"Wrecking Ball" é uma canção da cantora estadunidense Miley Cyrus, gravada para seu quarto álbum de estúdio Bangerz. Escrita por Maureen Anne McDonald (MoZella), Stephan Moccio, Sacha Skarbek, Lukasz Gottwald e Henry Russell Walter, sua produção ficou a cargo dos dois últimos sob os nomes artísticos de Dr. Luke e Cirkut. Musicalmente, é classificada como uma balada do gênero estilístico pop, e sua letra discute a deterioração de um relacionamento; houve grandes especulações de que a música foi inspirada pelo ex-noivo da artista, Liam Hemsworth. A canção foi originalmente escrita com Beyoncé em mente antes de ser oferecida para Miley. O tema foi lançado em 25 de agosto de 2013 através da RCA Records como o segundo single de Bangerz, nos formatos de CD single e download digital.
A recepção por parte dos críticos de música foi positiva. Os analistas apreciaram o conteúdo lírico e a produção. Contudo, alguns questionaram se a demonstração emocional de Cyrus era genuína, já que ela recentemente gerou controvérsias devido à sua imagem sexual crescente. Inicialmente lançada como uma canção promocional na loja virtual iTunes Store, "Wrecking Ball" estreou na 50.ª posição na Billboard Hot 100. Entretanto, após o seu lançamento como um foco de divulgação oficial, tornou-se a primeira obra da artista a atingir a primeira posição da supracitada tabela norte-americana, principalmente após o lançamento de seu polêmico vídeo musical. Até janeiro de 2014, haviam sido vendidas mais de três milhões de cópias da composição nos Estados Unidos. Internacionalmente, o single obteve um sucesso forte: alcançou o topo das tabelas oficiais de Canadá e Reino Unido, e conquistou as dez melhores posições em grande parte da Europa e na Oceania.
Seu vídeo musical acompanhante foi dirigido por Terry Richardson e lançado em 9 de setembro de 2013. O enredo apresenta cenas com foco no rosto de Cyrus enquanto a mesma canta chorando, reminiscente às do vídeo para "Nothing Compares 2 U" de Sinéad O'Connor, intercaladas com sequências da artista nua balançando em uma bola de demolição, em referência ao título da canção. As opiniões para o projeto foram dividas; alguns analistas pensaram que o mesmo por si só era mais provocante que o clipe de "We Can't Stop". Até agosto de 2014, este vídeo deteve o recorde de mais assistido na plataforma Vevo em 24 horas após o lançamento, mantendo o de ter sido o mais rápido a atingir a marca de 100 milhões de assistidas no serviço até o lançamento de "Hello", de Adele. A produção também venceu a categoria de Video of the Year durante os MTV Video Music Awards de 2014. Como forma de divulgação tanto à canção quanto Bangerz, a artista interpretou a obra ao vivo diversas vezes, como no iHeartRadio Music Festival e um episódio do Saturday Night Live. Além disso, foi incluída na lista de canções da Bangerz Tour.
Antecedentes e lançamento left|thumb|150px|"Wrecking Ball" foi originalmente escrita com Beyoncé (foto) em mente antes de ser oferecida para Cyrus. Em 2012, Cyrus anunciou planos de focar em sua carreira de atriz, efetivamente colocando seus investimentos musicais em hiato. Naquele ano, ela participou dos filmes LOL e So Undercover. Ela também confirmou uma personagem principal no filme Hotel Transylvania, mas deixou o projeto para coordenar seu retorno musical. Em janeiro de 2013, a artista encerrou seu contrato com a Hollywood Records, sob a qual lançou os álbuns Meet Miley Cyrus (2007), Breakout (2008), Can't Be Tamed (2010) e o extended play (EP) The Time of Our Lives (2009). Mais tarde, naquele mesmo mês, ela assinou com a RCA Records. Em março, a artista confirmou que seu quarto álbum de inéditas seria lançado no final de 2013.
