warcraft) que mais tarde seria convertido novamente em dinheiro. Uma das características importantes do bitcoin e serviços similares na dark web é a sua política de criptografia, que está se tornando um teste dos valores da democracia liberal no século XXI.

Mercados da Darknet Os mercados comerciais da darknet, que mediam as transações por drogas ilícitas e outros bens, atraíram significativa cobertura da mídia, começando com a popularidade da Silk Road e Diabolus Market, e sua subsequente apreensão por autoridades legais. Outros mercados ainda vendem vulnerabilidades em softwares e armas. Comparações das diferenças de preços entre mercados na dark web e os preços na vida real ou dentro da internet comum têm sido tentados, bem como estudos sobre a qualidade dos bens recebidos através da dark web. Um desses estudos foi realizado sobre a qualidade das drogas ilegais encontradas no Evolution, um dos criptomarkets mais populares ativos de janeiro de 2014 a março de 2015. Um exemplo de resultados analíticos incluía que a informação digital, como métodos de ocultação e país de embarque, parecia exata " Mas a pureza das drogas ilícitas é diferente das informações indicadas em suas respectivas listas ". Menos se sabe sobre as motivações dos consumidores para acessar esses mercados e os fatores associados à sua utilização.

Muitos desses mercados ilícitos utilizavam como moeda o famoso bitcoin, uma moeda de troca virtual que executa transações através do modelo de conexão peer-to-peer diretamente entre os usuários, sem a necessidade de algum intermediário nessas transações. O motivo dessa moeda ser usada para transações ilícitas porquê os indivíduos envolvidos na transação não são identificados, fazendo com que a negociação não deixe rastros, e também, devido ao bitcoin ser uma criptomoeda ele não gera impostos sobre as transações.

O maior desses mercados ilícitos encontrados na dark web foi o famoso SilkRoad, que utilizava uma combinação entre o Tor e Bitcoins para efetuar suas transações comerciais. O SilkRoad foi fundado por Ross Ulbricht, que se identificava como "Dread Pirate Roberts" em fevereiro de 2011, e ficou no ar até Outubro de 2013. Após o fechamento do SilkRoad, muitos outros pequenos sites foram surgindo na dark web de maneira regular, como por exemplo o Silk Road 2.0 ou o Agora marketplace. Esses sites nem sempre chegavam a crescer e eram rapidamente derrubados por agências do governo.