Emmanuel Joseph Marie Maurice Daudé d'Alzon (Le Vigan, 30 de agosto de 1810 – Nîmes, 21 de novembro de 1880), foi vigário-geral da diocese de Nîmes, no sul da França e fundador da Congregação dos Agostinianos da Assunção (1845) e das Oblatas da Assunção (1864).

Formação Emmanuel d´Alzon estudou no seminário de Montpellier (1832–1833), posteriormente completou sua formação como autodidata em Roma. Ligado desde a juventude aos ideais de liberdade de Lamennais, na antevéspera de sua ordenação foi-lhe mandado assinar, a pedido do Papa Gregório XVI e diante do Cardeal Vigário de Roma (Carlo Odescalchi), um ato de submissão formal às Encíclicas Mirari Vos (1832) e Singulari Nos (1834). Isso Equivalia a afirmar explicitamente que ele não mais compartilhava das ideias de Felicité de Lamennais e nem as defendia.VV.AA. Momentos marcantes do caminho de Santidade de Emmanuel d´Alzon, Roma, p.24 O padre obedeceu, como ele mesmo afirmará, qual um leão ferido, rugindo. Mais tarde ao referir-se ao episódio, em carta a um professor escreverá: "(…) É necessário sempre trabalhar para Roma, algumas vezes sem Roma, mas nunca contra Roma".D´Alzon, Emmanuel. Lettres, p. 658.

Fundador Na França de seu tempo, pós-revolução, Emmanuel d´Alzon lamentava a falta de ordens religiosas que estivessem à altura das influências e das mentalidades da época. Como muitas ordens e congregações haviam sido expulstas da França pela Revolução, era necessário, ao seu ver, repropor e restaurar as antigas formas de vida religiosa, atualizando-as para fazer frente às inúmeras dificuldades que a Igreja enfrentava no século XIX. Assim, ele desejva ver surgir uma nova Ordem religiosa, enraizada na tradição mas que fosse capaz de responder aos desafios que eram impostos à Igreja. Para tanto, buscou em Santo Agostinho os princípios de uma sólida piedade e propgnou o surgimento de uma nova sociedade de presbíteros fundada na aceitação de tudo o que é Católico, na franqueza e na liberdade. Em carta a Maria Eugênia de Jesus, fundadora das Religiosas da Assunção, ele explica suas intuições: "Não conheço nada melhor para fazer morrer o espírito próprio e o amor próprio que a aceitação de todo bem existente fora de mim. Não conheço nada que conquiste mais os homens de nosso tempo que a franqueza; e não conheço nada mais forte para lutar contra os inimigos atuais da Igreja que a liberdade".BERNOVILLE, Gaétan. Emmanuel d´Alzon: um promotor do Renascimento católico do século XIX, p.101 Assim, na noite de Natal de 1845 Emmanuel toma o hábito religioso e dois dias depois inicia o noviciado com um leigo e outros quatro sacerdotes. Em 1850 professa os votos religiosos e juntamente com os irmãos que o acompanharam no noviciado constitue a Congregação dos Agostinianos da Assunção, conhecidos também como Padres Assuncionistas.

Obras Apostólicas A 6 de junho de 1862, encontrando-se em peregrinação em Roma, foi chamado pelo Papa Pio IX que lhe pediu expressamente que sua jovem Congregação se dedicasse à Missão junto aos ortodoxos, de modo particular junto aos Búlgaros, a fim de que estes voltassem à fé Católica.Gaétan Bernoville. Emanuel d´Alzon: um promotor do Renascimento Católico do século XIX, p.157 Da Bulgária a Congregação se estendeu à Romênia, Turquia, Grécia, Jerusalém e Rússia, compondo o que os assuncionistas chamaram de "Missão do Oriente" e, onde despenderam muito de suas forças.

Mais de uma vez foi-lhe proposto o Episcopado, mas ele declinará sempre, preferindo se consagrar à sua Congregação. Apostolo generoso e fecundo, lançou inumerosas iniciativas pastorais em sua diocese, em estreito laço com os sucessivos bispos: Mgr de Chaffoy (1822–1835), Cart (1837–1855), Plantier (1855–1875) e Besson (1875–1888). Pede demissão de seu cargo de Vigário Geral em 1878. Num ambiente fortemente marcado pelo galicanismo, permaneceu sempre fiel à Roma e ao papa, sendo considerado uma das mais eloquentes figuras do ultramontanismo.

Às suas duas Congregações designou alguns objetivos apostólicos: missões estrangeiras, missão entre os ortodoxos, educação católica segundo o espírito de Santo Agostinho, combate ao ateísmo, impressa, despertar de vocações religiosas e sacerdotais e peregrinações de penitência. Quis lançar as bases morais de sua família religiosa na aceitação de tudo o que é Católico, na franqueza e na liberdade.VV.AA. Momentos marcantes do caminho de santidade de Emmanuel d´Alzon. Roma, p. 35 Morreu aos 21 de novembro de 1880, estando sitiado o colégio onde fundara a Congregação. O governo anti-católico da Terceira República Francesa, a contragosto, esperava apenas o fim de sua vida para invadir e tomar posse do Colégio Assunção, que nunca mais foi devolvido aos assuncionistas. A seu enterro compareceu uma multidão de 30.000 pessoas.

O Papa João Paulo II reconheceu suas virtudes heroicas e o proclamou venerável aos 21 de novembro de 1991, 111 anos depois de sua morte.

Ligações externas Sitio web internacional de los Asuncionistas, Roma Sitio web de los Asuncionistas en España Encyclopedia catholica

Bibliografia Manuel d'Alzon, por Gaetan Bernoville. Religiosos Asuncionistas, Santiago de Chile 1990. Padre Manuel d’Alzon, un hombre para el Reino, por Fr. Contardo Miglioranza, Buenos Aires 2002. Vie du P. Emmanuel d'Alzon, por Vailhé, Siméon. París, Maison de la Bonne Presse 1927.

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