Cyrus descreveu seu novo estilo musical como um "sujo hip hop sulista" e combinou elementos genéricos deste e da música country, o que ela sentiu ser um "bom híbrido". Para criar este gênero, ela trabalhou com vários produtores do estilo; eles a auxiliaram a incorporar elementos do hip hop para o material, e Cyrus reconheceu o resultado final como um "som totalmente diferente". Ela também comentou que seu projeto seria "calar todo mundo", e posteriormente, comparou o disco com Bad (1987), de Michael Jackson, em que "as pessoas ainda estão ouvindo [isso] porque é incrivelmente dopado" e "[quero] que as pessoas escutem o [meu] álbum desta maneira".
Antes de dizer diretamente que "Wrecking Ball" foi originalmente escrita com Beyoncé em mente, a compositora Sacha Skarbek twitou em dezembro de 2012: "Uma canção de Beyoncé agora vira uma canção de Miley Cyrus?!! Bom/ruim? Eu não sei??!!!! ". Seu representante comentou que "originalmente, a [sessão de composição entre Dr. Luke e Sacha] foi reservada para escrever uma canção para Beyoncé. Mas, a medida que a canção ['Wrecking Ball'] evoluía, os compositores perceberam que não funcionaria para ela". A música, e a capa de seu disco resultante, Bangerz, foram revelados em 25 de agosto de 2013, antes de apresentação da cantora no MTV Video Music Awards de 2013. A capa foi divulgada em 6 de setembro, e mostra Miley usando uma camisa branca sem mangas e uma calcinha enquanto balança em uma bola de demolição. No dia 13 do mesmo mês, a obra foi liberada para as estações mainstream italianas, seguida um lançamento em rádios adult contemporary e mainstream estadunidenses três e quatro dias depois, respectivamente. A composição serviu como segundo single do disco, após o carro-chefe "We Can't Stop", que foi lançado em junho.
Estilo musical e letra
"Wrecking Ball" é uma canção de movimento balada do gênero estilístico pop, produzida por Dr. Luke e Cirkut. A sua composição foi construída através de acordes de piano, violino, bateria e teclado, completados com o vocal da artista. Miriam Coleman da revista Rolling Stone notou que a obra se inicia com uma instrumental minimalista de teclado, que enfatiza os "vocais angustiados" de Cyrus, e também descreveu-a como um "inconsolável contraponto" para "We Can't Stop".
A letra foi escrita por Lukasz Gottwald, Maureen Anne McDonald, Sacha Skarbek, Stephan Moccio e Henry Russell Walter. De acordo com a partitura publicada pela Kobalt Music Publishing America, a música está composta na tonalidade de ré menor e no tempo de assinatura comum infundida no metrônomo de sessenta batidas por minuto. O alcance vocal da cantora abrange variadamente entre as notas de Fá3 à de Si♭4, à medida que a composição possui uma sequência básica de ré menor, fá maior, dó maior e sol menor como sua progressão harmônica. Liricamente, a composição trata sobre a deterioração de um relacionamento, como exemplificado pelos versos "Não diga que eu simplesmente fui embora / Eu sempre vou te querer / Não posso viver uma mentira / Que corre por minha vida / Eu sempre vou te querer". Segundo Gil Kaufman da MTV News, a letra é sobre "Cyrus lutar o mais árduo possível para manter um amor vivo, porém as coisas não funcionam da maneira esperada". Alguns analisadores escreveram que "Wrecking Ball" possa ter sido inspirada em seu "relacionamento ioiô" com seu ex-noivo, Liam Hemsworth.
Recepção pela crítica
Escrevendo para o The A.V. Club, Marah Eakin foi positiva, chamando a canção de "balada sólida" e descrevendo-a como uma "versão moderna de 'My Heart Will Go On' que discute um romance jovem deteriorado e curto". Kitty Empire do The Observer opinou que "a seção de coração partido de Bangerz principalmente pega sua atenção", citando a música como parte dela. Embora tenha achado a obra "previsível", Evan Sawdey do PopMatters deu uma análise positiva, elogiando sua produção e a construção até seu refrão, afirmando que "[é] o tipo de canção tradicional que nos mostra como você deve construir corretamente até o refrão antes de bater nossa cabeça nele". Raquel Carneiro, da revista brasileira Veja, disse que "Wrecking Ball" está "entre as boas canções [de Bangerz] capazes de marcar a memória de quem ouve", adjetivando-a como "música vigorosa – embora igual a muitos hits pop". Por outro lado, Braulio Lorentz do G1 a avaliou como "mediana". Mauro Ferreira do blog Notas Musicais considerou que "[é] melhor do que o disco como um todo".
Jon Dolan da Rolling Stone sentiu que a composição "[leva à] fome e a confusão que fazem os grandes números pop de cantores que estão ficando mais velhos". Em uma resenha para a base de dados AllMusic, Heather Phares considerou-a como um destaque do disco resultante. O crítico do Digital Spy Robert Cospey questionou a decisão da artista em lançar uma balada no meio das controvérsias sobre suas "façanhas lascivas", mas apreciou a música e opinou que ela "prova que há método por trás da loucura". Por fim, ele deu quatro estrelas de cinco máximas para a faixa. Numa análise mista, Joseph Atilano para o Philippine Daily Inquirer elogiou a letra por parecer sincera, mas sentiu que sua produção era "comparativamente mais fraca" que seus projetos anteriores. Mikael Wood do Los Angeles Times sentiu que "Wrecking Ball" provou que Cyrus "não é só um robô de twerk programado para deleitar", mas notou que "[ela] cantando palpita numa coisa que parece com um constrangimento da emoção", e achou peculiar que a canção tenha discutido o relacionamento de Miley com Hemsworth quando seu comportamento público aparentemente sugeriu que ela "não podia se importar menos".
Vídeo musical thumb|right|250px|Captura da cena considerada a de mais destaque no vídeo musical, por mostrar a artista em uma bola de demolição e apenas com botas da Doc Martens. Seu vídeo musical acompanhante foi dirigido por Terry Richardson e lançado na plataforma Vevo em 9 de setembro de 2013. Com duração de pouco mais de três minutos e meio, a produção apresenta um enredo simples. Seu início se dá quando a artista aparece cantando emocionalmente num fundo branco, uma cena inspirada pelo teledisco de "Nothing Compares 2 U" por Sinéad O'Connor. Tal cena é intercalada ao longo de outras sequências onde Cyrus é vista lambendo uma marreta e ao balançar em uma bola de demolição, fazendo jus ao título da música. De início, ela é vista vestida com uma camiseta branca sem mangas e uma calcinha – assim como na capa do single; à medida que a história avança, ela aparece na bola apenas com botas da Dr. Martens.
O vídeo recebeu análises mistas dos críticos, que ficaram divididos na opinião quanto à crescente imagem provocativa de Cyrus, iniciada com Can't Be Tamed em 2010. Jason Lipshutz da Billboard disse que "Cyrus nua balançando em uma bola de demolição" foi a maior surpresa do clipe. Escrevendo para o Daily Mail, Amelia Proud foi mista, comentando que a artista apresentou um visual mais provocativo do que o da "turbulenta" gravação para "We Can't Stop" e questionando se ela "chegou muito longe dessa vez". Raquel Carneiro da revista brasileira Veja avaliou que a faixa em si "acabou ofuscada pela nudez da cantora no videoclipe". O analista Mauro Ferreira para seu blog Notas Musicais partilhou da mesma opinião: "A nudez do recordista clipe [...] gerou tantos acessos e comentários que ofuscou o fato de a música em si ser boa". Tatiane Rosset da seção Pop! Pop! Pop! da sucursal da Veja em São Paulo considerou que "o clipe [é] até que bem delicado - só não precisava ficar simulando beijos com martelos". Numa resenha do disco para o G1, Braulio Lorentz notou que "ainda nascerá a pessoa que ouve [a canção] após ter visto o clipe e consegue tirar da cabeça a figura de Miley nua em uma bola de demolição [e] lambendo uma marreta". A equipe da Entertainment Weekly brincou que o público ficaria "escandalizado/excitado/desapontado com as ações de parentalidade de Billy Ray Cyrus" após verem sua filha nua e "chupando uma marreta".